27 julho 2010

domingo no parque #61

Ou: You made this whole world shine for me

Para ler ouvindo: Evaporar (Rodrigo Amarante)



Nesse tempo, o primeiro semestre passou e meu tempo de ir embora chegou. E com isso eu lembro da época que eu fui aprovado na UFF, em Fevereiro. A Gambiarra estava fria, os meus amigos distantes, os amores inexpressivos, não havia ainda o Itaú e a vontade de voltar a trabalhar. Não tinha muito motivo para ficar em São Paulo. Pra piorar, em Março minha avó morreu e a memória dela em casa se tornou freqüente, não passa e nunca vai passar. Eu só tinha motivos pra querer mudar, sair de São Paulo, começar de novo algo que não deu errado, mas que precisava ser agitado.

De lá pra cá, as coisas mudaram significativamente, tudo voltou e fez o contrário do que estava sendo e eu fomentei essa mudança. Os amigos voltaram, apareceram outros tão quentes e com tanta coisa a oferecer quanto os de antigamente. Muitos se destacam e seria injusto dizer quem são. Eu me sinto próximo dos meus pais e da minha irmã – que no fundo são quem mantém toda a energia que eu tenho. Poderia começar a próxima exposição no Itaú etc. Está tudo funcionando, progredindo, mas “agora é tarde e não dá para adiar a viagem”. Partir é inevitável. E pra encerrar, eu não queria nada alem de uma boa e velha Gambiarra, uma daquelas, like the old times.

Minha irmã deixou eu e Paah na porta do Open Bar que segurava uma fila imensa, depois dos cumprimentos, partimos pra dentro e eu vejo Paah com uns papéis, uma movimentação estranha com meus amigos e quando eu percebi, estava oficialmente na minha festa de despedida. Ele fez placas de papel e lã para todos usarem com escritos: “Cadê nosso Progresso?” – e escreveu mensagens nos espelhos pra mim além de ter avisado a todo mundo, sendo que não saiu no flyer. Todos foram, todos usaram a placa a noite inteira, as pessoas não paravam de perguntar o que significava a placa, o Progresso, o que era, quem era... E eu com aquela cara de... Oi? Sou eu, prazer – surpreso é pouco, vou demorar meses pra absorver o acontecido e acreditar que realmente aconteceu. Ainda bem que as fotos estão aí.


Paah, culpado e arquiteto de tudo isso. Uma das maiores razões pela minha tristeza de partir. É uma pessoa que se pode depositar confiança, lealdade, alegria, segredos, medos, anseios, coisas feias e bonitas e ele responde dessa forma... Fazendo algo que ninguém NUNCA fez por mim. Sim, eu sabia que todos iriam, que sentiriam um pouco minha falta, etc. Mas ele realçou isso de uma forma tão grande, sabendo que aquilo, para a maioria das pessoas, poderia ser uma placa de papel amarrada com um fio de lã, mas pra mim é o mundo. O modo dele de dizer as coisas é um modo que meu coração e meus sentimentos simples entendem.

A noite passou em Fast Forward, foi divertida como eu queria, teve tudo como eu queria, mas muito mais. Escrevendo agora pra coluna, vou confessar que ainda não caiu a ficha que no domingo da semana que vem eu vou estar em qualquer outro lugar que não possa voltar pra cair na Henrique Schaumann, 237 a partir das 23h até as 6:30 da manhã, depois cair no MC Donalds da Rebouças e só sair depois das 09 da manhã.

Quando a ficha cair, em algum lugar de Rio das Ostras, eu quero não esquecer disso. Lembrar de tudo e me sentir especial – como nunca - de novo.

Pedro.
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