30 abril 2011

lugar de samba enredo é na escola

De repente esse garçom é o produtor cultural que vai definir o rumo do Brasil.
De repente desencontro não é descaso.
De repente independência não é esquecimento.
De repente autonomia não é desapego.
De repente a verdade não é o que se vê.
De repente relaxar não é se perder.
De repente o absurdo vai ganhando seus tons reais.
De repente a cidade vai à província.
De repente o começo é um meio.
De repente o fim é o começo.
De repente tá tudo trocado
E nem tudo é o que parece.

Pedro.
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27 abril 2011

if you're perfect

Ele me espera sempre e faz disso uma partida cada vez mais difícil. Sabe disso, sente também. Faz assim com tudo, se superando sempre, me fazendo mais feliz e mais incompleto sempre quue estou sem ele. Assim me viciou, me vicia mais com sua presença. E faz com que alcançar essa (discutível?) perfeição seja uma tentativa frustrante e boa.

Pedro.
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26 abril 2011

domingo no parque #82

Sempre ansioso e sempre prometendo nunca deixar mais minha festa. Como pode um peixe vivo viver fora da água fria?

Noites de domingo nunca podem ser consideradas normais sem aquela Catupinga, aquela Caruaba, aquela carona das Allis. Foi um bom domingo, apesar de todos estarem com visível cansaço de quarta feira (Festa das Máscaras no Moinho) e sábado (invasão no Circo Voador, Rio). Mas havia de todo mundo a vontade de fechar com chave de ouro.

Esse domingo estava bom demais. Sempre é muito bom quando é domingo e nossa vontade é grande. Pouca gente, muito ânimo. Eu e Nati na, Lari, Jeff, Tai... Grande resistência.

Fui sozinho, encontrei todo mundo que sempre vai. Constatei que depois de 3 anos os mais assíduos estão aos poucos deixando a casa. Cadê meus amigos?

Assim como eu, muitos viciados estão trabalhando na festa ou morando em outros estados e outros simplesmente cresceram. Perderam! Temos uma nova dj ma-ra-vi-lho-sa, junto da equipe que nasceu pronta. Tem muita coisa ainda e lugares ainda não descobertos (Brasília). Preciso e quero saber.

A distância tem atrapalhado eu e Gambi. Mas trabalhando na GambiRio eu pretendo voltar a ativa, uma vez que estou inserido dentro disso tudo e acho que não vou querer sair mais.

Pedro.
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25 abril 2011

me vejo no que vejo #71


 Obra: Fome

Pedro.
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22 abril 2011

e o que você quer? orientação

me sentindo de lado. agora deprime. e eu sinto. insegurança, pensamentos etc.
tanto tempo depois isso ainda é o básico. comunicação.

não precisa de um grande momento. uma reply, uma dm, um oi no mural. algo além de ficar lacônico. de me ver e eu te ver entrando mudo e saindo calado, basta. existe muita forma de dizer em poucas palavras o essencial que eu precisaria ouvir pra poder seguir. mas não, me deixa na dúvida, na incerteza, nos meus terríveis e férteis pensamentos.

estava tudo certo e agora está tudo errado. alguém sacudiu o globo e o menino de dentro tomou um caldo desse tsunami da chegada. já compreendo que algumas vezes eu tenha que ser o segundo plano (mesmo que por algumas horas). está certo, você está certo. e mesmo assim já abriu mão do trabalho por mim, por que soube balançar as importâncias. eu não entro mais na questão trabalhista, e entendo a importância dela.

é comigo.
eu que não tenho nada que te deixe de segundo plano mesmo temporariamente. nada que me impeça de chegar onde você estiver sem pestanejar. não tenho que ter um trabalho ou eu não vivo. eu tinha a gambiarra, mas até ela se foi. tenho a faculdade, que driblo quando posso e quando não posso. entende?

são diferenças.
você é diferente de mim.
e segundo uma menina muito sábia, compreender essa diferença e conseguir viver com ela é um grande passo.

Pedro.
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21 abril 2011

não é o fim mas me acaba

Confesso estar tomado momentaneamente por um abandono que não existe. Aqui nessa rodoviária cheia, ao menos não.

Confesso que senti como se fosse um sinal de afastamento, de recuperar alguma independência que essa dependência mútua nos tirou.

Confesso que estou procurando uma saída menos defensiva, uma vez que já me encontro melhor. Não quero sumir, mas não sinto que quero ficar.

Confesso que esse zsa zsa zsu não foi a toa. Talvez os interesses atuais sejam maiores. Não sei. Talvez eu nunca saiba.

Confesso que acredito nunca ter feito isso, mas se fiz, gostaria de não ter feito.

Confesso chateado a insatisfação comigo mesmo por ser tão errado e pequeno.

Confesso que chego em casa e nada me consola. Elvis, Faisha, Internet, Barbra em Funny Girl, meus discos novos.

Confesso que estou com saudades da província.

Confesso que estou com saudade da província atual em Rio das Ostras.

Confesso que não confessarei esse ano e não comungarei.

Confesso que estou em casa.

Confesso que estou com saudades ainda.

Confesso que estou feliz, ansioso, aliviado, cansado, abatido.
Muita coisa pra dizer e sentir ao mesmo tempo num lance só.

Pedro.
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19 abril 2011

a estrela dalva

eu acredito em deus
eu não sou religioso
eu tenho fé e febre
e me questiono
entre tantos

eu JURO pra mim e pra vocês
que passou uma estrela cadente,
uma estrela guia

aqui sobre esse céu
sobre essa noite,

e eu vi.

Pedro
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18 abril 2011

me vejo no que vejo #70

para ler ouvindo: Pega vida (George Israel / Paula Toller)



Pedro.
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16 abril 2011

por causa da mulher

chacoalha a cabeça
vê se sai uma ideia

o que faz total sentido
o que faz fazer
se não há outro mundo

e se eu disse as palavras que se repetem
se o texto nunca for publicado?
se nossos codinomes forem o que são, o além de nós?

mas isso é só por que ela se derrete toda só por que eu sou paulistano.

Pedro.
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15 abril 2011

preciso não dormir

Para ler ouvindo: Todo o sentimento (Chico Buarque/Cristóvão Bastos)

entre tantas coisas é disso que eu mais preciso: que esse pontos se interliguem céu afora e cheguem a você, com a mesma intensidade com que partem de mim.

preciso não dormir pra não sonhar, pra não querer. preciso de alguns ócios, alguns ópios, algumas certezas também.

é pedir demais? que seja esse tempo breve e o nosso, infinito.

Pedro.
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14 abril 2011

quando um descaminho acha o seu desvio

Bom de não estar perto na hora que a inevitável casa caísse. Mas quem me dera estar perto na hora de te lembrar que você é um menino bonito e bom.

O mundo não é quadrado nem lógico. O mundo continua redondo e pendurado de um jeito que ninguém sabe como.

As coisas são complexas e é difícil julgar caso qualquer com nosso parco conhecimento de vida, nossa frágil definição de amor, de felicidade, de consciência. Nossa eterna tentativa de ser um reflexo do que vimos. Estou longe disso.

Como se eu estivesse em cima do muro. Não estou.
Sendo esse um espaço único de opinião, eu tenho a minha, e eu a considero parte de um consenso geral, onde há certo e há errado (e variáveis), você sabendo disso, não preciso ficar martelando na sua cabeça todos esses julgamentos, essa cruz que deve ser esse momento. Isso é chato pra mim e pra você, nos desgasta.

Como amigo que me considero e está aqui pro que der e vier, eu vou te ligar em breve e nós podemos ir ao cinema. Eu te digo “oi” e você me diz “oi” e conversamos sobre o mundo afora. Guardada minha opinião do outro lado do muro e nossa amizade em qualquer outro lugar.

Pedro.
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13 abril 2011

abre o olho

para ler ouvindo: Abre o olho (Gilberto Gil)
(em breve)

agora é eu e você, espelho. para e me conta em poucas e boas palavras o que se passa, por onde. como pode ser tão significativo que às vezes eu não contenho e me escapa? logo eu, 22 nas costas, 6 na estrada, 3 na curva. conta tudo.

logo eu, sim senhor.
pode ser só dessa vez e a gente vive pra sempre, te prepara que é o mais provável.
taí, sou firme contigo por que eu tenho opiniões a respeito: eu quero isso mesmo. e eu quero mais. abre o olho.

Pedro.
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12 abril 2011

antes que anoiteça

Antes de decorar seu horário e de entender teu sentido, na noite passada eu ouvi palavras (me senti num beco) e não havia mais nada a te responder, senão o essencial: se seria meu.

Desde então nada além disso tem me sustentado.

Pedro.
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11 abril 2011

10 abril 2011

desde que estamos aqui

Voltando de Sampa como da primeira vez. De certa forma, como de todas as vezes (desde que ele me disse e garantiu que não é uma partida). Com o peito cheio de amores – sãos.

Há um mito que nosso tempo é muito depressa e eu confirmo, é real. O tempo quer ser como nós, breves.

Mas eu estou voltando para um momento difícil, prevejo.
E qualquer outro momento melhor, não importa.
Nada altera minha vontade de ficar.

Pedro.
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09 abril 2011

um dia desses

Eu estou pouco a pouco,
Dia a dia
Tempo a tempo
Me convencendo que há gente pra tudo nesse mundo

Onde nada se sabe.

Um dia desses
Eu conheço todo mundo
E não me surpreendo mais com nada.
Pedro.
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08 abril 2011

este ano vai ser o seu ano

Eu ganhei o primeiro pedaço de bolo, tão sabendo?
Vim de longe, convidado. Mas vim mais feliz, poxa. Não é pra qualquer um ser tão convidado como eu fui.

Aqui, ali, em qualquer lugar. Here, there, everywhere, não me escapa nunca: torcer por você e te desejar o amor maior que eu tenho. Sempre.


Pedro.
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07 abril 2011

pra mim isso nunca foi pecado

Não dá pra esquecer que essa vida que a gente segue e compartilha no twitter ou no Facebook onde tudo é como tudo deve ser, não existe. Não dá pra se apegar a isso. Mesmo em São Paulo onde se pode tanto, ainda não é a realidade. A Flavia Durante não é uma realidade, embora eu queira tanto que as coisas que ela quer sejam reais também, a vida como ela vê e espera. Ela percebe muitas vezes o mesmo problema e a solução que eu, uma vez que ainda estamos no mesmo mundo. Desse modo vivemos os dois esperando essa realidade desabar sobre os homens enquanto encaramos absurdos.

Quando aparece um Bolsonaro na televisão aberta e se manifesta como ele fez, a secound life dessas redes vira um turbilhão e parece que todos estão unidos e todos tem conhecimento que racismo é errado, homofobia é errado e que a submissão da mulher não é viável e nunca foi. Mas morre ali justamente por isso: NÃO É REAL.

Não duvido de movimentos de internet, pelo contrário, acredito e muito. Mas pensar que ali se representa o Brasil é um erro grave. A agendinha de contatos, o carógrafo, os 140 caracteres ainda são limitados e não representam o Brasil tão múltiplo como ele é de verdade, quando só o trigo chega à nossa tela e a gente pensa que o joio nem existe mais pra ser separado. Pois existe.

Portanto se me perguntarem de Bolsonaro no Brasil ou McCain nos EUA não me abala mais. Se o mundo não é redondo pra todo mundo ainda, vamos vivendo-o dessa forma onde e quando puder até todos se darem conta.

Pedro.
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06 abril 2011

how appropriate

Então eu vim pra casa. Então eu estou indo. Preciso ir.
Como um grande irmão de uma grande irmã, estou indo pelo motivo do aniversário da Amanda. E nesse big brother, acabo voltando também por saudade de tudo, embora eu esteja a apenas um mês em Rio das Ostras. Não sei se ter ficado tanto tempo em casa é motivo pra eu não sentir falta de Sampa, acho o contrário: quanto mais eu fico, mais eu vou ficando e mais eu quero ficar.

Essa sensação eu tenho com o Rio também. Por que Rio das Ostras não chega a ser uma cidade no sentido literal da palavra. É um condado. Algo pequeno, distante e provinciano.
Quando eu chego ao Rio me sinto muito bem, vejo aquela movimentação de pessoas, os carros, as portas abertas, as ruas iluminadas, tudo. Me sinto bem e integrado àquele contexto.

Rio das Ostras é um bom lugar pra viver, está crescendo, tomando forma. Mas é muito pouco pra receber uma universidade do porte da UFF com essa liberdade toda. As pessoas não estão acostumadas e tentam domar esses constantes movimentos de inconseqüência pós-adolescente. E as conseqüências são desastrosas e vão da mudança de bar a mudança de casa.

Mas agora eu to voltando pra Sampa, terra onde tudo pode até a constante inconseqüência da pós-meia-idade, como é o caso da minha rua que a festa rola solta todo dia, toda noite, toda hora, toda madrugada.

Vou chegar em breve, com meus dois ou três bons motivos pra ter vindo e sempre feliz e com falta de coisas simples que aqui eu posso por que posso fazer.

Pedro.
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05 abril 2011

que mora na tela do computador

Começou como uma piada, passou pra uma brincadeira mais séria e quando dei por mim, estava no MSN entregando o jogo. Se isso aqui é uma espécie de "No limite", tô perdido.

Ficar aqui sozinho não tem sido fácil. Mas essa lenga lenga os senhores já sabem: por um lado me falta tudo, por outro é aqui que eu tenho tudo o que vou precisar. Realidade infinita que se depara comigo todo dia do instante que eu acordo até antes de dormir.

Hoje eu resolvi brincar com ela. Assim a rotina frígida dos dias recebeu a visita da imaginação, dos detalhes e do doutor MSN livre. E a danada abriu as pernas e se divertiu à beça.

Sem mais.
Os senhores vão me dar licença mas eu ganhei o meu dia.

Pedro.
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04 abril 2011

03 abril 2011

era uma casa muito engraçada

Não falei ainda sobre a minha casa nova. É uma longa história que eu vou encurtar.

Eu morava a 8 quarteirões da faculdade e resolvi/tive que me mudar devido ao preço do aluguel que foi de 900 pra 1400 reais. Quando cheguei a Rio das Ostras, vi a república que Marcelo (meu melhor amigo em R.O) estava morando e resolvi ficar por lá também. Após algumas alterações comuns de inicio, chegamos a uma formação legal, com pessoas legais.

Somos 6 numa casa com 2 quartos, 2 banheiros, sala, varanda, área e cozinha. A casa comporta bem esses gênios. Já tivemos a primeira troca de pessoa que desistiu da faculdade.
Os seis são:

- Pedro (eu!),São Paulo – SP. Semi veterano de Procult
- Ceres (lê-se Céris), Praia Grande – SP. Caloura de Procult, 18 anos.
- Paulo Vitor, Botucatu – SP. Calouro de Procult, 22 anos.
- Marina, Salvador – BA. Caloura de Procult, 26 anos.
- Macelo, Cabo Frio – RJ. Veterano de Procult, 20 anos.
- Beatriz, Recife – PE. Aspirante a caloura de Psicologia e moradora de Rio das Ostras, 21 anos.

É engraçado e por enquanto temos levado numa boa. Numa melhor. Claro que os atritos são pequenos por enquanto e podem crescer depois. Já é difícil conviver um casal num apartamento, quem dirá um sexteto com tanta história diferente, cada um com seu jeito, sua história, seus costumes.

Mas do ponto de vista que eu vejo, pode ser mais que isso. Pode ultrapassar isso e se tornar algo interessante como experiência de vida, especialmente pra quem viveu sem ter que se preocupar ninguém além de si. Sim, eu. Mas não digo isso no mal sentido, eu vivi muito tendo as coisas pra mim, meu espaço, o que eu quero. Também não é fácil não invadir e não me sentir invadido.

Mas essas pessoas eu carrego comigo já. Temos afinidades, conversamos bastante, fazemos coisas juntos. É bem diferente do ano passado quando eu me vi uma ilha cercado de solidão por todos os lados, até mesmo em casa. Hoje eu tenho companhia pra ir a praia, pra beber uma cerveja, chegar em casa e contar meu dia e ouvir uma resposta. Tem feito muita diferença no meu modo de ver e aproveitar a cidade e esse período de vida além da faculdade. Algo além da distância e da saudade que a cidade ainda pode me trazer de bom.

ps: em breve, fotos.

Pedro.
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02 abril 2011

foi a noite

para ler ouvindo: Não foi em vão (Thalma de Freitas)


quem feriu meu coração
foi a distância
e toda a permanente implicância
que ela insiste em ter
de me deixar torturado
quando estou são
e sozinho quando estou vão

contigo teve nada disso
não

Pedro.
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01 abril 2011

e outras alegrias

Pensando esses dias em dois discos que tenho ouvido muito: "Bicicletas, bolos e outras alegrias" de Vanessa da Mata e "Fé na festa" de Gilberto Gil, seriam o mesmo disco?
Sonoramente sim. Vanessa traz na base musical o baião ("Bolsa de grife"), o reggae ("As palavras") em uma brejeirice muito doce ("Bicicletas bolos e outras alegrias" e "Moro longe"). É a base sonora mais marcante do disco de Gil do início ao fim, sendo um disco que volta para ritmos como o xote e o forró.

Há na linguagem de Gil, uma mistura de feira urbana, com acento nordestino que é o mesmo de Vanessa (nesse disco especialmente).

Alguns temas também se repetem. É o caso de "O tal casal" e "O livre atirador e a pegadora" que, cada um da sua forma, falam de um casal urbano - livre.

Os dois também têm músicas de aniversário: "Dia 26" de Gil e "Meu aniversário" de Vanessa. Cada um discorrendo como passam o dia do nascimento.

E o que dizer do “Norte da saudade” de Gil que diz:
“Vou pra quem vai me ver noutra cidade
No norte da saudade quero ver meu bem”.

Que casa perfeitamente com “Moro longe” de Vanessa:
“Porque eu moro longe, no fim do mundo
Se eu for aí, faça valer a pena”

Parece coisa combinada.

Além de serem grandes discos de 2010 onde há a volta de um grande Gilberto Gil e a retomada das boas composições de Vanessa sem o exagero populista do disco "Sim".

Digo isso terminando de ouvir os dois agora, em sequência, e antes de escrever o texto eu não tinha reparado que a última música de ambos os discos é uma parceria de Gil e Vanessa. "Lá vem ela" do Fé na Festa e "Quando amanhecer" no Bicicletas, bolos e outras alegrias são ótimas parcerias. As duas conquistam na primeira audição.

Os semelhantes que mostram a formação de Vanessa e o retorno de Gil são mais que uma recomendação são uma parada obrigatória. Inéditas boas, leves, ligeiras e apaixonadas.
Não me canso de ouvir.

Pedro.
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