08 julho 2010

sem medo de ser feliz

para ler ouvindo: Coração Vulgar (Paulinho da Viola)


Que pode uma criatura senão,
senão entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?


(Amar, poema de Carlos Drummond de Andrade)

Errado. Drummond, você errou.
Por incrível que pareça, há pessoas no mundo que desconhecem a vocação de todas as criaturas. Sim, existe gente que não ama e não sente o chamado, simplesmente não sente ter a vocação. São pessoas que sofrem. Elas não sabem, mas sofrem.

Não estou dizendo que para amar é preciso dois. Nem Drummond disse isso. Amor é o pão, o sal, a vaidade. É o desejo!

Acontece que esse texto não é sobre o que é o amor. Nem sobre os que amam. É sobre os que não amam. O que fazem, do que vivem, como se alimentam, conversam e se reproduzem. Repare que não há dança, sonho, riso, sol, luar ou qualquer outro assunto na lista. Por que não tem na vida dessas pessoas algo que se enquadre fora de tons cinzentos. Com o tempo o cinza vai virando sombra e o que era o simples não amar vira o desamar.

É complicado escrever. A função dessas pessoas na Terra - pra mim - é um enigma. Melhor aconselhar, como já fez Rodrigo Amarante: "alguma coisa a gente tem que amar".

Quem não ama não entende. Daí implica com quem ama, por que não pode ser, o amor não pode ser homem com homem, mulher com mulher, bonito e feio, japonês e negro, judeu e evangélico, pobre e rico, de Florianópolis e Sergipe, mais de uma pessoa.

Tenho cá comigo que só quem já amou mesmo pode entender essas coisas. A necessidade de estar com a pessoa que ultrapassa esse tipo de pensamento prévio. Esse "será que é certo".

Eu sou de Peixes. Quando eu não amo, eu procuro amor, invento, finjo, simulo. Também não sei se acredito no amor eterno. Acredito no esforço de uns, na comodidade de outros, na rotina, na pressa e no mundo onde sentamos e não conseguimos mais levantar com medo de tirar algo fora do lugar, mexer nas estruturas tão bem resolvidas.

Mas o amor tá aí, dizem. A gente só sabe quando ele aparece, também é o que dizem. O quanto ele dura... Isso ninguém ainda pode dizer.

Pedro.
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