31 dezembro 2010

todo fim de mundo é fim de nada

São tantas palavras pra descrever um ano. Essa passagem de tempo cronometrada em 365 dias que a gente sabe que vai ver passar. E no fim sempre há uma espera, a gente fica confuso, no fim acaba feliz por estar vivo e junto. Quando está feliz e perto de quem se gosta é mais motivo pra celebrar.

Um ano passa assim – num estalar de dedos – mas as palavras e os gestos que a gente faz durante esse ano duram mais que isso.

Mas nesse único momento, acabou tudo. É fim de mundo, é fim de nada, é madrugada e ninguém tem mesmo nada a perder. Pode ser diferente a partir de amanhã, por que é um mundo novo. Há a chance de ser algo melhor simplesmente por que há a vontade de ser melhor.

E quando o relógio apontar a meia noite haverá força física e psicológica suficiente pra se querer o bem e o primeiro gesto do ano novo é um sorriso, um abraço, uma lágrima, um beijo, um “eu te amo”. Como se a verdade das palavras e gestos nesse primeiro momento do ano tivesse tanta força como a do nosso último dia de vida. A palavra virá matéria no ambiente e fica pairando no ar, na expectativa...

Seria alegria? Seria felicidade? Qual o nome desse sentimento?
São muitas palavras, realmente, mas são os desejos das palavras que falam, pedem, gritam por dentro, até o primeiro abraço e os primeiros passos no turbilhão que vem por aí. Caos dos sentidos.

Eu torço pra que ano que vem, apesar de tanta adversidade e desencontro, todos os momentos seja tão íntegros e de tamanha boa vontade quanto esse primeiro, da meia noite. Eu torço, eu quero, eu espero.

Faço essa proposta como uma maneira de dizer FELIZ ANO NOVO, pois mais feliz do que isso é muito difícil, pra não dizer impossível.

Pedro.
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27 dezembro 2010

26 dezembro 2010

I wish it could be Christmas every day

Mais um ano, mais um Natal. Esse dia de tanta espera quando a gente é criança e não entende nada e quando cresce e entende, fica perdido. Sim, perdido. Não sabe se critica, se gosta ou não gosta, se foge da família ou reúne todo mundo, se cresce ou continua criança.

Natal pra mim, desde que passei a entender o significado, faz parte de duas coisas que eu sempre amei: o verão e a família. Desde que se mudou para Dezembro (Jesus nasceu aproximadamente dia 7 de Janeiro) para ser comemorado junto de outras datas festivas romanas, o Natal é a primeira festa do verão. E é sagrada, de forma que Jesus nasce uma semana antes da chegada do ano novo, como quem salva o fim e protege o começo. É uma festa, realmente. Há troca, há celebração e alegria. Eu adoro o verão e aqui pra mim o Natal é parte dele, marca o começo de tudo.

A família junta também é bom. Até o que é ruim é bom. Li pelo twitter milhares e milhares de pessoas com aquele ar blasé de “ir encontrar a família”, aquele peso, aquela obrigatoriedade de um encontro forçado. Não tenho isso. Vejo os defeitos, sei os defeitos, as partes boas e más, tudo. Tenho costume de ver as coisas de longe e de longe é um encontro bonito.

No fundo é um elogio a família que dentro de toda sua imperfeição continua sendo o que nos dá suporte, apoio e é que está sempre do nosso lado pro que der e vier. Nem sempre todos no cotidiano e nas pequenas coisas, mas na hora que realmente importa, a família aparece. Sendo que nem sempre nossa família é apenas aquela que nos foi imposta – é quem se encaixa na descrição que fiz agora.
Adorei o meu Natal por isso.

Não teve um grande presente, não teve grandes expectativas. Foi reunir a família, sentar-se à mesa e fazer uma oração. A comida, sim, estava excelente. E só a felicidade de se juntar pra passar um tempo e ver todo mundo, valeu a noite.

Pedro.
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23 dezembro 2010

se sou só ou sou mar

Para ler ouvindo: Só se for a dois (Cazuza)


Mal de não saber ser sozinho. De também não saber sempre ser de dois. Eu gosto tanto de gente. Tenho que conversar isso com meu analista, mas, espere... É de se resolver agora. Não posso esperar voltar de férias.

Sempre tive mais gente ao redor do que precisei. E agora preciso aprender a ser mais de dois.

Existe muita distração em grupo, como se sabe. A fanfarra, a bebida, as idéias do momento. E é disso que eu mais gosto, dos truques de disfarçar e esconder que a gente faz no coletivo.

Focault fala que a sociedade é quem "fala verborragicamente sobre seu silêncio", nesse caso sobre o sexo. Um garoto como eu, no coletivo é como o sexo de Focault. Fala muito e acaba não falando. Diz tanto o segredo que nã diz. Quem sabe ler, sabe. 

Não dá pra ofuscar nada em dois. Eventualmente acaba aprofundando demais o gesto, o olhar, tudo muito verdade sem subterfúgio.

Pra um menino tímido, o que não corre, não chora, não conversa... Falar volta a ser uma pedra no sapato. Falo pelo coletivo pra sentir se entre tantas vozes, tantas idéias, tantos mundos lá fora que consigo criar e lembrar, eu consiga uma saída pro silêncio que diz tanto mais de mim do que eu quero dizer e nunca consigo.

Pedro.
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22 dezembro 2010

um recomeço é uma forma de se encontrar

Estou sem teto em Rio das Ostras.

Aconteceu hoje, não renovamos o contrato e devolvemos a casa pro dono que queria aumentar o aluguel pra R$1.400,00 com água e luz a parte (estávamos pagando R$1.000,00 com água e luz).

Minha internet não funcionava por nada nesse mundo. Nossa água era de poço, água ruim, amarela e cheia de ferro. A vizinhança era morta, ou se fingia de.
No calor era insuportável ficar em casa.
Os meninos de casa muito apáticos, um era parado demais o outro meio hippie, meio rock, meio PSTU, meio chato.

Eu estou sem casa em Rio das Ostras.
A quem devo agradecer?

Pedro.
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21 dezembro 2010

domingo no parque #73

Aquele do último do ano

para ler ouvindo: Musa Calabar (Guiguio)



Mal recuperado de sexta e de sábado, lá fui eu pro meu último domingo, aquele verdadeiro que vai me fazer falta até o fim de janeiro. Nessa última, com o público sempre acima do esperado, a festa aconteceu em dois lugares: o tradicional Open Bar e uma casa próxima, o ShowBar. A Vila Madalena e arredores tem essas casas pra 1000 pessoas que na verdade só cabem 700 e como o público esperado era de 1800 pessoas, melhor duas do que uma só.

Comecei a pensar no ano Gambi e cheguei à conclusão que a festa cresceu, como já se sabe, mas as pessoas (mais uma vez) pararam de absorver o crescimento. Os grupos, as panelas, meus próprios amigos se fechando em copas, é difícil para quem, como eu, não sossega num canto só. Eu quero mais.

A produção cresceu, tem gente nova e interessada, o novo público, as novas idéias. Tem que estar pronto pra tudo só por que do jeito que está não vai ser mais. Acho essa idéia de tentar manter as coisinhas nos seus lugares e sempre da mesma maneira muito careta. É, careta. E enquanto eu estava fora percebi que isso voltou. Mas eu também voltei e quero que isso acabe.

Volta pra festa. As duas casas estavam ótimas e a van que levava de uma casa a outra foi super eficiente. Melhor momento da noite foi sair, beber, conversar. Depois voltar pro Open Bar e comer pizza na porta. Pizza na porta com Paah e Pedro é o trava língua da alegria. =)

Dentro do Open bar a festa voltou a tomar jeito de Gambi de domingão. As bagaceiras, as coreografias, os assuntos. Tudo bom demais. Parte boa: “Who do you think you are” com um Gu Rangel que acontece ser um Spice Boy! Coisas que se fechar o cerco a gente nunca descobre.

Pra mim fica essa marca de que eu quero mais do novo ano que vem, pra não deixar cair jamais. Essa Gambi foi pra deixar saudades.
ps: We'll be back.

Pedro.
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20 dezembro 2010

19 dezembro 2010

Domingo no parque #72

Última The Week, ótima invasão. Devo dizer que fui com um ânimo grande e conforme a noite foi passando fui desanimando. Tava estranho, tava disforme e vi coisas ruins acontecendo. Sinal de festa crescida.

Chateado com algumas coisas, bêbado e meio sem graça. Sem graça de mim mesmo, sem carisma nenhum. Mas faz se o que pode pra se divertir e com tanto tempo de casa eu acabo conseguindo, eu teria motivos pra não estar feliz, after all?

Bebidas a mais, danos de menos. Menos mal.

A noite se mostrou excelente, como tem sido desde que fui pro Rio e o fim tão bom quanto. Afinal, eu estava prestes a entrar, enfim, num dia de sol.

Pedro.
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18 dezembro 2010

do céu perder o azul

(Sábado, 19 de dezembro de 2010 - 05:22am)
I love you, blue.


Pedro.
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16 dezembro 2010

ponha tudo em seu lugar

Nunca pensei que ficar em casa fosse se tornar tarefa tão árdua. É oficial: sou indeciso. Não quero mais ficar aqui; quero minhas aulas, meus professores, meus trabalhos, meus novos amigos e bares.

Nada pessoal, afinal eu realmente estava com saudades de todos, mas estou me sentindo muito inútil de férias. Todo mundo trabalhando ou viajando, todo mundo querendo estar no meu lugar e eu querendo não parar.

Não quero parar. Não consigo.
Tô com uma necessidade de fazer coisas, ver gente, sair, conversar, saber o que há de novo, ouvir qualquer assunto... Não cabe em mim mais.

E chove e faz sol, fico descontrolado com essa cidade. Incrível como só São Paulo acompanha o ritmo social e meteorológico de gente inquieta, como eu.

É bom estar de volta.

Pedro.
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15 dezembro 2010

eu quero tudo o que há

para ler ouvindo: Três lados (Samuel Rosa/ Chico Amaral)


3 anos de blog.
Dizem que 3 é o que dá certo, não é? O mundo hoje vive de trilogias em livros, filmes, discos. Tudo vem em 3.

Mas esse terceiro ano não acaba aqui. Vou seguir com o blog que esse ano me deu tantas alegrias e me acompanha desde 2007 em dias e noites atravessados. Tudo tão íntimo e intransferível que só cabe aqui e só serve à minha lembrança e ao meu apego e de mais algumas pessoas interessadas que vez ou outra me lêem.
Obrigado pela companhia.

Esse ano (segundo o Google) foi o de maior acesso de todos. Mas agora eu não sei mais pois deletei a conta no Analytics por que isso não me importa muito. A curiosidade existe, mas é por especulação boba mesmo. Acabou contador.

Esse ano também foi o mais autoral. Todos os textos são meus. Alegria de contar mais comigo.

Porém, como sempre, tenho que agradecer a alguém, esse ano meus dois blogueiros Marlon e Gigi foram os que mais dialogaram comigo (pessoal e textualmente). Minha irmã e Paah pela leitura atenta. Thay, Igi, Amália, Vasco... Pessoal de sempre que me ajuda de várias outras formas (que repercutem aqui).

Foi ano de perdas e ganhos, talvez uma perda que vai repercutir pela vida afora, minha avó, falecida em fevereiro.
Ano de mudanças: de estado civil, de estado de habitar, de estado desoucupado para estudante novamente.

2010 esteve presente aqui em 2000 idéias. Ainda não parei pra passar o olho em tudo o que aconteceu, mas o sentimento que fica aqui é de um ano bom demais, com poucas más lembranças.

Uma dor inevitável aconteceu mas outros sofrimentos opcionais foram ignorados. Algumas escolhas, muitas alegrias e contando mais comigo, entendendo mais do meu espaço e consequentemente mais de mim.

Essa foi a história que eu contei aqui esse ano.

Pedro.
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13 dezembro 2010

12 dezembro 2010

ano que vem e mês que foi

alegria é a prova dos nove
e vezes nove é moeda corrente
eu nada te conto,
do quanto contente
da minha riqueza
do quanto ciente

e o amor
se faz nesse meio
se faz nesse tempo
certeza.

Pedro.
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10 dezembro 2010

on any given night

num sabado qualquer eu resolvi não querer não te ver. Fiz um plano daqueles de perder a amizade entre todos os meus amigos que entraram no meu plano sem saber meus motivos. Uma festa. Reunião numa tarde vazia onde poderíamos nos reunir pra você aparecer e eu não deixar de te ver. De não olhar mais pra cara da pessoa depois dessa. Mas era mais propício me vitimizar com isso também. A vitória certa, os louros nos cabelos e novas cartas nas mangas. Me perdoem por quererem me ver lhes mentir.

Pedro.
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09 dezembro 2010

tento fazer desse lugar o meu lugar

para ler ouvindo: O meu lugar (Zélia Duncan)


Parece que foi agora, eu acabei de chegar e fui ao centro comprar cabides. Seria impossível começar a me desorganizar na cidade sem ter algo organizado primeiro. Eu cheguei e tive uma semana pra arrumar tudo do zero, como quem tem uma vida nova, um recém nascido perdido.

Sendo eu a minha ordem, só eu saberia do que precisaria. E eu precisava de cabides. O meu armário, as minhas malas, a parede pintada, tudo precisava dessa ordem.

E depois de tudo arrumado sentei e fiquei esperando tudo começar pra mim e pros meus futuros amigos.

Agora eu estou aqui, com os cabides vazios. Feliz por que é hora de voltar pra casa ainda que tenha deixado um começo de futuro melhor aqui na faculdade pra algumas pessoas. Tenho me enturmado (finalmente) e agora deixo as pessoas se aproximarem. Nada mal pra quem chegou e não acho graça em nada.

Mas e meus cabides, o que fazer com eles?
Comprei todos uniformes, uns 40. Mesmo sem espaço pra 40 cabides na minha parte do armário. Mesmo que ultimamente só tenha usado esses cabides pras roupas que eu não uso.

Aprendi a saber do que eu preciso, isso foi uma lição a parte nesses 6 meses. Não dá pra manter as mesmas estruturas de casa fora de casa. Eu sou sozinho e assim como preciso de bem menos, só consigo manter a ordem em poucas coisas. Já decidi que metade do que está, volta. Mas pra saber disso, tem que aprender isso. 2011 = malas mais leves.

Foram muitos aprendizados e ainda serão outros. Os melhores 10 dias, os piores fins de semana, os amigos que me adivinham, o retorno escolar (e descobrir que uma vez Pedro, sempre Pedro), tá tudo aqui na mala, voltando pra casa e incorporado pra volta, pra vida.

Mas o que eu faço com esses cabides?

Pedro.
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08 dezembro 2010

o sonho na cama

Secretamente eu tenho amor por esse momento. A luz acaba e volta. A internet cai. Quem clareia aqui sou eu. E quem levanta são as idéias. E embora tudo volte em breve, eu já desconectei de lá e me liguei aqui, no momento pequeno, de temperatura quente.

Clima de anticlímax.
A vida parece novela fazendo tudo acabar assim, no ápice.

Vou fazer coisas. A lot more of my favorite things.
Próximos momentos serão de pequenos momentos de clímax frio.
Água gelada no vento do quintal. E começa a ventar mais frio, de fato. Está bom aqui fora.

Deve haver algo invisível e encantado entre eu, a água e o vento.
Especialmente água gelada e vento forte.

Pedro.
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07 dezembro 2010

se ao menos você soubesse

Um fim de semana em casa daqueles pra se guardar na memória como um dos melhores tempos. Mas preciso dizer que tudo tem sido tão rápido que até aproveitar os pequenos momentos tem sido em um ritmo acelerado.

Pra começar: essa viagem não estava programada. Não costumo passar fins de semana em casa. É caro, é dispendioso e muito cansativo sair sexta feira de noite, chegar sábado de manhã pra voltar domingo à noite. Porem dessa vez o convite pra vinda a São Paulo partiu da própria UFF, do professor de Teorias da Arte que nos levou numa 5ª feira de madrugada para uma ida a Bienal de Artes. Chegamos 6ª de manhã e o ônibus me deixou praticamente na porta de casa.

Foi o tempo de chegar, almoçar com pai e mãe em casa a tarde (e descobrir que eu realmente estava morrendo de saudades) e anoiteceu com a chegada de uma Gambiarra acelerada. De manhã dormi na minha cama (mais saudades!) e aproveitei os filhos – Elvis e Faisha.

De noite, um novo programa, casa da Tia Ruth pra um aniversário com pizza. Uma das melhores noites. Foi bom fazer tudo isso com quem a gente gosta. Queria fazer coisas com Paah e queria passar tempo com a minha irmã, pai e mãe. Consegui manter os dois perto e foi o que me fez gostar tanto do fim de semana. Depois vimos Harry Potter no IMAX.

Domingo foi a mesma coisa: os 3 indo juntos pro Outback, depois cinema, depois eu voltando sozinho pro Rio.
E aqui estou na espera de voltar pra tudo.

Pedro.
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06 dezembro 2010

05 dezembro 2010

Domingo no parque #71

para ler ouvindo: Gold Digger (Kanye West/ Ray Charles/ Renald Richard)


Parece uma faísca que se acende e vai queimando no caminho da Gambi e explode ao chegarmos na porta e encontrarmos todo mundo. Eu podia jurar um enorme desânimo para essa sexta no parque há uma hora antes de chegar. Paah também foi no mesmo (des)ânimo. Mas ao chegar, nenhum dos dois barris de pólvora se aguentaram e explodiram.

Foi um esquenta digno, bem feito. Cheguei no fim e acho que isso foi bom, do contrário teria passado mal. Em menos de meia hora foram 2 tequilas, uma cuba, um sant remy com jurupinga, uma jurupinga e um sant remy puros, mais uma vodca que surgiu e sumiu. Paah bebeu ainda pinga e mais tequila. Em mais algum tempo teríamos ficado na porta, bêbados, como um amigo nosso ficou. Mas fomos felizes pra dentro da festa gastar o nosso alto teor etílico.

Primeira Gambi sem Miro Rizzo. Estranho. Percebo uma grande falta. Gruli e Ana também não estão. Mas Taiguara e Talita sabem tocar tão bem... Talita Castro me vê na pista e acena contente. Taiguara toca as melhores canções. Percebo que Miro, de fato, tem uma presença muito marcante. Ele contagia sempre, mesmo quando não é minha música favorita, ele embala de tal forma que a gente dança. A Gambi estava não tão cheia quanto o normal. Ótimo pra dançar.

Sim, dançar e rever os amigos, dançar e me perder de Paah, dançar e me esquivar de um outro que apareceu. Moço, eu to acompanhado... Eu acho.

Fui encontrar Paah dormindo no sofá. Aproveitei e lá fiquei também. Reza a lenda que ele estava pra lá de pra lá. Achei engraçado. É bom ter Gambis etílicas e saber a hora delas acabarem. É bom fazer companhia pras pessoas quando elas precisam também.

A noite acabou no zero. Ainda bem, tudo o que eu não queria era gastar dinheiro. Queria gastar saudade e felicidade. Assim foi.

Pedro.
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04 dezembro 2010

cantar é vestir-se com a voz que se tem

para ler ouvindo: Cantar (Teresa Cristina)


No país das grandes cantoras, querer ser cantor é tarefa árdua. Sinto muita falta de bons intérpretes masculinos no Brasil, embora saiba que tivemos um passado excelente, o presente não é promissor e o futuro não aponta grandes surpresas.

Se formos pesquisar a época do rádio veremos muitos grandes intérpretes, os grandes cantores da época do rádio divulgaram o cancioneiro nacional e ensinaram (assim como as cantoras) um tipo de canto que não se ouve mais. Vozes limpas, seguras, fortes. Talvez também seja retrato de uma época onde o próprio homem se afirmava como uma figura mais segura, grave, precisa.

Basicamente se ouvia aulas de canto através do rádio. E a formação foi de alunos e alunas excelentes: Elis, Gal, Caetano, Milton e outros.

Após os anos 50 houve um declínio. Com a chegada da Bossa Nova e o canto cool de João Gilberto, alguma coisa mudou. Um grande nome permaneceu: Cauby. Porém ainda pudemos acompanhar alguns nomes fundamentais para o canto masculino do Brasil: Simonal e MPB-4 nos 60, Ney Matogrosso e Emílio Santiago nos 70.

Após o ostracismo de Simonal, Ney se firmou por muitos anos como o grande intérprete de MPB. Apesar de Caetano, Milton e Gil serem grandes vozes, apenas Ney se mantém como intérprete de canções e não como compositor.

Por sua grande expressividade, seu timbre único e sua postura ousada, Ney hoje tem um status elevado, uma grande liberdade e uma estrutura invejável. Por se manter na ativa e lançar projetos atuais, vê-se algum paralelo de Ney em Bethânia, ambos gigantes de disco e palco.

Ney é excelente, Emílio também (tive pouco contato com sua obra, mas seu último disco me dá segurança para tal afirmação). Pedro Mariano é um caso de amor de alguns e ódio de outros.

Mas aonde estão as grandes vozes masculinas do Brasil?

Além da falta de grandes intérpretes, quando surge um é aquele horror, aquela aberração que é o Rick Vallen que eu desconsidero. Desconsiderem também pra gente poder estipular um nível pra conversa. Nem Rick Vallen e nem Edson Cordeiro, por favor.

Atualmente mesmo os cantores-compositores me soam com voz de meninos colegiais. Um misto de voz doce, agradável, sutil, mas que às vezes não da a densidade que suas prórpias canções pedem. Meninos, acordem!

Edu Krieger, Marcelo Jeneci, Moreno Veloso, Kassin, Domenico, os meninos do Doces Cariocas, Rodrigo Maranhão, Thiago Petit. Precisamos de mais Amarantes, aquele vocalista do Móveis que é fantástico, o Lirinha do Cordel, Pedro Luís.

Parece que não se interpreta mais as canções. O último disco de Krieger é excelente por que ele parece liberar alguma emoção nele, como quem diz algo acreditando no que diz, sentindo. Marcelo Jeneci tem uma voz e demonstra quando quer também. Curumin acaba funcionando como um meio termo pra tudo isso.

Precisamos da segurança de um Lenine, um Arnaldo, um Brown, de um Tim Maia (peloamordedeus!) na hora de cantar. Ou fica essa coisa assustada, distante, garotos quase uma vítima de bullyng colegial. Não se ouve mais vibrato de homem. Saibam que em algum camarim do bar Brahma Cauby chora até ficar com dó de si sabendo disso.

Meninos, em fila! Hora de reouvir tudo de Orlando Silva pra começar, os clássicos de Francisco Alves e muito de Sílvio Caldas e Nelson Gonçalves pra se perceber com quantas cordas se faz uma garganta e quantas dores de amores são necessárias pra fazer o coração cantar. E com fé encontraremos um intérprete que fará voltar uma voz do Brasil sendo apenas a voz.

Pedro.
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03 dezembro 2010

um samba de adeus

Hittinng the road e descobrindo os acontecidos que não foram. As paixões que não nasceram e um futuro que não foi. Mas poderia ter sido. Se tudo fosse diferente, o começo fosse realmente o começo e não no meio, seria tão óbvio, que eu vejo com clareza de detalhes.

Ainda bem que foi tudo diferente. O melhor aconteceu e ninguém ficou triste. Até ficou, fica e pode ficar, mas por outros motivos. No outro caso seria apenas eu me sentindo só e com outro amor desfeito pela distância novamente.

Eu só.
Eu e meus inimigos.

Se o meio fosse começo.
O fim ainda seria o fim.
E estaríamos os 2 perdidos, sozinhos e juntos na chuva nos despedindo?

Pedro.
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02 dezembro 2010

beba comigo a gota de sangue final

Para ler ouvindo: Gota de sangue (Angela Rorô)


Ela está em um relacionamento sério
Nosso amor não se foi
Mas um outro nasceu

Ela está em um relacionamento sério
Nosso amor não se esquece
Mas outro veio e bateu

Ela está em um relacionamento sério
Mas esse ainda aparece
Esse nunca morreu

Ela está em um relacionamento sério
Que veio após o nosso
Nosso amor é um poço
Se ela pode
Eu posso



Pedro.
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01 dezembro 2010

dentro do raio o trovão

para ler ouvindo: Doce espera (Marina Lima)


Preciso dizer em muitas palavras
O bom que eu sinto quando me explicam algo
Coisas vagas de saudade
Outras precisas de datas
Preciso de um espaço pra sorrir
E ouvir a história doce
Pra sentir o mesmo de ontem

100 dm’s e mensagens pessoais
1 testimonial
Inúmeras falas
Mil provas de amor
Pro amor de longe
Off line

E você por fora
E você mais próximo
E você perdido
Do lado de dentro

No coração
Tem uma tempestade
Dentro de um copo d’água
Com o seu nome nele

Pedro.
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