11 fevereiro 2011

você precisa saber

Márcia Saad Nemer é o nome dela. Nos conhecemos no fim de 2004 quando ela foi me entrevistar para uma possível vaga no Colégio São Luís.

Minha situação na época não era das mais favoráveis: eu me candidatei para o São Luis sem saber se passaria de ano no meu então colégio, o Casa Pia.

Minha entrevistadora então me disse com sinceridade que pro 2º ano a vaga era minha, mas eu teria que passar de ano.

- "Mas eu não sei se vou conseguir", disse, meio desesperado. Então ela disse as duas palavras que seriam não apenas desagradáveis de ouvir, mas extremamente desconfortáveis e perturbadoras:

- "Se vira".

Encurtando a história: eu repeti de ano e consegui a vaga pro 1º ano no São Luis - me virando.

Márcia se tornou minha professora de matemática no 2º e 3º ano. Uma excelente professora, não só de matemática mas de vida, como são todos os professores no São Luis (e acredito que seja esse o diferencial na formação do colégio). No caso dela, em especial, ficaram as histórias que ela contava entre as orações, os exemplos, as falas.

Importante ressaltar que eu não era um aluno exemplar, nunca me dei bem com matemática (lembro vagamente alguma coisa de Báskara), mas eu sei ouvir e, mesmo que demore um pouco (como foi o caso), compreender.

"Você vai fazer na sua vida o que você tem que fazer", disse um dia. Soa óbvio a princípio, mas não é.
Quando eu passei na Federal e embarquei pro Rio pra morar sozinho e começar uma vida nova longe de casa, dos amigos, da família, foi a primeira coisa que pensei e isso me aliviou muito. Eu tenho que passar por isso, do contrário não vai ser a minha vida.

As palavras inesperadas e aparentemente ásperas se mostraram função natural em alguns momentos, quando um "se vira" é um impulso, um incentivo ao inevitável.


Palavras, lições, passagens que só se vê quem sabe na hora que precisa. Ela disse que eu me lembraria dela e eu lembrei/lembro, passo adiante essa sabedoria. Me conforto com isso.

E, como disse Noel, isso é um samba que ninguém aprende no colégio.

Pedro.
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