22 fevereiro 2012

curare de cobra

Esse relançamento do disco de Elis ao vivo em Montreux com os dois shows, da tarde e da noite, dividido em dois discos, é apavorante. Não tem nada igual, não pode ter.

Nelson Motta diz no Noites Tropicais sobre o farrapo humano que Elis estava no show da noite que atrapalhou bastante sua performance. De fato percebe-se um problema na respiração e uma tensão maior no canto, o que não ocorreu no show da tarde. Mas ainda está lá a técnica impecável em "Rebento" (que se saiu melhor do que a tarde) e a voz aberta e potente em "Na Baixa do Sapateiro" - numa versão milênios luz de distância da gravação definitiva de João Gilberto.

O show foi pensado pro Festival mas ainda guarda bastante do repertório do show Essa Mulher ("Onze Fitas", "Maria Maria", "Agora tá"). O disco foi pensado para o mercado internacional, por isso está lá a inevitável bossa nova ("Garota de Ipanema", "Triste", "Águas de Março").

De marcante, fica "Cobra criada" que estou ouvindo todo dia. É o primeiro número dos dois shows e reza a lenda que rendeu aplausos de onze minutos. Não é pra menos. É um monumento. De gênio.


Vez em quando volto a mesma conclusão: Bethânia e Gal são geniais, fazem frente. Mas Elis é a voz de instrumento, não tem nada igual. Esse show só faz provar isso.

Pedro.
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