27 janeiro 2013

autolove

Tive que chegar muito cedo pra garantir aquele lugar em frente ao palco. Fiz a minha parte, me preparei e fiquei debaixo de chuva, de guarda-chuva, de vento e de tempo. A gente sabe quando vai ouvir algo que precisa ouvir.

O Kid nesse sentido é uma fuga. Eu perco o sono e choro sei que quase desespero mas não sei por que. Daí volto a eles com uma sede imensa de me sentir compreendido. E sei que é algo inerente a mim. Vejo Paula do alto dos seus 50 anos cantar “Fixação” sem muita distância da Paula teen que escreveu a canção. A gente apenas sabe quando a trilha vai se reciclar pois não é apenas para um momento.

Fiquei na expectativa de saber como me comportaria quando estivesse de frente pra essas canções, ali de graça, ao vivo na praia de Barra de São João. Uma sequência enorme de hits batidos que a gente canta no videokê, mas se lembra certinho de tudo o que passou com eles.

Veio mais chuva, mais vento, mais hits. Desde que estamos aqui, eu não quero saber. E pelo visto eu estou dentro desse universo. Da lama à pista, a vida é besta. Minha educação sentimental pode não ser das melhores, mas os sentimentos todos que eu queria expressar já estão nos versos dos clichês, dos lados-B e até em alguns solos de guitarra que – contrariando a letra - me conquistam logo de cara.

Pedro.
x

26 janeiro 2013

step to me

Contrariando todas as expectativas, inclusive as minhas, eu estou bem. Acontecimentos recentes não me impedem de tocar o barco. A vidinha segue (cena da Andréa Beltrão no filme “A Partilha”, poxa, minha atriz favorita!) e o que importa é que as coisas que me fazem feliz não estão obsoletas no cotidiano. Eu consigo rir, eu consigo fazer piadas e estabelecer uma rotina. Pego um pouco mais pesado nos amortecedores por que a cabeça quando deita no travesseiro não desliga sozinha. Mesmo assim ainda é muito mais por prazer do que por desespero. Falo pouco sobre acontecimentos recentes e espero ansiosamente pelos próximos. Escrevendo parece mais imbecil do que necessário. E está bem assim. Pedro x

23 janeiro 2013

cordão da insônia





Rildas a milhão
and never letting you down

the city that always sleeps
shall rise
when you do 

Pedro.
x

20 janeiro 2013

cê lá faz idéia



Os textos tem escorrido em pensamentos que passam. Mas esse aqui ficou. De como a gente não pode negar-se ao próprio tempo, época, realidade, local.

Se a palavra desse começo de séc. XXI é projeção, vamos usá-la, dialogar com ela, questioná-la, transfigurá-la sem esquecer seu significado real. Seja ele bom ou mal.
Não adianta ficar fazendo charme de quem não quer pertencer, como se fosse de outra época, realidade, tempo, local.

As coisas estão no mundo. 

Pedro.
x

17 janeiro 2013

não tem segredo

Coisas pequenas que a gente nao possui mais nem consigo mesmo. O tal do infinito particular que não precisa ser infinito. Pode ser uma singeleza que se guarda só pra si. Acabou.

Hoje é tudo super exposto. Não acho ruim, gosto dessas constatações das pequenas coisas que se divide via twitter, dos humores variados que se compartilha no Facebook. Não acho ruim pois a gente só expõe o que tem vontade e quer.
Tem sido muito.

Mas esse ano o exercício meu, íntimo, será de reencontrar essas coisas que a gente guarda como se fosse em caixa de memórias ou em folha de caderno. Coisas especiais.

O meu guardado será imaterial e devo estabelecer um prazo pra sua validade: o fim desse ano. Chegando ao fim do ano, onde essas coisas não serão mais guardadas em caixa pois terão sido reveladas, eu renovo o estoque no ano seguinte.
Da série: metas reais para o ano.

Pedro. x

14 janeiro 2013

pra coisa de adulto



Culturalmente o centro de interesses dele é mais heterossexual que o meu. De infância de carro e moto, enquanto eu sempre habitei um centro que me levaria onde eu cheguei: centro de informações variadas e algumas certezas imutáveis de beleza.

Mas em comportamento me considero mais próximo de um homem hétero e compreendendo todo o clima de hábitos de homem padrão: a total ausência de paciência para bons hábitos. Entendendo a externalização dos desejos do sexo na forma mais banal e infâme possível.
Ele nem tanto. Mantém a fina estampa o tempo todo. Embora ultimamente ele tenha entrado no mesmo clima de (como diz Thomas Mann) camaradagem sexual.

Não sei como se decide essas coisas ou quando é que se decide louvar cantoras do rádio, mas em algum meio desses eu me perdi e acredito que estou distante de uma vivência plena do pós-moderno, do efêmero. Ele, pelo contrário, já vivencia com a maior naturalidade.

Pedro.

10 janeiro 2013

(instrumental)

Fico girando em torno desses momentos em que não tenho uma declaração eficiente.

Chego em casa, A luz nova dá todo um ambiente e como fica em cima do meu colchão, me dá uma sensação de que é comigo essa luz ambiente, quase de filme. E que não se vê muito por aqui, pois R.O é sempre luz fluorescente, quebra clima total.

Então chego e vai se instaurando um clima. Tomo banho, roupa folgada. Som, incenso, cama. Tá pronta a cena. E é bom se espreguiçar na cama, ficar de bobeira.
Meu único problema é que o sono não vem. Se viesse o diretor diria "Corta!" e a cena ótima com trilha sonora escolhida a dedo e uma frase de epílogo arrebatadora, que eu não tenho.

Pedro.
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08 janeiro 2013

certeza de se encontrar



Da arte do convívio que se expressa em cada canto pequeno, de qualquer picuinha que todos passamos e não conseguimos resolver por conta própria. Das good vibes anti bad trips.
Da alegria do encontro com nossos semelhantes opostos. Das nossas afinidades, dos nossos conselhos. Dos dribles na cidade.


Nesse canto do mundo, de onde virá o amor?
A função é faze-lo existir nas nossas casas pequenas, nas vivências e afinidades. E não se deixar engolir pelo desamor de instantes menores. 

Pedro.
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06 janeiro 2013

e contar comigo

Eu sou o rei dos fiascos de ano novo. Com exceção de 2 ou 3 realmente bons, eu sempre acabo sentindo falta de algo. De uns tempos pra cá acabei reparando que a culpa é minha mesmo. Quero muito, aumento expectativas, morro na praia (que, aliás, foi onde se deu o meu réveillon favorito).
Por sinal, já desisti. Não pergunto mais, não traço mais planos, não aguardo mais nada. Se for pra ficar em casa, fico feliz. Mas não lanço uma palavra que envolva planejar algo. Cansa. Ainda mais quando a gente faz só.

Já passada a crise, os primeiros dias do ano chegam calminhas com o clima de ressaca, de calma, de ainda estar comendo a comida do Natal.

Foi em um desses dias que fui ao Ibirapuera e me dei de cara com o sentimento de Reveillón, que até então não tinha me alcançado em momento nenhum do mês de dezembro e da própria noite de ano novo.

O meu ano novo real foi subindo a ladeira de entrada do portão 3 do Ibirapuera ouvindo Simone ao vivo em 1980 cantando "Começar de novo". Aí o ano novo mesmo, com o sentido de dentro, deu partida. Devolvi a bicicleta aonde havia alugado e pisei nos primeiros instantes de 2013 esperando o melhor.

Pedro.
x