15 julho 2010

o seu jardim sou eu

Para ler ouvindo: A casa caiu (Sorocaba)


Música sertaneja dita por "universitária", não tem nada de sertaneja, tampouco de universitária. Isso dito por quem nunca pisou no sertão e nem fez faculdade pode causar desconfiança, concordo. Mas do sertão de onde veio Tonico e Tinoco não brota Edson ou Hudson. E da FAU de onde saiu Chico Buarque jamais sairia nem Victor nem Léo.

Música sertaneja quando apresentada por Maria Bethânia é tida como MPB (essa sigla torta criada nos anos 60 por universitários que restringe seu uso a compositores e cantores populares tidos como mais tradicionais ou seja lá qual for o critério utilizado para se entrar nesse restrito grupo). Música sertaneja na voz de Inezita Barroso é "Sertanejo de raiz". Indefinições, por falta do correto, divulga-se o incerto. Inezita é tão universitária quanto qualquer outro. É uspiana, formada em biblioteconomia e também é doutora Honoris Causa em folclore e arte digital pela Universidade de Lisboa. E sertaneja legítima.

Música sertaneja universitária não é. É pop/rock meloso e mal feito de um LS Jack, com a voz grandiloquente das duplas de música romântica que explodiram comercialmente no fim dos anos 80. A batida é simples e as letras são aquilo mesmo.

Que os sertanejos tenham mudado, tudo bem. A FAU também não é mais a FAU e a quantidade de uspianos e a trilha sonora deles mudou, assim como a quantidade de faculdades de onde jamais sairá um único Chico Buarque, em compensação sairão em grande quantidade Victors e Léos também cresceu. Mas os timbres e os tons, os estilos e as bandas continuam.

Algo como o que aconteceu com o funk carioca que não era funk, nem carioca.

Embora haja alguma coisa a se admirar no "sertanejo universitário", a verdade é que ele resulta primário, mas o descompromisso ainda diverte bastante, eventualmente se acha um verso certo para um dia de amor extremo.

Só.

Pedro.
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