27 janeiro 2011

domingo no parque #75

Se ontem eu estava cansado, no terceiro dia seguido de farra eu estava exausto. Mas como a Gambi é a Gambi é sempre surpreende, dancei mais do que no domingo. Tudo o que eu queria na verdade era estar junto, feliz ali.

Foi o dobro de alegria, foi a melhor coisa reunir de novo meus BFF's Hanzinzo e Ti na mesma festa. A gente fazia tempo que não se reunia, foi um presente paulistano de férias que eu recebi.

No geral foi como voltar no tempo ou ter parado nele. Mas sentindo passar de certa forma, avançando. O começo do ano sempre é igual ao fim do ano passado. Em compensação o fim desse ano será extremamente diferente do começo.

E a minha maior expectativa se confirmou, estava lá, como eu quero estar nos próximos fins e recomeços. Festejando, se possível.

Pedro.
x

25 janeiro 2011

domingo no parque #74

O que esperar de uma volta pra casa? Como tem sido a 3 anos, eu sofro abstinências terríveis nas férias de Gambiarra e quando volto é sempre cheio de vontade de rever todos, com ansiedade do ano novo, descansado pelas férias e já ansioso pelo carnaval.

Muito cansado pra dançar (efeito colateral do sábado) resolvi ver a festa.

Público é novo. Cada vez que a Gambi volta é período de férias, então sempre é um pessoal novo e garante um ânimo diferente (além da estranheza do começo). As músicas estavam especialmente caprichadas e Miro e Talita passavam uma energia incrível. Que saudade desses dois!

Saudade de tudo na verdade, foi bom estar junto da abertura dessa terceira temporada, e de hoje até um pouco depois do meu aniversário eu acredito que muita coisa vá acontecer.


Pedro.
x

24 janeiro 2011

22 janeiro 2011

marina caipirinha

e se não te houver

haverá cortar de dedos e limões
haverá doses de açúcar
e remédios
hiperdosagens
em frascos-copos de gelo
que roem, moem, roem
e partem
pro teu esquecimento

Pedro
x

é tudo free: vamo embora

E ao entrar na festa
meu karma..

poderia ter tocado a noite toda
ou de dia
ou de madrugada toda
mas me esperou
é meu

é sweet dreams
num ritmo mas não dnçante do que nunca

eu saio dessa e entro em outra
pra ter que a aturar "os meus olhos coloridos"

graze a dio que é grátis
é tudo free

Pedro.
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síssi

parte II

Cambridge highlights
Adelaide in an out
Taco Bells in and out
Unknown rock party in and out

Caravaggio highlights
Trash 80s in and out and in and out and in and outs

Street - in - constantly

downtown, this is where I'm staying
this is my home

and I never call it a night
until a night is a night
and the day comes
deep inside my heart.

Pedro.
x

e desaparecer e deixar o samba me levar

para ler ouvindo: Certas noites (Adriana Calcanhotto)


Nessas noites voce nao me encontra, meu bem
Nem dentro da lei
Às vezes eu vou deixar a razão por poesia

E vazar
E desaparecer
E sequer olhar pra trás
E desaparecer
E perder o celular
E desaparecer
E deixar o samba me levar


Todo canto tem sua noite. E ninguém a nega. Seja uma breve noite que acaba em casa ou das longas que duram até o dia seguinte na ressaca, os cantos de noite são eternos.

O Rio de Janeiro com a Lapa e a super dose de não tequila de tres reais. A Gambiarra-evento de sessenta reais, de globais, de ensinamento a como realmente curtir a música (que eu e Jeff, de São Paulo teimamos a ensinar). O circo voador e sua noite show; o Sal e Pimenta derrubado de Amy; a Fosfobox e a Candy Party que eu nunca fui.

Minas de Ouro Barroco que me garantiu a alegria por dias. Que me arrumou um guia de casa de Barão (atualmente república) de seis andares, mal navegados, por mim, errante navegante. Tinjo-me romântico, mas sou vadio computador. Em Minas Foi tudo mais forte: álcool, erva, andanças, danças. Intenso como um sonho. Um sonho que eu volto a sonhar a cada vez que a vez me levar pra lá.

Que me leva pra Salvador e sua noite mal explorada em que eu, mais jovem, bebia sozinho no Campo Grande. Chamando atenção de muitos olhares fingindo fingindo fingindo que não sabia.

Eu voltei pra Sampa desacreditado, estou mais uma vez dentro da noite como se nunca tivesse ido. O mundo da noite onde a gente vive fingindo que não sabe.

Pedro.
x

noite, a horas te espero

ou: Síssi parte I
Para ler ouvindo: Síssi (Marina Lima/Fernanda Young)


E são os mesmos momentos em que eu fico só.

A casa não basta. A cachaça, antes um sonífero, é um impulso pro que está por vir. E São Paulo é novamente minha. É de noite e é minha.

A espera de alguém que não vem. A mulher. Se ela aparecesse seria o fim de um romance de quem está sempre a espera de alguém que não vem. A minha glória é essa.

No entanto o amor tem seus pormenores, me fez estar pronto pra isso. O amor me deu mais do que o sonho e me deu o verdadeiro gosto do amor. Eu curioso pra daná, fui chegando no forró. Sozinho mas não de graça. Vejo vitrines, vejo boutiques. E a noite faz se dia no meu coração.

Ela não me liga mas eu atendo o telefone mesmo assim.

Pedro.
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18 janeiro 2011

onde o que eu sou se afoga

Tento seguir os manuais, mas não consigo.
Só consigo fazer as coisas simples ou complexas funcionarem do meu jeito, sempre peculiar. Isso me estremece e eu finjo não ligar de ser assim.
Tudo mentira, tudo figura.
Conseguindo articular as coisas – é sempre diferente e um pouco frustrante.
Queria conseguir andar sem ser do avesso pra chegar ao fim.
E não consigo. Se consigo é do meu jeito.
Do meu jeito eu não quero.
E se não for do avesso do meu jeito.
Não consigo.

Ele sabe como é esse lance.
Preciso ver o Rudy.



Pedro.
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17 janeiro 2011

16 janeiro 2011

compositor

para ler ouvindo: Compositor (Joyce)


Rodrigo Maranhão é super homem. Compositor de mão cheia, inventivo. Tem um traço muito bonito na canção que remete a interior, artesanato, coisas singelas do tipo que só podem ser feitas por um coração manso e bom. Não tem urbanismo algum nos versos ou nos arranjos, mesmo nas canções românticas ou de carnaval, é voltado pra dentro de si e pra fora do centro urbano. Apesar de ser carioca, Rodrigo é mais Minas do que Rio.

Todas as cantoras o querem. E ele atende. Roberta Sá, Maria Rita, Marina de La Riva. E de tão super que é, ainda arranja tempo pra comandar o Bangalafumenga, um dos blocos mais animados do Rio de Janeiro que estremece o carnaval há mais de 10 anos.

Rodrigo Maranhão é super Moska. Por que Moska não tem entrado no meu radinho de pilha com Muito/Pouco tanto quanto entrou com Tudo novo de novo. É irresistível não pensar numa composição dos dois, num disco dos dois.

Rodrigo Maranhão é o super carioca que estranha a frieza do público paulistano num show inspirado. Apesar da chuva e do capítulo final da novela, ainda foi bastante gente prestigiá-lo. Não o suficiente pra encher a casa, mas pra render bons aplausos pro bis.

Rodrigo Maranhão é o super eu, que tem me traduzido com Bordado e Passageiro e nem pestaneja ao pensar num verso pro encarte do meu cd: “pra chegar ao fim do verso é preciso ficar quieto”. Sem saber, da minha canção favorita.

Pedro.
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15 janeiro 2011

o que for pra ser


O que eu fiz com 20 anos? Três festas: uma no (até então bar favorito) Miquelina Bar e Arte, uma na Trash 80’s e outra na Gambiarra. Sim! Gambiarra em Março de 2009, qual foi mesmo? Aquela de 1 ano, inesquecível no Cambridge.

Mas os meus 20 anos já foram, inclusive os 22 anos já estão chegando junto com os 3 de Gambiarra. Mas havia 20 anos chegando e eu senti eles sendo quase meus, mas eram do Paah.
E mereciam ser comemorados.

Paah não manja muito de aniversários, até os 18 ele não comemorou por motivos religiosos. Ou seja, eu tenho 20 anos de vantagem e alguma sabedoria pra arquitetar uma surpresa. E assim foi, nesse sábado a algumas horas atrás no point de classes baixas e altas: o bar da Loca.

E foi uma festança. Por que foi todo mundo, por que Jeff é um party planner sem par nesse mundo, por que Giselle é perdida mas esperta. Por que ele mereceu.

Amanhã tem mais. Sem surpresa, mas com Outback e mais convidados e mais parabéns.


Bem vindo aos 20 e poucos anos, o mito da magia começa agora.

Pedro.
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14 janeiro 2011

são só palavras

Curiosidade!
A edição desse mês da revista Vida Simples vem com um texto que fala sobre nostalgia. Bem próximo do que eu falei a alguns dias NUM TEXTO aqui no blog (Eu sou do tempo): a saudade do que passou e a necessidade de tocar em frente. No caso da revista o tema é visto de maneira mais séria e impessoal, mas ainda vale a pena ler. A capa já diz, tudo e está muito bonita.

Eu não comprei, estou esperando a Abril me mandar uma edição, CLARO, afinal a inspiração não teve seu preço, mas a revista tem. É 12,00 reais. Pelo visto tá dando dinheiro esse negócio de escrever. Alguém arrisca um estagiário?


Pedro.
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13 janeiro 2011

seu trabalho silencioso

Dia corrido. Pra quem tá parado qualquer atividade garante um dia corrido, mas esse foi mesmo. Dia de acordar cedo e conhecer Renan.

Renan Cipriano, estudante de economia da Unicamp e viciado em Gambiarra. Me conheceu pela comunidade antes do seu semestre de intercâmbio em Buenos Aires. Agora de volta ao Brasil, esqueceu uma bolsa de couro com um kama sutra, um catálogo do Masp e uma Mafalda de pelúcia no Aertoporto e me chamou pra ir buscar junto dele. Fui.

Um ps: em Guarulhos.

Por incrível que pareça foi rápido. Deu tempo de ir, voltar e ainda andar pelo centro a procura de presente pro aniversariante da semana, Paah.

Deu tempo de passar na revelação de fotos, na loja de discos, nas lojas de roupas, no trabalho da minha mãe, na São Bento e ainda voltei pra casa a tempo de entregar a chave pro meu pai sair.

Foi que foi. Sem almoço por que essa vida de free lancer clandestino é assim.
O sono chegou. A fome nem existe mais. O dia também não.

Pedro.
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12 janeiro 2011

adivinha o quê

para ler ouvindo: Flor de fogo (Chico Pinheiro)


Não gosto de silêncios. Não gosto de adivinhações e não gosto de ficar curioso.
Mas quem disse que tudo na vida a gente tem que gostar pra poder viver?

Já foi dito, ser genioso não é ser difícil. Eu não sei de quase nada. Do que eu vejo, sei por saber, da notícia do link no twitter, do que ficou guardado de uma aula de antropologia, da minha memória de infância, de idade adulta. Pouco. Mas não verbalizado não sei de nada. Se tem deus, signo, acaso. Não vejo, não sei. Acredito em tudo se me disser. Mas tem que me dizer.

Então quando acontece de não saber e não dizer eu deixo passar ou prefiro esquecer. Pode não ser pra mim. Tanta coisa a gente guarda em caixa, escreve e rasga. Pensamentos felizes pra passar. O que for que amenize o desconforto do momento. Canto uma canção, tento pensar em algo melhor, whatever works it's not working.

De Marcelo Jeneci a Jorge Amado, tenho sorte que referências de felicidade não me faltam em hora alguma. Portanto, pode vir todos os silêncios e todas as dúvidas e curiosidades. Tô pronto.

 

Pedro.
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11 janeiro 2011

vagaroso

Tudo legal daí distante quando eu estou aqui encarcerado e nem há vontades. Vontade de que? Qualquer coisa provisória não aparece. Nem trabalho, nem noites afora, nada. De dia o mundo corre e quem está parado sou eu. Detestando tudo a distância daqui de longe.

Já ouvi todos esses discos. Comprei outros e ouvi também. Devo comprar mais em breve. Os livros na estante já não tem mais importância, etc.

Quero voltar pra casa. Qual? Nem sei.
Quero minhas aulas e a saudade de casa.
Ou que algo legal comece.

Dizem que férias é isso, né? Então pode acabar com as minhas.
Quando eu me resolver do que eu quero ou do que fazer eu volto.
Mais feliz.

Pedro.
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10 janeiro 2011

09 janeiro 2011

seu namorado serei serei serei sereia

Que belo e estranho dia
Que doce e bela moça
Que bem vinda companhia
Que forte anda essa força

Que funda essa fossa
Que voz da alegria
Que vem da bela moça
Que faz tão doce o dia

(por: eu mesmo)

Num dia de sol forte, saí bem cedo pra comprar o cd de Roberta Sá. Mais tarde entre confusões e alguns desentendimentos muito chatos, fui ao show na Chopperia do SESC Pompéia com Paah.

Confesso que não estava bem. Pensei em ficar em casa, mas resisti e fiquei pra ver se o milagre da música não melhorava meu astral. Dito e feito.

A moça de “Alô fevereiro”, “Interessa”, “Girando na renda”, “A vizinha do lado” e outros sucessos de Gambiarra (e dos CDs que eu tanto ouço) me fez subir na nuvenzinha da felicidade e não querer descer mais por nada. Simpática e simples, com uma luz bonita e simples, Roberta cantou o repertório do disco “Quando o canto é reza”, apenas com canções de Roque Ferreira (compositor do recôncavo baiano gravado a exaustão por Bethânia e Mariene de Castro).

Roberta não tem a mesma intimidade com os atabaques e com os encantos da música do recôncavo e sabe disso, por isso fez um som mais elaborado, harmônico, porém não menos inspirado. Como crí-crítico e bom conhecedor da obra de Roque, achei o disco excelente e muito bom Roberta levar Roque a outro tipo de timbre, outra sonoridade. Ficou sofisticado e não menos humano. O próprio Roque disse ter estranhado, mas com o tempo se descobre o real efeito dessa obra.

O instrumental se garante com o Trio Madeira Brasil e dois percussionistas. Confesso que não conheço muito sobre o trio, mas de um violonista em especial tenho um certo apreço: Zé Paulo Becker. O cara figura entre um dos meus violonistas favoritos. Seu violão de 7 cordas está nos meus Cds favoritos, incluindo o incomparável “Canto em qualquer canto” do Ney Matogrosso, que é o meu disco favorito do Ney.

No palco percebe-se que a voz de Roberta não tem defeito algum, impressiona no primeiro instante e dali em diante. Porem sua confiança no palco passa por uma constante evolução. Mas a gente fica feliz pela beleza do canto e pela felicidade dela, que se vê a cada sorriso espontâneo, em cada palma, em todos os momentos. Até o fim do show o público já estava tomado.

De figurino bonito, todo estrelado, Roberta deixa o palco ao som dos versos de Roque. O show foi sem concessões, sem hits dos discos anteriores, sem a intenção de querer/ter que agradar a todos. Isso me passa um certificado de integridade artística, autoridade no ofício, coisa que alguns artistas demoram muito tempo pra aprender. Apesar de ser compreensível a perda da liberdade artística no Brasil ao primeiro sinal de sucesso, Roberta só cantou Roque Ferreira - o que estava no disco e o que não estava (como “Samba pras moças”, sucesso na voz de Zeca Pagodinho).
Depois, no camarim, ela surge de top preto e calça jeans. Atende a todos sem demora. É simpática, falante, conversa. A sereia do palco é toda menina. Parece aquela amiga da PUC que a gente encontra na Vila Madalena, aquela moça vanguarda da Lapa de Caetano.

Ela autografa meu cd e atende meu pedido por um verso da música que ela escolher na assinatura (não sem antes perder uns 2 minutos pensando). Fotos, alegrias e deixamos Roberta descansar. Ela merece. Fez muito por hoje e muito por mim.

Pedro.
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08 janeiro 2011

it sways and it swings and it bends

para lero uvindo: Jump (Madonna / Joe Henry / Stuart Price)


Por que não embarcar no que está ao meu alcance e tentar conhecer só por conhecer? Meu vizinho me ofereceu aulas de pandeiro e eu quero.

Se meu escritório é na praia e eu to sempre na área, devo ter uma prancha pra arriscar uns jacarés? Poxa, o que custa? Rio das Ostras deve me incentivar a ser menos sedentário com suas belezas naturais e possibilidades, como poder ter uma bicicleta e andar com ela sem concorrência pelas ruas vazias de terra batida.

Quero tudo.

Meu primeiro impulso desse ano foi voltar a comprar CDs e observar (triste) o quanto eu perdi nesse tempo todo enquanto gastava um dinheiro legal em festa. Não que a festa não tenha sido excelente, mas foi superestimada. É hora de voltar a velhos hábitos saudáveis e que antes me levavam a algum lugar e manter outros com mais moderação. Gambiarra vai existir, é claro, mas com propósitos: de Rio, de produção, de amizade.

Esse começo de ano começou com tanta vontade que nem o nublado dos dias tem impedido de eu ter os melhores dias toda vez que o sol sai. E que ele saia mais durante o ano todo, por que tenho muita coisa pra fazer. E eu quero tudo.

Pedro.
x

07 janeiro 2011

too soon, too soon

eu quero fazer com você um pacto de delicadeza
ter por alguns dias a sorte de um amor tranqüilo
uma consagração
uma véspera de ano bom
daquele lúbrico
e feliz e transparente


fotográfico
pra guardar num livro
e lançar num breve
uma alegria que desperta a imaginação de muitos
da realidade de dois

fotos num texto poema breve
chamado: reserve o mito da magia só para você.

Pedro.
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06 janeiro 2011

você me ganhou de presente

para ler ouvindo: Você me ganhou de presente (Paul Ralphes/ Coringa/ Paula Toller)




Lembram que eu disse que meu Natal não foi ótimo, mas que meus presentes tinham sido o menos importante? Então... Mentira. Até o dia 25 meu real presente não tinha chegado!

Assim como ocorreu o ano inteiro, houve uma surpresa do Paah. Sim, o ano inteiro foi ele e o Natal não foi diferente. Dessa vez ele foi além: eu tinha um presente para cuidar, um amigo pra me fazer companhia em Rio das Ostras e um menino que dorme de dia e acorda de noite, assim como eu. O nome dele? Pancakes. E ele me ganhou de presente e vice e versa.

Pancakes tem 2 meses e está em plena fase de crescimento. Se acostumou comigo, está se acostumando, mas já fez amizade nos 5 primeiros dias. Fiz uma rotina flexível pra nós, como ele gosta: dorme de manhã e de noite tem o horário que eu chamo de “banho & brincadeiras”. O resto do dia ele passa roendo sua ração. Sim, roendo. Pancakes é um chinchilo bege, adolescendo numa gaiola-mansão (outro presente) que cabe um cachorro.

De manhã eu me preocupo em não deixá-lo chamar atenção dos cachorros e de noite nós ficamos sozinhos conversando no quarto. Só eu falo, mas tudo bem, ele ouve muito bem. Depois do banho eu armo um cenário de livros e esconderijos com os móveis pra diversão dos dois, ele que descobre tudo e eu que fico encantado vendo. Cada dia é uma descoberta nova: armário aberto, estante, mesa, mala de viagem, fundo de estante, apoio de cadeira.

E eu que pensei que não precisasse de nada, descobri que preciso sim. Preciso de um que saiba mais de mim. Às vezes é alguém percebe que a gente precisa do que nem a gente sabe. Mas tem que estar muito próximo pra isso. E só quem esteve próximo em toda minha distância desse ano pode saber o que é.

Pedro.
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05 janeiro 2011

eu sou do tempo

para ler ouvindo: Eu sou do tempo (Rita Lee/Roberto de Carvalho)


Mexendo em coisas antigas no meu quarto: fitas VHS, vinis, K7’s, CD-rooms... Todos esperando um uso que nunca mais vai acontecer dentro dos armários, estantes, perto de memórias e coisas que eu não uso mais.
Antes de continuar, eu quero retificar essas “coisas antigas”. Não são coisas antigas. O nosso conceito de tempo e as inovações que tem nos acostumado com coisas novas demais em pouco tempo. E talvez houve um despreparo para recebê-las também.

Não mais do que 10 ou 15 anos atrás, todos esses itens hoje deixados pra trás eram a fonte de diversão da casa, não saíam das salas, das TVs, das vitrolas de domingo. E por incrível que pareça, era uma boa experiência que eu me sinto sortudo de ter vivido e que desde o fim dos 90 já estava encerrada para a geração que chegava nos anos 2000 (que hoje já tem 12 anos, minha idade na época). Não vou reclamar da modernidade, jamais, porém, havia uma graça nessas formas antigas de se fazer as coisas, algo romântico, uma essência que se perdeu.

Começando pelo vinil, óbvio, minha paixão eterna. Nenhum cd, mp3, deluxe edition consegue superar a experiência de um vinil. Por isso ele voltou/está voltando. É táctil e grandioso, revela detalhes da capa, é bonito de se ter, acaba exigindo do artista que se faça algo bonito pra ser explorado. Tem um lado A e um lado B que podem ser divididos em conceitos diferentes. E o som... Nada melhor do que duas caixas com o som da agulha no sulco.

E o que mais importa é que o momento da música vira apenas o momento da música. Como diz Raul Ramone, se você acha que ouve música ouvindo um mp3 contra o barulho da cidade, desculpe, você usa um fundo musical para o caos. Música requer tempo e uma apreciação digna. Não é só acessório de iPod. Tem trabalho de capa, desvendar o conceito, ler ficha técnica, relacionar composições, lembrar de compositores e fazer ligações. Música é muito.

Comecei pelo vinil por que é óbvio que eu tenho mais argumentos, mas outros perdidos também me fazem falta como o VHS! Não tínhamos muitos VHS em casa por que sempre foi muito caro. E assim como era caro, era chato pra piratear, embora alguns se arriscassem em ligar dois vídeos-cassete um no outro e fazer todo o processo, ainda se encontrava pra vender piratas pelo preço de um DVD original de hoje.

Mas a saudade dos VHS é de outro tipo. Sabe vídeo locadora? Essa lojinha que está quase em extinção com o mundo dos DVDs? Então... Antigamente (de novo o “antigo”!) as locadoras eram portadoras das novidades que a gente não viu no cinema. Um trabalho muito rigoroso que exigia algumas vezes sair de casa na chuva para escolher bons filmes. E havia técnicas: alugar filmes de terça-feira ou quinta-feira, por exemplo, por que todos os lançamentos estariam disponíveis. De sexta e sábado todos os bons filmes já estavam fora. Reservar também era uma boa opção.

Lembro que Titanic tinha uma lista de reserva de 6 páginas na locadora que eu ia. SEIS PÁGINAS FRENTE E VERSO! E tinha umas 10 cópias do filme. Culpa da espera que era para o filme finalmente sair em fita. Algo entre 6 e 7 meses depois dos cinemas.
Eu que fui sortudo, ganhei em VHS duplo original de Titanic no dia do lançamento! VHS duplo para 1 filme. Sem extras e sem o dever de rebobinar depois (ok, disso eu não sinto falta). E foi ele que eu vi mais de 50 vezes até o presente momento.

Depois do vinil e da fita, vem o K7 que também se enquadra em outra categoria de saudade: a saudade do mixtape. Quando a nossa música favorita tocava no rádio, tinha que ter precisão pra gravar certinho. Ou quando íamos gravar pra alguém de K7 pra K7, tinha um cuidado todo especial. Enrolar K7 na caneta Bic pra não gastar pilha do walkman, quem não fez?
São coisas simples que foram parte de uma época. Também não sou radical, achava tudo muito bacana e conforme coisas novas foram surgindo, respeitei o tempo do velho. Com exceção do vinil que é uma experiência gráfica e sonora ainda mais aprimorada que o cd e o MP3, o VHS e K7 não fazem mais sentido hoje. Mas não nego jamais que eles tinham pequenas características bonitas que deixaram saudades.

Eu sou um cara do século passado e da década re-retrasada, do fim dos 80, vou me apegar ao que não foi substituído: jornais e revistas comprados diretamente nas bancas de revistas em papel, livros em papel, teatro e cinema. Ainda não se achou substituto para nenhum desses.

Sou alheio a assinatura de revistas e jornais, gosto de ir até a banca, ver as novidades.
Esse tal de e-book também não me diz nada. Ele lá e eu cá com meus livros empoeirados e lindos. Outra experiência: capa, grifos, anotações pessoais, colocar na estante ou dormir com o livro, marcar página... Não há Kindle que substitua um bom livro de papel.
Teatro é outra experiência que não cabe em mídia e nunca será desfeito. Só existe naquele momento que é feito.

E cinema, bem... É cinema! Home theater, cinema em casa é um paliativo, uma cerveja sem álcool. Cinema é um programa completo que também requer algum movimento pessoal desde a escolha até o pós-filme.

cd-r não é e nem nunca vai ser o mesmo cuidado daquele mixtape por que o cd-r pode ser apagado. Mas será que ao menos é pensado com o mesmo cuidado?
O problema não é a tecnologia, somos nós, exigindo menos do melhor que podemos fazer. E cuidando menos do potencial, tendo menos cuidado com a produção, simplesmente por que é só “fazer outro” que pode dar certo. Uma música, um livro, um texto. Acabou o "only shot" e com isso o esmero também se foi. Disso eu sinto falta, com todo direito de sentir.

Pense nisso e relacione com a próxima foto que for tirar.

Pedro.
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04 janeiro 2011

de novo um coração mortal

Ano novo, vida nova.
Não é bem assim, eu sei. Mas é como nos sentimos a cada recomeço: capazes e renovados para o velho mundo novo com o qual lidamos dia a dia. Se a vida fosse um computador, o ano novo seria uma formatação. E conforme ele vai passando nós vamos aceitando o novo, afinal, o que seria de nós sem atualizações e novos programas?

Esse ano novo não fiz promessas, me fiz propostas de aceitar ou não o que eu desejar.
É igual quando a gente instala qualquer programa no computador e tudo o que acontecer depois é da nossa própria conta e risco. Sendo nós o computador, é melhor pensar bem antes de dar uma estragada no HD.

Pois bem! Vou me propor aprender algumas coisas que me devo como andar de bicicleta. Vou me propor gastar menos dinheiro com besteiras e voltar a comprar CDs, hábito que abandonei esse ano. Vou me propor ser menos tenso e genioso. Propostas que eu já aceitei!

Esse ano novo eu quero continuidade em alguns aspectos da vida como a faculdade e o coração. Não posso reclamar desses programas tão funcionais e essenciais e que tem mantido o sistema funcionando na mais perfeita ordem. Mas algumas atualizações não fazem mal a ninguém, não é? Eu aceitarei quando elas surgirem.

E assim começo o ano aceitando novos programas, atualizando outros e torcendo pra que eles funcionem e não me desapontem. Todos em sincronia comigo e eu com eles.
Nunca dá pra saber ao certo como é que vai ser exatamente.

Durante o processo há falhas e tilts da máquina com o programa e é preciso calma nessa hora. Saio do programa, mas tento de novo. Não tem manual. É tudo feito autonomamente ao se aventurar em aplicativos, descobrir atalhos e novas funções até estar familiar de novo. Tentativa e erro. Esse computador é muito instável pra repetir fórmulas.

No entanto, eu aceitei a chegada do ano antes mesmo de saber o que esse 2011 vai me trazer, por que sei que vale a pena. Há 21 anos tem sido a melhor coisa.

Devo ter vendido a alma pro diabo durante muitas vezes esses anos todos sem saber, afinal, com tanta vontade de vida nova, formatada e com tantos programas pela frente, quem lê os “termos do contrato da licença”?


Pedro.
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