27 maio 2010

sinais favoráveis, fatais

"E a música toca
e a caneta roda
e o poeta surge na memória"

- Thaiane Moregola

Insônia. Cabeça martelando. Um milhão de pensamentos, ruídos, inquietudes, coisas acontecendo. O que eu faço nessas horas? Eu escrevo.

Desde Março, após o meu aniversário eu tenho tido problemas pra traduzir muita coisa. Já aconteceu antes. Parece que a fonte secou, que nada fica bom. Pra piorar as palavras escritas não formam frases com sentido. Parece que o que eu quero dizer não dá pra escrever. E às vezes não dá mesmo. Como escrever um tempo de mudança? O que se pode descrever são acontecimentos físicos, ações que criam mudanças, mas nunca dá pra passar pro papel esse ar de que as coisas estão mudando.

Porém eu ainda penso e vivo isso.

De fevereiro até hoje as coisas avançaram muito rapidamente. Carnaval, falecimento da minha avó, meu aniversário, formatura da minha irmã, ressaca de festa, emprego novo, alguns novos amigos e novas possibilidades até aqui, muita coisa passou. Isso perfeitamente descrito nas imagens que eu postei aqui. São nos momentos que eu fico só que consigo assimilar isso tudo.

Esses dias que fiquei fora poderia passar o resto do semestre contando detalhe por detalhe, pois tem sido muito intenso. Mesmo no corre corre do trampo, ainda acontece muita coisa no resto do dia. Estou amando. Tudo. Às vezes bate uma saudade de pessoas, momentos. Mas está tudo ali me aguardando, eu sei disso.

Sempre esteve.

Pedro.

24 maio 2010

os meus amigos até disseram que foi amando

"Se essa cidade é uma maçã,
vou passar os dentes nela"

Às vezes tudo que um garoto precisa é dos seus garotos. Comparsas. Fellas. Cronies.
E é bom tê-los ali.

Desde que Thi e Hanz, meus BFF's tomaram caminhos diferentes dos meus e nosso tempo sumiu, eu não tenho tido encontros assim, de amigos.

Mas de repente, me vejo junto a outros 3 perdidos numa noite fria de quinta para lembrar de como isso é bom. Cerveja, pizza, risadas, Paulista/Augusta/Frei Caneca, sex shop e conversa, muita conversa.

Conversamos sobre tudo: trabalho, política, amigos, Gambiarra, afetos e desafetos, romances, a escalação do Dunga, essas coisas. Sempre surge um problema, um debate. De família ("precisamos morar sozinhos...") a dinheiro ("é só quebrar o cartão!") sempre surge uma solução para todos os males que nos afligem. Pode não ser fácil seguir o conselho, mas colocar na mesa nos faz pensar e parece mais fácil encará-lo, além de mais divertido, uma vez que tudo acaba em gargalhadas.

O que me impressiona é que o tempo passa e as pessoas mudam, mas algumas complicações seguem idênticas. Mais precisamente os relacionantos.
Temos sempre os mesmos problemas de comportamento? Reclamamos sempre dos mesmos problemas do outro?
Esses são sem solução aparente, o silêncio já indica. Resta pedir mais uma cerveja e desejar o melhor para o amigo com sinceridade. Já serve, não é mesmo?

Bom andar de volta pra casa rindo de qualquer coisa inventada, bom poder falar e ser ouvido, bom não estar só num mundo de gente tão só como eu vejo.

A arte do encontro está por aí.

Pedro.
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21 maio 2010

tome nota

drop down diary 21

"Por todas as ruas onde ando sozinho,
eu ando sozinho
pensando em você."
- Torquato Neto


Nota 1: Ele merece o melhor. Isso é porque ele também não deve gostar do fácil. Eu não sou fácil, devo fazê-lo pensar assim. Há dois dias atrás eu faltei com ele. A resposta foi clara, imediata e difícil. Não sei como lidar com essas coisas ainda. Deve fazer muito tempo que eu evito de deixar as pessoas que realmente se importam comigo se chatearem.

Nota 2: Ela está retornando pro mundo de onde saímos, o colégio católico, a paróquia, o catolicismo, a pureza. Tenho medo que ela volte demais. Vejo o mito da caverna de Platão se repetindo. Será que será assim ou ela conseguirá levar tudo o que viu de fora com ela pro mundo de dentro? E quando falar as gírias, será compreendida?

Nota 3: Eu não sou fácil. Mas me faço de.

Nota 4: Sinto muita falta dela. Ainda não compreendi em nada sua partida, sua ida repentina. Parece viagem longa, parece uma estrada distante pra percorrer de volta. Mas ela se foi já faz 3 meses. Nem telefonema, nem recado, a vejo apenas em sonho. Sempre que digo isso penso que nunca acreditei em pessoas que sonham em pessoas que se vão. Mas eu sonho e não me assusto, apenas me sinto mais tranquilo. Choro um pouco ou sinto vontade, tanto faz, é lágrima do mesmo jeito (seja ela real ou idéia). Mas me acalmo.

Nota 5: Vida é partida.

Nota 6: Extremamente sentimental esses dias.

Pedro.
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18 maio 2010

domingo no parque #54

De volta pra casa após quase 1 mês longe. Como todas as Gambiarras, essa foi única. Foi uma Gambi de confirmação das novas amizades, dos novos encontros, do não à solidão que eu venho desconhecendo, quase não reconheço mais se a vir por aí.

A noite começou depois de outra noite, de uma Virada Cultural que não aconteceu. Mas essa noite de Gambiarra era fato, iria acontecer. Então sem delongas, fui jantar no Miller e começar a noite. O Thiago inventou de cozinhar pra mim. Era um macarrão com queijo tranquilíssimo mas que ele fez com tanto jeito que ficou de outro planeta. Comi demais e o sono bateu. Dormi. Fazia tanto tempo que esse simples comer-dormir não me acontecia que eu deixei. Acordei e fui encontrar Paah no metrô. Partimos pra Gambi.

Sessão "Migrate" - da porta para o clube, do bar pro camarote, da bagaceira até o foda-se, da pista até as performances,migramos.

Algumas bebidas a mais, aniversário da Maria Eleonora (uma menina linda que... Me cativa, ponto! Hahaha) e a empoolgação de dançar Maria Gadu com a Maria Gadu e Rouge com as meninas do Rouge me derrubaram no fim da madrugada. Mas a missão de mostrar um pouco da rotina domingueira pros não habituados foi cumprida com louvor.

Ainda nessa Gambi eu conversei com o Gruli e consegui acertar o fechamento da exposição do Hélio pro domingo seguinte. Responsa: 30 vips para 27 apoios. Organizar uma festa especial em 1 semana. Isso é um retorno excelente, sabendo que semana que vem tem mais com mais novidades.

Pedro.
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17 maio 2010

a simple kind of life

para ler ouvindo: A simple kind of life (G. Stefani)


Carrego um coração de pano do lado esquerdo do meu crachá. Do lado esquerdo carrego um de ferro. Isso serve como uma boa metáfora para o coração que eu carrego no peito: se de um lado, sou subjetivo, emocional e macio, por outro lado sou duro, objetivo e prático em relação ao que sinto. Hard candy.

Mas o que fazer quando o outro lado não corresponde da mesma forma? Sabe aquelas tentativas de explicar coisas sem explicação, com jogo de palavras que não traduz literalmente o que se quer dizer. Pois sentimentos são assim, qualquer um deles é desse jeito: não há palavras pra definir o que é o sentir. Aprendi muito cedo isso lendo Alberto Caiero, um gênio, um mestre, minha escola da vida inteira.
O trecho do poema "Guardador de rebanhos" foi a primeira coisa que pensei quando resolvi escrever sobre o sentir. Não é difícil. É impossível.

Voltando à simplicidade, sentimentos simples não são simplistas, não são menos sinceros ou profundos dos que os complicados. Sentimentos simples são: raiva, alegria, tristeza... Os complexos são aqueles em que tudo se mistura.

Eu carrego um coração de pano ao lado meu crachá. Solto, exposto, cru, óbvio.
Ainda preciso dizer de qual time eu faço parte?

Pedro.
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16 maio 2010

solidão, que nada

para ler ouvindo: Passeando (Marcelo Camelo)


Ele chega cedo, traz alguma coisa, me anima pra fazer as coisas. Às vezes embala no mesmo sono que o meu. O importante é ser uma excelente companhia. Me ajuda muito, por que eu não sou o melhor dono de casa da região. Ele é. Mas sem dúvida, o que mais me importa é o companherismo. Senão eu ia ficar só. Com meu cachorro, mas só sem resposta das minhas conversas por mais aleatórias que sejam.

Em breve vai ter festa aqui em casa, mas antes disso não vem ninguém.
O Paah, o Paulinho é a melhor visita porque a gente criou rotina já. Leva a chave, às vezes dorme, quando pode fica mais uma ou duas horas, por que deve sacar que eu preciso mesmo de atenção. É um uma dessas pessoas que aparece no caminho e não é por acaso. Eu o osbervo a muito menos tempo do que nos conhecemos e o amo a muito menos tempo ainda. Mas aconteceu dele ter sido o catalisador das minhas atenções nos últimos tempos. Só vou se estiver ele no lance, por que dar risada depois é melhor, é 19 anos, é uma pena ter descoberto ele apenas nesse tempo mas é melhor do que não tê-lo conhecido at all.

Tudo agora tem sido na base do "que pena que daqui a um mês" e muda o gosto do momento. Com ele aqui eu até esqueço bastante disso. Me forço a.
É um dos que EU tenho certeza que ainda encontro uma mala pra poder levar pra onde for. Pequeno grande Paah. Meu igual nesse mundo mal.

Pedro.
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15 maio 2010

e a tristeza acabou

Uma sombra inesperada.
Uma nuvem gigante passa por cima da mim, na cama.

Me assusto mas não resisto de tocar quando ela passa e me cobre de mais escuro do que a noite lá fora.

Se derruba em mim, volta.
Se forma mais forte e eu deixo.
Ataca e eu corro.
Não desiste nunca.

É uma brincadeira apenas.
E eu que comecei.

Pedro.
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11 maio 2010

canção pra viver mais

Às vezes viver sem vontade parece tão parte da vida. Como se houvesse um período de limbo apenas para podermos redescobrir o "bom" que há por aí. Seja através de uma pessoa, de uma canção... Algo. Eu estava nessa fase de espera, fiz o que pude pra gostar mais, querer mais, viver mais - afinal, nada estava indo mal, pelo contrário. Não consegui, pareceu falso e eu parei. Mas apareceu o Paulo, o Paah.

Paulo, o Paah é tipo "boy next door". Faz a linha amigo que logo se conhece, logo se gosta, logo se quer saber mais. O conheci numa dessas. Já sabia quem era e só pensei de antemão que ele não se ligasse no meu lance. Nos meus lances todos. Ainda assim, muito interessante, um cara com cobras de estimação e que conseguia habitar a mais baixa classe da Gambiarra sem parecer perdido mas sem querer ser aquilo tudo.

Ele foi ao meu aniversário no bar, depois eu sumi. Ele cobrou e nós conversamos coletivamente outro dia para explicar para um amigo a tese Bradshaw de que o amor havia morrido em Manhattan e consequentemente em São Paulo. E dessa conversa e de outras, surgimos nós.

Em determinada sexta casual no bar mais famoso do começo da Frei, voltamos a nos ver pós aniversário. E daí o lance todo engatou. Em uma semana I got hooked up on Paah. "Vivemos juntos como um acordo íntimo, como a mão direita e a esquerda."

Em pouco tempo criamos agenda. Cinema de segunda, bar de sexta, dormir na casa dos amigos de sábado. Tem sido incrível.
Fundamos grupo também. Pedro levou Zé. Paah levou Thi, Gi, Thaty e Helô. Thi levou Miller. Minha mãe fica maluca sem saber como eu conheço tanta gente nova em tão pouco tempo. E eu respondo: adotando-as.

Mas o importante ressaltar é a qualidade do tempo gasto. Às vezes eu preciso de alguém que me inspire a fazer coisas, a sair da concha e ver o mar, sair pro mundo, cair do blog. Preciso do "bring back the love of life". E é isso aí que ele é.

Afinal, se o amor morreu em São Paulo, o meu pode até ter se fingido, mas sempre esteve bem vivo.

Pedro.
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08 maio 2010

baby I got it

Eu preciso

de um boné preto,
de uma mochila nova,
de uma escova de dentes elétrica,
de um tênis pra andar e outro pra ser bonito,
daquela blusa da Zara que não sai da minha cabeça,
de uma noite e um dia pra nós,
de tempo pra ver minha madrinha,
de um cabo Usb novo,
de um notebook,
encontrar meus amigos pra conversar,
fazer exercícios,
resolver pendências afetivas com Seguro,
ter uma idéia de presente,
meu número velho de telefone,
querer algo de NY rapidinho,
desacansar,
te convencer a não deixar de me amar caso eu não consiga ficar,
não matar mais pernilongos com o celular,
voltar pra noite,
meus dias de folga merecidos.

Manter isso tudo na idéia.

Pedro.
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05 maio 2010

pleno ar, puro Hélio

para ler ouvindo: Parangolé Pamplona (Adriana Calcanhotto)

Fazendo um balanço geral dos dias que passaram, há algo importante e novo em vista: pela primeira vez eu trabalho de forma direta com arte. Estou das 8:30 às 15:00 no Itaú Cultural na exposição "Hélio Oiticica - Museu é o mundo".

São tantas coisas... As pessoas são parecidas comigo, o ambiente é outro, as idéias são boas e eu me sinto bem em um trabalho. Normalmente eu sempre começo bem até a burocracia e a chatice dos dias começar a surgir, mas dessa vez já se passou um bom tempo e eu posso dizer confiante que é bom.

Chegar todos os dias e poder ter tempo de pensar mais de 100 obras do Hélio é uma delícia. Ele é uma escola completa. Tem um video que ele se define como inventor e não artista. E é isso mesmo. Não vejam procurando beleza ou estética e sim função, tentativa, estudo.

Entre bólides, penetráveis, relevos, metaesquemas, parangolés e até um piano, eu tenho me divertido com o Zé (que eu já conhecia de Gambis), a Rossana e o Diego (que fez São Luis comigo). E mais todos que trabalham por lá. Vou falando deles com o tempo.

É bom dormir pensando que vou estar lá amanhã. É exvelente estar de volta na Paulista. Mas também não perco a cabeça, ainda é um trabalho que eu tento levar da forma mais divertida possível por que cansa. Pessoas cansam, ficar de pé cansa, chamar a atenção das pessoas cansa muito. Relevo em nome da arte e das possibilidas que aparecem sempre que eu paro e vejo a genialidade do Hélio.

Certamente aquelas obras no ambiente de museu perdem muito o sentido, claro, fica uma coisa coxinha. Afinal elas pertencem às ruas, mas é válido enquanto possibilidade de conhecer e imaginar a vivência delas numa rua, por exemplo.
No fim, pouco se perde e os ganhos (tanto pra mim como para todos) são muito maiores.

Think about it and visit me.
Itaú Cultural
Av. Paulista, 149
de segunda a sexta das 09:00 às 20:00
sábado e domingo das 11:00 às 20:00

Pedro.
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02 maio 2010

super estar com você

Sábado, 1º de Maio, dia do trabalho e dia do trabalhador. Algo já indicava que após uma Gambiarra estranha eu trabalharia muito. Mais que isso, me disponibilizaria para trabalhar a mais.

O trabalho no Itaú continua sendo uma experiência que vale investir, insistir (mesmo cansado como no dia de hoje que pareceu não ter fim) e esperar resultados. Sim, eu espero que me chamem novamente pra outras exposições. E muitas vezes sei que faço por merecer, apesar de que com o tempo, inevitavelmente, fica-se um pouco mais relapso.

Depois do trabalho e do trabalho adicional, estou indo pra um encontro de amigos pra saber da vida de todos. Apesar de serem amigos novos, todos já se integraram em mim de alguma forma. Uns mais, uns menos, outros por completo.
Hoje eu não iria. Saí ontem, cheguei tarde, trabalhei e mal parei em casa. Mas pensei sobre

Investir em relações de amizade e trabalho não é uma coisa tão distinta. Requer dedicação, esforço e até mesmo algum esforço extra para fazer com que sejam relações com projeção para o futuro, segurança, presença e retorno.

Seriam todas as relações que cativamos um plano para o que esperamos delas?

Somos interesseiros?
Impossível não pensar nisso quando estou cansado, num sábado a noite e indo para onde eu não sei onde é pois já passou de 2 pontos da linha vermelha sentido corinthians itaquera.

Mas se o interesse é mútuo, seria uma situação onde não há pecado nem perdão, acredito. Ou ao menos espero que sim.

Pedro.
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