09 janeiro 2011

seu namorado serei serei serei sereia

Que belo e estranho dia
Que doce e bela moça
Que bem vinda companhia
Que forte anda essa força

Que funda essa fossa
Que voz da alegria
Que vem da bela moça
Que faz tão doce o dia

(por: eu mesmo)

Num dia de sol forte, saí bem cedo pra comprar o cd de Roberta Sá. Mais tarde entre confusões e alguns desentendimentos muito chatos, fui ao show na Chopperia do SESC Pompéia com Paah.

Confesso que não estava bem. Pensei em ficar em casa, mas resisti e fiquei pra ver se o milagre da música não melhorava meu astral. Dito e feito.

A moça de “Alô fevereiro”, “Interessa”, “Girando na renda”, “A vizinha do lado” e outros sucessos de Gambiarra (e dos CDs que eu tanto ouço) me fez subir na nuvenzinha da felicidade e não querer descer mais por nada. Simpática e simples, com uma luz bonita e simples, Roberta cantou o repertório do disco “Quando o canto é reza”, apenas com canções de Roque Ferreira (compositor do recôncavo baiano gravado a exaustão por Bethânia e Mariene de Castro).

Roberta não tem a mesma intimidade com os atabaques e com os encantos da música do recôncavo e sabe disso, por isso fez um som mais elaborado, harmônico, porém não menos inspirado. Como crí-crítico e bom conhecedor da obra de Roque, achei o disco excelente e muito bom Roberta levar Roque a outro tipo de timbre, outra sonoridade. Ficou sofisticado e não menos humano. O próprio Roque disse ter estranhado, mas com o tempo se descobre o real efeito dessa obra.

O instrumental se garante com o Trio Madeira Brasil e dois percussionistas. Confesso que não conheço muito sobre o trio, mas de um violonista em especial tenho um certo apreço: Zé Paulo Becker. O cara figura entre um dos meus violonistas favoritos. Seu violão de 7 cordas está nos meus Cds favoritos, incluindo o incomparável “Canto em qualquer canto” do Ney Matogrosso, que é o meu disco favorito do Ney.

No palco percebe-se que a voz de Roberta não tem defeito algum, impressiona no primeiro instante e dali em diante. Porem sua confiança no palco passa por uma constante evolução. Mas a gente fica feliz pela beleza do canto e pela felicidade dela, que se vê a cada sorriso espontâneo, em cada palma, em todos os momentos. Até o fim do show o público já estava tomado.

De figurino bonito, todo estrelado, Roberta deixa o palco ao som dos versos de Roque. O show foi sem concessões, sem hits dos discos anteriores, sem a intenção de querer/ter que agradar a todos. Isso me passa um certificado de integridade artística, autoridade no ofício, coisa que alguns artistas demoram muito tempo pra aprender. Apesar de ser compreensível a perda da liberdade artística no Brasil ao primeiro sinal de sucesso, Roberta só cantou Roque Ferreira - o que estava no disco e o que não estava (como “Samba pras moças”, sucesso na voz de Zeca Pagodinho).
Depois, no camarim, ela surge de top preto e calça jeans. Atende a todos sem demora. É simpática, falante, conversa. A sereia do palco é toda menina. Parece aquela amiga da PUC que a gente encontra na Vila Madalena, aquela moça vanguarda da Lapa de Caetano.

Ela autografa meu cd e atende meu pedido por um verso da música que ela escolher na assinatura (não sem antes perder uns 2 minutos pensando). Fotos, alegrias e deixamos Roberta descansar. Ela merece. Fez muito por hoje e muito por mim.

Pedro.
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