05 janeiro 2012

his name was

O telefone toca. Ele quer me ver. Se eu tenho rotina, programa, assunto ou não, pouco importa pra tamanho querer antes que ano acabe e não tenha tido um último "me visto".

Me visto, nos encontramos. Como sempre, ele pontual, eu desencontrado. Está em um de seus melhores dias. Me agrada como consegue. Só penso em como as coisas foram assim um dia: quarto, perfume, amigos estranhos (e tão familiares) que acabo topando. Estou em sua casa, oficialmente.

O motivo da saída que era minha razão principal, agora pouco importa. De novo a memória dos melhores dias quando as coisas eram assim e - embora fosse natural ninguém suportá-lo - me faziam bem.

Logo ouço uma conversa no telefone. Os problemas são outros, as crises são outras. Ele está apaixonado como nunca estivemos em nossa brincadeira de casinha, de amor mesmo. Gênio domado e tudo, fico impressionado só de ver. Mas interrompe a crise e volta a me agradar.

O que nos manteve certamente foi a honestidade e o respeito mútuo. O que mais admiro nele foi como jogou limpo comigo, a lealdade, a companhia e a segurança e foi também o que nos distanciou para um lugar onde nossos gênios fortes pudessem encontrar amores reais, sentimentos além da amizade complexa e profunda (que desde os 17 anos tem sido minha especialidade).

Subimos ao palco pra cantar "Copacabana", do Barry Manillow, o único tom certo pros dois. Ele sabe o ritmo mas não sabe a letra completa. Eu sei o ritmo, a letra e o andamento mas meu microfone está desligado. Alguns versos do início se perderam, mas logo depois, tudo resolvido.

Ele sai pro telefone e me entrega a carteira como daquela outra vez, eu bem lembro:
- "Você sabe escolher".

Sim, eu sei. E esse caminho todo até essa noite só me faz ter certeza dessas escolhas.

Pedro
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