06 dezembro 2011

um tiro no coração

No começo eu estava num mercado e ouvia um funcionário levando bronca pois ele era culpado do caixa não fechar todas as noites. Depois eu percebi que não tinha nada a ver comigo nada daquilo. Em casa era só provocação. Eu andava pela casa bebendo um litro de cerveja pra causar. Mas ninguém realmente reparava em mim.

Daí eu saí de casa. Era de noite. Ouvia de longe um comercial de uma coletânea do Roxette. Era um cd caça níquel à beça com aquelas faixa-bônus remix. Eu pensava no tamanho da pobreza que aquilo representava. Não gosto de coletâneas.

Mais pra frente das minhas andanças fora de casa, passei pela tenda dessa espécie de feiticeira. Era Neusa Borges, a atriz da Globo. Fiquei um pouco instigado, passei em frente. Nada de entrar. De repente começa uma ventania que suspende um pano preto que eu tenho em mãos e, consequentemente, ameaça levar toda a estrutura da barraca da cigana Neusa Borges. Ela pede pra eu entrar, eu não entro. Ela grita e pede pra eu entrar, diz que é a única forma de parar o vento. Ignoro seu pedido e volto a andar pela rua. Agora é manhã e o vento ainda não parou. Ouço os gritos dela me seguindo no fundo da rua. Ela segue correndo, não está muito ditante e traz consigo um revólver preto, daqueles antigos. Viro pra observar, ela atira - e acerta. Forço uma tosse e olho pro chão de areia: sangue.

A vilã me segue, fala coisas inteligíveis. Eu peço ajuda. Ela dispara novamente, na cabeça. Eu peço pra ela atirar de novo e encerrar esse suplício. Ela atira na testa.
E eu acordo.

Pedro.
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