10 outubro 2010

a cor das cores da razão do sal da vida

Para ler ouvindo: Este amor (Caetano Veloso)


Para cada um existe uma primeira vez que marca mais. Além da óbvia "primeira vez" do sexo, existem milhares de outras "primeiras vezes", na verdade são inúmeras, pois tudo que se faz na vida inteira e nunca foi feito antes (o que se lembra e o que não se lembra) é uma primeira vez.

Tenho cá comigo que a primeira vez, aquela do sexo, seja mais marcante pois é a primeira troca afetiva profunda entre duas pessoas conscientes do que seja aquilo. Claro que, com isso, muitas inseguranças e tabus são carregados com a pessoa para esse momento. Também faz parte da troca e fica marcado de forma com que a primeira vez mais comentada e mais controversa até hoje seja a "primeira vez".

Sinto pena das outras primeiras vezes nunca colocadas em pauta. Afinal, o que seria da "primeira vez" sem as outras primeiras vezes que vem antes dela, aquelas que nos formam?

Estava me lembrando da minha primeira experiência de deserto. É um tipo de reflexão aonde a pessoa tem que se projetar no deserto e a partir dali questionar a Deus e a si mesma. Um tipo de coisa que eu tentava sempre e nunca conseguia fazer pois não sou muito bom em me concentrar.

Um dia eu consegui. E desse questionamento saiu um texto sincero, com perguntas e respostas sinceras que eu guardei. Lembrando dele, do dia, do ato, do que havia ali, ele vale até hoje, certamente. Foi a primeira vez que eu entendi o que eu estava fazendo no São Luis, o que eu pretendia tirar daquilo, o que eu pretendia deixar e como seguir em frente. Sem isso, provavelmente eu estaria na faculdade no tempo errado, sendo a pessoa errada.

E como dizem que sorte no jogo é azar no amor, houve a primeira vez que eu vi que tempo x espaço não arrancam sentimento de dentro do peito de ninguém. Também me traz de volta ao tempo com consequências pro hoje, mas num espaço menor, 2009, minha primeira despedida, meu primeiro rompimento e um ano sem saber o que fazer com aquilo tudo no peito. Lição aprendida, agora eu precisei apenas me colocar no lugar de quem fica e ir embora deixando um "até logo" e não um fim.

Em tempo: a insegurança é a mesma.

Essa e outras primeiras vezes podem nunca ser assunto de conversar informalmente em bar (a não ser com quem se dá a esse tipo de papo fundo-raso-filosófico-sem-fim de bar) ou pra se pensar sem forçar um pouco mais a memória e ver que nem sempre as primeiras vezes (todas elas!). Mas são lições necessárias. É preciso comer jiló para saber que ele é amargo. Até para ter a possível surpresa de gostar do amargo, vai saber.

Primeiras vezes, são como primeiras impressões: elas podem até ficar, mas com jeito de corpo e um aprimoramento as vezes que vem depois são bem melhores.

Pedro.
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