30 junho 2010

o mais total interdito

Eu não sou um típico cara. Nunca fui.
Durante muito tempo eu quis ser o cara que se liga em Campos do Jordão, que manja dos jogos, da Men's Health do mês.
Mas eu mal consigo fazer com que as pessoas ouçam minhas idéias sem dar risada. Eu não consigo ser destro. Mas aproveito o mundo como posso e vejo graça em tudo.

Queria ser um amante destro de motel caro, rosas e vinho tinto. Mal consegui passar da fase do cinema. Mas passei. Só que não sei se consigo ser padrão. Não sei se o fato de ser não-padrão é o lance comigo. Ou se devia ser mais certo. Namoro tem um negócio todo certo que todo mundo sabe fazer e eu não. Amar é particular, mas a estrutura do namoro é uma bolonhesa congelada: é somente requentar e usar. Daí eu pergunto: tô fazendo certo?

Trabalho é a mesma coisa. Não tem um dia, um único dia que eu consiga pisar num escritório e não desvirtuar alguma coisa. Um objeto, uma função. É como colocar o Manoel de Barros pra fazer um protocolo. Não tem exemplo melhor pra quem dá ao pente a função de uma begônia. A diferença entre o trabalho e o amor é apenas a minha certeza de que um está totalmente errado e o outro é apenas uma dúvida.

Se eu fosse pedir pra vocês lerem esse texto seria para lerem como letra de quem escreveu com a mão que não escreve. O mundo não é canhoto. Eu sou.

Pedro.
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26 junho 2010

a lua vai estar cheia e no mesmo lugar

para ler ouvindo: Orange sky (Alexi Murdoch)


A porta se fechou levando os sobreviventes da noite. Uma música de fim de seriado americano tocou e eu sabia que era o final de mais um episódio. Dava pra ouvir o subtexto: “como mutante, no fundo sempre sozinho”. Pra não dizer totalmente só, fiquei com a bagunça da casa, as lembranças da noite anterior, o eco do riso e do choro e a energia do que passou. Mas agora, o que eu faço com esse vazio?

Quem errou, quem amou demais, quem bebeu demais, está sempre na memória. Ninguém que se lembra de quem se entregou de menos, quem gostou só um pouquinho, quem liberou só o que precisava. O mote é ser o que se quer em sua totalidade.
Sinto falta disso e ao mesmo tempo não posso viver só disso.

Foi a segunda grande festa em casa nesse período que meus pais saíram. Festa em casa é como se fosse fazer festa dentro da cabeça: é uma intimidade que está em jogo. Minhas coisas, minha casa, meu castelo. O lugar que mais absorve energia de todos os lugares. Por isso hoje está tudo se mexendo, tudo vibrando. Garrafas, maços de cigarro, vizinhança. Tudo indica que ontem algo completava um vazio que só veio existir hoje. Medo de abrir as portas dos quartos e deixar a luz do dia entrar. São 11 horas e o sol não saiu e nem dá sinal de que vai sair. Menos mal. Dia cinza como a ressaca. Ainda assim amoroso.

É bom ser feliz e é bom se cansar de ser feliz. É bom abrir a porteira, soltar a fanfarra e lidar com as conseqüências. Saber que a vida não é uma festa. Ser só de novo sabendo que há felicidade aqui lá fora e que a qualquer momento ela vai fechar a roda.

[Update: está um dia lindo lá fora. O sol está forte, mas faz frio e a noite promete uma lua tão bonita quando a de ontem – porém sem iluminar o que houve ontem].

Sendo assim, a vida continua, com a mesma força.
É o que desejamos eu e o Elvis, de longe, aqui desse colchão que parece ser a única coisa que não está de ponta cabeça na casa.
De bem longe com a nossa canção de final de seriado.

Até o próximo episódio.

Pedro.
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15 junho 2010

até quando o sol raiar

A festa do teatro é um evento que acontece desde o ano passado, uma vez por ano que é bem simples: consiste em dar 1 par ingressos de peças teatrais de graça para quem ficar numa fila. Esses ingressos vão desde peças pequenas a grandes musicais que custam muito caro e estão em grandes teatros. A Gigi já falou sobre isso no blog dela (http://gigiandradeporgigiandrade.blogspot.com/2009/06/obrigada-festa-do-teatro.html) e ano passado ela foi a que mais peças conseguiu assistir.

Para os teatrófilos (?) de plantão é um prato cheio. Por isso desde que começou, eu, Gigi, Rossana, Bruno Fai e minha mãe (os únicos presentes nos 2 anos!) comparecemos com um sistema cada vez mais organizado e bem estruturado para vermos todas as peças possíveis.

Esse ano, quando a Gigi me falou (poucos dias antes), eu armei uma agenda fixa e comecei a procurar um par para a a troca de ingressos. É importante ter par para poder ver mais peças, sendo que cada um pega um par de ingressos para peças diferentes em dias diferentes e depois trocam. Consegui para o Team Progress: minha irmã, minha mãe e Paah Jr, sendo que eu fui o que melhor organizou a programação desse ano e consegui não apenas assistir aos grandes musicais, mas a outras peças que eu também queria muito.

As filas são gigantescas, nós já sabíamos, então reunimos um grande grupo de espera e durante todos os dias conseguimos ser os primeiros da fila sem muito stress para saber se iríamos conseguir ingressos ou não.

Se juntaram a nós: Lari, Nati, Tiago, Rossana, Taiguara, Marlon e tia Adriana (mãe da Gigi), num revezamento infinito e uma comilança que não teve fim. Durante 3 madrugadas (27, 28 e 29 de Maio) nos encontrávamos, estendíamos os tapetes no chão, fazíamos e refazíamos a agenda pra uma peça não bater no mesmo dia da outra e comíamos besteira. Mas era tanta besteira, tanto salgadinho, chocolate e coca cola... Sobrevivi pra contar essa história por que são anos nessa vida de junkie.

Mas valeu a pena... Minha agenda se cumpriu toda como eu quis e eu assisti peças todos os dias. As quase 50 horas de fila também foram excelentes e passaram que eu nem percebi. Foi bom ver novas sementes de amizade nascendo e antigas má impressões se desfazendo. Afinal, essa é mais uma das (tantas) funções da arte.

Minha agenda aqui:

O rei e eu - Paah, Amanda, mãe
(29/05)

Hairspray - Paah
(30/05)

E a vida continua - Paah
(01/06)

Ghetto - Paah
(02/06)

In on it - Paah
(05/06)

Cats - Paah, Amanda, Mãe
(03/06)

Hairspray - Amanda
(06/06)

Vi tudo. Gostei de quase tudo.
Mas se fosse só pela fila já valeria a pena.

Pedro.
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05 junho 2010

esse relógio lento

para ler ouvindo: Junho (Alceu Valença)


Começo de mês, meio de semestre e hora de por as cartas na mesa pra mim mesmo e aceitar que está tudo bem. Como é difícil. Sem ter que me equilibrar em um fio no topo do arranha céu ou dar murro em ponta de faca. Está tudo bem. O coração bate forte, a cuca está tranquila, os laços estão atados e os afetos fraternos estão ternos.

Tenho saído muito, mas nada de festa. Saio pra ver a rua e sempre que posso tento absorver algo dela: um doce, uma coca cola, um encontro. Sempre que posso levo o Elvis comigo, meu guia, meu companheiro mais fiel. Outro dia estava ventando tanto que a porta do quintal fechava toda hora e o Elvis tinha que escolher entre comer e ficar lá fora ou ficar com fome comigo do lado de dentro. Ficou com a segunda opção, mas eu levei um peso pra porta depois pra ele não ter que escolher.

Nesse mês seremos nós os donos da casa pois meus pais viajarão no dia 5 e só voltam dia 28.

O que aguarda, nós saberemos.
Com muita calma e sabendo que faltam 2 meses pra despedida.

Pedro.
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01 junho 2010

daqui a um mês quando você voltar

Eu sei que vai ser difícil, mas quem acompanhar atentamente o que for postado daqui pra frente vai perceber que a história nunca parou.

O blog não está desativado, eu não parei de escrever ou de pensar nas colunas semanais - nem tampouco deixei a Gambiarra de todo domingo. Apenas tive que focar no trabalho e a USB do meu computador deu defeito e com isso não pude postar o que escrevi.

Os textos de Maio serão postados de acordo com suas respectivas datas.

Voltei.

Pedro.
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