26 fevereiro 2010

maiúsculo



todo dia
e eu o quero perto da rotina
pela sequência
(que nunca se repete?)
por escolher um disco na vitrola que eu goste
e tocar
pelo toque singelo e bruto
e o maiúsculo do gênio
que me guiou por ontem
noite afora

Pedro.
x

24 fevereiro 2010

If we were our cultures, I'd be joining you

Para ler ouvindo: Suture up your future
(Joshua Homme/Troy Van Leeuwen/Joey Castillo)


Se tem uma coisa que é difícil de entender é depressão. Nunca tive. Tive tristeza, solidão, raiva, agonia, angústia, melancolia. Mas depressão, não. Deve ser uma experiência ruim. Tenho algumas impressões sobre isso.

Às vezes eu vejo gente jovem que sofre tanto. Tem uma dor maior que o mundo. Claro que muitas vezes eu também jogo a toalha e não quero saber de nada. Pra qualquer um a qualquer momento, viver pode ser triste. Por que viver é triste às vezes.

Juventude é instável, são momentos de uma alegria eufórica e gritante e outros de solidão perturbadora e cheia questionamentos em tom baixo no escuro. Podem se intercalar ou não.

É como uma montanha russa, não tem jeito. Meninos choram, meninas choram. Mas sábado tem aniversário de fulano e domingão tem churras no clube e de repente a alegria volta. E depois a tristeza perde o motivo. Depois reaparece, e assim por diante. Até que alguma forma a grande maioria de nós consegue achar um rumo, um caminho de volta para o equilíbrio. E um dia só choramos pelo que sabemos existir.

Mas e os que ficam no caminho com suas dúvidas, medos e o receio de chegar aonde estão todos os outros - na idade adulta. Me preocupo com eles, mas ainda me sinto um simplificador de problemas como todos os pais, parentes e amigos que os cercam.

Não adianta mandar procurar o que fazer, dizer os velhos ditos populares ("cabeça vazia é oficina do demônio"), não adianta entupir de grana e mandar pro shopping, não adianta e ponto. Estamos falando de níveis emocionais e de pessoas trabalhando tempos e questões diferentes das nossas (muitas vezes mais cotidianas e fúteis, por que não?).

Sentir muito pode ser um mal. Enquanto nossas aventuras e experiências nos levam sempre a sentir mais alegria - o que é algo positivo, imagino que a vida quem não funciona nesse pólo deve ter o mesmo nível de experiência e aventura no sentido negativo. Mexer em si não é pouca coisa. Daqui do lado de fora a gente vê, ouve falar algo a respeito, estuda, mas nunca chega a tocar aquela realidade.

Oferecer ajuda (pessoal e particular), estar lá, podem não só revelar uma parte importante de tudo isso como também ser a mudança definitiva do problema. Assim, chutando alto, ser gentil.

Pode levar um tempo pra eu levar coragem e perguntar como salvar. E quando eu souber aqui vai ser o primeiro lugar pra contar, não sou só eu que conhece alguém que passa por isso.
E eu sinto muito.

"Um dia eu vou te encontrar
e te explicar o que feriu"

Pedro.
x

23 fevereiro 2010

Domingo no parque #51

Foi tudo confuso.
Encontrei meu novo amigo, this week boy, Paulo Ronaldo (que na verdade se chama Paulo Castro, mas é muito parecido com um amigo chamado Ronaldo) e fomos fazer esquenta na casa de um amigo nosso que não estava em casa.

Fomos pra casa dele de metrô com as pessoas sendo obrigadas a ouvir que eu era muito metódico em relação a Gambi e que esse domingo era dia dele mudar meus rituais e meus tempos - aos berros.

Depois desse festival, o esquenta valeu tanto a pena que eu não vi a Gambi passar. Foi realmente atípica após uma garrafa de Sky para 3 pessoas, a few splashes and some clicking glasses. A Gambi passou que eu nem vi. Mas quando vi estava deitado num sofá com Gu Seguro, domindo às 4 da manhã. Tags são #crise, #bebedeira e #sono. Depois que tudo se acertou ele me acordou e me deixou em casa. Assim, sem performance, sem bagaceira, sem melhores momentos.

Mas isso é Gambi que se apresente?
Foi a minha. Nada apresentável.

Semana que vem trato de trazer algo mais... Animador!

Pedro.
x

22 fevereiro 2010

20 fevereiro 2010

vale tudo

A explicação é simples: eu precisava de um playground.
Aqui é meu canto certo, a casa tá arrumada. Esse aqui a gente compra na padaria, é liberado.

Ali é minha quitanda. É livre. Pode.

Tem que ter esquema pra conseguir por que dá barato.
Um veneno antimonotonia.

Sejamos felizes

Pedro.
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19 fevereiro 2010

ostentando onze fitas de Ogum

O tempo tá perigoso sim. A gente tenta relutar e ser do contra. Ocupa a Roosvelt num Satyros, não acredita, diz que é coisa dos mais velhos, mas não é. Tá a perigo mesmo. Pior que perigoso - violento.

Dá até uma desesperança ver meninos roubarem meninos da mesma idade. Eu vi. Acabou com meu dia. Tudo ali do meu lado e eu pensei por alguns segundos que fosse uma brincadeira e foi o tempo de perceber que não era pra situação acabar. Muito rápido, muito triste. Violento, sem dúvida.

Não é o fim mas me acaba.

Pedro.
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18 fevereiro 2010

could you be a little weak?

daqui de longe, bem longe
só eu sei o que realmente importa.
Pedro.
x

17 fevereiro 2010

te espero no verão

o meu coração é o sol
pai de toda cor

quando ele lhe doura a pele ao léu

Pedro.
x

16 fevereiro 2010

domingo no parque #50

para ler ouvindo:  Alegria (Arnaldo Antunes)

esse texto é pra Gigi
que muitas vezes parece ser a única que entende o que eu falo.

Como se define o que é uma boa Gambiarra ou o que é uma Gambiarra ruim? Quais são os parâmetros?

No começo, quando se está acostumado com outras festas, a Gambiarra parece sempre se superar, uma melhor que a outra. E a energia que se gasta é imensa, a ponto de precisar de preparo físico e descanso logo após as primeiras festas. Depois, com o tempo, o corpo acostuma.

Nós nos acostumamos também. Nem tudo é surpresa: as músicas, as pessoas, o ambiente. Criam-se certos vícios e manias que viram elementos que definem o bom e o mal da festa: se está cheio, se tocou tal música, se as pessoas são "Gambiarra", se a produção está inteira, etc. Seria ótimo se tudo estivesse no ápice sempre com as mesmas pessoas no mesmo lugar, se superando sempre. Mas não é assim, o "pra sempre sempre acaba". Também é uma maneira conservadora demais de ver as coisas.

Pra ser bom sempre é preciso uma reinvenção da forma de se estar na festa: pessoas novas, outros assuntos, um outro jeito de fazer as coisas. Tudo novo. E é difícil. Nem sempre bom, nem sempre ruim: diferente.

Mas afinal, o que faz uma boa Gambiarra?

Os motivos que fazem mil pessoas saírem de casa todos os domingos são os mesmos: cantar, dançar, beber, rir, beijar, se encontrar. Não é isso? Qual seria a dificuldade de fazer isso todos os domingos? Ou mais, o que difere um de outro, sendo que são sempre os MESMOS  motivos?

Em linhas gerais, uma boa Gambiarra pra mim é quando eu sinto que nunca dancei, cantei, me diverti, beijei, ri e encontrei pessoas com tanta vontade quanto naquele momento.

Essa vontade só aumenta de uma festa pra outra. De acordo com a intensidade, a Gambi varia de qualidade. E quando isso não acontece (e já deixou de acontecer algumas vezes), é uma Gambiarra ruim.

Nunca senti depressão pós festa em Gambi. Aquela sensação oscilante de estar extremamente feliz em um momento e depois de acalmar sentir angústia ou desolamento. Não acontece com Gambi e deve ser por isso que eu gosto de lá.
Sem culpas, sem ressentimentos.

Aqui completam 50 domingos no parque, em pleno carnaval. Chegando perto das 100 participações na festa (já se vão mais de 80), esse domingo é especial aqui pro blog pois aconteceu no carnaval da Gambi. Foi lá que eu senti pela primeira vez que a festa tinha algo de diferente, uma energia, algo que me fazia ficar feliz por mais triste que eu estivesse.

Eu tinha acabado de fazer uma despedida difícil da Amália e fui com a Mayara pra Gambi. Com cara, coragem e uma metralhadora cheia de mágoas. Desabei de chorar assim que entrei na pista 2 e a Mayara me consolou (depois desse dia eu comecei a reparar que sempre que eu estava presente começava a tocar "Boys don't cry", chegou a ser assustador por um tempo). Fomos pra pista 1 e lá ficamos até o dia amanhecer. Saí menos triste (essa coluna ainda nem existia, mas o relato aconteceu - miniflashback AQUI e AQUI) e com algumas histórias pra contar.

Dessa vez foi assim também: eu estava meio pra baixo em casa, fui pra casa do Victor Lei com a Gigi e começou a me dar uma agonia. Eu amo o Vi Lei, mas eu tenho alguns rituais pré Gambi que não dá pra desfazer. Não sei por que eu fui. Gigi começou a enrolar pra ir embora, aquela coisa chata de ter que ficar chamando as pessoas.

Fomos embora de metrô, depois pegamos um trem da Barra Funda até a Lapa (que é uma grande estupidez do ponto de vista de quem quer chegar rápido e sem ser assaltado) e eu cheguei exausto de bravo. Mas mudou em 10 minutos depois da chegada já estava bem. Me deixou bem de novo, como a Gambi sempre faz. 

A festa foi incrível, energia, música, suor - um verdadeiro carnaval que eu não perderia por nada. Acabou de um jeito inesperado com a despedida de uma parte da produção no café da manhã. Denise, Elves, Ju. Vai ser estranho não vê-los todo domingo. 

Minha cota de festa se encerrou hoje, mas para quem ainda tem pique ainda tem festa até quarta, Para os que ficam na folia, desejo um bom carnaval –
seja você quem for, seja o que Deus quiser.

Pedro.
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15 fevereiro 2010

14 fevereiro 2010

domingo no parque #49

para ler ouvindo: Get off (Prince and The New Power Generation)


Carnaval é uma festa com muita tradição, história, simbologia e rito. Todos sabemos a importância e a transformação que ele sofreu através dos tempos pra chegar até o Brasil e virar um grande feriado prolongado. É tempo de muito trabalho para muitos que fazem o evento no país inteiro; agito para os que aguardam o ano inteiro a folia e descanso para os que ainda tem o ano inteiro pela frente.

Pra um cara de Sampa que sempre se ligou em axé e trio elétrico - ou seja, que sempre se ligou em Salvador - São Paulo e Rio são caretas demais. Nunca me liguei em escola de samba. Admiro, vejo alguma beleza ali, mas nada que me estimule ao ponto de querer fazer parte daquilo. Gosto de samba enredo, gostaria de desfilar um dia mas escola na tv ou na arquibancada não é pra mim. Aqui em Sampa não tem nada pra mim nem nunca teve. Minha maior e melhor lembrança de um carnival bem curtido durante 4 dias ininterruptos foi no ano passado. Quem adivinhar anode ganha um prêmio…
Na Gambiarra, é claro!

Antes mesmo dessa coluna existir, eu já estava aprontando todas na minha festa favorita. E se tem uma coisa que eu lembro bem é de tocar "Milagres do povo" em plena segunda feira e eu estar ligado num pessoal. Nós gritávamos o significado do carnaval, que nada mais é do que um feriado que "não cabe em si de tanto ‘sim'/ é pura dança, sexo e glória".
Aqueles 4 dias de carnival mudaram muita coisa. Tudo pra ser mais exato. Foi nele que a Amália foi embora, foi nele que surgiram paixões fulminantes, sexo desnorteante, foi nele que o Hotel Cambridge (e arredores) abriu seus cantos mais escondidos para todos os (poucos) frequentadores da Gambiarra, até então.

Esse ano a tudo já estava estruturado. Já sabia que não passaria em branco uma data que tomou tamanha importância pra mim. A Gambiarra também sabia e por isso marcou dois dias na The Week, sexta e domingo. Eu tinha que fazer desses dois dias os quatro do ano passado, senão melhor.

Sexta foi o dia ideal. Eu tinha feito o esquenta sozinho, bebi bem e connsegui passar a noite inteira no nível etílico ideal. Ainda estava me preocupando com o que a Gigi havia me relatado do domingo anterior. Mas quando eu cheguei e comecei a me divertir, vi que estava todo mundo bem desencanado também.

Assim a noite foi. 3 da manhã, carnaval e eu me sentindo BEM solteiro fiz a linha "quer saber? também não vou ficar esperando ninguém!". Daí foi. Consegui voltar pro camarote às 5 da manhã quando ouvi a batida inicial de "Hush Hush" - é o Bat sinal para o horário de trabalho dos viciados-performers. E nós respeitamos, independentemente do que estivermos fazendo ou com quem estirvermos fazendo.

Depois disso foi fim de festa, fim de primeiro dia e eu me preparava para não existir no sábado de carnaval. Mas estava satisfeito, foi igual ao que eu tinha pensado que seria: festa boa (igual ao ano passado mas ao quadrado) e com todos os milagres que o povo merece.

Pedro.
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12 fevereiro 2010

lá vou eu de samba - fim

para ler ouvindo: Never give up on the good times
(written by The Spice Girls/ M. Rowe/ R. Stannard)



A praia é verde bonito. Tem camarão no restaurante self service. Na verdade tem todos os peixes de todas as formas. As pessoas também se conglomeram nas casas dos. A Skol litrão é 3 reais.
Um lugar PURO.

diário de uma viagem 3

Hoje nós acordamos todos, tomamos café e conversamos. Já fui ao centro, já fui a praia e voltei. Agora é esperar o sol baixar pra voltar à praia. O sol que vai até as 20h da noite.

Volto pra São Paulo amanhã ou quinta feira, mas pra ser sincero, ficaria até semana que vem aqui, de frente pro ventilador com a tv desligada cochilando depois do almoço. Tranquilamente.

Encontrei uma casa aqui, igual a da Ariadne pelo mesmo preço. Talvez monte uma república. Agora acabou a tensão do vestibular, a tensão da inscrição, as tensões todas e eu consigo dormir de noite. Estamos só eu e Ariadne em casa o dia inteiro. Eu acordo muito cedo e fico vendo o dia. tomo café. Depois vamos a praia, almoçamos num self service e depois voltamos pra praia.

A praia do centro é linda. O verde é verde mesmo. Apelidei de verde bonito. Quando lembrei da Igi, olhei pra praia e gritei:
"É VERDE!". Com um amor imenso por ela.

Eu e Ariadne combinamos. Gostamos de vodca com Schweppes, rolo com amigos, peixe, praia, móveis de madeira e outras coisas, às vezes a gente esquece os lances depois que a conversa passa.

Pra jantar hoje foi lasanha 4 queijos e vodca com schweppes citrus. Eu dormi das 20h às 04h da manhã (horário que escrevo). Devo dormir mais alguma coisa e acordar bem cedo pra passar o dia na praia do centro enquanto Ariadne faz as coisas.

*pós praia
Voltei. Conheci duas praias e dois piers . Adoro pier. Minhas costas e meu nariz estão vermelhos, logo menos vão começar a arder. Volto pra São Paulo hoje, logo menos às 21:00.

*no ônibus
Já estou dentro. Malas arrumadas, esvaziei o que sobrou da garrafa de vodca, mais algumas cervejas antes do embarque vão me garantir um sono tranquilo na viagem de volta. Portanto, sem muitas impressões.

*parada Taubaté
Frio. Muito frio.

*chegada
Estou em São Paulo, mais precisamente em Guarulhos (oi, Gabriel!) e a previsão é chegar no Tietê às 08:00.

*casa
São 09:50 e eu cheguei em casa. Me despedi da Ariadne e to contente. Fiz o que queria, conheci e aprovei minha futura cidade. Rio das Ostras é bonito e receptivo, turístico mas habitável, carioca mas paulista.

Foram 2 anos de tentativas, 1 ano de cursinho, 4 vestibulares, 20 horas de prova 3 meses e 08 dias de espera por resultado, 2 Enem, 18 horas de viagem, 3 dias em Rio das Ostras e 1 aprovação - mas a matrícula está lá. E até que se prove o contrário, eu sou vestibulando de uma faculdade federal.

Sabe aquele 2,5% de brasileiros que consegue se formar no Ensino Superior? Pois bem, eu estou nos 0,6% que está no ensino superior federal. Bjs.

Procult é caldeirão.
Até Agosto.

































Pedro.
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11 fevereiro 2010

lá vou eu de samba - meio

para ler ouvindo:
Beleza e canção (Milton Nascimento/ Chico Amaral)



Da rodoviária de Macaé, peguei um ônibus até o centro de Rio das Ostras. E de Lá, uma van até o Jardim Mariléia, que é onde fica a faculdade e aonde eu iria encontrar a Ariadne, uma pessoa que daria total diferença na viagem. Uma guia da cidade, minha amiga e anfitriã local.
Diário de uma viagem parte 2
*a guia
Ariadne é uma capixaba-mineira e carioca ao mesmo tempo. Veterana de Produção Cultural, mantém uma república em R.O que agora está vazia esperando novos membros. Eu seria um deles se minha matrícula não fosse pro 2º semestre.
Engraçada, espontânea e maluquinha, foi me dizendo tudo o que eu tenho que saber pra entender a cidade, a UFF e o curso. Ela me levou pra fazer a matrícula e lá eu conheci o Guilherme da comunidade do orkut, já no bar da faculdade.
Na hora da inscrição, eu era a única pessoa com todos os documentos, o que gerou um comentário do tipo: "vocês de São Paulo são tão pontuais e organizados", coitados, mal sabem eles de quem estão falando.
*a UFF
O prédio da faculdade é mais bonito do que eu pensei. Mas não lembra um prédio de Universidade. Deve ser do tamanho da lanchonete da Uninove da Barra Funda, mas é bonito. O chão de fora não é asfaltado, é de terra. E fica próximo da rodovia Amaral Peixoto que é que liga R.O a Macaé, a Búzios, a Cabo Frio, região serrana como Friburgo, Petrópolis e Teresópolis, e às grandes cidades como Niterói e Rio. Tudo isso a uma van de distância.

*pós inscrição
Reconheci mais alguns calouros da comunidade do Orkut e ficamos conversando no bar a tarde inteira junto de veteranos. Eles nos contavam alguns planos pra esse ano e as diferenças do curso do PURO (polo universitário de Rio das Ostras) pro de Niterói. Quando eu percebi, estávamos voltando em 7 para a república e todos já alegres, afinal, Skol litrão a 3 reais não é pra se desperdiçar.
Na república só deu tempo de chegar e dormir. Parece que depois de tanta ansiedade de Sampa até o momento da inscrição, a cerveja acalmou. Aí eu capotei na cama antes de todo mundo e quando acordei estavam todos ainda na sala conversando. A Ariadne me disse que é a coisa mais normal a sua casa ser de todo mundo e a casa de todo mundo ser sua casa.
Dormi de novo, dessa vez pela noite afora. Muito calor a noite inteira. Curiosamente, nenhum pernilongo.
Acordei.
São 06:41am, segundo dia de viagem.
Proposta do dia hoje é ir a praia. Se eu aguentar o calor, pois é só o que tem pra hoje: sol.
Hoje de manhã estávamos conversando quando o primeiro embate de paulistano vs cariocas se deu. Afinal, concordamos em muitos aspectos, mas ninguém dá o braço a torcer quando o assunto é "biscoito ou bolacha?".
Fim da 2ª parte



Pedro.
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10 fevereiro 2010

lá vou eu de samba - início

para ler ouvindo: A ordem é samba (Jackson do Pandeiro)



Dizem que a primeira impressão é a que fica, não é mesmo? Madonna chegou em Nova York com §35,00 dólares no bolso e a ambição de dominar o mundo.
As minhas ambições - maiores ou menores - são outras, mas os 35,00 pila são os mesmos.

Diário de uma viagem.

ou: Lá vou eu de Sampa

*a história até então
Depois de alguns vestibulares, muitas aprovações e reprovações, dificuldades comuns na escolha de um curso e muitas histórias que aconteceram nesse tempo em que eu abdiquei do estudo (desde 2008), em 2010 eu fui aprovado no curso de Produção Cultural na Universidade Federal Fluninense. Um curso que estuda os meios de criação e produção de arte e cria produtores. E eu aqui passada a primeira hora de viagem no ônibus para Macaé, estava a algumas horas de fazer minha matrícula e me tornar oficialmente um vestibulando.

*a viagem
De São Paulo pra Macaé a previsão é de 7 horas de viagem. Rio das Ostras não tem a própria rodoviária, portanto somam-se 20 minutos de van até a universidade.

Antes disso, em São Paulo, comecei a procurar repúblicas próximas a faculdade e conheci Ariadne, dona de uma república. Ficamos amigos e ela prontamente ofereceu a rep. para eu me instalar e fazer a matrícula sem ficar em hotel. Vamos nos conhecer na rodoviária de Macaé assim que eu chegar.

o diário - horas, passagens e impressões

21:03
and here we go!

21:42
Não tem como não pensar na Gigi. Ela, junto da Mayara, foi a minha companheira na minha primeira viagem pro Rio de Janeiro indo atrás de Gambiarra.
O lugar vazio ao meu lado lembra ela, o frio que o ar condicionado faz, dormir/acordar e ainda não chegar, dormir de conchinha, pedágio "sem parar". Ela é demais.

22:26
Minha mãe acabou de ligar e eu estava meio dormindo meio acordado. Tem um cara aqui no banco de trás que tem jeito de que vai fazer UFF também. Talvez eu tente puxar assunto em alguma parada.
3G inexiste na estrada, portanto, nada de Twitter.

00:30am - segunda parada
Acordei e resolvi comer, mas todos os salgados tem carne. Fui atrás de bolacha e não tinha Passatempo. Fui atrás de Talento e não tinha o branco. Improvisei com uma Trakinas e um Hershey's com cookies.

01:47am
Acordei sentindo falta de algo. Sabe aquela sensação de "estou esquecendo ou deixando de fazer algo"?
Ouvi alguém dizer Gambiarra?

04:40am terceira parada
Queijo quente.

06:14am
Primeira visão da praia! Agora começam as paradas infernais até chegar na rodoviária. Tá tudo claro e lá no fim do fim já está um amarelo lusco fusco. Observando o tráfego (ou a falta dele) comecei a pensar pela primeira vez em como será viver em um lugar sem congestionamento em plena segunda feira de manhã. Estou saudável e dormi. Estranhando a mim mesmo sem a tradicional ressaca de domingo. Essa hora eu estaria em pleno palquinho fazendo alguma besteira.

Correção: na entrada para Macaé, a fila de carros está gigantesca. Ou seja, eu trouxe o trânsito pra cá, só pra não ficar mal acostumado.

07:46am
horário de chegada na rodoviária de Macaé.
Tenho missões: encontrar a dona da casa, ser comunicativo e sociável e acima de tudo tentar ter um bom tempo.

Fim da 1ª parte.

Pedro.
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09 fevereiro 2010

domingo no parque #48

Por motivo da viagem, não houve parque, apenas um domingo dentro de um ônibus sem vontade. Carregando um Pedro sóbrio e ansioso.

Do caminho eu senti todas as vontades de todas as músicas, abraços, beijos, danças, bebidas, performances e energias que rolam a cada domingo no parque.

A consolação vem em duas partes.

Parte 1: o carnaval. A Gambi me aguarda com duas edições especiais que serão minhas, só minhas - e não de quem quiser.

Parte 2: Giovanna Andrade, sabendo da minha impossibilade de comparecer à Gambiarra, foi meus olhos, meus ouvidos e minha presença física na festa. Incorporada de Pedro e Progresso, ela se sensibilizou e fez o texto que será o "Domingo no parque #48".

Vamos a ele:

Para ler ouvindo: Novo Amor (Edu Krieger)



Uma Gambiarra que não foi!
Primeiramente porque eu não fui. Mas isso é um mero detalhe.
Estou presente na festa mesmo quando meu corpo não pode ou não pede pra caminhar até ela. E ontem, como muitos outros, não pude ou não pedi pra estar ali e talvez fosse pra acontecer exatamente assim.

A festa estava invadida.

Invadida não como um doce que as formigas alcançam e devoram mas não te afetam, te deixando olhar, só pra morrer de raiva ou pra matá-las, uma a uma, a fim de tentar recuperar mesmo que seja um pedaço apenas daquilo que era seu.
Isso já foi faz tempo. Ontem ela foi invadida como uma maré que sobe mais que o comum e simplesmente obriga as pessoas a deixarem a praia por mais que isso seja contra suas vontades. Não tinha espaço pra nós.

Físico, sim, a lotação já foi pior e o camarote com suas dores e delícias sempre está ali pra uma tentativa de união de nós que (já ou ainda) não temos um lugarzinho “nosso” como era na nossa antiga casa. Saudosismo a parte, sei de todos os problemas que deixar o Hotel nos trouxe: mudança de público, dificuldade quanto a localização, a perda de uma das pistas e tudo mais que a Open Bar, em todo seu esforço, não conseguiu suprir quanto ao nosso marco zero da festa.
Porém com boa vontade e funcionários excelentes, a casa apresentou sua graça e conquistou a maioria, senão o total, dos viciados.

Gambiarra no VivoRio de sábado nos deixa aqui em SP com sensação de estarmos perdendo parte da festa. E estamos. Ela cresce e fica linda a cada fim de semana por lá e aqui, com o perdão da agressividade, sobra cansaço e falta daquela energia incrível que qualquer coisa traz quando está apenas tomando forma.

Alguns olhares apontavam brigas: PÉÉM!
Alguns olhares apontavam falta de educação: PÉÉM!
Alguns olhares apontavam roubos e furtos: PÉÉM!
...mas o pior de tudo:
Muitos olhares apontavam OLHARES!

E isso, numa “Gambiarra, a festa” é iMPERDOÁVEL*!
(com o jeitinho da moderahgirl, que foi quem tirou dos dedos as palavras que sairiam da boca do moderahboy)

Vamos pro carnaval, que marca um ano de tantas coisas boas pra ambos os moderas e talvez atraia essas boas energias de volta e junto boas idéias pra resolvermos, juntos, as pendências... “e deixa ser como será” !

Texto: Giovanna Andrade
@GigiAndradeporGigiAndrade

Pois é. Achei #tenso.


Pedro.
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08 fevereiro 2010

07 fevereiro 2010

a few of my favorite things #2

para ler ouvindo: Deixar você (Gilberto Gil)


Traduzir canções.
Discutir em fóruns.
Revelar fotos e entendê-las.
Bater suco de polpa com leite.
Achar graça em frases feitas.
Pisar só no azulejo branco da calçada.
Esquecer que é ano novo.
Dar entrevistas sozinho.
Cantar no Grammy diretamente do banho.
Fazer nós nos dedos.
Roubar falas.
Encarnar personagens ou pessoas reais.
Cruzar a Paulista.
Querer que a noite nunca acabe até eu dormir.
Pensar 3 milhões de coisas na piscina.
Lembrar das mesmas pessoas nas mesmas músicas.
Ser tradicional.
Sempre cobrar o autor da canção e não quem canta.
Me entusiasmar com pequenas coisas.
Procurar festas com consumação.
Ser difícil.
Dançar os boleros da Rita Lee.
Ter certeza das 3 faculdades, no mínimo.
Querer saber coisas que não fazem sentido.
Sentir calor com as girafas do Dali.
Desconfiar de quem não se expressa pela arte.
Ler todos os textos dos amigos.
Caçar cadernos velhos.
Ter algo pra fazer na internet a qualquer hora.
Sentir tesão no Rio.
Perceber que eu não gosto de algo por que alguém falou.
Nem sempre ouvir os mais velhos.
Mover o mundo.
Ter preguiça de ouvir o hype.
Curtir uma fossa.
Cortar a unha do pé errado.
Tocar rock em tom de bossa.
Corrigir a postura na porta.
Parar pra respirar.
Achar cafona.
Planejar um comeback.
Caçar camisinhas diferentes.
Reler fragmentos anotados em livros.
Aproximar pessoas pra sentir ciúme.
Planejar o que fazer com a grana da Mega Sena.
Trabalhar a noite.
Acordar de madrugada.
Correr de manhã.
Dormir ao entardecer.
Não seguir rotina.
Mudar o fuso.
Bater o telefone quando me acordam.
Fingir simpatia por estranhos.
Parar em todas as bancas de jornal e lojas de cd.
Sentir falta de alguém que abale meu mundo.
Falar de sexo com pessoas tímidas.
Manter o passo
Não ter cansaço
Não crer no fim.

Pedro.
x

06 fevereiro 2010

I got a plan

para ler ouvindo: Lapidu Na Bo (Orlando Pantera)


drop down diary #20

Plano 1: São Paulo-Rio das Ostras
.
A previsão é sair o resultado dia 05/02. Depois embarcar pra viagem dia 07/02 de noite e chegar no dia 08/02 de madrugada. Aliás, bem estranho o horário. Fazer a inscrição no dia 08 mesmo e aproveitar mais um ou dois dias, se possível, pra conhecer a futura cidade do meu futuro.

Plano 2: São Paulo-Rio de Janeiro-Rio das Ostras
.
Pode ser que mude. Pode ser que eu vá sábado a noite pro Rio fazer Gambiarra e comemorar o aniversário do Ty, fique domingo por lá e embarque segunda de manhã pra Rio das Ostras. Ainda com a possibilidade de extensão.

Plano 3: Pós matrícula na UFF
.
Como eu só começo a facul no 2º semestre, em Março eu devo começar a trabalhar. Será algo bom pra juntar uma grana e me despedir com mais calma de Sampa. Pensar que tudo é só em Agosto acalma muito a cabeça. Por que é tão certo como agora, mas não é tão apressado.

Plano 4: Rio das Ostras-Niterói
.
Já pensei na possibilidade de surtar em Rio das Ostras. Eu sou (como diz Caetano) um cara de São Paulo que já nasceu sabendo que está no mundo. E sabendo viver no mundão. Pode ser que a prainha, a areinha, a galerinha, as festinhas, a vidinha pacata não sejam suficientes pra quem "aprende depressa a chamar-te de realidade" e que talvez não tenha vocação pra viver a vida sobre as ondas. Sempre há a possibilidade de transferência para Niterói que é uma cidade maior e com mais possibilidades.

Plano 5 - UFF-UFRJ
.
Há 3 anos eu venho avaliando o curso de Produção Cultural da UFF. Tudo o que tem a respeito eu leio, devoro. Estou decorando a grade de matérias e cada vez que vejo fico deslumbrado. É isso! É isso o que eu quero estudar. Mas a realidade pode não ser o que vejo na teoria. Pois além da possibilidade de mudar de curso, ainda tem a possibilidade de sair da UFF e tentar a UniRio ou a UFRJ. Se for o caso, tentar um outro curso em Sampa mesmo (NOT).

Plano 6: Good Vibes
.
O melhor plano no momento é pensar positivo e saber que vai dar certo. De alguma forma esses caminhos nem sempre práticos que eu sigo tem que me levar a algum lugar bom. Por que as intenções são todas boas. Há muita aptidão pessoal pra isso e muita vontade de que dê certo.
E vai dar certo. Se Deus quiser.




(can't touch this MOTHERF*CKERS!)

Pedro.
x

05 fevereiro 2010

se fizer bom tempo amanhã, eu vou

para ler ouvindo: Olhos abertos (Zé Rodrix/ Guttenberg Guarabyra)


Não tô.
Pra nada. Nada de gente, nada de estranhos. Nada de quem mexe demais com meu mundo. O fuso tá trocado: acordo muito cedo, durmo muito cedo, acordo tarde demais e durmo de tarde, durmo pouco de madrugada e saio a noite, acordo de manhã e durmo quase nada de madrugada, acordo de madrugada e durmo demais a tarde... Pra piorar nenhum desses dias tem feito sol, portanto eles parecem uma sucessão de dias inúteis em que a única coisa a fazer é procurar algo a fazer.

Esperar resultado de vestibular, não.
Apanhar da cama, não
(apanhar na cama, ok).
Esperar domingo, não.
Fazer novos amigos, ok.
Conversar pelo MSN, tem limite.
Esperar quem trabalha, talvez.
Esperar no geral, não.

A UFF me sacaneou e deixou pro dia 05/02 o resultado que sairia dia 29/01. Com isso, minha matrícula que seria no dia 01/02 mudou pro dia 08/02. Uma semana exatamente. Tudo culpa do Enem.

O lado bom é que é hoje. 16:00h e vai passar essa agonia.

Deixa quieto. Vou ocupar todo o meu dia com downloads de 3 giga, procurar filmes bem toscos na locadora, baixar séries promissoras que eu não vou seguir e me esforçar pra ampliar a lista de pessoas com quem eu conseguiria conviver no momento. Essa lista existe de verdade. Como se fosse um sinal pessoal, eu vou indicando pra pessoa: você pode.

Lista secreta, porém, não é conclusiva, sendo que em muitos casos é possível ver outras pessoas desde que elas estejam sozinhas. Motivo? Menos ego, mais intimidade. Menos barulho, mais conforto. Menos dispersão, mais instensidade. Isso só se tem no mano a mano.

Mas enquanto a normalidade não vem, a sociablidade manda lembranças e ver a Terra só daqui do 1º andar mesmo.

Prometendo voltar a qualquer momento, eu digo que tudo vai ficar numa boa. Na verdade, eu já sinto um bom retorno em breve, nem que seja no inferno astral que aparece dia 06 desse mês que inicia e só se vai no depois do meu aniversário (ou dia 06 de maio, como é de costume meu).
Coisa que deve começar logo menos.

Xá pra lá que esse papo já tá qualquer coisa.


Se fizer bom tempo amanhã, eu vou.

Pedro.
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04 fevereiro 2010

tempestade de negras louras

Para ler ouvindo: Nas ruas (Djavan)


To Be-yonce or not to Be-yonce?

É a pergunta que não quer calar.


Beyoncé está chegando ao Brasil com um grande show de proporções gigantescas, movimentando milhares de pessoas e fazendo um evento. Não é apenas a apresentação de uma cantora, é um acontecimento que para a cidade e divide as pessoas em grupos: os que foram, os que não foram, os que quiseram ir e os que não quiseram.

Conforme o tempo do show foi chegando mais próximo e eu ainda me senti surpreso com o dvd "I am... Yours" que assisti no ano novo, fui aos poucos percebendo a importância de Beyoncé no universo da música atual. Talvez estejamos diante de uma importância muito grande, talvez única.

Estamos em um mundo bipolar. De um lado está Lady Gaga e de outro Beyonce. Duas vertentes pop com dois públicos e segmentos diferentes.

Cher uma vez disse sobre Madonna: "Ela não é talentosa, ela não é bonita. Ela é rude. Mas é incrivelmente criativa". Uma ótima definição que pode ser aplicada a Lady Gaga.

Esse segmento de Madonna, Cyndi Lauper, Britney Spears do qual Lady Gaga faz parte não exibe grande voz como de Whitney ou Mariah, não tem a grande dança de Michael ou da Broadway (da qual afirmam ser herdeiras diretas), não tem grandes composições como de Joni Mitchel ou Carol King. Mas realmente são criativas: performances, sexo, polêmica, videoclipe, moda, elementos externos, tendências. Tudo isso é ouro nas mãos delas.

De outro lado está Beyoncé que, a princípio, seria uma outra história. Com o R&B da Motown, o Hip Hip moderno e com algumas cantoras negras já inseridas no contexto da música pop, Beyonce surgiu no Destiny's Child que nada mais era do que uma girl band com menos atitude do que TLC, mais produção do que Cleopatra e que juntando com os 2 grupos não seria o eco do sucesso das Spice Girls em termos mundiais.

Mas isso mudou após o início da carreira solo. Se em "Dangerously in love" e "B' Day" Beyonce se manteve na área de segurança do R&B e do Hip Hop como uma Ciara super desenvolvida, em "I am Sasha Fierce" foi outra história, essa que passamos a acompanhar agora.

Beyonce tem por excelência o background das "cantoronas" americanas: Aretha Franklin, Diana Ross, Whitney Houston e mais recentemente Mariah Carey. Todas elas seguem um certo padrão: grande voz, vida minúscula, sofrida e ao contrário das Madonna'S, pouca ou nenhuma criatividade. Não há dança, não há formação de ícones ao redor delas e não há a menor condição de existir nada disso. Há grandes baladas, melismas, whistles, dor de cotovelo, desastres pessoais, etc. Se um videoclipe de 1990 de Madonna é histórico, de Whitney é apenas datado, quando não vergonhoso.

Esse sempre foi o futuro esperado por muitos em relação a Beyonce. Com sorte ela poderia ser uma Mary J Blige. Com política e um discurso forte, Erykah Badu. Mas ela quis mais, ela quis ser ícone pop.

Bey canta muito, tem grande voz, dança muito bem, trabalha a imagem com rigor, é talentosa e criativa, produz bons discos e videos. Segundo o New York Times (e a Folha concordou), o interesse em entreter é genuíno. Não é uma coitadinha que foi desocberta por alguém cantando escondida na igreja. Pelo contrário, nasceu de uma elite negra norte americana que a gente só ouve falar no "Fresh Prince of Bel Air" e se projetou pra fazer o que faz: estudando canto e dança.

Parece ter bastante controle pessoal, tanto que nesse tempo todo (e já se vão mais de dez anos) ainda não vi um vestido sem calcinha, uma agressão doméstica, uma rehab, nada. Rolou um clareamento de pele na capa da Vanity Fair, mas nada demais.

Esse não é um texto anti Lady Gaga. Nada contra ela (eu realmente a aprecio). Mas o olhar para Madonna parece saturado agora. E enquanto todas olhavam fixamente buscando uma brecha para o próximo "Like a Virgin", Beyoncé escolheu a música e o entretenimento e colocou em evidência:
talento x aptidão x capacidade. Aí ficou difícil pra qualquer uma.

Ou, digamos que ela apenas desviou o olhar e mirou em Michael Jackson.

Pedro.
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03 fevereiro 2010

broken-hearted boy

Para ler ouvindo: Memória da Pele (João Bosco/Aldir Blanc)


Prólogo:
"Selling out
it's noy my thing
walk away
i won't be broken again
I'm not,
I'm not what you think"

(...)
It still moves me.
It's been 4 months and I still feel without self control when you call me to get closer. Even if it's just to say "hi". And can never be just "hi", I can see it.

Then it gets cold and I tremble from head to toes. And I remember how safe I felt, and even if it was all messy and there was some screaming and some tears on the phone. But there was some love, the kind that makes me jealous, the kind that really make my knees weak till today.

But eventually I have to look at it and see it became just a memory. Good or bad, and I won't be broken again. But when you look deep, and call my name, I'm exactly what you think. And I'm so afraid of it everytime we see.

"ponto pro time azul"

epílogo:
"Foram discos demais,
desculpas demais
Já vão tarde essas tardes
e mais: tuas aulas, meus táxis,
whisky, dietil, diempax
Mas há que se louvar
entre altos e baixos
o amor quando traz tanta vida
que até pra morrer
leva tempo demais"

Pedro.
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02 fevereiro 2010

domingo no parque #47

para ler ouvindo: You've got everything now (Morissey/Marr)


De volta pra casa e dessa vez é casa mesmo, no Open Bar.

Vamos pro dia: domingo comum, almoço em família, pouca vontade de sair a noite, acabei dormindo a tarde e acordei às 23:15, erro meu. Não dá pra acordar na vibe, não existe. É como ir pra escola, demora um tempo pra aquecer. E não tem pinga que resolva.

Por isso eu fiquei bastante acanhado na chegada e durante um bom tempo. Até acordar, smell the coffee, me espreguiçar, alongar, escovar os dentes, entrar na vibe e virar uma tequila... Demorou. Mas com a companhia certa ajudou: Andy, Jean, Kaiky, Gigi, Alê, Puta, Régis, Victor Lei, todo o pessoal que estava bem aquecido, ao contrário de mim.

Fiquei socializando enquanto isso. Andando pra lá e pra cá entre o som inspirado do Miro, a produção, os conhecidos e as novidades que me contavam. Mas quando se está desanimado (ou ainda aquecendo) parece que a informação é visível. Acontece. Não evitei.

Fiz contato com alguns "calouros" de Gambi na pista, todos muito simpáticos. Enquanto conversava e me preparava pra bagaceira, aconteceu. Foi como se eu caísse da cama ou jogassem um balde de água fria. C******, faz um tempo já que nada me faz sentir tão vulnerável. 4 meses pra ser exato. Não esperava que ainda fosse tão imbecil, tão... como se eu não tivesse vontade prórpia. Escrevo mais depois.

Eram 4 da manhã e parece que a festa começou, aí deslanchou e foi tudo muito bom. Rolou o set inteiro de Single Ladies, Hush Hush, Baila Baila, Prometida, Beat it, Get Down e os axés e funks finais que nos levam até o bis final com o hino.

A noite rendeu. Dormi, acordei, caí e levantei. Por que se fosse ao contrário seria melhor nem ter saído da cama.

Pedro.
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01 fevereiro 2010