21 dezembro 2011

não há outra canção em mim

Num seminário de Cultura Brasileira Contemporânea, escolhi como tema falar sobre o movimento Tropicalista que tanto nos influenciou e influencia como sendo uma grande atuação antropofágica e musical, fazendo a idéia mais moderna de possibilidade existente de 68 até hoje.

Porém, diferentemente dos seminários de praxe, optei por mostrar a visão tropicalista de Gal.
Recentemente li um comentário interessante que dizia que Caetano criou um texto conceitual para o movimento, Gil criou o aspecto musical e Gal criou toda a parte cênica, performática.
Isso é errado mas não deixa de ser belo de se ouvir. Gal é a terceira cabeça do tropicalismo além de Caetano e Gil. A voz da modernidade.

O seminário levou nota máxima e talvez tenha repercutido a ponto de fazer as pessoas ouvirem o novo disco de Gal, "Recanto", escrito e produzido por Caetano, esse também recebeu nota máxima pelo disco. Bota a mão nas cadeiras menina.

Nesse tempo de cantoras pipocando com seus trabalhos modernos, intelectualidade e brasilidade, Gal estava sendo esquecida, porém ainda é o modelo padrão de todas: de Marisa Monte a Tulipa Ruiz.

"Recanto" não tem nada de diferente do que qualquer disco de Gal deveria ser. É a cara dela e é mais pra frente do que as cantoras mais "pra frente" do Brasil. Também é a cara do Caetano, mas tudo que é a cara de Caetano sempre será a cara de Gal também e vice e versa. Tudo figura.

O disco é um primor. Pra mim é como se fosse parte da minha vida também. É uma celebração dessa história de alguém que eu acompanho de perto. E nisso o disco também é cheio de easter eggs só pra quem consegue desvendar os labirintos de palavras e chegar a muitas partes das histórias já vividas por Caetano e Gal.

Um amigo no Facebook, entusiasmado, perguntou se ninguém desconfiava da importância (já) histórica desse disco, afinal, Caetano havia feito sua melhor canção nessa década pra Gal (falava sobre "Recanto escuro", faixa que abre o disco). Eu concordo. É um disco muito grande não apenas por sua carga emocional e afetiva, de almas gêmeas. Se trata de mais uma fase de gênios em plena maturidade e que são denominadores comuns de tudo que a música brasileira procura hoje.

E é o melhor disco do ano.


Pedro.
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