30 junho 2010

o mais total interdito

Eu não sou um típico cara. Nunca fui.
Durante muito tempo eu quis ser o cara que se liga em Campos do Jordão, que manja dos jogos, da Men's Health do mês.
Mas eu mal consigo fazer com que as pessoas ouçam minhas idéias sem dar risada. Eu não consigo ser destro. Mas aproveito o mundo como posso e vejo graça em tudo.

Queria ser um amante destro de motel caro, rosas e vinho tinto. Mal consegui passar da fase do cinema. Mas passei. Só que não sei se consigo ser padrão. Não sei se o fato de ser não-padrão é o lance comigo. Ou se devia ser mais certo. Namoro tem um negócio todo certo que todo mundo sabe fazer e eu não. Amar é particular, mas a estrutura do namoro é uma bolonhesa congelada: é somente requentar e usar. Daí eu pergunto: tô fazendo certo?

Trabalho é a mesma coisa. Não tem um dia, um único dia que eu consiga pisar num escritório e não desvirtuar alguma coisa. Um objeto, uma função. É como colocar o Manoel de Barros pra fazer um protocolo. Não tem exemplo melhor pra quem dá ao pente a função de uma begônia. A diferença entre o trabalho e o amor é apenas a minha certeza de que um está totalmente errado e o outro é apenas uma dúvida.

Se eu fosse pedir pra vocês lerem esse texto seria para lerem como letra de quem escreveu com a mão que não escreve. O mundo não é canhoto. Eu sou.

Pedro.
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