25 agosto 2010

posto 9

Sonho cada vez mais com o pessoal de casa. Hoje sonhei com Elvis, ontem com minha irmã, amanhã devo sonhar de novo.
São sonhos muito independentes de história. A importância maior são as pessoas, os rostos que eu vejo. Sei que eles não vão sair da minha cabeça tão cedo, nem que eu me mude pra Lua, a imagem mais forte, aquela que eu desenho, vai ser sempre de casa.

E aí bate uma saudade que nem um mundo todo novo pode suprir.

Pedro.
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24 agosto 2010

normais alguns mortais

Tranquilo, levo a vida tranquilo.

Aqui em Rio das Ostras falta muita coisa mas tranquilidade sobra. Deve ser o tempo aqui que é diferente de Sampa. E quando entrarmos no horário de verão o dia nunca mais vai ter fim.

Às vezes acordo, fico de preguiça na cama, tomo banho, me arrumo, tomo café, enrolo mais um pouco no pc e ainda dá tempo de chegar na aula no horário.

Outras tardes passam mais rápido depois do almoço. Mas a noite... É problema. Toda vez que escurece e parece que já se passaram horas e horas, na verdade foram minutos de noite que se arrastaram demais e dão a falsa impressão de onze e meia quando não passou das sete.

Dá tempo de ir pro violão, ir visitar os amigos, andar na praia e ainda dormir bem. Esse tempo eu quero levar comigo de volta pra São Paulo, pra qualquer lugar.

Pedro.
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22 agosto 2010

fill up my cup

“Sábado de sol
Aluguei um caminhão
Pra levar a galera
Pra comer feijão”

E o resto dessa história musical todo mundo sabe, oi, anos 90 em k7. Eu deveria ter alugado um caminhão e levado todo mundo pra comer “feijão”. Mas não, eu quis dar uma festa em casa pra mostrar minha habilidade como anfitrião carência de pessoas e ambientes festivos e de álcool. Dó de mim! Uma semana pós Gambiarra que não cumpriu com as expectativas, eu estava novamente na rehab de Rio das Ostras, me alimentando bem e zerado na farra.

Agora era pessoal, se a diversão não veio a mim eu fui até ela. Puxei amigos, fiz um merchan, angariei bebidas, descolei um rádio e às 19:00 de um sábado com o sol ainda se pondo, começou minha 1ª festa em casa com 5 pessoas, 1 garrafa de pinga, 1 garrafa de vodca, 1 garrafa de Fanta, zero de gelo na geladeira e uma lista limitada de remixes das mesmas músicas.

Corta pra hora que já tá todo mundo alegre e pensa em fazer alguma coisa e realiza que ta no meio do nada sem a menor possibilidade de diversão fora aquela que não estava mais tão divertida pro nosso grau alcoólico.

Pronto, agora vamos pra parte do “Eu nunca” e depois pra parte onde nada acontece no verdade ou desafio onde eu não posso fazer nada e o jogo acaba. E agora 1 limão e meiomilão e dois limães e moieo limão e dois limãoes e... Chega também. Brincadeira velha é foda.
Fruta bebe? Não? Tá bom, chega.

Chegaram uns vizinhos pra completar a festa e mais um casal de amigos e o anfitrião resolveu aparecer. Lógico. Progresso baixa, já sabe, né? This is my moment. Can I have a moment pulease? Daí bebi mais, ficou tudo assim – não lembro.

Acordei. Fiquei sabendo que a festa foi um sucesso de público e crítica e minha estréia foi boa. As cinco pessoas viraram 10 e depois começou a contagem regressiva de acordo com o grau do pileque: 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3... Sendo eu o número 8.
E assim a festa acabou, ao menos pra mim.

Pedro.
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21 agosto 2010

deixar o que for pra ser

Hoje vai ser a primeira festa aqui de casa. Os gatos saíram, os ratos invadem em festa. Queria descrever melhor esse momento em que eu to lavando a casa inteira pra receber visitas, mas acho que não tem descrição pra ele.
Próxima etapa?

Beber pra esquecer.

Pedro.
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20 agosto 2010

foi por vontade de deus

“Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.


"Cantico Negro", José Régio


entre passos na areia
os teus sozinhos e os comigo
vejo nossas proximidades
vejo nossos abismos
depois vou só
pois não te sigo

o mar apaga o caminho
se nele avanço, se me desligo
é o mapa que eu traço
é a forma que eu vivo
eu sigo só
pois não te sigo

Pedro.
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19 agosto 2010

make a change and breakaway

A minha primeira semana de aulas está me deixando cada dia mais certo de que eu fiz muito bem em escolher o curso que eu escolhi. Pois é... Valeu a espera, afinal, Produção Cultural é tudo que eu esperava.

A grade do meu primeiro semestre é simples:
  • 2ª Feira: Teorias da Cultura (Antropologia)
  • 3ª Feira: Fundamentos da dança (manhã) / Tópicos especiais em Produção (tarde)
  • 4ª Feira: Teorias da Arte (cinema/audiovisual/artes plásticas)
  • 5ª Feira: Fundamentos da música
  • 6ª Feira: Fundamentos do Teatro
Mas dentro disso cabe tanta coisa!

Os professores me surpreenderam também com seus currículos imensos e seus mestrados, doutorados e Phd’s. Todo mundo chapa quente, em especial, minha professora favorita (pois é, já!) de Tópicos especiais, a paulistana, Adriana Meleiros (googleiem ela pra ver!).

Até agora eu estava um tanto abatido, cheio de dúvidas e desiludido com o que tinha visto até então. Achei o trote muito chato depois do 2º dia, não participei mais. Daí também tava sem saco pra ficar de bar em bar. No fundo eu estava me questionando o que eu realmente estava fazendo aqui. Pois bem, eu descobri na sala de aula. E até agora nenhum professor me decepcionou em nada. Descobri o que vim fazer aqui, finalmente, era isso que eu queria. Agora eu acordo cedo e meu dia só vale pra isso.

Fora da faculdade eu ainda me sinto um peixe fora d’água. Gosto da cidade, gosto das praias, gosto das pessoas, etc., mas algo em mim ainda não despertou pra isso tudo ainda, passo alheio a festas, choppadas, encontros da turma. Mas não é nada pessoal, uma vez que eu gosto bastante das pessoas da minha sala.

O mais importante já está aqui: a escolha. O resto eu tenho tempo pra mudar.

Pedro.
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18 agosto 2010

eu quero um samba feito só pra mim

Now playing: ?

Adoro quando me perguntam o que eu gosto de ouvir. No começo eu ficava sem resposta até que eu ia falando alguns nomes e me enquadravam no segmento MPB. Hoje eu já começo a lista com Queens of the Stone Age e embalo com Gretchen. Quero ver enquadrar esse segmento.

Pior que eu gosto mesmo e isso vira um problema, por que em pleno século XXI não pode gostar, não pode ser válido como gosto ao menos pessoal. Bobagens meu filho, bobagens.

Acontece que eu sempre estou ligado em algo especial. Ouço sempre de tudo, mas sempre desce uma paixão especial, um momento que ouço mais disso, fico mais atento. Épocas de Caetano são fortes, de Chico também.

Nesses tempos não há nada que brilhe mais, um objeto de estudo, uma besteira favorita de ouvir. Disse de Elis semana passada, mas a febre que veio já está passando.

Eu quero uma nova paixão musical. Uma música, um som que eu não consiga ficar sem ouvir por um tempão! Pena que é tão difícil de achar...
Pedro.
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17 agosto 2010

domingo no parque #63

Vocês acharam mesmo que eu ficaria muito tempo longe dos meus domingos no parque?
ERRADO! Lá estava eu novamente, observando as filas, os rostos, cortando caminho, pegando pulseira e agitando todas em mais uma Gambiarra. Dessa vez no Rio de Janeiro, com algumas omissões muito fortes como o Gruli e principalmente o Miro. Os grandes eventos a serem comemorados nessa Gambi foram o aniversário do Taiguara, meu encontro com Aquino e a minha segunda Gambi Rio (primeira na Varanda do Vivo Rio).

Fiquei muito feliz de saber que a festa está bombando igual está em São Paulo. As filas são inacreditáveis. E a varanda é o melhor lugar. O staff é que é um pouco diferente daqui de São Paulo, não tem aquela simpatia de Denise, Elves, Régis, Flora... Ficam devendo bastante.

As músicas continuam lá e a energia também, como eu já disse, principalmente enquanto a festa ocorre na varanda e não no lobby do Vivo Rio. Depois disso se perde um pouco, o som fica mais baixo e a música fica num estilo mais pista 2 de Sampa, que, para um assíduo de pista 1 e seguidor fiel de Miro Rizzo, faz diferença.

O que mais me chamou atenção na GambiRio é o status que a festa tomou: o ingresso é caro, o lugar é caro e as pessoas sabem disso. Esqueça do estilo bagaceira de São Paulo (que eu também nem sei mais se existe!). No Rio é mais um evento. E eu percebi que as pessoas no Rio tem uma mania de transformar qualquer coisa em um evento.


Nessas situações, dançar não é o mais importante, curtir também não. O que importa é quem está, quem não está e quem quis estar. E isso perde bastante do sentido de festa, mas é o estilo Rio. Se a Gambi faz sucesso lá é por que conseguiu se adaptar bem ao estilo do lugar, porém... É outra festa.

Pensei que por ser Rio seria bem mais desencanado. Errei. Me decepcionei um pouco com a pompa e circunstância que virou? Um pouco. Talvez se eu tivesse ido na Gambi que teve no Circo Voador com a banda Quizomba isso não teria acontecido. Mas não estou dizendo que é ruim, é diferente. Quero voltar sabendo disso, quem sabe eu já esteja adaptado.


Por enquanto, sou cool e popular com o a Lapa!

Pedro.
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16 agosto 2010

15 agosto 2010

na reta pra 2000

Gambiarras a parte – eu sei que a culpa foi daquela Tequila (?). Mas também sei que acordei no Flamengo, vivo, na casa do Ty. Ok, lembro de tudo. Não aconteceu nada de errado, mas também não precisava ter bebido tanto. Fígado de 17 anos, você deixou saudades.

Fui embora sem um puto no bolso, afinal, dinheiro de bêbado também não tem dono. Minha mãe comprou a passagem em São Paulo pra eu voltar pra Rio das Ostras e eu vim. Tranquilo. Satisfeito. Passei por uma favela, bebi em Botafogo, conheci a Lapa, fui na Gambi Rio e saí ileso. Fui feliz e ansioso, voltei feliz e mais ansioso ainda.

O Rio é a minha cara.

Pedro.
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14 agosto 2010

viro outras, beijo sem

Dia 2 de viagem!

Hoje acordamos tarde e ficamos vendo DVDs raros de dona Maria Bethânia e do Caetano. Ty convive muito com pessoas próximas a artistas no Rio. Me apresentou Rodrigo Faour que é um cara que eu admiro demais. E ele sempre me conta muita história de backstage.

O Rio é um ovo, então sempre se conhece alguém que conhece alguém que sabe de algo. Hoje no café havia um pessoal da Biscoito Fino (gravadora da Bethânia) do nosso lado. Em Sampa as coisas são mais divididas, dá pra se esconder. Aqui no Rio, todos estão muito próximos e vão aos mesmos lugares e tudo vira referência. Ty está no centro disso tudo: lugares, pessoas, informações. Eu gosto disso nele.

Meu presente de São Paulo foi Jeff ter vindo. Jeff, o hiperativo, é uma excelente companhia e andou conosco Copacabana inteira atrás de Aquino. Depois fomos almoçar, conhecemos o Rapha Montes (membro da comunidade da Gambiarra que também iria na festa) e arquitetamos um plano: ir pra casa dormir, depois ir pra Lapa beber e pra acabar a Gambiarra. Voltamos pra casa pra dormir e preparar a noite.

Corta pro momento em que estamos todos prontos, na Lapa encontramos todos. A gangue ta unida: Pedro, Ty e Edu. Os meus primeiros amigos cariocas. Jeff que eu trouxe de Sampa e Rapha que é família Gambi. Vamos conhecer a Lapa. Mas antes... Um brinde. E encantado pelos preços e pela quantidade de bebida que é servida, eu resolvo pedir minha primeira Cuba Libre de 5 reais que é servida num copo de 750ml. E pergunto a vocês, pra que?
Depois dos arcos, dos bares, das ruas, das histórias... Eu já estava bem. Mas sempre aparece uma barraca onde se vende tequila (?) Jose Cuervo (???) a 3 reais a dose (???????). E aí sim temos um começo de noite.

Pedro.
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13 agosto 2010

não existe mais quente

Depois de me adaptar a segunda semana de vida na cidade, resolvi explorar as outras áreas próximas, a começar pelo Rio de Janeiro. Sendo uma viagem de pesquisa de campo e diversão, tendo como alvo principal a Gambiarra do dia 14 na Varanda do Vivo Rio que eu já tinha confirmado presença e pela qual havia uma enorme expectativa da minha parte.

Eu já fui pro Rio ano passado (parece muito mais tempo, mas foi ano passado!) na primeira Gambi Rio e posso afirmar que não conheci nada da cidade, nada da noite, nada de nada. Foi uma viagem com destino certo e volta mais certa ainda.
Dessa vez escolhi ter uma liberdade maior pra me deixar levar pelos meus amigos cariocas. Quis conhecer.

Pois bem, agora posso escrever no presente. Estou no Flamengo, acabei de passar por Botafogo onde eu bebi tudo o que tinha direito com um pessoal da UFRJ e Ty, meu anfitrião que dispôs de um tempo pra ficar me levando pra lá e pra cá. Hoje ainda é sexta e a Gambi é amanhã. Devo andar mais, amanhã quero ir a Copa ver um amigo, Eduardo Aquino, com quem eu converso há anos e ainda não conheço pessoalmente.

A viagem de Rio das Ostras até aqui leva 3 horas. Tyrone disse que quando eu cheguei ventou de um jeito que ele nunca viu no Rio, algo que simplesmente não fazia sentido.
A casa do Ty é um barato e tem uma vista linda. Eu o adoro. A gente se dá bem também. Falo com ele desde que estava no colégio ainda, portanto ele me conhece bem e eu a ele.

Vou dormir por que já passa da hora, amanhã o dia é grande e a noite é gigante.

Pedro.
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12 agosto 2010

11 agosto 2010

essa mulher faz tanto estrago

Estou num momento “Elis”. Todo mundo deveria ter um momento de ouvir e compreender a importância do canto de Elis. A maioria a considera a grande cantora do Brasil e talvez ela seja realmente. Concordo com João Marcello quando ele diz que é a última grande voz do mundo no nível de Ella, Billie e Piaf. Sim, ela figura num lugar garantido nesse nível de excelência. O repertório pode ser questionado, os arranjos, os excessos, mas nunca a qualidade do canto.

Li e reli o texto do João Marcello que saiu no Estadão que se intitula "Por que Elis (não é) a maior cantora do Brasil". Tem muita verdade ali no que diz respeito ao parágrafo final que diz: “Embora tivesse grande capacidade de tradução emocional, há uma coisa impossível para Elis ou qualquer outro artista: representar todas as gamas de sentimentos. Não é possível para ela entregar os sentimentos que Carmem, Elizeth ou Bethânia entregam, por exemplo.” Tanto é verdade que mesmo hoje eu conhecendo toda a discografia de Elis (e me aprofundando lentamente na sua carreira de shows), ainda me identifico muito mais com Bethânia que antigamente era conhecida justamente por não ser um grande exemplo de técnica no canto e sim de expressividade emocional cênica.

Mas o motivo do texto sobre Elis é o show “Essa mulher” que tem sido a minha trilha sonora mesmo antes de eu vir pro Rio e continua até agora. Cada hora me apaixono por uma canção diferente. Primeiro foi “Agora ta”, depois “Onze fitas” e agora não consigo parar de ouvir “Um por todos”. Detalhe: essa apresentação ao vivo no Anhembi foi gravada e lançada como um bootleg, fácil de encontrar até mesmo em lojas, chama-se “Elis vive”. Mas o mais importante é que a apresentação registrada foi a 2ª da noite. E eu só me pergunto como ela conseguiu?

Tá aqui: Elis vive, Essa Mulher ao vivo no Anhembi

Pra ouvir ALTO.

Pedro.
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10 agosto 2010

até que eu vou gostar

Dito e feito: aula nada, tudo trote. E nós caímos feito uns patos. A UFF apóia o trote cultural, tanto que ele começa dentro da faculdade e pra ninguém escapar, o professor que reúne todo mundo dentro da sala de aula com o pretexto de uma “aula” que todos acreditam que irá até o final. Mas eis que entram na sala os nossos veteranos, os manda-chuva, aqueles pra quem eu vou ter que pagar cerveja até o final do semestre (NOT!), com aquele ar ditatorial engraçado, já cheios das ordens e a brincadeira ta pronta e a calourada tem mais é que se divertir. Eu me diverti HORRORES.

Qualquer coisa que envolva não ter aula, que me faça beber pinga às 10:30 e dançar sem noção e bêbado num bar de várzea, seguido de uma sessão de pintura corporal feita por outras pessoas num ritual quase indígena me faz ganhar o dia.


I'ts a new UFFamily we're makin.

Pedro.
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09 agosto 2010

08 agosto 2010

e não havia nada, yeah!

Domingo, dia de cachorro morto. Nunca gostei de domingos, mas estava começando a me adaptar a ouvir a música do Fantástico e gostar dela, afinal, quando o domingo das pessoas acabava o meu começava. Aqui eu volto a não gostar e achar tudo um banho de monotonia.

Hoje, por exemplo, não fiz nada. Nem vi o sol, nem fui à praia. Não fiz nada que valha a lembrança. Vou dormir bem cedo pra acordar amanhã as 9 e partir pra aula. Desconfio que não seja tão aula quanto será trote, mas, dizem que faz parte da vida de todo vestibulando, então eu vou!

Pedro.
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07 agosto 2010

I gotta go

Acordei.

Na verdade tomei uma injeção auto induzida de adrenalina antes de ontem e saí da toca.

Estava sol e as pessoas estavam muito ansiosas pro começo de tudo.
Eu tratei de ficar também, afinal, estava na chuva pra me molhar. Comecei a andar pela cidade, fazer planos, comprar coisas pra casa e me entrosar com as pessoas de casa. Nessa semana nada aconteceu. Depois da inscrição eu tive uma longa semana sem aulas e sem nada pra fazer e com muito pra inventar. Mas agora tudo começa. E eu estou acordado e apto.

Pedro.
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06 agosto 2010

everlasting love

para ler ouvindo: Cão (Like a dog) (Vitor Ramil)


Naquela semana tava tudo desandando. Mas era na minha cabeça.
Daí eu parei e pensei se valeria a pena seguir. E me veio tanto ciúme de não estar por perto em todos os momentos, tanta tristeza de ver não dar certo, tanta lágrima vinda não sei de onde – e até hoje não sei se foi a canção que tocou na hora errada, o sol no momento certo, a semana errada – o que foi eu não sei.

Minha forma de descobrir as coisas não é a mais ortodoxa, eu sei. E nem sempre sei quais são essas formas que o coração diz, mas sei os finais, as conclusões, as descobertas propriamente ditas.

Depois de atravessas a ponte aos prantos, ficou a certeza de que isso é algo tão grandioso, tão maior que eu, que quebrar aquilo não era mais uma opção, bastava consertar o que estava fora dos eixos e seguir em frente. Ou eu seria triste pra sempre.

Pedro.
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05 agosto 2010

night is getting colder sometimes life feels like it's a curse

Para ler ouvindo: Blue (Joni Mitchell)


Sozinho às 5 da manhã na rodoviária de Rio das Ostras. Assim como todas as outras coisas, a rodoviária estava fechada, não havia um ponto de táxi por perto, nem ao menos a previsão de que passaria algum outro meio de transporte pela Rodovia Amaral Peixoto àquela hora da manhã. Eu tinha mais malas do que conseguia carregar, microondas, notebook, roupas, dinheiro, tudo comigo na mão. Depois de 15 minutos o táxi passou e me deixou na porta de casa.
Minha casa.

Foi simples. Eu estava atrás de uma casa pra morar fazia muito tempo. Um belo dia, um menino me adicionou no Orkut com a proposta de morarmos juntos num lugar que fosse ao mesmo tempo próximo da faculdade, da praia e que fosse confortável e habitável.
Ele tinha encontrado uma casa no bairro Jd. Bela Vista, me mostrou fotos e eu topei. Portanto eu já podia dizer que havia desembarcado em CASA ou um lugar que em breve eu vou transformar nisso. O lugar que pelos próximos 4 anos vai ser minha casa.

Cheguei e conheci o Flávio que me passou uma ótima primeira impressão enquanto eu devo ter passado uma péssima: estava de mau humor, tenso, sem a menor vontade de qualquer coisa e com o pescoço dolorido, o sorriso forçado, uma dificuldade muito grande em emitir voz (doía muito) e uma falta de vontade de fazer qualquer coisa. Não estava bom para interagir e ele percebeu e dobrou a simpatia, me ajudou quando eu consegui fazer algo que bloqueou todo meu notebook que estava pronto pra uso. Tive que formatar tudo de novo. Foi o fim. Decidi dormir e não acordar nunca mais! Estava cansado, pensando em nada, querendo nada.

No dia seguinte estava melhor, precisava estar. Segunda feira foi o dia de fazer a inscrição das matérias na UFF. Eu fui camelando, ouvi tudo o que diziam e que eu já sabia. Voltei pra casa depois e dormi. Nem me animei de ir pro bar ou de conhecer o meu novo companheiro de quarto, Wayson, mas conversei um pouco com ele.

Durante os primeiros 3 dias eu dormi muito. Dormia em horários de estar acordado e em horários de dormir. Acho que nunca senti tanto sono ou tanta vontade de dormir. Dormi de segunda pra terça por quase 16 horas. Fiquei bem triste esses dias, mal comi, fiquei de mal...

Daí acordei.

Pedro.
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04 agosto 2010

que o menino de olho esperto saiba ver tudo

para ler ouvindo: Um dia (Caetano Veloso)


Minutos antes de entrar no ônibus eu entendi tudo. As palavras vieram como um raio na minha cabeça, mas, vagarosamente, foram letra por letra, criando sentido, recriando imagens e momentos até chegar a hora em que todas faziam sentido para o momento: Ritual de passagem.

Essas palavras faziam mais sentido cada vez que eu pensava nelas. Tudo o que eu havia pensado até então estava apagando. Afinal, é isso que significa tudo.
O ônibus que me levaria para Rio das Ostras não me despediria de casa por muito tempo, apenas por alguns dias até o feriado mais próximo. Mas não é bem assim que funciona. Na verdade ele nunca mais me traria de volta.

Na volta desse ônibus se espera outro garoto, outra pessoa. Um garoto que mora sozinho, cozinha, lava e passa sua própria roupa, não depende da mãe pra acordar pra faculdade, tem que se cuidar sozinho se ficar doente... E que pretende ser assim daqui em diante. É isso que o Rio de Janeiro, a faculdade, o amadurecimento, a distância, tudo isso representava aquele ônibus amarelo escrito “São Paulo - Rio das Ostras”, um momento sem volta.

Não vou dizer que não senti medo. Pelo contrário, foi bastante. Quando a gente vê de longe a idéia é tão boa: morar sozinho num paraíso cheio de praias, gente nova, idéias novas... Mas de perto é bem diferente. Quando foi chegando perto eu questionei o porquê de tudo isso se as coisas antigas são tão familiares e confortáveis. “Pra que ficar longe da minha irmã? Blah! Que nada, não quero mais ir, vou ficar.” Mas eram 19:10 e o ônibus saía da rodoviária às 19:30. Um pouco tarde pra mudar de idéia.

Conforme o tempo ia chegando, a ansiedade ia aumentando, o peso da responsabilidade ia ficando mais e mais difícil de carregar. Mas eu agüentei numa boa, morrendo de vontade de chorar e ficar bem exposto, nivelado ao peso do momento, mas não o fiz (isso depois me custou dois dias com a garganta trancada, como se eu tivesse engolido uma noz inteira e ela me atravessasse a garganta). Entrei no ônibus e escrevi uma mensagem de texto conforme ia vendo a Marginal passar. Terminei de escrever, enviei e deixei o celular na bolsa. Dormi.

Foi um milagre ter dormido. Foi mais uma fuga do que um milagre, mas tudo bem. Sei que eu acordei vinte minutos antes do momento de descer. É quando essa história termina e outra começa às 5 da manhã num ponto de ônibus de uma cidade do interior.

Sozinho.

Pedro.
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03 agosto 2010

domingo no parque #62

(fim da entrevista pro WitchMor para a comunidade da Gambiarra)

Bem, por onde começar?

Esse é um espaço da entrevista que eu posso dizer o que eu quero a quem eu quiser. Pois eu tenho algumas coisas a dizer para pessoas que, acredito, precisam saber disso.

Primeiro de tudo: não é todo dia que encontros acontecem.
Pode parecer besteira, mas visto de onde eu vejo é algo realmente grandioso. O mundo de tantos desencontros e inimizades e nós fazendo esforços pra nos encontrarmos, querendo cada vez mais passar tempo juntos, nos conhecendo.

Segundo: me sinto grato por isso.
Por vocês estarem na minha vida, por existirem. Estar entre vocês, dançar, rir, fazer nossas maluquices, tomar café, acertar, errar, discutir, chorar... É o melhor do dia, da semana! Me faz bem demais.
E aqui eu posso agradecer a cada um de vocês que eu conheci – e estava destinado a conhecer – desde aquele primeiro momento, no dia 3 de Agosto de 2008 com um flyer de uma peça velha pra pegar desconto na porta de uma festa nova pra atores, a Gambiarra.

A gente foi, veio, ficou. Tem tanta história pra contar que daria certo um livro nosso de tantos capítulos existentes. Se juntarmos pra falar, vai ser um tal de “lembra disso” e “lembra daquilo” que não vai acabar mais.

Agora eu to indo embora.
E o show... O show tem continuar. Provavelmente quando lerem isso a entrevista já saiu, nós já estamos distantes e eu já estou com saudades, podem apostar. Saudades de casa, saudades de pai e mãe, da minha irmã, dos meus cachorros e do meu quarto, do meu namorado, dos meus amigos, da minha comadre, dos djs, dos abraços, das canções... Saudade.

Pra uma aposta tão alta, é por que eu acredito que vá dar certo.

Todos me deram muitas certezas, incluindo a de poder volta, muitos conselhos, muitos vestiram a placa e procuraram o “nosso Progresso”, me deram o sentimento mais verdadeiro que há. Eu levo tudo isso comigo pra onde quer que eu for.

Obrigado,
pelo que não tem preço, nem nunca terá.

Pedro.
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02 agosto 2010