20 setembro 2011

amor grand' hotel

para ler ouvindo: Grand 'Hotel (George Israel / Leoni / Bruno Fortunato)


um domingo extendido foi minha segunda feira. se não fosse pela responsabilidade de banco-mercado eu mal teria saído de casa. o que é um problema. mente parada não fica. li textos, vi vídeos, fiz trabalhos de faculdade pra variar. "tudo isso é muito cha cha cha cha cha chato", como diria minha gata Rita Lee.

o legal foi que assimilei coisas também. pensei muito sobre um video de humor que vi no Youtube desse senhor que, num discurso humorado e moderno, (respeitando a linguagem dos Vlogs atuais), dizia sobre a melhor opção ser o casamento em casas separadas. algo que mantém o romance e dá um charme à relação. a idéia bonita do "eterno namoro", o romance que sobrevive.

de fato há um charme de pensar nessa vida. afinal, a intimidade pode virar um monstro aliada a rotina dos dias. aquele caminhão que atropela a paixão.

tenho dúvidas sobre como se constitui uma vida a dois dessa forma. se de fato é uma entrega completa e irrestrita. alguma coisa deve ficar de fora, por mais curto que seja o caminho de uma casa a outra, algo fica. qual intimidade deve ser mantida em casa pro amor não se transformar em "bom dia"?

é uma questão que extrapola a legitimidade do casamento, por exemplo. não questionaria isso de forma alguma. mas a opção pelo espaço, para algumas pessoas deve se tornar tão crucial a ponto de não conseguirem dividir esse espaço ou essa reserva de intimidade que fica?
uma barreira física e outra psicológica - e qual o segredo da felicidade?

nunca sequer cogitei a possibilidade de morar sozinho. não gosto. adoro ficar em casa quando não tem ninguém, sabendo que é um momento de calma (meus pais raramente me deixam em casa por longos períodos e minha vó sempre esteve presente desde minha infância em casa) sabendo que em algum momento alguém vai chegar, ok.

mudando pro Rio, isso se fortificou. prefiro encarar briga de república e ir caindo de casa em casa do que morar só.

e entre conhecer pessoas, morar em repúblicas e viver a rotina sem intimidade e quase sempre sem espaço, me vi uma pessoa extremamente maleável para esse tipo de convivência. de uns tempos pra cá essa convivência vem me humanizando lentamente de forma que nem eu consigo mais morar sozinho, nem sou tão difícil de se conviver junto.

e aí,
é impossível ser feliz sozinho?
ou
será preciso ficar só pra se viver?

Pedro.
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