31 outubro 2010

don't you do me any favors

Outubro chega ao fim e junto dele o acumulo de todas as feridas a que me expus durante o mês. Parece que todos os sentimentos de confusão conseguem me atravessar enquanto o sinal fecha e eu espero abrir e ao chegar do outro lado da rua já estou tomado por mais uma contradição, uma expectativa, uma decepção.

Coisas que eu criei na minha cabeça e não fazem sentido algum no mundo real e eu saberia disso normalmente em qualquer tempo e circunstância. Mas não em Outubro. Não com essas bactérias impregnadas em cada pensamento meu. Cada vez que eu penso que estou perdendo a importância, que não faço falta, que estão se esquecendo de mim.

Então eu erro.
Conscientemente.

Erro por querer insistir em viver esse grande drama inexistente. Mas se o pensamento me trai e é mais forte que eu (como sempre foi), eu vivo o drama. E erro por apostar nas consequências dele que só eu vivo.

Hoje é sexta feira (ainda?) e eu não fiz nada além de agir, falar e provocar. Como se tivesse que mostrar o tipo de caos que eu dramatizo em contexto real. Mas a vida real é uma vadia bem mais densa do que minhas soap operas.

Resta engolir o gosto amargo do real na hora que ele vem e torcer pra - se não morrer - poder crescer com ele. Talvez mais forte.

Pedro.
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25 outubro 2010

me vejo no que vejo #47

tela de Jorge Fonseca

Pedro.
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24 outubro 2010

sick, sick, sick


Passei a semana toda em "state of emergency" como fotografei Bjork cantando na 2ª feira. Além do braço queimado que continua enfaixado todos os dias, voltei de São Paulo acompanhado por uma febre que me derrubou totalmente essa semana. Terça feira foi uma das piores noites que eu me lembro, com muita febre (e muito sono).

Os dias que se seguiram também não foram simpáticos, a garganta fechou e eu passei a existir de forma zumbi. A febre foi forte assim como a dipirona é forte e ambas me deixaram dopado, portanto eu não consegui ir além da faculdade pra cama e da cama pra faculdade até ontem pelo menos, quando eu melhorei mais. 

Hoje estou 98% e ainda me guardo para voltar amanhã, 100%. Mas pela primeira vez desde que me mudei, preferiria estar em casa. Já não basta a vulnerabilidade do corpo, a da cuca vai junto. E nada como pai e mãe pra não deixar a peteca cair nessas horas. Mas eu fiquei.

Não gosto de doença nenhuma, mas febre em especial me deixa muito mais frágil que todas as outras. Além de ter calafrios, corpo quente, garganta fechada, etc. também tenho nostalgia. Acho que febre me remete a infância no sentido sensorial, daí eu fico pior.

O bom é que já passou, foi a gripe do ano pra lembrar que eu ainda sou gente. Apenas o momento foi errado, Outubro. Mais um pequeno caos das desventuras desse mês que parece ser um reality show tipo Survivor. Mas ok, eu já passei por 21 etapas, essa realmente não foi a mais difícil.

Pedro.
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23 outubro 2010

hold on to that feeling


Quando fui assistir ao "Despertar da Primavera", foi como ir a uma peça de amigos ou amigos de amigos, conhecidos. Estava esperando um musical mais leve e aquela música de musical de sempre.

Entre expectativa e realidade, "O despertar" virou uma mania no Rio e em São Paulo também. Acabei conhecendo parte do elenco, a peça acabou e alguns números musicais ficaram na minha cabeça.

Procurei a trilha sonora e só encontrei em inglês, e achei genial na forma como se sustenta a música fora do palco (em alguns momentos eu juro que supera o enredo).

Tem sido a música que carrega os dias: My junk, Touch me, The bitch of living... É pop, é romântico, é melódico, é musical, é Glee. As cenas marcam menos que as canções e ouvindo todas juntas na versão original isso fica mais evidente.

Ainda não ouvi novamente o cd em português, mas Moeller e Botelho deixaram disponibilizado no site o cd com as versões em português com o elenco brasileiro e na internet também é possível encontrar a versão em inglês. É irresistível.

Aqui os links para download do torrent com o elenco original da Broadway:

Spring Awakening (2006 Original Broadway Cast)

e a versão em português do elenco brasileiro:

http://www.moellerbotelho.com.br/arquivos/9024

Enjoy my junk!

Pedro.
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22 outubro 2010

onde o sol bate e se firma

para ler ouvindo: Onde o sol bate e se firma (Luiz Melodia)


na cidade
tão minha ainda
com meus cheiros em cada parede
em cada tela
memória da pele
daquele
daquela

assim me deixo
estar só como sou
na Sampa só, como é

Pedro.
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21 outubro 2010

sou de improviso, lúbrico

Only boys that save their pennies makes my rainy days

Amo presentes. Amo presentes especiais. Amo presentes pensados pra mim. Amo presentes em caixas (amarradas em papel não em plástico). Amo a lembrança. Amo que me conheçam o suficiente pra acertarem em cheio.
These are a few of my favorite things.

A intenção de querer agradar já basta. Isso é um presente incrível. Mas vamos falar de coisas materiais, essas coisas que ganhamos e gostamos tanto que envolvem grana no meio.

Pra começar não me considero caro. Não é preciso me conhecer muito pra saber que eu não sou chegado num Rolex de mil euros e, oi, qualquer correntinha hippie com um sânscrito que eu nunca vou entender escrito meu nome me ganha muito mais. Tem quem goste do Rolex, eu sei. Mas é como se eu estivesse recebendo algo que qualquer um pode ter. Não tem afeto nem lembrança envolvido, só dinheiro. Minha mãe vive falando que quando eu me formar vai me dar tal relógio e eu fico sem graça por que nem sei ver as horas em relógio de ponteiro.

Mas a questão é: presentes que me deixam sem graça.

Além desse intimidador relógio de ponteiro que não chega perto dos meus sonhos, também há o presente que a gente dá quando quer muito agradar. E não há nada de errado com esse também. Só que quando o acerto é grande, quase uma entrada no meu subsconsciente, é como se eu estivesse recebendo o presente totalmente nu.

Até o fim desse texto ainda não consigo dizer se é bom ou ruim. É íntimo, isso já é certeza.

Pedro.
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20 outubro 2010

when you call my name is like a little prayer

When you call my name is like a little prayer

there's cities and places and castles
and houses and foods and people
and stores and webs and countries
and beaches and parties and streets
there's far there's above and there's beyond
there's the intangible

I wanna take you there.

Pedro.
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19 outubro 2010

flor de ir embora

Apoós essa semana em casa eu precisaria mais de um descanso em Rio das Ostras do que uma semana cheia de aulas.

A Rodoviária vira uma casa e a gente começa a reconhecer quem trabalha (e ser reconhecido!). E é sempre a mesma saudade pra quem fica e quem vai. Coisa que não se mede pra saber quem tem mais, vamos dizer que é igual.

Quem ficou hoje na plataforma foi Paah, me vendo ir embora, com aquele jeito dele. Quem ficou e me faz pensar muito nela é minha irmã que não estava bem. Quem ficou e me alegra são pai e mãe. Quem ficou...

O ônibus liga e eu desligo. Não sem antes de ver algumas cenas de "De volta para o futuro 2" na tela. Logo tenho que acordar cedo, descer do ônibus e entrar na faculdade, sem escalas. Mas vale a pena. Por eles tudo vale a pena.

Pedro.
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18 outubro 2010

17 outubro 2010

tempurá se tiver, se não tiver então

Domingo plenamente em casa. Dá tempo de almoçar, curtir e ainda fazer algo a noite talvez. Não sei, já é tarde da tarde, visitei tia Ruth e o "fazer algo" não deu as caras por nenhum meio.

Foi um bom domingo tradicional com pastel pro café da manhã, almoço às 16h e visitas. A falta de vovó se fez presente de novo. Não digo nada, guardo. No fundo acredito que todos sintam também.

Pra acabar começar o fim do texto e o começo da tarde, vi Tia Ruth, admirei mais minha irmã, me dei um puxão de orelha interno. E de volta ao fim do fim da tarde, hoje tem Gambiarra, que nunca se viu em 2ª opção, mas desta vez vai perder pra minha casa. Hoje é dia de mimar Elvis e Faisha.

Pedro.
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16 outubro 2010

desce dois, desce mais!

Todo aniversário da Tia Lu é meio Tropa de Elite: "segunda feira só hisória pra contar". E esse seguiu a regra.

Teve barzinho agradável na Vila Madalena, gostei e recomendo bastante (Rabo de peixe, na Rua Wisard). Só eu gostei por que ela e o amigo estavam querendo boate, festa, fervo, lenha.

Ok, a noite tinha começou bem pra nós, saindo debaixo de chuva e correndo atrás de ônibus pra voltar pra casa. Mas deu tudo certo e fomos pra Trash. E eis que eu dou a idéia de entrarmos na promoção "pague 100 e consuma 150". Oi, minha consciência é um grilo falante árabe.

Tarde demais. Eu já estava no mais alto dos queijos, dançando sozinho numa Trash vazia. Eventualmente me perguntava aonde estaria a aniversariante, mas outra música começava e eu dançava mais (e eu nem percebia o pequeno público que se formava abaixo do meu palco). Paulinha Funny registrou esse momento, inclusive chamou alguém pra tirar foto (lembrando que na última Trash algo semelhante ocorreu).

1h da manhã virou 5h entre tequilas, cervejas e sumiços. E como eu previa, Tia Lu se arrumou com o bolo que levou pra festa. Coisas da vida de uma recém 3.8. A noite acabou para nós ou para a nossa comanda. E entre tropeços, escorregões e enjôos, acho que ela voltou pra casa querendo tudo isso mesmo.

Happy Bday!


Pedro.
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15 outubro 2010

perdido em muitos sorrisos

Hoje foi um dia tão leve e perfeito que ele poderia se repetir infinitas vezes e eu não reclamaria. Foi levando, levando... Quando chegou ao fim eu já estava vidrado nele.

Primeiro é o clima de casa que está muito mais tranquilo. Mamãe, apesar de continuar a mesma, parece respirar mais fundo pela primeira vez depois de muito tempo, está mais sorridente, levando tudo numa melhor. As coisas parecem melhorar, sim, mas a culpa é toda de papai que está mais voltado pra casa e pra ela. Parou de beber, parou de sumir, parou com tudo. Eles vão ao cinema, ao teatro... E eu torço que dure pra sempre. A casa está leve.

Depois fui jogar meu novo Banco Imobiliário na casa da Rossana com Cidy, Lari, Nati e Paah. Foi ótimo também (apesar de ter sido o banco dessa vez!). A tarde com os amigos e jogos!


À noite minha irmã me levou pra assistir Gypsy no Teatro Alpha e digamos que no meu dia leve foi uma coisa bem pesada. A peça demora pra pegar ritmo, é estranho. Um pouco pela história em si e as versões em português também não ajudaram. Análises de produtor, don't mind me.

Fim de noite com Paahzito na Bella Paulista, a melhor padaria, a melhor companhia, melhor pizza para a melhor fome. E ainda tive um Tchai de Maracujá vermelho no Vanilla. Quer dizer...

Quer dizer que esse dia merece um replay com narração de Galvão Bueno e comentários de Carlos Casagrande e patrocínio da Skol, que foi a cerveja que brindou o início do dia todo.

E se ele tivesse uma dedicatória, seria para a Thay, que certamente precisa de um dia (muitos dias!) assim, pra se lembrar que a vida não tem compromisso com nada além dela mesma.

Pedro.
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14 outubro 2010

domingo no parque #67

Gambiarra é uma casa e tem sua formação: sala pros convidados, quartos para quem mora, cozinha pra quem tem sede e fome, quintal, banheiro, etc.

Quem forma o equilíbrio dessa casa é a família e isso nós também temos. Mas como toda casa tem sua história, volta e meia ela fica assombrada, tomada por fantasmas, pessoas que nada acrescentam e nada acrescentam a minha casa. Mas como eu divido com mais gente, não posso reclamar. Mas como cheguei primeiro sou o incomodado que não se muda!

Essa Gambi tava pesada. Era um clima estranho e eu senti isso. Fui andar, tentei, esperei passar. Não é de hoje que as Gambis na The Week tem me dado mal estar.

Um certo incômodo também me surgiu nessa, mas dessa vez eu sei a razão: gente errada no meu canto, no meu caminho, na minha casa. Fiquei irritado e por isso fui embora mais cedo – com nuvens e raios de Iansã. Mas tive que ir.

Pedro.
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13 outubro 2010

serpente ou não serpente

Makus Witch Mor, jornalista, educador e amigo de Gambiarra, ajudou a formar no início da festa através de tópicos na comunidade do Orkut o que veio a se chamar hoje de "Gambiarreiro" ou "viciado", que são figurinhas carimbadas da festa.

Recentemente ele me entrevistou para um tópico da comunidade onde ele faz um perfil de cada pessoa. Entre as perguntas, havia uma envolvendo o trabalho na moderação da comunidade e mais perguntas - num tom mais investigativo - surgiram da parte de outras pessoas. Pois aqui está a explicação:

através da comunidade eu me tornei além de moderador, um porta voz da festa no Orkut e consequentemente produção - nos assuntos relacionados a público/comunidade.

Na época isso não significava muito. Havia pouco mais de 1200 membros dos quais apenas 30 eram ativos (os viciados). Hoje são quase 7 mil membros (mais precisamente: 7,495) e as postagens já se perdem de vista (todas são diariamente vistoriadas). São aproximadamente 50/60 aprovações por dia, muitos scraps de perguntas, tantos que até criei um documento com as respostas, de forma que só mudo o nome da pessoa no início e repasso a resposta.
Uma vez por mês a agenda é atualizada e alguns tópicos parados são deletados.

Confesso que apesar de não ser difícil, também não é tão fácil. Hoje é parte da minha rotina, eu sei fazer. Mas há uma série de critérios usados para fazer cada uma dessas coisas - muitas vezes discutidos entre eu e os outros moderadores.

Não mandei currículo para trabalhar na Gambiarra em São Paulo. Não conseguiria entrar na festa apenas as 4 da manhã, seria muito torturante! Fiquei de mandar para a Gambi Rio mas também não mandei. Meus planos são outros na casa, algo que eu pretendo aliar à faculdade e que a estrutura da Gambi poderá oferecer. Mas também não é moleza, é MUITO trabalho!

Fazer esse trabalho me dá liberdade entre produção (por fazer algo pela festa) e público (por sempre frequentar do começo ao fim, sempre que posso), justificando assim os Vips, os camarotes, etc. De forma com que minha consciência está bem tranquila, uma vez que eu não precisaria mais fazer nada disso para conseguir essas coisas, como tantos não o fazem e conseguem.

Hoje considero como um trabalho cuja remuneração vai muito além da que eu recebo. É poder levar aonde eu for o nome de uma festa que eu amo, de pessoas que eu amo e admiro e estar perto deles a todo momento. Mesmo através de algo tão simples que é responder perguntas, ajudar o público, divulgar, etc. um tijolo numa casa semi pronta - fazer alguma diferença.

Pedro.
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12 outubro 2010

domingo no parque #66

Gambiarra causa com meus sentidos! Se me perguntarem o que é que acontece, eu não vou saber dizer, mas é sempre muito intenso: pro bom e pro ruim.
Essa vez não foi diferente, tava a um tempo longe de casa, fiquei positivamente sem controle com uma garrafa de Catupinga (?) do esquenta e mais duas cervejas do lado de dentro.

Tive tudo o que é meu de direito nas Gambis e ainda rolou o café no Mc. Um domingo tradicional, agitado e especial. Seja como for, é ali que tudo acontece.

Pedro.
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11 outubro 2010

10 outubro 2010

a cor das cores da razão do sal da vida

Para ler ouvindo: Este amor (Caetano Veloso)


Para cada um existe uma primeira vez que marca mais. Além da óbvia "primeira vez" do sexo, existem milhares de outras "primeiras vezes", na verdade são inúmeras, pois tudo que se faz na vida inteira e nunca foi feito antes (o que se lembra e o que não se lembra) é uma primeira vez.

Tenho cá comigo que a primeira vez, aquela do sexo, seja mais marcante pois é a primeira troca afetiva profunda entre duas pessoas conscientes do que seja aquilo. Claro que, com isso, muitas inseguranças e tabus são carregados com a pessoa para esse momento. Também faz parte da troca e fica marcado de forma com que a primeira vez mais comentada e mais controversa até hoje seja a "primeira vez".

Sinto pena das outras primeiras vezes nunca colocadas em pauta. Afinal, o que seria da "primeira vez" sem as outras primeiras vezes que vem antes dela, aquelas que nos formam?

Estava me lembrando da minha primeira experiência de deserto. É um tipo de reflexão aonde a pessoa tem que se projetar no deserto e a partir dali questionar a Deus e a si mesma. Um tipo de coisa que eu tentava sempre e nunca conseguia fazer pois não sou muito bom em me concentrar.

Um dia eu consegui. E desse questionamento saiu um texto sincero, com perguntas e respostas sinceras que eu guardei. Lembrando dele, do dia, do ato, do que havia ali, ele vale até hoje, certamente. Foi a primeira vez que eu entendi o que eu estava fazendo no São Luis, o que eu pretendia tirar daquilo, o que eu pretendia deixar e como seguir em frente. Sem isso, provavelmente eu estaria na faculdade no tempo errado, sendo a pessoa errada.

E como dizem que sorte no jogo é azar no amor, houve a primeira vez que eu vi que tempo x espaço não arrancam sentimento de dentro do peito de ninguém. Também me traz de volta ao tempo com consequências pro hoje, mas num espaço menor, 2009, minha primeira despedida, meu primeiro rompimento e um ano sem saber o que fazer com aquilo tudo no peito. Lição aprendida, agora eu precisei apenas me colocar no lugar de quem fica e ir embora deixando um "até logo" e não um fim.

Em tempo: a insegurança é a mesma.

Essa e outras primeiras vezes podem nunca ser assunto de conversar informalmente em bar (a não ser com quem se dá a esse tipo de papo fundo-raso-filosófico-sem-fim de bar) ou pra se pensar sem forçar um pouco mais a memória e ver que nem sempre as primeiras vezes (todas elas!). Mas são lições necessárias. É preciso comer jiló para saber que ele é amargo. Até para ter a possível surpresa de gostar do amargo, vai saber.

Primeiras vezes, são como primeiras impressões: elas podem até ficar, mas com jeito de corpo e um aprimoramento as vezes que vem depois são bem melhores.

Pedro.
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09 outubro 2010

criança, eu sei

É normal ter 21 anos e em época de dia das crianças as pessoas me perguntarem o que eu quero/vou ganhar?

Pois é, acharam estranho. Fato é que entre eu e minha irmã, ainda sou o mais novo e recebo esses direitos na ausência de alguém mais novo.

Passada a única bad trip que tive em relação a idade (19 anos), reza a lenda que eu continuo a criança maior e mereço presente. Por mim nada muda enquanto eu não for (na hipótese mais provável que venha primeiro) tio ou pai. E acrescento um adendo: estou morando sozinho em outra cidade, oi, eu mereço voltar pra casa e ser o mais novo.

Esses dias eu cheguei a conclusão de eu ganhei meu Dior e não percebi.

O que é ganhar o seu Dior?
É aquele momento onde você é um deles. Um daqueles que você sempre conviveu, mas nunca pensou quando chegaria a hora que se integraria a eles. São sinais de maturidade que nos acompanham: a primeira vez que dormimos na casa dos amigos, a primeira viagem sozinho, os primeiros passos (lembram do texto sobre primeiras vezes?).

Pois Giovanna Andrade fez 20 anos dia 26 de Setembro e entre seus presentes, um imponente Dior a surpreendeu. Era aquele Dior que as amigas ganhavam, que as mães encomendavam pra quem viajava de fora, um ícone da menina-mulher que eram as amigas dela - mas que não era ela.

Fiquei dias pensando no meu Dior. Se já tinha recebido, se iria receber. Percebi que o Rio de Janeiro encobriu meu Dior que é: morar morar sozinho. Pois é. Tanto se falou em mudar de cidade e longe de casa que eu não parei pra pensar que eu estou a 3 meses morando sozinho! Só penso que estou longe de casa (sim, são coisas diferentes). Entre todos os amigos de colegial e fora dele, essa época onde o amadurecimento é natural em alguns aspectos e forçado em outros, eu era o filho mais novo de casa. Não apenas de casa onde eu sou completamente dependente daquela estrutura, mas filho mais novo de São Paulo, filho mais novo de amigos.

Sim, sou isso tudo e ao realizar que já tinha meu Dior, vi que as coisas realmente tinham mudado. Os sonhos que eu tinha de faculdade, os pensamentos que eu tinha sobre o que fazer e como fazer estão ganhando forma. Antes parecia tão distante numa sala de aula de colegial.

Dessa forma começo a projetar um próximo Dior e tudo o que eu peço é que ele venha no momento certo, não pronto. Do jeito que tem que ser.

Pedro.
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08 outubro 2010

ela se foi, saudade

Para ler ouvindo: Saudade dela (Roberto Mendes/Nizaldo Mendes)


Voltar pra casa, pela segunda vez em 70 dias e a primeira imagem que me vem na cabeça novamente é a de nós, completos. Mas na verdade não estamos mais, falta ela.

Minha vó foi uma figura. Gente daquelas que não se faz mais, não cabe mais nesse mundo. Pode perguntar a quem quiser. E mesmo no cotidiano corrido e nas eventuais brigas (poucas, muito poucas), eu sempre me senti um neto privilegiado pela presença dela em casa.

Como ela viajava muito, comigo sempre fica a impressão de que ela ainda está viajando. Mas como eu também estou numa viagem, a primeira pessoa que me remete é ela e o fato de ser difícil encarar uma estrada com a lembrança e mais difícil ainda, voltar pra casa. Um lance de parar na porta pra tomar coragem pra entrar.

E eu estou aqui, num ônibus de viagem, indo pro Rio de Janeiro, na parada de Niterói (onde ela também tem uma amiga pra vida inteira, pra variar!), lembrando da canção: "é preciso ser valente".

Vou tomando coragem pra encarar mais uma vez essa realidade do mundo que perdeu um pouco da cor, do sentido, da vontade.

Pedro.
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07 outubro 2010

quem escuta o meu "sim"?

Entre todos os verbos incluidos na conjugação da vida, confiança é um dos mais frágeis que há. Confiar implica em conhecer. Ou já se conhece ou passa a se conhecer a partir do momento em que se deposita a confiança.

É também um dos verbos mais humanos. Se em Blade Runner um robô chora, passamos a crer que nele há algum sentimento humano. Pois não se confia em coisa. Não se confia em carro, em casa, em política. São formas de dizer que há segurança pois aquilo foi obra de alguém em quem se pode confiar.

Quando se confia algo maior, passa a ser maior o saldo a se cobrar. Por isso algumas coisas nunca são deixadas para cuidados de terceiros, pra não fugir do nosso olhar, dos nossos cuidados.

E quem confia um coração aos cuidados de outra pessoa? E o que se espera como troca desse ato tão simólico quanto perigoso? Sim, perigoso. Num mundo tão cheio de maluquice, só um maluco pra se entregar. Gente normal tranca bem trancado e morre com ele são e salvo. Mas quem ouve o poeta dizer: “quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não”, não se agüenta ao ouvir o chamado.

É como confiamos um segredo: nada se pode exigir além de ouvidos atentos e a certeza dele continuar secreto.
O coração tem que se manter inteiro e bem guardado. E quem tem 2 corações, sempre se lembre daquele que tem que guardar.

Assim, passamos a confiar muito além do mero "não trair". Há confiança de que os gestos sejam gentis, que haja compreensão, que as palavras sejam ditas na hora certa (mesmo quando rudes) e os momentos sejam precisos. Do contrário, quantas marcas guardará o coração a quem foi tão confiado? E que tipo de segurança há em mantê-lo assim? Nenhuma! É melhor ser normal e guardar de novo.

Sim, são muitas perguntas! Sempre na tentativa de não ser quebrado, partido, dilacerado, etc. Tantas outras definições que no fundo são apenas um apelo para que o cuidado seja inteiro e íntegro em todos os momentos e não pela metade e sem força conforme o tempo passa. De forma com que o meu "sim" e a confiança creditada nunca sofram por dúvidas e estejam sempre ali, prontos para qualquer tempo.

Pedro.
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06 outubro 2010

a cama pronta, rango no fogão

São Paulo é:

pós balada no Estadão
uma noite pela Augusta
uma tarde na Paulista
uma manhã no Ibirapuera
um pastel de feira
horas em uma fila
metrô no contrafluxo
yakissoba de rua
a Matarazzo parada de sexta
um teatro na Roosvelt
uma tranqueira na 25
um self service na Líbero
a Pinacoteca atraente
o Masp que eu nunca fui
o beatle Paul no Morumbi
uma canção do Adoniran
ônibus colorido
Bolacha, garoa e bisteca! (e não biscoito, chuvisco e carré!)
impressão que falta algo (praia)
saudades da minha vó
mudar o status do MSN
melhorar o humor
preparar o espírito
recarregar energias
não querer voltar!

Pedro.
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05 outubro 2010

vou pra rua e bebo a tempestade

A gente sabe que a bruxa tá solta e o caldo tá engrossando através de sinais.
O que são sinais?
Ultimamente, sinais tem sido a minha prova maior de que eu ainda possuo espiritualidade. São avisos que me salvam ou me preparam para algo.

Outubro já chegou sinalizando tempestades. Não é de hoje que a minha história com Outubro é conturbada. E é sempre algo inexplicável, pro bem ou pro mal - é um tempo que muda.

Dia 1º de Outubro eu pensava sobre isso sozinho no quarto quando me dei conta de que pela primeira vez não havia motivo pra turbulência e que embora eu tenha tido alguns maus momentos há uns dias atrás, não era motivo pra me preocupar.
Foi um pensamento genérico, que me ocorreu. E ao terminar de pensar: a lâmpada que estava no teto simplesmente caiu no chão por livre e espontânea vontade. Seria isso um sinal de que na mesma noite eu ficaria sem luz? Ou que tempos nem tão iluminados chegam?

Seja qual for o aviso, estou avisado.
Mas por um lapso, fiz arroz no microondas e ao tirar a vasilha a água caiu sobre meu braço me dando uma queimadura de 2º grau.

Felizmente consegui pensar e agir muito rápido. Fui pro hospital e o atendimento foi o mais rápido de todas as vezes que me lembro de ter ido ao hospital (creio que foi devido ao caso de queimadura) e voltei pra casa em uma hora enfaixado, mas com menos dor e pensando em Outubro. O próximo passo será não dormir mais com fone de ouvido por motivos de enforcamento iminente?
Não, lógico que não. Mas pensei e ri.

Poderia ser em outro mês, mas foi nesse.
Só nós ainda sabemos dessa história do mês de número 10 que se repete todo ano. Só eu sei que nem todo o ar do mundo supre a falta do ar de dentro.
E fogo nenhum queima por fora tanto e mais forte que o meu fogo, que o mês insiste em manter vivo.

Pedro.
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04 outubro 2010

03 outubro 2010

time to get ready for work

para ler ouvindo: Morning desert (intro)


wanted,
got it

now it makes me humble
working double shift to handle
it's intense and deep when it happens
then after is hard even to remember
and fantasise about
too much flesh
too much heat at the moment

it takes time and energy
to go across you
don't stop
and choose a point to go go back

late is early
but when early is late
it means it's over
the morning came
and so did we.

Pedro.
x

02 outubro 2010

porque não te conheço de fato

tua casa
tem andares
um pra cada coisa
um pra cada plano
um pra cada idéia
cada tato, força, intensidade
ou improviso

eu não vi
não soube
(não quis?)
nenhum deles
ou aqueles
onde só dois coubessem

ainda prezo pelos planos
admiro certezas
e minha imaginação é forte
acredite
o que eu não subi/desci:
imaginei

e foi muito
o que senti pelo tom
pelo som

do que seriam níveis
passagens
andares
escolhas
de um nível alto demais

até pra mim.

Pedro.
x

01 outubro 2010

por onde andará seu pensamento

São 9:48 da noite
Sexta feira
01 de Outubro de 2010

estou em Rio das Ostras, RJ
está chovendo
está sem luz
o gás está acabando
meu celular está ficando sem bateria
o notebook já desligou
as rádios estão fora do ar
e eu não sei fazer poesia

não tem álcool em casa
nem pílulas
nem jogo
nem vizinhança ao redor

o silêncio
a escuridão
o tédio
e a madrugada
vão demorar a passar

o céu está roxo
o quarto está quente
o quintal está sombrio
a rua, deserta

nós viramos sombras
os cães viraram lobos
os carros são barcas pro inferno
movidos a bateria

a lagoa deve soltar seus monstros
a estrada deve fazer a curva
o centro deve estar solitário
o comércio deve ser invadido

e pela lógica
o mar também não deve estar pra peixe.


Pedro.
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