13 novembro 2012

nada, tudo

tantos escritos num caderninho "QualQuer", que passei a usar um cadernão. como cabe tudo e eu escrevo muito sobre tudo (já me disseram que escrevo tudo sobre tudo), dei a ele o nome de "tudo tudo tudo tudo", que também é o nome de uma canção de Caetano que amo.

os escritos tem ido todos para lá, deixando o blog um tanto defasado. mas existe a intenção de transferir para cá esses 6 meses de regresso do Rio pra Sampa, registrado a mão por lá.
acontece que eu não tenho scanner e fica uma coisa difícil, mas não é impossível.

esse texto é só de saudade da casa aqui.

Pedro.
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22 julho 2012

20 julho 2012

asa asa asa asa

Pedro.
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18 julho 2012

16 julho 2012

solidão de manhã

Pedro.
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15 julho 2012

12 julho 2012

interior

Pedro.
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10 julho 2012

nossos versos são banais

Pedro.
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08 julho 2012

cause we like to party

Pedro.
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05 julho 2012

ensaio geral

04 julho 2012

no avisa

Pedro.
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30 junho 2012

got me addicted

Meu primeiro disco de Madonna foi meu pai quem me deu, "Ray of light", em 98. Eu estava começando a entender esse extenso universo da música pop e ele achou que Madonna seria uma maneira mais digna de começo, ao invés das boys/girls band nas quais eu era vidrado na época. O equivalente a dar o último de Caetano a quem está iniciando em música brasileira.

Ganhei meu Ray of light e demorei um bocado pra gostar, foi lá pelos idos de 2000. Eu tinha 11 anos. Antes, minha irmã havia me ensinado a tradução de "Take a Bow" e eu comecei a gostar mesmo de Madonna e conhecer disco por disco, turnê por turnê. E também comecei a esperar pelos próximos movimentos de Madge. E assim se passaram 12 anos e chego ao DNA da própria, seu MDNA.


Não é um disco fácil. É para entendidos. Tem que saber que é um disco autoral (American Life, Madonna), feito após o divórcio (Like a Prayer), com sonoridade diversificada (Music, True Blue, Bedtime Stories), dançante (Confessions on a Dancefloor) e introspectivo (Ray of light), ousado (Erotica, Hard Candy). Ou, seja, tem o dna de Madonna em toda parte.

Vamos começar pelo ponto final: "Falling free" entra para o rol de grandes últimas canções que atestam o talento de Madonna para além do que se espera. Está em Secret Garden, Voices, Mer Girl, Easy ride, Like it or not. Dessa vez soa mais pra Joni Mitchel, com uma voz impressionante.

Enquanto o disco passa por outro processo, mais sombrio, sincero e raivoso. Madonna conta todo o processo: a ganância de Guy Ritchie, a vida depois da separação, os seus erros, a perda do companheiro.

Mas também se diverte. E esses são grandes momentos para o público geral, não apenas os fãs. As canções up tempo estão todas lá, a tia continua afiada, são perfeitas para cantar junto.

Se peca por falta de ambição, ao mesmo tempo reafirma sua personalidade. É um disco que só poderia ter sido feito por ela. Parece um disco de entresafra ou um cartão de boas vindas na nova gravadora, enquanto não surge um projeto conceitual completo (ou uma "era", como os fãs chamam). Não é um grande disco como um todo, mas deixa boas lembranças e algumas canções pra ficar.

Pedro.
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25 junho 2012

get back

Pedro.
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20 junho 2012

qualquer

É o nome do livro que me fez escrever tanta coisa quando eu não esperava.
Palavras escritas a mão, conservam algum romance que quis trazer pro ambiente íntimo do blog. Tem um jeito mais bonito de dizer as coisas que casa com a idéia daqui, onde nem sempre (por inaptidão que tenho em mexer em computadores) consigo fazer a escrita estar disposta do jeito que quero.



Agora aqui está.

Pedro.
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15 junho 2012

ode

É desnecessário dizer que muita coisa aconteceu desde a última vez. Quase um mês. Esses dias de distância também foram de mudanças, pausas. Eu fiz uma lista mental, que ainda não passei pro papel, de coisas que sinto vontade de comentar. Embora tenha escrito textos diariamente, não me sinto muito a vontade em postá-los em suas respectivas datas, pois eram todos mero exercício mental de registro dos dias e um certo vício que quase 5 anos de textos diários pro blog me causou.

De qualquer forma decidi escrever esse texto de retorno, olhando pra tela do celular, digitando no bloco de notas e quando olhei ao redor, o meu olhar observador mudou. E eu me senti mais uma vez escritor de um blog e não mero passante do lugar onde estou.

Há alguma responsabilidade em escrever aqui que me fez sentir necessidade de me ausentar pra escrever livremente, seja de continuidade, estética, rigidez pessoal, histórico, etc.
O que quer que tenha sido, acabou.

We're back in the game.

Pedro.
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23 maio 2012

tão só

Da série do "quase morando sozinho" (ou do " em breve morando quase sozinho")

tem que cuidar de tudo, mais ou menos como foi esse começo de ano, bom treino. não tem ninguém conhecido pra fazer trabalho em grupo, tem que ver isso logo.

não tem ninguém por perto pra ver se você está bem, se você vai reclamar de algo. por mais que você não conversasse com as pessoas que morou, havia alguém. agora é só duas vezes por semana e olhe lá.

tem que cuidar do acadêmico, da casa, da cuca, e de si também. tá firme, forte, comendo direito, tudo funcionando, apresentável?

todo dia.

vai pintar uma carência forte a princípio e vontade de devorar a cidade. mas calma, sabe como é: território desconhecido. demora. tem que descobrir onde ir e onde não ir primeiro.

em compensação também deve ficar mais fácil vê-lo. pensa só que beleza.

é isso tudo e mais os imprevistos. espero que continue gostando de acasos e improvisos.

Pedro.
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18 maio 2012

que passe por mim

tão calmo que to

anda chovendo

na chuva eu ando

bebendo copos d'água
da tempestade

Pedro.
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15 maio 2012

o rock acertou

No Facebook vejo algumas manifestações aqui e ali do anti-rock'n'roll, normalmente feita por pessoas que tem por predileção o funk e a música de cunho social/sexual das comunidades.

A princípio isso surge como irracional e primário, vindo de um Brasil consolidado antropofagicamente, não há razão para escolher lados.

Por outro lado, o rock como manifestação social e sexual que foi (e não é mais com a força que já foi por ter sido assimilado) está dentro de todas as nossas músicas, em toda cultura da metade do século passado pra cá. É o velho Jagger, o velho McCartney, o velho Veloso. O funk, o rap, os novos sons de resistência, representam toda essa parcela de pessoas ainda não assimiladas por som nenhum. Nós sabemos quem são, já ouvimos suas canções mais populares que se tornaram grandes sucessos, já os representamos nas novelas e agora estamos ouvindo uma voz dizendo que o rock; aquele lá das Diretas Já, do primeiro Rock in Rio, do punk, não diz mais nada que já não tenha sido dito sobre nós e não sobre eles.

Os estadounidenses desde o fim dos anos 80 já adotadvam o Rap e o R&B como a bola da vez. Quando o Run DMC quebrou a parede do Aerosmith já se mostrava um caminho sem volta mais forte e decisivo do que o Nirvana tirando Michael Jackson do primeiro lugar da Billboard com o Nevermind. Esse fato inclusive já mostra o rock com esse aspecto banal, de ter uma importância nas paradas de sucesso. O Nevermind é resposta do rock a si mesmo, à memória de tudo em que se transformou no fim dos 80: decadente.
Foi o que o Strokes fez no começo da década passada em tom de revival. E aí o rock vira oficialmente uma memória. Pense em qualquer festival de bandas de rock e nos artistas principais de um line up de ponta: memória.

Hoje isso chega ao Brasil, com nossas lembranças mais remotas de rap vindas do meio dos 90: Pensador, Racionais, RZO, Sabotage, Ndee Naldinho, Thaíde e Dj Hum, Hemp, D2, MV Bill e Rappin' Hood - os destaques e primeiros sucessos de massa. Hoje o "rap universitário" de Criolo e Emicida tem ótimas produções. Em breve haverá mais. Em breve haverá Flora Mattos e vozes e rimas femininas e então deve haver uma continuidade no estilo e fusões.

Parece uma solução encontrada pelo rap/hip hop brasileiro para crescer e seguir sem a influência do Gangsta Rap, dos carrões, dos blings e coisa e tal. Embora eu ache Criolo fortíssimo compositor, ainda reconheço nele uma voz que diz e remonta os passos do rap até aqui com um compromisso social que não se perdeu e ele reforça ao lembrar de Dina Dee e Dj Primo (os quais eu nunca ouvi - mas conheço de nome de uma antiga Revista da MTV – e acredito que a maioria das pessoas que ouve Criolo conheça melhor). E Emicida com uma antena e uma sagacidade ímpar que me faz decorar as letras de seu EP “Pra quem já mordeu um cachorro por comida até que eu cheguei longe”. É um primor.

O Rock entra na melhor idade masculino, feminino e plural, mas com uma aposentadoria gorda, filhos mimados e chatos, pagando a conta do analista. Nos lembramos de seus pais negros e de seus primeiros passos (Elvis nos 50), de sua adolescência (os 60 - momento em que o Tropicalismo nos atualizou), a idade adulta (os 70), sua crise de meia idade (os 80), sua crise de Peter Pan (os 90) e agora a 3ª idade. Rock é o samba do mundo: balança mas não cai. Há também os fatores que o levaram a essa posição, o que inclui ligações com a cultura eurudita, sua megalomania e outras “ações afirmativas” (Paah, obrigado amor!).

Quem perdeu esse processo não vai entender mesmo e deve continuar sua cruzada no Facebook sem saber que um já ocupou o lugar do outro, etc. Isso não é colocado em pauta e nem questionado por que as pessoas que gostam de funk não suportam o rock por um possível elitismo. Mas quem ouve rock já sabe admitir o rap, o soul e o r&b simplesmente por que o que vem de fora há anos já incursiona naturalmente por esses meios - estamos falando de pessoas medianas que ainda se ocupam desse tipo de discussão e compartilhamento delas no Facebook e um pouco também do ouvinte mediano que sabe o que é funk e sua importância cultural mas não olha com essa distância para a situação geral.

O funk carioca permanece como alvo mas tem aliados em altas posições (outsiders em geral que são em sua maioria os agitadores culturais de hoje) que dialogam diretamente com seu despudor e sexualidade liberada. De fato, há uma atitude que não se vê mais em canto algum na “nova MPB”, na limpeza impecável e no amor romântico à la séc. XIX de Jeneci, Tulipa e tantos outros. Pergunte a Rodrigo Faour e a toda História Sexual da MPB. Mas isso são outras palavras.

Pedro.
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13 maio 2012

nem tudo lhe cai bem

parece que a rita lee está para o mundo contemporâneo na 3ª idade assim como marina lima está para uma possível entrada na maturidade plena. e a sociedade vai se explicando e se mostrando através de uns e outros com algum destaque. ouça Clímax (e mais do que isso, lembre do show Primórdios e de tudo que Marina ofereceu em seu melhor momento) e ouça "Reza", o novo de Rita Lee.

quando eu acompanho um artista por muito tempo, chega um tempo que já espero algo que eu sei que vem. esperei um disco como "Cê" do Caetano pois sei o que esperar dele.

digo isso ouvindo o disco novo de Rita Lee que já comentei essa semana e após ver o show de Maria Rita cantando Elis que gostaria de escrever algo a respeito, como aquele texto do Estadão que falou mal mas foi sincero e crítico como os outros não foram (houve crítica além da emocionada do Mauro Ferreira?).

isso fica tudo pra quando - der e houver - mais pra se dizer.

Pedro.
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11 maio 2012

why, why?

E então Dulce Quental cantou a natureza humana e até a noite aqui do interior praieiro fora de temporada virou uma metrópole na rádio das 23h, aquela fm de mpb de fim de trânsito. Urbanóide. Entro no seu filme?
Polaróide de possibilidade inventada na madrugada.
Pique da cidade batucada que nem tem por aqui mas eu ouço mesmo assim.

Pedro.
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10 maio 2012

vidinha

Taí uma canção que só estou aturando pq é de um disco de alguém muito representativo simbolicamente para não se abalar. Mas no fundo é sem espaço e as notas eatão secas. Fica um som comum, vulgar. Por isso não venho a essas festas. Falta sempre um groove. Um baixo mesmo, sabe?

Falta o restante do disco e opino novamente.

Pedro.
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07 maio 2012

a alma saturada de poesia, soul e rock'n'roll

Estou me sentindo tão veterano. Diário de notas. Transpiro culturalidades. Me vejo entre os calouros como aqueles que me davam dicas: "esse livro você vai usar a sua vida toda. É a sua nova bíblia". Falo sobre o livro "Arte moderna" do Arghan. É parte de um ciclo que eu topei ocupar. Vamos a ele.

Pedro.
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03 maio 2012

por entre fotos e nomes

Primeiro era só estar na rua com tempo de chuva e raio. Um vento que não me deixa sair do lugar. É um vento que me arrasta pra cima, pro vôo. Então eu saio do chão e volto, vou tentando andar contra ele.

Tento ir e vir pra minha casa mas estou preso pelo vento , ainda andando contra ele. Tento levar e trazer coisas minhas que estão pela rua, levando de uma casa a outra, mas é difícil. Não posso tirar os pés do chão senão saio voando. Mas tento andar (e, pela rua, só quem se sente assim sou eu, aparentemente).

Num bar da rua, minha mãe e meu pai vendo um filme numa tela imensa situada numa parede. A tela não era nada comparado ao alívio que eu tinha em vê-los, mesmo a uma certa distância.

E acordo sem entender nada.

Pedro.
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25 abril 2012

nunca mais solidão

Então eu chego em casa, abro um doritos e uma cerveja, penso que também tenho uma vida. E estou vivendo. Repenso o convite que me fizeram pra festa com o propósito de não me verem tão obcecado em atingir minha meta: a seta no alvo. Mas o alvo na certa me espera?

Deito na rede, aproveito a culinária de fim de dia e a cerveja do começo de noite. Entre esses, o que mais faz sentido é o balanço da rede. O sim, o não e todos os "talvez" e "se" que há entre um lado e outro. Pra que lado se pende?

Entre nós, Moska, essa ode é de saudade que não admito sentir, mas já sinto. Ao mesmo tempo em que o território já está dominado e a tarefa por aqui parece cumprida (tal qual São Luis, Gambiarra, etc), alguma coisa acontece nessa última solidão da minha vida que não ocorrerá mais. A proximidade, as pessoas, o tipo de amizade que a cidade propõe, foi tudo novo de novo pra mim. E muito forte simbolicamente pra eu não me abalar.

Mas mesmo assim eu sigo meu caminho pela trilha secreta.

Pedro.
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22 abril 2012

come back to the ground #3

Pádua, último dia, céu cinza, café, banho só. os chuveiros são aqueles de academia, um ao lado do outro e isso causa certa polêmica entre alguns meninos (na verdade, apenas Nandíssimo) não acostumados. eu acho engraçado e não fico constrangido. na ACM era assim desde que eu era criança de 12 anos até fazer 20, que foi quando eu fiz academia lá pela última vez. mas no geral o pessoal daqui não se liga em banho pois os chuveiros estão sempre vazios.

o clima é de uma noite broxada e mal sucedida nas missões. eu, pelo contrário, fiquei feliz da vida em ter ido dormir cedo ontem. acordei muito bem e agora vejo o dia inteiro com cara de tarde. achei um ninho de filhote de pombo, fotografei. tiro sarro interno da cara dos engajados. não fico um minuto ouvindo essas histórinhas.

falta pouco pra voltar. há algumas fotos legais e momentos jóia, mas no geral foi bem qualquer coisa além do dia da descoberta do país.

Pedro.
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21 abril 2012

come back to the ground #2

não sei como ainda escrevo nesse diário moderno com que força ou disposição, mas vamos lá.

Pádua é um fim de mundo. com o propósito de ignorar toda a programação do encontro, hoje fomos todos ao centro da cidade, passeamos, encontramos um rio, um banco e um bar que servia Skol a 2 (isso mesmo, dois) reais. irrecusável.

depois de alguns litros, fomos em busca do rio que ficava a alguns quilômetros de distância de qualquer coisa. caminhada encarada com sucesso, já o rio nem tanto. voltamos pro jantar e pra festa.

pode colocar umas apas nessa "festa" por que não foi festa, foi uma social mal feita num espaço inadequado. mas, ok. entre mortos e feridos, a comida é boa, o tempo longe de casa é bom (saudade de R.O aqui e saudade de SP em R.O, vou criando níveis de distância) e a companhia é que me faz rir o dia todo.




Pedro.
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20 abril 2012

come back to the ground #1

acordei lendo a mensagem de Nando. estava no início do desespero de passar o fim de semana em Rio das Ostras e ele me chamando pra ir a Pádua num encontro entre todos os pólos da UFF, o que me pareceu uma idéia excelente.

passei o dia esquecendo da idéia e sem saber se iria. pesquisei: Santo Antônio de Pádua, a grande roça, nada pra fazer, nada de especial. esquece isso.

mas a noite, um pouco mais animado com a idéia, resolvo ir em ótima companhia das meninas da Fenda do Biquíni (Thaty, Helena e Carol). a razão final foi o custo benefício (20 reais com café da manhã, almoço, janta e mais uma festa com cerveja barata), rever amigos (Nandíssimo, meu irmão mais velho!) e gastar uma onda em outra cidade do interior.

daqui do ônibus eu descobri que tem muita política envolvida. a maioria das pessoas é engajada em partido do DCE, ou da UNE, do PSOL ou da PQP (ok, esse último é invenção). mas já adianto que não perderei ums segundo da minha vida com isso. acho chatérrimo. espero pela festa.

Pedro.
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18 abril 2012

pra ter algum luxo pelo amor de deus

o devir revolucionário do amor se envolve em acreditar
e como diria Clarice, "acreditar chorando"

15 abril 2012

ninguém acredita

por um lado
- Tudo dói.

a brevidade das coisas. a falta de certezas e minha inseguranças com qualquer que seja o trânsito dessa relação. a saudade de casa e as dúvidas que me acordam todo dia como Drew Barrymore acorda em 50 first dates: todas. dói dos dias ausentes, da cidade pequena, das chateações cotidianas.

por outro lado
- Desencana meu amor, tudo teu é muita dor. Vive!

vive de busca. desencana de tudo o que foi antes e volta a amar. deixa de doer quando aparece um sorriso bom, alguém me chama pra sair. do livro que eu ganhei do Senador Kwak com 7 doses antimonotonia. acontece uma viagem, nada se desvaloriza e eu me lembro das certezas. a casa está arrumada, o Rio de Janeiro está próximo e 2013 tem 13 que é um número bem cabalístico. estou feliz, há amor, há futuro, há copos descartáveis que eu pude doar pra festa de Laís e Luigi. Tá tudo aí. E há mais motivos pra seguir daqui do que pela dor. ser feliz ou não ainda é questão de talento.

Pedro.
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14 abril 2012

human nature

Stereotype 1
Instinct 0

Pedro.
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08 abril 2012

you and I

Vou resumir
é complicado
até quando conseguir.
é tão difícil quanto,
mas eu me garanto.

segurança em relação a

mim
muito maior

Desculpa
como se vc fosse algo menor

Queria que vc fosse mais cuidadoso
de uma hora pra outra
quebrado Toda vez machuca
de repente... Bomba.

É difícil naturalmente imagina sem segurança.
não me faça querer desacreditar.

Entre as coisas
taí a principal:
Não dá pra manter algo
sem algumas
certezas básicas

enguiço
entre eu e você

encerrei.
Pedro.
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07 abril 2012

domingo no parque #102

Domingo no parque

dizem que após cada tempestade aparece um arco-íris aparece. é capaz. mas pode ser que venha outra nuvem e o mundo desabe outra vez, o que foi o caso dessa Gambiarra.

é ruim quando as pessoas começam a reparar em como você está. mas eu dancei, pulei, fiz a minha parte e sorri quando deu. mas é difícil, sempre difícil ter que me fazer entender sempre, sei disso.
quero dançar junto, ficar junto, permanecer acordado (afinal, não tenho Gambiarra todo domingo mais), quero rir com companhia, quero ser informado, quero ser pelo menos avisado dos sumiços e das distâncias. é muito? ok. mas pra quem espera tanto é o justo.

e nisso aí eu fiquei feliz por que a pista 3 voltou pra casa, fiquei feliz de ter reecontrado os amigos e ter ouvido um ótimo repertório com direito a Bethânia de manhã. mas se fosse escolher por memória afetiva, apagaria mais essa da lista, mantendo apenas a promessa de uma última Gambiarra a altura de SP.

Pedro.
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06 abril 2012

uma beleza que me aconteceu

Marina é minha irmã-espelho, mas tudo reflexo. O que dela tem de eterno work in progress, roots, eu tenho de capitalismo voraz, burrice enlatada pra consumo, entre outros aspectos, dos simples aos complexos. Eu sempre pensei numa mulher-eu, em como seria, e seria como ela é. O tanto que implico com seus defeitos, são por que são meus defeitos. O quanto admiro em suas qualidades é por que são minhas também.

Conversamos muito, temos muitas idéias. Quando ela está por perto preciso falar, preciso ter assunto. Marina é todo o meu desassossego, toda minha timidez disfarçada, discreta. O extremo oposto de Caio, a voz da banda que esquece as letras e troca as notas. A grande voz.
Sou doido pra vê-la em casa, conhecer os personagens que me fala, sentar na cozinha e conversar por horas com dona Kitah. Seria o íntimo dela, seria o reflexo do meu, Fortaleza-Salvador-São Paulo.

Ficar em casa sem ela é estranho e não há cabeça que me acostume. Vou atrás de casas, atrás de outras, mas volto sempre só pra mesma saudade. Jamais arranjarei outra igual.

Parabéns, flor.
O caminho do céu e do som, sempre.


Pedro.
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05 abril 2012

mais do que o silêncio dos momentos difíceis

tempos difíceis onde guardo até de mim a verdade que não consigo dizer.
1 minuto de silêncio para elas, mortas, que nem vivas enquanto verbos foram.
apenas sentidas.

Pedro.
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04 abril 2012

I'll be back in line with my broken heart

minute by minute
I count instants
I collect photographs of now

a break from myself would be nice
if I could, I would

music goes on, but the sound doesn't make sense
noise as soundtrack
heartache
unpleasent feeling
anxiety as usual
broken as always

Pedro.
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03 abril 2012

domingo no parque #103

após um fim de tarde de não entender nada e me frustrar, fui pra um começo de noite no mesmo tom: garrafa de jurupinga, problemas na cabeça, indefinições. somado a minha usual capacidade de não entender o tempo das coisas, passei mal.

cheguei na Gambiarra passando mal e não sabia. é o tal do nó na garganta quando a gente sabe que tem coisa acontecendo e ainda não chegou lá.

ignorei as músicas, fiquei perto de poucos, fui levando a noite ao lado do meu mais novo amigo Kléber, o Kébi, bartender do Open Bar que me prepara flambados e me fornece a melhor conversa da noite.

a tormenta começou quando resolvi ir embora. logo na minha chegada, foi terrível. me senti indesejado, fiquei com vontade de voltar pra casa - e não a minha de São Paulo. fiquei com saudade de R.O.

uma segunda feira digna, com pé esquerdo. uma Gambiarra perdida.

Pedro.
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02 abril 2012

quando a cidade parou

It's like when we drink Coke but there's only water in the cup. I came home thinking about this feeling of surprise. That was my first day in town, wishing things were different, or just better. In another town, it looks so perfect when we're here together. But it just proves once for all (and specially for me) the real thing is not a picture, there's no frame and taste is unexpected. Nice dream.

Pedro.
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01 abril 2012

de quem diz seu nome

Bom dia, casa. Casa, sinônimo disso aqui pra todo mundo: a mesma sensação, a mesma segurança, a mesma preguiça. Cada coisa que muda a gente repara. A posição dos sofás mudou, tem 3 livros faltando. Tem mãe fazendo café, tem pai dormindo, tem irmã que demora um pouco mais mas aparece, tem namorado que busca na rodoviária, tem cachorrada fazendo festa. Tem quase dois anos desde que fui pra Rio das Ostras e esse retorno nunca muda. E continua sendo a melhor parte da ida.

Pedro.
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30 março 2012

esse amor que todo me espraiou

Esgotei de definições pra traduzir pra vocês o humor avesso da madrugada.
O que esconde esse sorriso de silêncio,
de gemidos dos namorados ao lado,
das travestis que gritam na rodovia,
do medo em segredo,
na soltura da noite.

Pedro.
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29 março 2012

o mundo assim parece tão imenso

acordo sozinho, coragem. como vai, valente? e que horas são, que horas a aula começa hoje?... nove, mas quem dá a aula só chega às 10h. dias? só os da semana, quase nunca me lembro do dia do mês e nem uso muito.

água pra esquentar na cozinha, água quente caindo do chuveiro. I know how to multi-task. ficar pronto sozinho, bom dia pra mim. acordando direito só debaixo d'água. telefone bipa. namorado acordado. água no pó, café na xícara, duas passagens. pão com queijo saindo do forno, volto pra onde o dia começou, me sento no chão. preciso limpar essa casa hoje sem falta.

café entre mensagens e respostas. whatsapp, nova aba, twitter, nova aba, facebook, email um, email dois. agora sim, dia do mês. agora sim, me visto pra rua.
maçã verde na mão, chá verde na mochila, fones de ouvido, kid abelha. cabeça quase nos pés e nuvens, nenhuma chuva. baixa pressão. porta, escada, nuvens, rua.


Pedro.
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28 março 2012

salva as madrugadas

o garoto que o mundo requer
esse do meu, aqui
e sozinho de preferência
pra ficar de eu e ele

Pedro.
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27 março 2012

será que você volta?

e nessa hora eu te chamo e conto minha teoria ou minha idéia que é complicada e foi pensada a partir de algo simples que eu compliquei. ou o contrário.

hipótese 1: você não vê sentido na idéia não consegue me explicar e volta pro seu lugar. lá você não consegue segurar o texto nem inventar outro assunto e silencia o ambiente.

hipótese 2: você entende tudo e concorda comigo, talvez até amplie e me mostre outras possibilidades. aí você volta pro seu lugar. lá você não consegue segurar o texto nem inventar outro assunto e silencia o ambiente.

qualquer uma das duas, não importa, é bom ter você perto. e o que já era difícil agora ficou mais difícil. é minha outra saudade pra eu sentir na cidade. é aquela coisa: esperar eu esperava, mas nada tanto assim.

Pedro.
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26 março 2012

dois em um

"São duas cidades opostas, duas pessoas opostas"

andei. daqui de casa até a joana pelo caminho mais longo e difícil. combinei com dois amigos e depois despistei. a gente tem que respeitar o próprio momento de ouvir nossos barulhinhos. e se na mata fechada do caminho da praia o silêncio reina absoluto, a minha cabeça trabalhava com trios elétricos potentes.
um menino, duas cidades. dois meninos.

e, de fato existe muita dualidade nisso. e por aí também. do lado de cá se vê dois meninos, uma cidade. o que se distancia mais na distância e o que se se junta e se entrega firme no propósito de presença apesar dela.

e nesse dia a gente tem uma celebração. meu dia foi ótimo. fui a Joana sozinho procurar por esse texto e por compreensão. minha amiga Antonella fala sobre esses momentos de paz em que as coisas simplesmente ficam claras perante a natureza e eu rio à beça com a naturallidade dela dizendo: "mamãe oxum total".

fui pro momento, e, novamente, praia vazia e o céu turquesa. longe do mundo, flutuando pelas águas. e então eu esvaziei a cabeça pra entender nossos processos de reflexo (meu) projeção (nossa): o que temos de comum e incomum, e o que eu já tive que fazer nos meus 19 anos pra ter tantas inseguranças em relação a isso que nós temos (gato escaldado...), o tempo junto, o retorno, o começo da saudade, da carência e o que ela faz.

e isso tudo num momento de quase-noite, desfazendo nós das idéias, relações externas, redes sociais e demonstrações públicas de afeto (ou apenas as inapropriadas pro seu dia de 2 anos de namoro) se foram.

e ficou um momento de puro amor (em alto mar!) e saudade.

feliz 2 anos daquela noite de eu e você,
naquele lugar,
naquela hora,
no meio daquela gente toda.

e até breve.
te amo.

Pedro.
x

24 março 2012

quem dentre todos vocês

To numas de quase manhã
trovões e relâmpagos e odes e ondas
mamãe iansã total
e a gente como?
Morrendo de medo.

É noite e manhã e noite de novo
o tempo todo
fico como?
Desconfiadíssimo

Pedro.
x

23 março 2012

inéditas paisagens

O dia todo a base de música, passando por várias batidas, alguns sentimentos.

Das novidades de MaDonNA, onde imploro por um abraço "like you hold your money" até o sonho romântico de St. Patrick's day com John Mayer.

O caminho Rio das Ostras pra Cabo Frio é igual a qualquer caminho de cidade do interior de São Paulo pra outra cidade do interior. Com exceção do clima. Porém, Cabo Frio é uma cidade muito melhor estruturada do que R.O. e isso fica claro na chegada, no ar, nos bares, na orla, nas Lojas Americanas. Volto a repensar minha vocação pra morar no interior e não encontro nada.

O certo é que "a calçada vai dar na estrada e a vida na estrada nunca vai terminar". Que venha.

Pedro.
X

21 março 2012

tempted

Status: Quente. Sônia Braga em Gabriela. Pronto. Aquecido. Ouvindo João "quero samba porque no samba eu sei que vou, me acabar, me virar, me espalhar".

Essas passagens significantes de vida que a gente tem momentos antes de voltar a ser quem atravessa paredes na casa.

Pedro.
x

20 março 2012

ffffffree

O céu todo cor de rosa, as pedras ao fundo. Um tempo imenso de resguardo, pisando firme no chão. Não é fácil conseguir se deixar levar facilmente. É um exercício.

Tento a primeira vez, a segunda. E é como quem vai se libertando aos poucos. Faz cócegas, faz rir, é gostoso. Então, relaxo e consigo me deixar por muito tempo.

Let go. Penso em mais nada, deixo o mar levar o corpo todo. E volto pra mim.

Pedro.
x

18 março 2012

heart of the house

Plano sequência

de repente o momento pede minha música mais ouvida da semana ("Cobra criada", com Elis) e eu tenho como ouvir e vou deixar o shuffle me tirar esse prazer?

Miniflash back do texto sobre shuffle, por favor.

Volta pra agora, na Rodovia principal da cidade. O coração da casa entre a noite, os carros que diminuem a velocidade, as travestis, a volta da praia e um meio sorriso no canto do rosto.

- Jamaixxx.
(dito com ênfase e indignação)

Pedro.
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16 março 2012

say your lines, but, do you feel them?

He took off that extra layer of the man I want him to be.
The man I belive he'll become eventually and I insist to see and treat like it's already there.

But here he is, lying beside me, so grown for his age, so mature. But, yet, just a boy his age. Sometimes, acting and sharing thoughts that reflect this time of life. I've been there.
Yet, he is most of the time much smarter and adult than a lot of 30 year old guys I know.

Looks like... Sometimes act like... Sometimes... He play the part so well that...
I forget.

Pedro.
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14 março 2012

Nana cantando "Nesse mesmo lugar"

não consigo ouvir rádio. fico ansioso, quero ouvir a música que quero na hora que quero. 

não consigo ouvir o shuffle do mp3 pelo mesmo motivo. quem decide esse momento sou eu, não o acaso. raramente quero ouvir uma música "shuffle", quase sempre quero ouvir uma música "x".

tem discos que eu guardo a sequência das músicas (a grande maioria) e onde fica a graça quando começo a cantar a próxima música e outra começa a tocar?

sofro com o shuffle das boates, sofro com o shuffle das academias, do lab MTV e até mesmo com minhas playlists (as que não decorei a sequência).

não consigo ser shuffle, apenas pragmático.

Pedro.
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10 março 2012

too soon

não são dias
são prévias
contagens
tudo prevendo o tempo.

Pedro.
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08 março 2012

nesse tarde ainda azul em que chego ao Rio

não é como se eu tivesse dupla cidadania, mas como as coisas vistas por quem me ama sem eu me dar conta, são parecidas com o que eu penso. só que do lado de cá, como quem se divide.
fica bacana, Paulinho?

Pedro.
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06 março 2012

parabéns eu

cheguei a uma conclusão enquanto lia e ouvia todos os parabéns que recebia: é uma celebração muito gratuita. eu gosto, mas fico sem saber de onde isso vem. é uma onda que começa e acaba muito rapidamente.

é diferente de ter feito algo e receber elogios. um texto, uma foto, um post, um tweet, que seja. agora, apenas por ser eu e ter 150 pessoas me celebrando, não, não vou aprender nunca a lidar ou saber agradecer. de forma que é tudo sincero a forma que fico sem jeito ou me auto-celebrarei na sexta feira de Gambiarra, um pouco mais alto (a auto celebração é uma forma de sair dessa sensação esquisita e eu aprendi com minha tia Regina).

de qualquer forma, parabéns pra mim.
olha eu aqui fazendo 23 anos.
viva eu!?


Pedro.
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05 março 2012

04 março 2012

pra ver nossa alma luzir

tudo num dia de sol. que sol! 
começou meu folhetim na noite anterior. que nem desfecho final, poderia ser todo errado, mas foi lindo, certo, feliz. 

tá tudo assim. qual é, baiana?

água viva, 1978 




água viva, 2012


tudo num dia de sol.

Pedro.
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03 março 2012

que é frágil, que te adora

cinema, taí algo que preciso me dedicar mais. desde a trilogia do Poderoso Chefão encostada aqui em casa e nunca assistida por mim, até ter uma agenda de filmes que preciso ver.

me dou muito bem com a linguagem cinematográfica, em grau menor se comparado com a música, mas consigo transitar bem por uma gama grande de linhagens diferentes.

isso dito, se explica como consegui assistir a "O artista" e "A separação" em sequência nessa sexta feira e me senti tão emocionado com os dois. e mais além, como esses dois tem sido o grande burburinho do cinema em 2012 sem ter um traço do cinema típico dos padrões hollywoodianos, me da uma satisfação pessoal muito grande.

são grandes filmes que não cabem explicar aqui, mas trazem uma sensibilidade que há muito eu não via, porém, sem trazer nada de complicações para quem assiste, apenas tensão, alegria, rancor, riso, através da narrativa. não cansa.

é uma recomendação e uma promessa pessoal: por que não o cinema?

Pedro.
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28 fevereiro 2012

domingo no parque #101

Chegou a hora de voltar a falar de festa. Depois que Narciza abriu o bocão e liberou o "BADALO", era hora de voltar a ter uma Gambi falada igual a desse domingo, numa anti-homenagem ao campeão da noite do Oscar, o filme quase todo sem falas, "O artista".

Essa Gambi sem feriados próximos, no início da volta as aulas e pós carnaval, com chuva e num domingo de fim de mês é anunciadamente uma Gambi vazia, certo? Mesmo assim, o vazio surpreendeu por estar tão cheio de vazio. Numa noite tímida, as pessoas pareciam estreantes que não sabem aproveitar essas noites únicas de espaço na fila, conversa com garçons, bebidas flamejantes e drinks na faixa. Bem, eu sei.

Além de falar eu também ouvi. Devia ter alguma coisa que indicasse boa comunicação no meu rosto, por que olha... Mas eu gosto. Gosto que falem comigo. Fico feliz quando me explicam coisas. Mesmo que eu não vá usar ou não tenham sentido pra mim. Fico com a sensação boa de compartilhamento e cumplicidade.

Mas voltando ao álcool, foi farto. O flambado foi foguete, mas foi com o drink de Absinto que eu decidi que era hora de mais ação e menos papo. E, o que não era surpresa, é tudo uma questão de cativar quem está retraído. Como set do Miro e do Tai, excelente que estava, não foi difícil. Ainda é engraçado dançar descontroladamente em cima do palco e enxergar pouco a pouco alguns se soltando mais, olhando com uma cara de: "nossa, que maluco".

E a noite foi tão rápida, que quando vi estava sendo empurrado pelos seguranças da casa pro dia cinza lá de fora (momento tragicômico: Paulo olha a empurração e num momento "nem te conheço" vai pra dentro e me deixa lá sendo super empurrado). Noutro momento mais fraterno, o encontro de velha guarda (Gigi) e novos viciados (Gil, Neusa), lá foi o Progresso numa eterna entressafra fazer o seu lance.
E, sem falsa modéstia, ficou muito bem feito.


Pedro.
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27 fevereiro 2012

25 fevereiro 2012

do árido à miragem

não fiz um balanço de 2011 na cabeça e agora tenho dificuldades em fazer as projeções de 2012.

ninguém sabe o que vai acontecer no decorrer do ano, mas algo se espera. isso sim, eu sei o que esperar: fiz um plano. mas vou pensando o decorrer dos meses e os blocos de visões futuras se misturam a tudo que aconteceu no ano passado.

o que eu fazia no primeiro semestre? como eu vivia? onde estava nessa época do ano? ainda é difícil pra mim acreditar que cheguei sem lugar definido pra morar em R.O e que assim vivi até Outubro. vendo agora parece maluquice e foi. o ano inteiro tocando o foda-se pra onde eu estava.

mas agora não é hora. são seis da manhã e eu começo a encher o saco do Paulo com essas questões e especialmente hoje estou um pouco angustiado. é o verão terminando, o horário de verão fazendo o dia e a noite chegarem na hora certa, é a falta de costume de digitar no celular novo (é a mesma coisa do antigo, mas é uma questão sentimental mesmo).

essas coisas são pequenas e não chegam a me chatear, mas, poxa, verão só ano que vem, fim das férias. lá vou eu de volta pra R.O, acompanhar o mundo pelo notebook com uma cartela de dramin.
...

não consigo dormir.

Pedro.
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22 fevereiro 2012

curare de cobra

Esse relançamento do disco de Elis ao vivo em Montreux com os dois shows, da tarde e da noite, dividido em dois discos, é apavorante. Não tem nada igual, não pode ter.

Nelson Motta diz no Noites Tropicais sobre o farrapo humano que Elis estava no show da noite que atrapalhou bastante sua performance. De fato percebe-se um problema na respiração e uma tensão maior no canto, o que não ocorreu no show da tarde. Mas ainda está lá a técnica impecável em "Rebento" (que se saiu melhor do que a tarde) e a voz aberta e potente em "Na Baixa do Sapateiro" - numa versão milênios luz de distância da gravação definitiva de João Gilberto.

O show foi pensado pro Festival mas ainda guarda bastante do repertório do show Essa Mulher ("Onze Fitas", "Maria Maria", "Agora tá"). O disco foi pensado para o mercado internacional, por isso está lá a inevitável bossa nova ("Garota de Ipanema", "Triste", "Águas de Março").

De marcante, fica "Cobra criada" que estou ouvindo todo dia. É o primeiro número dos dois shows e reza a lenda que rendeu aplausos de onze minutos. Não é pra menos. É um monumento. De gênio.


Vez em quando volto a mesma conclusão: Bethânia e Gal são geniais, fazem frente. Mas Elis é a voz de instrumento, não tem nada igual. Esse show só faz provar isso.

Pedro.
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21 fevereiro 2012

e me aperta a mão e me chama de amigo

olha lá eles: um casal, parecendo um casal.quem quer ser um casal e deixar isso claro, seja em rua, seja em festa, seja em exposição?
ah! esses casais óbvios e essas óbvias demonstrações de afeto. quem gostaria de fazer parte disso?

"And the Oscar goes to..."

Pedro.
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20 fevereiro 2012

18 fevereiro 2012

oração

é tão simples quanto pensa
da poesia pouca
que confunde o humano com o popular
mas em alguma parte me atenta
da forma como faz unir, dançar
o todo
etc

Pedro.
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14 fevereiro 2012

domingo no parque #100

enfim, chego a centésima coluna, e já devo estar perto de boas 130 Gambiarras ao longo desses 4 anos de casa.

e não há motivo de deixar de ficar contente mesmo no tempo difícil em que algumas relações cruzadas nessa festa atravessam. a Gambi foi minha primeira faculdade, minha primeira experiência de dar as caras em algum canto por conta própria e a partir daí ver tudo se transformar de um modo único.
tem sido um tempo único e um processo ótimo de vivenciar - e tenho certeza que é meu. só meu.

um brinde ao hino, ao fino e ao palco de todos os domingos.

Pedro.
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13 fevereiro 2012

07 fevereiro 2012

domingo no parque #99


Pedro.
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06 fevereiro 2012

me vejo no que vejo #109

#AlanisSessions

Pedro.
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05 fevereiro 2012

domingo no parque #98



Pedro.
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04 fevereiro 2012

é tudo figura

estava demorando pra perceberem o quão alvo fácil eu sou. moro longe, não tenho guia, estou num relacionamento (acredito) feliz e que se sustenta a distância.
não sei como a infelicidade alheia e sempre faminta não viu esse prato cheio antes.

Pedro.
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02 fevereiro 2012

só o cheiro do seu cheiro não consegue ser tão fulgaz

não mexe mais em nada
não passa e arrasta
não inicia nem acaba
não provoca
é óbvio
era só perfume.

Pedro.
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31 janeiro 2012

domingo no parque #97

Gambiarra de todo domingo nas férias. 

#3
Pedro.
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30 janeiro 2012

27 janeiro 2012

domingo no parque #96

Gambiarra de todas as invasões nas férias.
#2


Pedro.
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26 janeiro 2012

24 janeiro 2012

domingo no parque #95

Gambiarra de todo domingo nas férias.
#1


Não por nada, mas deixa passar um pouco sem falas. Não que eu não tenha o que dizer, nem pra quem, nem por que. Pelo contrário: tenho muito, para todos e é sentido.
Mas festa não é lugar pra isso, já disse a grande Danuza.
Um brinde então à Gambi e ao realce nosso de cada dia.





Pedro.
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16 janeiro 2012

13 janeiro 2012

os clarins da banda militar

uma das melhores coisas que eu fiz na vida foi ter ido assistir Nana Caymmi cantar no CCSP da Vergueiro no final do ano passado.

soa precipitado, mas foi uma daquelas experiências reveladoras do divino, das profundidades e das elevações, da beleza, do mistério. mais uma porção de coisas que nunca se traduzirão e que eu tento colocar pra fora passado um bom tempo após o show.

lembro de Caetano citando os shows dos Rolling Stones que viu no exílio londrino em 70, meu primeiro show de Bethânia na década passada, Maíra comentando o show de Chico dessa semana no Vivo Rio.

e Nana é a maior cantora do Brasil pois opera maravilhas com um repertório que na mão de qualquer outra cantora seria apenas redundante. mas quem conhece a intimidade daquelas notas faz o que bem quer.

foi esse assunto todo e mais outros ao som de "Dora", me sentindo irremediavelmente imortal.


Pedro.
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10 janeiro 2012

agora eu tenho calma

drop down diary #25

o pior é esse gosto de falta de assunto que de vez em quando surge nas férias. Alguns dias se passam todos dentro de casa: desespero. preciso sair.

não sei equilibrar dias inúteis com noites incessantes. chega uma hora que tanto faz no sul como no norte. é bom e dilacerante ter algumas coisas familiares sempre acontecendo: gambiarra, a cruz e delícia que se tornou.

falei com Thay sobre o princípio RudyRitteriano de manter as coisas nos seus lugares e o quase-caos que isso me criou. acabo agradecendo ao Rio de Janeiro por me dar a distância na hora certa - além da mudança de objetivos, perceptos e afectos.

retrospectiva de documentários de música popular no ccbb, a pinacoteca que eu nunca vou, o cinema ao lado que não tem nada que preste, o cinema no mundo que não tem nada que preste, os ingressos pra shows que eu comprei e não sei a data, datas dos dias que eu não sei quais são, etc.

a gente se dando abrigo até passarem as chuvas de verão me dá alguma felicidade.
two people gotta stay together.

Pedro.
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09 janeiro 2012

08 janeiro 2012

cai dentro

Da série: Histórias do meu pai.

Brito e Fontana num Vasco x Santos, ganhando de dois a zero, provocam Pelé. Fontana vira pra Brito e diz: "me disseram que tinha um rei aqui, mas eu não to vendo nenhum."

Pelé empata o jogo. Ao fim do 2° tempo, empatado, Pelé pega a bola e entrega a Fontana, dizendo: "leva pra casa e diz que o rei mandou entregar".

Não se provoca um rei.

Pedro.
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07 janeiro 2012

tem dó de ver o meu penar

os dois atados em flor
dos destinos do amor
que eu peço pra dona cuidar

nó de barbante
e aqui nesse instante
entramos com tudo no mar

Pedro.
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06 janeiro 2012

cobra coral

Pensando na cobra que surge no arranjo de "Cobra Coral", em como ela se movimenta em uma cor base e outras duas ou até mesmo três.

O trabalho de cor-trança é de violão-cor-base, voz-poema-ondulação, percussão-movimento-guizo e, por fim, trompete-cauda-e-bote. Tudo feito com muita precisão.

Atenção aos vocalises de esconderijo e camuflagem finais.



Música de Caetano Veloso sobre poema de Wally Salomão.

Pedro.
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05 janeiro 2012

his name was

O telefone toca. Ele quer me ver. Se eu tenho rotina, programa, assunto ou não, pouco importa pra tamanho querer antes que ano acabe e não tenha tido um último "me visto".

Me visto, nos encontramos. Como sempre, ele pontual, eu desencontrado. Está em um de seus melhores dias. Me agrada como consegue. Só penso em como as coisas foram assim um dia: quarto, perfume, amigos estranhos (e tão familiares) que acabo topando. Estou em sua casa, oficialmente.

O motivo da saída que era minha razão principal, agora pouco importa. De novo a memória dos melhores dias quando as coisas eram assim e - embora fosse natural ninguém suportá-lo - me faziam bem.

Logo ouço uma conversa no telefone. Os problemas são outros, as crises são outras. Ele está apaixonado como nunca estivemos em nossa brincadeira de casinha, de amor mesmo. Gênio domado e tudo, fico impressionado só de ver. Mas interrompe a crise e volta a me agradar.

O que nos manteve certamente foi a honestidade e o respeito mútuo. O que mais admiro nele foi como jogou limpo comigo, a lealdade, a companhia e a segurança e foi também o que nos distanciou para um lugar onde nossos gênios fortes pudessem encontrar amores reais, sentimentos além da amizade complexa e profunda (que desde os 17 anos tem sido minha especialidade).

Subimos ao palco pra cantar "Copacabana", do Barry Manillow, o único tom certo pros dois. Ele sabe o ritmo mas não sabe a letra completa. Eu sei o ritmo, a letra e o andamento mas meu microfone está desligado. Alguns versos do início se perderam, mas logo depois, tudo resolvido.

Ele sai pro telefone e me entrega a carteira como daquela outra vez, eu bem lembro:
- "Você sabe escolher".

Sim, eu sei. E esse caminho todo até essa noite só me faz ter certeza dessas escolhas.

Pedro
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04 janeiro 2012

so no one told you life was gonna be this way

É um dom ter amigos, saber ter, saber escolher e manter. Não sei o quanto eu sou bom em tudo isso, mas sei o quanto é importante ter um do lado quando se precisa e também quando não se precisa: o simples tempo próximo de quem se gosta sem motivo algum é o que faz amizade ser amizade.

Admiro amizades. Secretamente, para além da pieguice, acho das coisas mais belas que há.

Mas além disso, acho parte fundamental dos nossos processos de desenvolvimento humano saber que não há braço direito ou companherismo que afaste os males do mundo dos nossos amigos - sejam eles quais forem. E, por incrível que pareça, isso é bom e faz crescer.

Assim como nenhum pai ou mãe consegue impedir que o filho sofra uma vez ou outra, ele cresce e se supera a partir disso, nossos amigos estão ao nosso lado pra acompanhar a superação, dão um empurrão, ajudam cada passo, celebram cada melhora.

Mas sem enganos! Os desafios, as cruzes, as dificuldades e as desavenças continuam pessoais e intransferíveis. É possível estar junto e ser um indivíduo de opiniões e vontades próprias.

Essas são palavras vindo de um instinto de defesa natural e acirrado (o meu) para as pessoas com quem convivo. Sou difícil, ciumento e superprotetor (também!), não me iludo - o mundo é complexo e singular, por isso, a cada um pertence seu cada qual.

De forma que levanto apenas uma bandeira: a minha. Não quer dizer que não olhe pros lados, pelo contrário, significa que eu posso estar em todos os lados. E sem alimentar ódio com mais ódio, desrespeito com mais desrespeito.
A bandeira aqui é do amor.

Pedro.
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03 janeiro 2012

nem o corpo, nem a alma

"Uns dizem fim, uns dizem sim"
- C.V

se não é o fim, não há balanço. talvez seja a moda dos finais de ano daqui pra frente, não olhar pra trás, apenas seguir.

2012 começou nos desfechos de 2011: Pedro e Paulo, Rafael e Amanda, meu avô, minhas duas cidades, a família, a distância. questões ainda em discussão, acontecendo, fazendo parte.

se fosse uma novela passaria "algum tempo depois", se fosse um seriado tudo já estaria nos conformes e novas tramas viriam daqui pra frente. mas aqui é tudo verdade. e no real só quem faz o mal passar é o tempo e o mar.

Pedro.
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02 janeiro 2012

01 janeiro 2012

doze uvas, sete ondas

acredito:
na ponte aérea
nos estudos necessários
na calma que eu tenho que ter e não tenho
que vou encarar a cidade de cara limpa
nas noites sem sono
no emprego próximo
no amor que se sustenta
nos amores que se lembram
nos erros que ocorrem
na amizade construtiva
na espiritualidade e na fé
na poesia
na música
no cinema
no teatro
na literatura
no infinito

não acredito:
em errar pra justificar outros erros
em movimentos e bandeiras
na unilateralidade
na simplificação do mundo
em religiões
em tudo que leio na internet
em tudo que vejo na tv
em tudo que ouço na rádio
nas nêuras que tenho antes de pensar
em tudo que reluz e diz ser ouro
que eu fique sem armadura contra eventuais sobressaltos do coração

isso dito, bem vindo, 2000 e doce.

Pedro.

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