25 abril 2012

nunca mais solidão

Então eu chego em casa, abro um doritos e uma cerveja, penso que também tenho uma vida. E estou vivendo. Repenso o convite que me fizeram pra festa com o propósito de não me verem tão obcecado em atingir minha meta: a seta no alvo. Mas o alvo na certa me espera?

Deito na rede, aproveito a culinária de fim de dia e a cerveja do começo de noite. Entre esses, o que mais faz sentido é o balanço da rede. O sim, o não e todos os "talvez" e "se" que há entre um lado e outro. Pra que lado se pende?

Entre nós, Moska, essa ode é de saudade que não admito sentir, mas já sinto. Ao mesmo tempo em que o território já está dominado e a tarefa por aqui parece cumprida (tal qual São Luis, Gambiarra, etc), alguma coisa acontece nessa última solidão da minha vida que não ocorrerá mais. A proximidade, as pessoas, o tipo de amizade que a cidade propõe, foi tudo novo de novo pra mim. E muito forte simbolicamente pra eu não me abalar.

Mas mesmo assim eu sigo meu caminho pela trilha secreta.

Pedro.
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22 abril 2012

come back to the ground #3

Pádua, último dia, céu cinza, café, banho só. os chuveiros são aqueles de academia, um ao lado do outro e isso causa certa polêmica entre alguns meninos (na verdade, apenas Nandíssimo) não acostumados. eu acho engraçado e não fico constrangido. na ACM era assim desde que eu era criança de 12 anos até fazer 20, que foi quando eu fiz academia lá pela última vez. mas no geral o pessoal daqui não se liga em banho pois os chuveiros estão sempre vazios.

o clima é de uma noite broxada e mal sucedida nas missões. eu, pelo contrário, fiquei feliz da vida em ter ido dormir cedo ontem. acordei muito bem e agora vejo o dia inteiro com cara de tarde. achei um ninho de filhote de pombo, fotografei. tiro sarro interno da cara dos engajados. não fico um minuto ouvindo essas histórinhas.

falta pouco pra voltar. há algumas fotos legais e momentos jóia, mas no geral foi bem qualquer coisa além do dia da descoberta do país.

Pedro.
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21 abril 2012

come back to the ground #2

não sei como ainda escrevo nesse diário moderno com que força ou disposição, mas vamos lá.

Pádua é um fim de mundo. com o propósito de ignorar toda a programação do encontro, hoje fomos todos ao centro da cidade, passeamos, encontramos um rio, um banco e um bar que servia Skol a 2 (isso mesmo, dois) reais. irrecusável.

depois de alguns litros, fomos em busca do rio que ficava a alguns quilômetros de distância de qualquer coisa. caminhada encarada com sucesso, já o rio nem tanto. voltamos pro jantar e pra festa.

pode colocar umas apas nessa "festa" por que não foi festa, foi uma social mal feita num espaço inadequado. mas, ok. entre mortos e feridos, a comida é boa, o tempo longe de casa é bom (saudade de R.O aqui e saudade de SP em R.O, vou criando níveis de distância) e a companhia é que me faz rir o dia todo.




Pedro.
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20 abril 2012

come back to the ground #1

acordei lendo a mensagem de Nando. estava no início do desespero de passar o fim de semana em Rio das Ostras e ele me chamando pra ir a Pádua num encontro entre todos os pólos da UFF, o que me pareceu uma idéia excelente.

passei o dia esquecendo da idéia e sem saber se iria. pesquisei: Santo Antônio de Pádua, a grande roça, nada pra fazer, nada de especial. esquece isso.

mas a noite, um pouco mais animado com a idéia, resolvo ir em ótima companhia das meninas da Fenda do Biquíni (Thaty, Helena e Carol). a razão final foi o custo benefício (20 reais com café da manhã, almoço, janta e mais uma festa com cerveja barata), rever amigos (Nandíssimo, meu irmão mais velho!) e gastar uma onda em outra cidade do interior.

daqui do ônibus eu descobri que tem muita política envolvida. a maioria das pessoas é engajada em partido do DCE, ou da UNE, do PSOL ou da PQP (ok, esse último é invenção). mas já adianto que não perderei ums segundo da minha vida com isso. acho chatérrimo. espero pela festa.

Pedro.
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18 abril 2012

pra ter algum luxo pelo amor de deus

o devir revolucionário do amor se envolve em acreditar
e como diria Clarice, "acreditar chorando"

15 abril 2012

ninguém acredita

por um lado
- Tudo dói.

a brevidade das coisas. a falta de certezas e minha inseguranças com qualquer que seja o trânsito dessa relação. a saudade de casa e as dúvidas que me acordam todo dia como Drew Barrymore acorda em 50 first dates: todas. dói dos dias ausentes, da cidade pequena, das chateações cotidianas.

por outro lado
- Desencana meu amor, tudo teu é muita dor. Vive!

vive de busca. desencana de tudo o que foi antes e volta a amar. deixa de doer quando aparece um sorriso bom, alguém me chama pra sair. do livro que eu ganhei do Senador Kwak com 7 doses antimonotonia. acontece uma viagem, nada se desvaloriza e eu me lembro das certezas. a casa está arrumada, o Rio de Janeiro está próximo e 2013 tem 13 que é um número bem cabalístico. estou feliz, há amor, há futuro, há copos descartáveis que eu pude doar pra festa de Laís e Luigi. Tá tudo aí. E há mais motivos pra seguir daqui do que pela dor. ser feliz ou não ainda é questão de talento.

Pedro.
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14 abril 2012

human nature

Stereotype 1
Instinct 0

Pedro.
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08 abril 2012

you and I

Vou resumir
é complicado
até quando conseguir.
é tão difícil quanto,
mas eu me garanto.

segurança em relação a

mim
muito maior

Desculpa
como se vc fosse algo menor

Queria que vc fosse mais cuidadoso
de uma hora pra outra
quebrado Toda vez machuca
de repente... Bomba.

É difícil naturalmente imagina sem segurança.
não me faça querer desacreditar.

Entre as coisas
taí a principal:
Não dá pra manter algo
sem algumas
certezas básicas

enguiço
entre eu e você

encerrei.
Pedro.
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07 abril 2012

domingo no parque #102

Domingo no parque

dizem que após cada tempestade aparece um arco-íris aparece. é capaz. mas pode ser que venha outra nuvem e o mundo desabe outra vez, o que foi o caso dessa Gambiarra.

é ruim quando as pessoas começam a reparar em como você está. mas eu dancei, pulei, fiz a minha parte e sorri quando deu. mas é difícil, sempre difícil ter que me fazer entender sempre, sei disso.
quero dançar junto, ficar junto, permanecer acordado (afinal, não tenho Gambiarra todo domingo mais), quero rir com companhia, quero ser informado, quero ser pelo menos avisado dos sumiços e das distâncias. é muito? ok. mas pra quem espera tanto é o justo.

e nisso aí eu fiquei feliz por que a pista 3 voltou pra casa, fiquei feliz de ter reecontrado os amigos e ter ouvido um ótimo repertório com direito a Bethânia de manhã. mas se fosse escolher por memória afetiva, apagaria mais essa da lista, mantendo apenas a promessa de uma última Gambiarra a altura de SP.

Pedro.
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06 abril 2012

uma beleza que me aconteceu

Marina é minha irmã-espelho, mas tudo reflexo. O que dela tem de eterno work in progress, roots, eu tenho de capitalismo voraz, burrice enlatada pra consumo, entre outros aspectos, dos simples aos complexos. Eu sempre pensei numa mulher-eu, em como seria, e seria como ela é. O tanto que implico com seus defeitos, são por que são meus defeitos. O quanto admiro em suas qualidades é por que são minhas também.

Conversamos muito, temos muitas idéias. Quando ela está por perto preciso falar, preciso ter assunto. Marina é todo o meu desassossego, toda minha timidez disfarçada, discreta. O extremo oposto de Caio, a voz da banda que esquece as letras e troca as notas. A grande voz.
Sou doido pra vê-la em casa, conhecer os personagens que me fala, sentar na cozinha e conversar por horas com dona Kitah. Seria o íntimo dela, seria o reflexo do meu, Fortaleza-Salvador-São Paulo.

Ficar em casa sem ela é estranho e não há cabeça que me acostume. Vou atrás de casas, atrás de outras, mas volto sempre só pra mesma saudade. Jamais arranjarei outra igual.

Parabéns, flor.
O caminho do céu e do som, sempre.


Pedro.
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05 abril 2012

mais do que o silêncio dos momentos difíceis

tempos difíceis onde guardo até de mim a verdade que não consigo dizer.
1 minuto de silêncio para elas, mortas, que nem vivas enquanto verbos foram.
apenas sentidas.

Pedro.
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04 abril 2012

I'll be back in line with my broken heart

minute by minute
I count instants
I collect photographs of now

a break from myself would be nice
if I could, I would

music goes on, but the sound doesn't make sense
noise as soundtrack
heartache
unpleasent feeling
anxiety as usual
broken as always

Pedro.
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03 abril 2012

domingo no parque #103

após um fim de tarde de não entender nada e me frustrar, fui pra um começo de noite no mesmo tom: garrafa de jurupinga, problemas na cabeça, indefinições. somado a minha usual capacidade de não entender o tempo das coisas, passei mal.

cheguei na Gambiarra passando mal e não sabia. é o tal do nó na garganta quando a gente sabe que tem coisa acontecendo e ainda não chegou lá.

ignorei as músicas, fiquei perto de poucos, fui levando a noite ao lado do meu mais novo amigo Kléber, o Kébi, bartender do Open Bar que me prepara flambados e me fornece a melhor conversa da noite.

a tormenta começou quando resolvi ir embora. logo na minha chegada, foi terrível. me senti indesejado, fiquei com vontade de voltar pra casa - e não a minha de São Paulo. fiquei com saudade de R.O.

uma segunda feira digna, com pé esquerdo. uma Gambiarra perdida.

Pedro.
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02 abril 2012

quando a cidade parou

It's like when we drink Coke but there's only water in the cup. I came home thinking about this feeling of surprise. That was my first day in town, wishing things were different, or just better. In another town, it looks so perfect when we're here together. But it just proves once for all (and specially for me) the real thing is not a picture, there's no frame and taste is unexpected. Nice dream.

Pedro.
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01 abril 2012

de quem diz seu nome

Bom dia, casa. Casa, sinônimo disso aqui pra todo mundo: a mesma sensação, a mesma segurança, a mesma preguiça. Cada coisa que muda a gente repara. A posição dos sofás mudou, tem 3 livros faltando. Tem mãe fazendo café, tem pai dormindo, tem irmã que demora um pouco mais mas aparece, tem namorado que busca na rodoviária, tem cachorrada fazendo festa. Tem quase dois anos desde que fui pra Rio das Ostras e esse retorno nunca muda. E continua sendo a melhor parte da ida.

Pedro.
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