18 fevereiro 2011

garotos perdem tempo pensando

Internet tem se mostrado uma vida completa dentro da tela. É ali que se concorda discordando de tudo o que se passa ali, no momento que as coisas acontecem como faço na vida real.

Vi o vídeo de Felipe Neto sobre carnaval, axé e carnaval fora de época e achei tão engraçado e bom (ótimo) quanto infantil e imaturo como todos os outros vídeos e as coisas que ele faz na TV que o iguala justamente às coisas com as quais ele discursa tão eloqüentemente contra.

Se por um lado é irresistível mexer com os nervos de nichos (e é mesmo, as respostas são imediatas e amargas, ocorrem ameaças, a repercussão - como se vê - é grande) por outro lado é mais legal ainda pra um cara como eu, enxergar Felipe Neto falando/julgando/condenando uma série de coisas reais sobre carnaval, coisas que eu vejo de longe e outras que eu faço parte, com um desdém enorme e ainda poder concordar com ele e ser melhor que ele apesar disso.

Se por um lado axezeiros, fãs de Restart, Fiuk, Crepúsculo, leitoras da Capricho e derivados nutrem certo ódio por se verem invadidos, eu daqui vejo tudo de fora e analiso Felipe Neto como um pequeno gênio que ganhou uma câmera digital (como tantos outros) e soube usar melhor que os outros pra gritar o fato de que ele não soube crescer.

Quando eu digo crescer, eu digo entender que a partir de certo ponto a pessoa tem que perceber que no mundo são criadas milhares de coisas que para sua idade, para o seu gosto e para o seu mundo não lhe dizem o menor respeito. E, com uma dose de maturidade, aceitar o fato que o mundo não é feito de bom senso. Não se luta mais contra, agora a gente ri no bar. E as críticas todas que ele faz, nada mais são que os nossos comentários de bar (e que agora estão no twiter também) reunidas em um vídeo e gritadas. É rir e esperar o próximo.

Mas Felipe Neto é muito classe média pra isso. Ele tem que ser eloqüente e contra essa série de coisas que não foi criada pra ele e nem pra caras como ele e não será por ele que deixarão de existir. E no entanto é tão irresistível vê-lo no vídeo como é tão chato vê-lo na televisão, naquele programa sem graça do Multishow que deveria acabar rápido.

Felipe não é um bom ator. Mas não é de todo feio. Não sei se ele faz stand up comedy como os outros. Sei que ele não pode ser considerado um personagem como o PC Siqueira ou um humorista de talento como Marcelo Adnet. E tenho sérias dúvidas sobre seu gosto pessoal que dá tanta pala pra ele criticar as coisas que critica. Convenhamos que ele não deve gostar tanto de Rosa Passos quanto de uma banda de rock bem vagabunda, barulhenta e chata quanto o Cine em seus piores dias. Daquelas que enche estádios.

O problema de Felipe é que ele corre o risco de cansar. O que ele entende de Brasil, de sociedade, ou o que busca entender, a gente vê com os desejos classe-média de ir pra Europa, ou pedindo algum tipo de presente pelo twitter, de um jeitinho bem brasileiro. E assim ele fica melhor colocado.

Pedro.
x