23 dezembro 2010

se sou só ou sou mar

Para ler ouvindo: Só se for a dois (Cazuza)


Mal de não saber ser sozinho. De também não saber sempre ser de dois. Eu gosto tanto de gente. Tenho que conversar isso com meu analista, mas, espere... É de se resolver agora. Não posso esperar voltar de férias.

Sempre tive mais gente ao redor do que precisei. E agora preciso aprender a ser mais de dois.

Existe muita distração em grupo, como se sabe. A fanfarra, a bebida, as idéias do momento. E é disso que eu mais gosto, dos truques de disfarçar e esconder que a gente faz no coletivo.

Focault fala que a sociedade é quem "fala verborragicamente sobre seu silêncio", nesse caso sobre o sexo. Um garoto como eu, no coletivo é como o sexo de Focault. Fala muito e acaba não falando. Diz tanto o segredo que nã diz. Quem sabe ler, sabe. 

Não dá pra ofuscar nada em dois. Eventualmente acaba aprofundando demais o gesto, o olhar, tudo muito verdade sem subterfúgio.

Pra um menino tímido, o que não corre, não chora, não conversa... Falar volta a ser uma pedra no sapato. Falo pelo coletivo pra sentir se entre tantas vozes, tantas idéias, tantos mundos lá fora que consigo criar e lembrar, eu consiga uma saída pro silêncio que diz tanto mais de mim do que eu quero dizer e nunca consigo.

Pedro.
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