31 dezembro 2010

todo fim de mundo é fim de nada

São tantas palavras pra descrever um ano. Essa passagem de tempo cronometrada em 365 dias que a gente sabe que vai ver passar. E no fim sempre há uma espera, a gente fica confuso, no fim acaba feliz por estar vivo e junto. Quando está feliz e perto de quem se gosta é mais motivo pra celebrar.

Um ano passa assim – num estalar de dedos – mas as palavras e os gestos que a gente faz durante esse ano duram mais que isso.

Mas nesse único momento, acabou tudo. É fim de mundo, é fim de nada, é madrugada e ninguém tem mesmo nada a perder. Pode ser diferente a partir de amanhã, por que é um mundo novo. Há a chance de ser algo melhor simplesmente por que há a vontade de ser melhor.

E quando o relógio apontar a meia noite haverá força física e psicológica suficiente pra se querer o bem e o primeiro gesto do ano novo é um sorriso, um abraço, uma lágrima, um beijo, um “eu te amo”. Como se a verdade das palavras e gestos nesse primeiro momento do ano tivesse tanta força como a do nosso último dia de vida. A palavra virá matéria no ambiente e fica pairando no ar, na expectativa...

Seria alegria? Seria felicidade? Qual o nome desse sentimento?
São muitas palavras, realmente, mas são os desejos das palavras que falam, pedem, gritam por dentro, até o primeiro abraço e os primeiros passos no turbilhão que vem por aí. Caos dos sentidos.

Eu torço pra que ano que vem, apesar de tanta adversidade e desencontro, todos os momentos seja tão íntegros e de tamanha boa vontade quanto esse primeiro, da meia noite. Eu torço, eu quero, eu espero.

Faço essa proposta como uma maneira de dizer FELIZ ANO NOVO, pois mais feliz do que isso é muito difícil, pra não dizer impossível.

Pedro.
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27 dezembro 2010

26 dezembro 2010

I wish it could be Christmas every day

Mais um ano, mais um Natal. Esse dia de tanta espera quando a gente é criança e não entende nada e quando cresce e entende, fica perdido. Sim, perdido. Não sabe se critica, se gosta ou não gosta, se foge da família ou reúne todo mundo, se cresce ou continua criança.

Natal pra mim, desde que passei a entender o significado, faz parte de duas coisas que eu sempre amei: o verão e a família. Desde que se mudou para Dezembro (Jesus nasceu aproximadamente dia 7 de Janeiro) para ser comemorado junto de outras datas festivas romanas, o Natal é a primeira festa do verão. E é sagrada, de forma que Jesus nasce uma semana antes da chegada do ano novo, como quem salva o fim e protege o começo. É uma festa, realmente. Há troca, há celebração e alegria. Eu adoro o verão e aqui pra mim o Natal é parte dele, marca o começo de tudo.

A família junta também é bom. Até o que é ruim é bom. Li pelo twitter milhares e milhares de pessoas com aquele ar blasé de “ir encontrar a família”, aquele peso, aquela obrigatoriedade de um encontro forçado. Não tenho isso. Vejo os defeitos, sei os defeitos, as partes boas e más, tudo. Tenho costume de ver as coisas de longe e de longe é um encontro bonito.

No fundo é um elogio a família que dentro de toda sua imperfeição continua sendo o que nos dá suporte, apoio e é que está sempre do nosso lado pro que der e vier. Nem sempre todos no cotidiano e nas pequenas coisas, mas na hora que realmente importa, a família aparece. Sendo que nem sempre nossa família é apenas aquela que nos foi imposta – é quem se encaixa na descrição que fiz agora.
Adorei o meu Natal por isso.

Não teve um grande presente, não teve grandes expectativas. Foi reunir a família, sentar-se à mesa e fazer uma oração. A comida, sim, estava excelente. E só a felicidade de se juntar pra passar um tempo e ver todo mundo, valeu a noite.

Pedro.
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23 dezembro 2010

se sou só ou sou mar

Para ler ouvindo: Só se for a dois (Cazuza)


Mal de não saber ser sozinho. De também não saber sempre ser de dois. Eu gosto tanto de gente. Tenho que conversar isso com meu analista, mas, espere... É de se resolver agora. Não posso esperar voltar de férias.

Sempre tive mais gente ao redor do que precisei. E agora preciso aprender a ser mais de dois.

Existe muita distração em grupo, como se sabe. A fanfarra, a bebida, as idéias do momento. E é disso que eu mais gosto, dos truques de disfarçar e esconder que a gente faz no coletivo.

Focault fala que a sociedade é quem "fala verborragicamente sobre seu silêncio", nesse caso sobre o sexo. Um garoto como eu, no coletivo é como o sexo de Focault. Fala muito e acaba não falando. Diz tanto o segredo que nã diz. Quem sabe ler, sabe. 

Não dá pra ofuscar nada em dois. Eventualmente acaba aprofundando demais o gesto, o olhar, tudo muito verdade sem subterfúgio.

Pra um menino tímido, o que não corre, não chora, não conversa... Falar volta a ser uma pedra no sapato. Falo pelo coletivo pra sentir se entre tantas vozes, tantas idéias, tantos mundos lá fora que consigo criar e lembrar, eu consiga uma saída pro silêncio que diz tanto mais de mim do que eu quero dizer e nunca consigo.

Pedro.
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22 dezembro 2010

um recomeço é uma forma de se encontrar

Estou sem teto em Rio das Ostras.

Aconteceu hoje, não renovamos o contrato e devolvemos a casa pro dono que queria aumentar o aluguel pra R$1.400,00 com água e luz a parte (estávamos pagando R$1.000,00 com água e luz).

Minha internet não funcionava por nada nesse mundo. Nossa água era de poço, água ruim, amarela e cheia de ferro. A vizinhança era morta, ou se fingia de.
No calor era insuportável ficar em casa.
Os meninos de casa muito apáticos, um era parado demais o outro meio hippie, meio rock, meio PSTU, meio chato.

Eu estou sem casa em Rio das Ostras.
A quem devo agradecer?

Pedro.
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21 dezembro 2010

domingo no parque #73

Aquele do último do ano

para ler ouvindo: Musa Calabar (Guiguio)



Mal recuperado de sexta e de sábado, lá fui eu pro meu último domingo, aquele verdadeiro que vai me fazer falta até o fim de janeiro. Nessa última, com o público sempre acima do esperado, a festa aconteceu em dois lugares: o tradicional Open Bar e uma casa próxima, o ShowBar. A Vila Madalena e arredores tem essas casas pra 1000 pessoas que na verdade só cabem 700 e como o público esperado era de 1800 pessoas, melhor duas do que uma só.

Comecei a pensar no ano Gambi e cheguei à conclusão que a festa cresceu, como já se sabe, mas as pessoas (mais uma vez) pararam de absorver o crescimento. Os grupos, as panelas, meus próprios amigos se fechando em copas, é difícil para quem, como eu, não sossega num canto só. Eu quero mais.

A produção cresceu, tem gente nova e interessada, o novo público, as novas idéias. Tem que estar pronto pra tudo só por que do jeito que está não vai ser mais. Acho essa idéia de tentar manter as coisinhas nos seus lugares e sempre da mesma maneira muito careta. É, careta. E enquanto eu estava fora percebi que isso voltou. Mas eu também voltei e quero que isso acabe.

Volta pra festa. As duas casas estavam ótimas e a van que levava de uma casa a outra foi super eficiente. Melhor momento da noite foi sair, beber, conversar. Depois voltar pro Open Bar e comer pizza na porta. Pizza na porta com Paah e Pedro é o trava língua da alegria. =)

Dentro do Open bar a festa voltou a tomar jeito de Gambi de domingão. As bagaceiras, as coreografias, os assuntos. Tudo bom demais. Parte boa: “Who do you think you are” com um Gu Rangel que acontece ser um Spice Boy! Coisas que se fechar o cerco a gente nunca descobre.

Pra mim fica essa marca de que eu quero mais do novo ano que vem, pra não deixar cair jamais. Essa Gambi foi pra deixar saudades.
ps: We'll be back.

Pedro.
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20 dezembro 2010

19 dezembro 2010

Domingo no parque #72

Última The Week, ótima invasão. Devo dizer que fui com um ânimo grande e conforme a noite foi passando fui desanimando. Tava estranho, tava disforme e vi coisas ruins acontecendo. Sinal de festa crescida.

Chateado com algumas coisas, bêbado e meio sem graça. Sem graça de mim mesmo, sem carisma nenhum. Mas faz se o que pode pra se divertir e com tanto tempo de casa eu acabo conseguindo, eu teria motivos pra não estar feliz, after all?

Bebidas a mais, danos de menos. Menos mal.

A noite se mostrou excelente, como tem sido desde que fui pro Rio e o fim tão bom quanto. Afinal, eu estava prestes a entrar, enfim, num dia de sol.

Pedro.
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18 dezembro 2010

do céu perder o azul

(Sábado, 19 de dezembro de 2010 - 05:22am)
I love you, blue.


Pedro.
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16 dezembro 2010

ponha tudo em seu lugar

Nunca pensei que ficar em casa fosse se tornar tarefa tão árdua. É oficial: sou indeciso. Não quero mais ficar aqui; quero minhas aulas, meus professores, meus trabalhos, meus novos amigos e bares.

Nada pessoal, afinal eu realmente estava com saudades de todos, mas estou me sentindo muito inútil de férias. Todo mundo trabalhando ou viajando, todo mundo querendo estar no meu lugar e eu querendo não parar.

Não quero parar. Não consigo.
Tô com uma necessidade de fazer coisas, ver gente, sair, conversar, saber o que há de novo, ouvir qualquer assunto... Não cabe em mim mais.

E chove e faz sol, fico descontrolado com essa cidade. Incrível como só São Paulo acompanha o ritmo social e meteorológico de gente inquieta, como eu.

É bom estar de volta.

Pedro.
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15 dezembro 2010

eu quero tudo o que há

para ler ouvindo: Três lados (Samuel Rosa/ Chico Amaral)


3 anos de blog.
Dizem que 3 é o que dá certo, não é? O mundo hoje vive de trilogias em livros, filmes, discos. Tudo vem em 3.

Mas esse terceiro ano não acaba aqui. Vou seguir com o blog que esse ano me deu tantas alegrias e me acompanha desde 2007 em dias e noites atravessados. Tudo tão íntimo e intransferível que só cabe aqui e só serve à minha lembrança e ao meu apego e de mais algumas pessoas interessadas que vez ou outra me lêem.
Obrigado pela companhia.

Esse ano (segundo o Google) foi o de maior acesso de todos. Mas agora eu não sei mais pois deletei a conta no Analytics por que isso não me importa muito. A curiosidade existe, mas é por especulação boba mesmo. Acabou contador.

Esse ano também foi o mais autoral. Todos os textos são meus. Alegria de contar mais comigo.

Porém, como sempre, tenho que agradecer a alguém, esse ano meus dois blogueiros Marlon e Gigi foram os que mais dialogaram comigo (pessoal e textualmente). Minha irmã e Paah pela leitura atenta. Thay, Igi, Amália, Vasco... Pessoal de sempre que me ajuda de várias outras formas (que repercutem aqui).

Foi ano de perdas e ganhos, talvez uma perda que vai repercutir pela vida afora, minha avó, falecida em fevereiro.
Ano de mudanças: de estado civil, de estado de habitar, de estado desoucupado para estudante novamente.

2010 esteve presente aqui em 2000 idéias. Ainda não parei pra passar o olho em tudo o que aconteceu, mas o sentimento que fica aqui é de um ano bom demais, com poucas más lembranças.

Uma dor inevitável aconteceu mas outros sofrimentos opcionais foram ignorados. Algumas escolhas, muitas alegrias e contando mais comigo, entendendo mais do meu espaço e consequentemente mais de mim.

Essa foi a história que eu contei aqui esse ano.

Pedro.
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13 dezembro 2010

12 dezembro 2010

ano que vem e mês que foi

alegria é a prova dos nove
e vezes nove é moeda corrente
eu nada te conto,
do quanto contente
da minha riqueza
do quanto ciente

e o amor
se faz nesse meio
se faz nesse tempo
certeza.

Pedro.
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10 dezembro 2010

on any given night

num sabado qualquer eu resolvi não querer não te ver. Fiz um plano daqueles de perder a amizade entre todos os meus amigos que entraram no meu plano sem saber meus motivos. Uma festa. Reunião numa tarde vazia onde poderíamos nos reunir pra você aparecer e eu não deixar de te ver. De não olhar mais pra cara da pessoa depois dessa. Mas era mais propício me vitimizar com isso também. A vitória certa, os louros nos cabelos e novas cartas nas mangas. Me perdoem por quererem me ver lhes mentir.

Pedro.
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09 dezembro 2010

tento fazer desse lugar o meu lugar

para ler ouvindo: O meu lugar (Zélia Duncan)


Parece que foi agora, eu acabei de chegar e fui ao centro comprar cabides. Seria impossível começar a me desorganizar na cidade sem ter algo organizado primeiro. Eu cheguei e tive uma semana pra arrumar tudo do zero, como quem tem uma vida nova, um recém nascido perdido.

Sendo eu a minha ordem, só eu saberia do que precisaria. E eu precisava de cabides. O meu armário, as minhas malas, a parede pintada, tudo precisava dessa ordem.

E depois de tudo arrumado sentei e fiquei esperando tudo começar pra mim e pros meus futuros amigos.

Agora eu estou aqui, com os cabides vazios. Feliz por que é hora de voltar pra casa ainda que tenha deixado um começo de futuro melhor aqui na faculdade pra algumas pessoas. Tenho me enturmado (finalmente) e agora deixo as pessoas se aproximarem. Nada mal pra quem chegou e não acho graça em nada.

Mas e meus cabides, o que fazer com eles?
Comprei todos uniformes, uns 40. Mesmo sem espaço pra 40 cabides na minha parte do armário. Mesmo que ultimamente só tenha usado esses cabides pras roupas que eu não uso.

Aprendi a saber do que eu preciso, isso foi uma lição a parte nesses 6 meses. Não dá pra manter as mesmas estruturas de casa fora de casa. Eu sou sozinho e assim como preciso de bem menos, só consigo manter a ordem em poucas coisas. Já decidi que metade do que está, volta. Mas pra saber disso, tem que aprender isso. 2011 = malas mais leves.

Foram muitos aprendizados e ainda serão outros. Os melhores 10 dias, os piores fins de semana, os amigos que me adivinham, o retorno escolar (e descobrir que uma vez Pedro, sempre Pedro), tá tudo aqui na mala, voltando pra casa e incorporado pra volta, pra vida.

Mas o que eu faço com esses cabides?

Pedro.
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08 dezembro 2010

o sonho na cama

Secretamente eu tenho amor por esse momento. A luz acaba e volta. A internet cai. Quem clareia aqui sou eu. E quem levanta são as idéias. E embora tudo volte em breve, eu já desconectei de lá e me liguei aqui, no momento pequeno, de temperatura quente.

Clima de anticlímax.
A vida parece novela fazendo tudo acabar assim, no ápice.

Vou fazer coisas. A lot more of my favorite things.
Próximos momentos serão de pequenos momentos de clímax frio.
Água gelada no vento do quintal. E começa a ventar mais frio, de fato. Está bom aqui fora.

Deve haver algo invisível e encantado entre eu, a água e o vento.
Especialmente água gelada e vento forte.

Pedro.
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07 dezembro 2010

se ao menos você soubesse

Um fim de semana em casa daqueles pra se guardar na memória como um dos melhores tempos. Mas preciso dizer que tudo tem sido tão rápido que até aproveitar os pequenos momentos tem sido em um ritmo acelerado.

Pra começar: essa viagem não estava programada. Não costumo passar fins de semana em casa. É caro, é dispendioso e muito cansativo sair sexta feira de noite, chegar sábado de manhã pra voltar domingo à noite. Porem dessa vez o convite pra vinda a São Paulo partiu da própria UFF, do professor de Teorias da Arte que nos levou numa 5ª feira de madrugada para uma ida a Bienal de Artes. Chegamos 6ª de manhã e o ônibus me deixou praticamente na porta de casa.

Foi o tempo de chegar, almoçar com pai e mãe em casa a tarde (e descobrir que eu realmente estava morrendo de saudades) e anoiteceu com a chegada de uma Gambiarra acelerada. De manhã dormi na minha cama (mais saudades!) e aproveitei os filhos – Elvis e Faisha.

De noite, um novo programa, casa da Tia Ruth pra um aniversário com pizza. Uma das melhores noites. Foi bom fazer tudo isso com quem a gente gosta. Queria fazer coisas com Paah e queria passar tempo com a minha irmã, pai e mãe. Consegui manter os dois perto e foi o que me fez gostar tanto do fim de semana. Depois vimos Harry Potter no IMAX.

Domingo foi a mesma coisa: os 3 indo juntos pro Outback, depois cinema, depois eu voltando sozinho pro Rio.
E aqui estou na espera de voltar pra tudo.

Pedro.
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06 dezembro 2010

05 dezembro 2010

Domingo no parque #71

para ler ouvindo: Gold Digger (Kanye West/ Ray Charles/ Renald Richard)


Parece uma faísca que se acende e vai queimando no caminho da Gambi e explode ao chegarmos na porta e encontrarmos todo mundo. Eu podia jurar um enorme desânimo para essa sexta no parque há uma hora antes de chegar. Paah também foi no mesmo (des)ânimo. Mas ao chegar, nenhum dos dois barris de pólvora se aguentaram e explodiram.

Foi um esquenta digno, bem feito. Cheguei no fim e acho que isso foi bom, do contrário teria passado mal. Em menos de meia hora foram 2 tequilas, uma cuba, um sant remy com jurupinga, uma jurupinga e um sant remy puros, mais uma vodca que surgiu e sumiu. Paah bebeu ainda pinga e mais tequila. Em mais algum tempo teríamos ficado na porta, bêbados, como um amigo nosso ficou. Mas fomos felizes pra dentro da festa gastar o nosso alto teor etílico.

Primeira Gambi sem Miro Rizzo. Estranho. Percebo uma grande falta. Gruli e Ana também não estão. Mas Taiguara e Talita sabem tocar tão bem... Talita Castro me vê na pista e acena contente. Taiguara toca as melhores canções. Percebo que Miro, de fato, tem uma presença muito marcante. Ele contagia sempre, mesmo quando não é minha música favorita, ele embala de tal forma que a gente dança. A Gambi estava não tão cheia quanto o normal. Ótimo pra dançar.

Sim, dançar e rever os amigos, dançar e me perder de Paah, dançar e me esquivar de um outro que apareceu. Moço, eu to acompanhado... Eu acho.

Fui encontrar Paah dormindo no sofá. Aproveitei e lá fiquei também. Reza a lenda que ele estava pra lá de pra lá. Achei engraçado. É bom ter Gambis etílicas e saber a hora delas acabarem. É bom fazer companhia pras pessoas quando elas precisam também.

A noite acabou no zero. Ainda bem, tudo o que eu não queria era gastar dinheiro. Queria gastar saudade e felicidade. Assim foi.

Pedro.
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04 dezembro 2010

cantar é vestir-se com a voz que se tem

para ler ouvindo: Cantar (Teresa Cristina)


No país das grandes cantoras, querer ser cantor é tarefa árdua. Sinto muita falta de bons intérpretes masculinos no Brasil, embora saiba que tivemos um passado excelente, o presente não é promissor e o futuro não aponta grandes surpresas.

Se formos pesquisar a época do rádio veremos muitos grandes intérpretes, os grandes cantores da época do rádio divulgaram o cancioneiro nacional e ensinaram (assim como as cantoras) um tipo de canto que não se ouve mais. Vozes limpas, seguras, fortes. Talvez também seja retrato de uma época onde o próprio homem se afirmava como uma figura mais segura, grave, precisa.

Basicamente se ouvia aulas de canto através do rádio. E a formação foi de alunos e alunas excelentes: Elis, Gal, Caetano, Milton e outros.

Após os anos 50 houve um declínio. Com a chegada da Bossa Nova e o canto cool de João Gilberto, alguma coisa mudou. Um grande nome permaneceu: Cauby. Porém ainda pudemos acompanhar alguns nomes fundamentais para o canto masculino do Brasil: Simonal e MPB-4 nos 60, Ney Matogrosso e Emílio Santiago nos 70.

Após o ostracismo de Simonal, Ney se firmou por muitos anos como o grande intérprete de MPB. Apesar de Caetano, Milton e Gil serem grandes vozes, apenas Ney se mantém como intérprete de canções e não como compositor.

Por sua grande expressividade, seu timbre único e sua postura ousada, Ney hoje tem um status elevado, uma grande liberdade e uma estrutura invejável. Por se manter na ativa e lançar projetos atuais, vê-se algum paralelo de Ney em Bethânia, ambos gigantes de disco e palco.

Ney é excelente, Emílio também (tive pouco contato com sua obra, mas seu último disco me dá segurança para tal afirmação). Pedro Mariano é um caso de amor de alguns e ódio de outros.

Mas aonde estão as grandes vozes masculinas do Brasil?

Além da falta de grandes intérpretes, quando surge um é aquele horror, aquela aberração que é o Rick Vallen que eu desconsidero. Desconsiderem também pra gente poder estipular um nível pra conversa. Nem Rick Vallen e nem Edson Cordeiro, por favor.

Atualmente mesmo os cantores-compositores me soam com voz de meninos colegiais. Um misto de voz doce, agradável, sutil, mas que às vezes não da a densidade que suas prórpias canções pedem. Meninos, acordem!

Edu Krieger, Marcelo Jeneci, Moreno Veloso, Kassin, Domenico, os meninos do Doces Cariocas, Rodrigo Maranhão, Thiago Petit. Precisamos de mais Amarantes, aquele vocalista do Móveis que é fantástico, o Lirinha do Cordel, Pedro Luís.

Parece que não se interpreta mais as canções. O último disco de Krieger é excelente por que ele parece liberar alguma emoção nele, como quem diz algo acreditando no que diz, sentindo. Marcelo Jeneci tem uma voz e demonstra quando quer também. Curumin acaba funcionando como um meio termo pra tudo isso.

Precisamos da segurança de um Lenine, um Arnaldo, um Brown, de um Tim Maia (peloamordedeus!) na hora de cantar. Ou fica essa coisa assustada, distante, garotos quase uma vítima de bullyng colegial. Não se ouve mais vibrato de homem. Saibam que em algum camarim do bar Brahma Cauby chora até ficar com dó de si sabendo disso.

Meninos, em fila! Hora de reouvir tudo de Orlando Silva pra começar, os clássicos de Francisco Alves e muito de Sílvio Caldas e Nelson Gonçalves pra se perceber com quantas cordas se faz uma garganta e quantas dores de amores são necessárias pra fazer o coração cantar. E com fé encontraremos um intérprete que fará voltar uma voz do Brasil sendo apenas a voz.

Pedro.
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03 dezembro 2010

um samba de adeus

Hittinng the road e descobrindo os acontecidos que não foram. As paixões que não nasceram e um futuro que não foi. Mas poderia ter sido. Se tudo fosse diferente, o começo fosse realmente o começo e não no meio, seria tão óbvio, que eu vejo com clareza de detalhes.

Ainda bem que foi tudo diferente. O melhor aconteceu e ninguém ficou triste. Até ficou, fica e pode ficar, mas por outros motivos. No outro caso seria apenas eu me sentindo só e com outro amor desfeito pela distância novamente.

Eu só.
Eu e meus inimigos.

Se o meio fosse começo.
O fim ainda seria o fim.
E estaríamos os 2 perdidos, sozinhos e juntos na chuva nos despedindo?

Pedro.
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02 dezembro 2010

beba comigo a gota de sangue final

Para ler ouvindo: Gota de sangue (Angela Rorô)


Ela está em um relacionamento sério
Nosso amor não se foi
Mas um outro nasceu

Ela está em um relacionamento sério
Nosso amor não se esquece
Mas outro veio e bateu

Ela está em um relacionamento sério
Mas esse ainda aparece
Esse nunca morreu

Ela está em um relacionamento sério
Que veio após o nosso
Nosso amor é um poço
Se ela pode
Eu posso



Pedro.
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01 dezembro 2010

dentro do raio o trovão

para ler ouvindo: Doce espera (Marina Lima)


Preciso dizer em muitas palavras
O bom que eu sinto quando me explicam algo
Coisas vagas de saudade
Outras precisas de datas
Preciso de um espaço pra sorrir
E ouvir a história doce
Pra sentir o mesmo de ontem

100 dm’s e mensagens pessoais
1 testimonial
Inúmeras falas
Mil provas de amor
Pro amor de longe
Off line

E você por fora
E você mais próximo
E você perdido
Do lado de dentro

No coração
Tem uma tempestade
Dentro de um copo d’água
Com o seu nome nele

Pedro.
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30 novembro 2010

something good


Agenda dos dias anteriores: trabalhos de faculdade.
Agenda dos dias futuros: mais trabalhos. 


Parece que o semestre que parecia tão próximo do fim resolveu se estender até onde pode e com isso me prender em Rio das Ostras por mais tempo. Apenas isso já seria motivo pra ficar chateado, mas tem mais que isso: desde que voltei de casa no começo de Novembro o sentimento de querer ficar em casa e não querer voltar. Daí emburro, fico triste, fico de gênio forte.

Mas por outro lado, esse fim de ano vem trazendo certa simpatia, como se fosse um prenúncio de um 2011 mais tranqüilo no que diz respeito a morar fora de casa e ter muita carência. Vou conhecendo mais pessoas, andando entre grupos que não são mais  os mesmos de sempre, gostando disso  e me arriscando a deixar as pessoas ficarem próximas.

Não tem outro jeito, se a gente não se deixa conhecer, vai viver e morrer sozinho. Eu to com uma resistência muito forte desde que cheguei de São Paulo: não participei do trote, não puxei assunto e ainda me esforcei um pouco pra desgostar mais do que gostar da minha turma. Isso mudou. Agora eu quero tudo. Quero tudo de novo: trote, conhecer, todos os bares, todas as festas e choppadas.

E o bom é saber que eu posso ter.

Pedro.
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29 novembro 2010

28 novembro 2010

nada é pior do que tudo

para ler ouvindo: Unprodigal daughter (Alanis Morissette)


Que hora feliz essa na madrugada de mexer e velhos cadernos de um fundo de estante, pensar em uma ou duas palavras de mote pra começar e quase engasgar com pensamentos. Fico estático aqui esperando o tráfego de idéias se resolver e eu poder começar. Posso seguir?

Claro que se há brainstorm é devido a uma leve ausência que sempre surge. Mas eis aqui um retalho fiel de nossa forma mais bonita: uma madrugada, papéis, pensamentos, lembranças, desejos, intuições, distância geográfica e proximidade de afeto. Afeto forte.

É como ouvir um disco favorito ou sonhar novamente o mesmo sonho bom.
Uma pilha de material (e imaterial) para o teu encontro. Por onde começamos?

Começamos do ponto onde eu desceria do meu mundo encantado onde eu habito com pássaros que arrumam minha cama e passo a pensar na tua parede de cimento cru e frio onde você está e quando sair será habitada por pessoas quentes e desabrigadas.

Acontece que eu nunca achei que você precisasse de socorro. Quando eu achei você também não precisava e talvez não precise agora.
Eu também não vivo nesse mundo, portanto, estamos quites.

A vida conforme ela é hoje se deu por esforços mútuos e alguns felizes acasos, confesso.

Quando finalmente apareceu o que eu precisava antes de eu desistir em todos os sentidos: no amor, na sorte, na vida. Minha mãe me passou segurança de que eu poderia estudar no Rio quando eu estava preparado para a possibilidade de não poder ir mais. Meu pai decidiu mudar a vida dele e conseqüentemente a nossa, e, por fim, um certo alguém cruzou o meu caminho e me mudou a direção.

Esforços, felizes coincidências e persistências de longo prazo me trouxeram pra cá hoje. Pude me mudar com o coração calmo. E calmo ele permanece. Resultado: me dedico, faço planos e é sempre bom voltar.

Há um encanto nisso, eu sei. Entre eventuais momentos de insegurança, saudade, solidão e alguma carência, há uma grande alegria escrita em negrito no subtexto.

(O melhor de tudo é uma menina daqui que tem uma voz parecida e uma risada IGUAL a sua! E é ótimo, por que ela sempre vive chapada, portanto ela vive dando risada!)

Quando eu terminei de ler as suas cartas, lembrei de todas as vezes que me senti no limbo. Uma noite em especial : choppada no velódromo da USP. A vida estava tão perdida que só uma noite mais perdida ainda pra me situar de que nada é pior do que tudo.

Nada - é como a gente se sente quando sai do colégio, do cursinho com todo mundo se encaminhando e a gente se sente perdido.
Tudo - é o que acontece até a gente se achar. E que vai continuar acontecendo – em alguns tempos mais em outros menos.

Te empresto o ditado que minha mãe me disse entre o tudo e o nada, pra usar em momentos como esse: “cada coisa demora o tempo de ficar pronta”. E pense que em tempo você estará pronta. Assim como o mundo que você espera. Assim como as casas que você constrói.

Outra coisa importante que eu poderia buscar em outro texto mas preciso te dizer nesse e você precisa acreditar é que metas e objetivos são parte da vida mas não são a vida. O tempo de hoje ainda é a meta. Ele é o tudo.

Te vendo distante hoje em dia. Nos vemos pouco. Mas o que você me escreveu foi bom pra saber que nossa distância é tempo pra percorrer caminhos de volta e nos encontrar de novo.
me pergunto se uma fuga aparecesse na sua frente, você usaria mesmo?

Te deixaria feliz saber o que vai acontecer?
Te deixa infeliz o que está acontecendo?
Ser uma das meninas?
Ter tudo certinho, prescrito e carimbado?
É isso mesmo?

Não, essa não é uma carta de resposta. É uma carta-resposta que me deixou (e vai te deixar) com mais perguntas, se perguntas você quiser. Por que eu acho que você precisa delas. Eu acho que você precisa de tudo pra se encontrar diversas vezes e se desencontrar e se encontrar e...

Thay, você é o carvão que a gente bota na pressão e não vira diamante.
A gente tem que aprender que seu lance é a brasa.

Até breve, até sempre.

Pedro.
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27 novembro 2010

uma festa imodesta como essa

E eis que chega a hora tão esperada! Após tanto aguardo, a festa dos calouros de Produção Cultural saiu do papel e aconteceu ontem a noite. Quem tava lá na praia viu e quem não viu jamais verá.

O tema da festa era PROCULT no País das Maravilhas e eu adorei a idéia. Acostumado com festas temáticas Gambiarra e cansado da pasmaceira das choppadas tradicionais (sempre as mesmas pessoas, o mesmo carão, meninos de pólo e jeans, meninas de vestido e salto, gente bonita e clima de paquera), achei que fosse algo pra interagir e tive a idéia, junto dos amigos de fazer um hapenning. Se todos fossem caracterizados, passariamos despercebidos, se ninguém fosse, seria bom pra abalar as estruturas e fim.

Optei pela caracterização de índio pós moderno. Algo como "aula  de antropologia meets aula de teorias da arte pós moderna em época de guerra no morro do Alemão", assim, tudo junto. Então teve pintura facial de guerra com cores do pós modernismo e um funk na camiseta pra agregar um ambiente festivo à coisa toda. Afinal, a missão era de paz. A idéia era (é) sempre quebrar as estruturas, derrubas as prateleiras, dizer sim ao sim.

Chegando na festa, a não surpresa de todos conforme manda o figurino tradicional. Mas até eu perceber isso, já estava em clima de festival e a festa rolou num ótimo clima. Teve seus momentos bons e seus ápices. No downers.

Eu também estava querendo essa festa para fazer fim de temporada, de modo que pudesse anunciar nesse fim o que vem depois. E o que vem depois, ok, eu também não sei. Mas se depender da antecipação de agora será uma sequência muito mais feliz.


(fotos em breve)


Pedro.
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26 novembro 2010

sua ação é válida

Para ler ouvindo: Escapulário (música: Caetano Veloso sobre poema de Oswald de Andrade)


Futuro:
O futuro é o intervalo de tempo que se inicia após o presente e não tem um fim definido. Referente a algo que irá acontecer. O futuro é o estado utilizado na mecânica clássica para dizer algo que está por vir. Que ainda não aconteceu (mas vai).

Whether it's less than a millisecond away or a billion years, its arrival is considered inevitable due to the existence of time and the laws of physics.

Fui a uma aula de Teorias da cultura 2, de um semestre mais avançado que o meu. Tive permissão da professora Dinah com quem tive muito contato na viagem a Ouro Preto. E entre todos os assuntos da aula sobre aldeias indígenas, tantas informações sobre a cultura, a identidade e suas propriedades, um detalhe que iria passar despercebido por toda sala me gritou mais alto do que todas as diferenças entre nós e os índios. Os civilizados e os primitivos. E eu parei a aula pra saber.

Segundo a professora contou sobre o seu convívio na aldeia de Quissamã, os índios não fazem projeção do futuro. Não se especula, não se questiona o que vai acontecer amanhã, daqui a pouco, ano que vem. Não há ano que vem. Existe aqui e existe agora. Quando um índio começa a pensar sobre o que vem pela frente, ou se o sol nascerá amanhã, se haverá lua a noite, ele é considerado doente.

Não há destino. O sentido da vida e a direção do tempo são guiados pelo “momento agora”.

Eu não consigo voltar pra casa, andar pela rua sem projetar o que fazer quando chegar ao meu destino. E acho que não sou só eu.

Pedro.
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25 novembro 2010

insônia, my dear

para ler ouvindo: Insônia (Rita Lee)


Insônia é a minha maior inimiga da vida. A princípio só consigo dormir quando o sono virou uma pedra que atinge minha cabeça, mas nesses tempo de faculdade não posso mais contar só com isso. Tenho que dormir num horário bom pra acordar bem pra assistir aula. Mas quem disse que o sono vem?

Nunca gostei de dormir. Só nos casos quando tenho muito sono e dormir parece uma coisa boa, mas mesmo assim não é, por que eu também detesto sentir sono.
Porém dormir é o problema maior: ficar meio morto/meio vivo, respirando mas sem responder ao que acontece ao meu redor, liberando um subconsciente que eu desconheço completamente. Todas essas coisas não fazem do sono o meu momento favorito do dia. Tem gente que não gosta de sentir fome e ter que comer, outros não gostam de sentir sede e beber, eu não gosto de sentir sono e dormir.

Antes da briga com o sono, vem a minha predileção pela noite. E não é apenas gostar, eu funciono melhor de noite. Deve ter um estudo (update: tem sim) que diga sobre pessoas que tem maior disposição para a noite. É o horário que eu faço tudo e quero tudo: comer, rezar, amar, tocar violão, fazer compras.

Sinto inveja dos diurnos, confesso, pois amo o dia. Mas eu sou da noite.

Se durmo de noite, acordo de madrugada. Se durmo de madrugada, durmo no horário de aula. Não tem ritmo. O desgosto pelo sono aliado à minha preferência pela noite, aliado a uma insônia recente que me faz dormir por 4h no máximo (em qualquer horário) confunde todo meu sistema. Não tem jogo com sono.

Dormir nas viagens SP-RJ se tornou uma necessidade, do contrário eu demoro até dois dias pra me recuperar do cansaço. A estrada é muito desgastante e sem dormir ela parece prolongar o dobro de horas.

Para as viagens eu tenho usado Dramin que me capota naquela cadeira desconfortável por algumas horas até o fim da viagem. Tentei usar em casa pra ver se adiantava. Funcionou nos dois primeiros dias e eu dormi feito um anjo. No terceiro dia acordei no meio da noite e o sono não voltava. No quarto dia tomei 2 comprimidos pra fazer o efeito dos primeiros dias. Daí parei de usar por que se isso me vicia eu me fodo bonito de verde e amarelo.

Desisto do sono de hoje (embora ele seja importante para daqui a pouco) enquanto escrevo pra ver se o sono vem. Sei que ele não vem, são 21 anos que ele não vem. Mas eu torço mesmo assim. Se ele não voltar, vou desistir e ir pro mar, depois pra aula, depois pro almoço e pros meus trabalhos. Em algum momento inoportuno e calmo, ele me procura e me encontra mais facilmente do que eu o encontro agora.

Pedro.
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24 novembro 2010

noturno IV


Aquela única janela acesa
No casario
Sou eu

Aquele balão fantasticamente familiar
Subindo
É a lua

Aquele grito súbito de mulher assassinada
É o rádio

Que mais
Para o amor?

Palavras? Só as escritas,
Bastam as palavras escritas para um poema,
Sua música toda interior...

Quando muito uns pianíssimos sutis...
Ah,

Tão sutis.

Poema de Mário Quintana
Foto: Pedro e Progresso

Pedro.
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23 novembro 2010

cada gesto e cada segundo

para ler ouvindo: $Cara (Marina Lima)


"Contemplativos na Ação"

Eu carreguei até hoje esse bracelete que me escolheu num retiro espiritual, o meu último, quando eu já não era mais um participante, era monitor e organizador.

Mesmo assim, recebi um com esses dizeres que me traduzem por completo - mas só existe na idéia. Até hoje tenho paixão por essas palavras: contemplação e ação.

Além de ser uma espécie de guia, era uma lembrança disfarçada daquela época de colégio. Eu já critiquei alguns amigos meus por terem um apego muito forte ao colégio São Luis, por não conseguirem se desvencilhar daquele mundo que parece tão completo. Mas minha lembrança secreta eu carregava todos os dias, sempre junto, sempre presente.

Mas meu saudosismo tem uma diferença: é algo que se liga a mim e a um passado que constantemente me lembra que eu preciso ir além, preciso ser uma pessoa melhor. Embora nessa passagem haja pessoas fundamentais para que eu vivesse e aprendesse muita coisa, ainda é meu. Mesmo assim não deixo a possibilidade de minha crítica em muitos momentos ser dirigida a mim mesmo em segredo se dirigindo a outras pessoas.

Às vezes aquele pedaço de cordão firme me lembrava que nem só de contemplação se vive, que era hora de ligar o modo de ação, o momento de dizer "sim" e saltar do trapézio - sem rede por baixo. E funcionava.

É um passado e um aprendizado que eu tive que passar e muitas vezes tenho que lembrar pra viver o hoje, pra deixar tudo e ir pra Ouro Preto, sentir saudade e dizer pra minha mãe, driblar a vergonha e oferecer ajuda.

Sinto alívio em saber que eu ainda não sou nada, que estou em formação e entre contemplação e ação eu vou fazendo a trilha de um caminho meu.
Único e meu.

Pedro.
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22 novembro 2010

21 novembro 2010

calma, tudo está em calma


Hoje eu acordei de sonhos tranquilos. Domingo de calmaria após um
sábado de tormenta. Mas a gente só entende que está em paz quando
descobre que estava com o caos por dentro.

Desde antes de sábado que o coração batia mais e mais forte e a
bagunça geral dos sentimentos vinha de dentro, sem culpa de ninguém de
fora. Se rolasse uma mea culpa talvez aceitasse, pois eu sinalizo
quando preciso de atenção. Mas não foi o caso. Desde sexta a demanda
de atenção não suprida virou um sentimento de abandono.

Mas hoje isso mudou. Ou não.

Hoje pode ter mudado por que eu realmente tive bons momentos de manhã
e me senti bem com isso. Mas também pode ter sido o fato da minha
predisposição de acordar mais doce e contar só comigo. Seja o que for
(pode ter sido as duas coisas também), funcionou.

Acordei com o dia de chuva e se fosse de sol também seria o bom. Menos
cansado e menos sozinho.

And what it all comes down to,
my dear friends?
Is that everything's gonna be fine, fine, fine
Cause I got one hand in my pocket
and the other one is giving a peace sign




Pedro.
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20 novembro 2010

preciso urgentemente encontrar um amigo

Para ler ouvindo: Preciso urgentemente encontrar um amigo (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)


WANTED: 
ANYONE WITH A SENSE OF FUN, FREEDOM AND ADVENTURE!

Ando tão aflito.
Tão sozinho.

Rio das Ostras não me traz muitas companhias e apesar de gostar da cidade, cada vez mais sinto falta de casa.

Passo tardes conversando com Renan, brasileiro fazendo intercâmbio em Buenos Aires que me entende um tanto. Também com Pedro, um carioca apaixonado pela minha playlist. E, claro, Paulo em São Paulo que entende mais minha falta do que eu mesmo.

Passo noites dramatizando. Não me ligam, não me procuram, não tolero. Quero ser o próximo corpo a ser encontrado na beira do mar para causar culpa a todos que parecem me esquecer. Adoro drama.

Vou a faculdade. Sentei no bar mais tradicional por 4 vezes ao todo esse semestre. Tento fazer desse lugar o meu lugar. Se alguém aparecessee mudasse o panorama. Não pertenço a grupo nenhum: o grupinho das drogas, das meninas, dos meninos, do futebol, dos populares, das bius, dos caretas, dos rockstars, das piriguetes, dos fanfas, dos nerds, dos ausentes. Sou meio outsider, meio Marina Lima. Pra variar.

Tenho mais intimidade e amizade com Marcelo e Rick que são meus vizinhos do que com Wayson e Flávio que moram comigo. Parece que estamos trocados e os meus vizinhos moram comigo.

Nessa época em que os trabalhos vão acabando e o ritmo que já era fraco diminui violentamente, eu passo muito tempo aflito e sozinho, além de não ter nada pra fazer, também não tenho companhia.

Eu queria alguém. Queria um amigo (a),sei lá (mentira, sei sim), que fosse meio compatível comigo e morasse perto e a gente pudesse jogar banco imobiliário. Coisas bestas mas que fazem a diferença. Uma pessoa que não enjoasse passar os dias, com bom humor e que não fosse enrolada e nem competitiva (basta eu). Nem vou pedir os adicionais: gosto musical, literário e artístico em geral por que, oi, é pedir demais (se não for, já está feito o pedido). Mas queria alguém inteligente que eu possa dormir na casa da pessoa. Que seja confiável, me explique coisas, me ajude nos trabalhos e me acompanhe no bar de sexta e acorde cedo no sábado pra irmos a praia.

A essa altura Papai Noel já sacou que essa cartinha é pra ele, não é?


Pedro.
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19 novembro 2010

o estrangeiro

curioso pra daná
solto no mundo de fora
todo todo
o mundo é mito
e eu da falsa maçã
pêra de vermelho
te imito
lá vai
lá vou eu de Sampa


minha ordem é samba
noutro terreiro
no meu túmulo
agitado,
porém verdadeiro
de quem nem sabe
de quem nasce lá na Vila
de outeiro
de tempero
lá vai
lá vou eu de Sampa

eu vou primeiro
somente Sampa
e nada mais.


Pedro.
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18 novembro 2010

vou acabar ficando nu para chamar sua atenção

Para ler ouvindo: Intimidade (sou seu) (Adriana Calcanhotto/ Péricles Cavalcanti)


ele te ama. mas quer te complicar. te quer tanto que te afastou. te afasta. sabe disso. sente. ele te quer no tempo da delicadeza, porém firme, desbravante - se é que isso existe. rindo junto. ele te quer dentro. sente palpitar o coração e a vida em algumas horas do dia. se sente só. ele sente o mundo e ponto. se esquece. se acha feio. segura as pontas. ele te quer complemento completo. ele sente falta e tesão seguido um do outro. assim chora e ama pra sorrir sem motivo depois. ele te quer. te quer rotina e agenda. moto-contínuo. ele vê tudo e encara. e aí ele cisma de voltar. tem ciúme e mostra o repertório. ele é filho de iansã e percebe gestos subconscientes. ele é a casa do raio e do vento. inventa significados pra tudo. ri dos seus. admira o que você soube significar. ele respeita. ele é leve e pode partir. mas ficar é o melhor que há. ele te precisa. quer ser visto a qualquer custo. vai acabar ficando nu para chamar tua atenção.

toda gente acha graça.
ele adora

Pedro.
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17 novembro 2010

mas tudo gira, ai de mim



Hoje é um dia como todos
de todos
e eu o sigo a risca como um só
mesmo sendo só dia
como os outros todos

Hoje é um dia entre dias
é dia de todos
e todos são um
os outros todos
e mais alguns

Hoje é dia
mas vai ser noite
noite é dia
todos são nenhum
e vem pra passar e chegar
um outro dia
comum a todos
entre dias
mais um

Hoje a noite
me aguarda o dia
que não aguarda nenhum
depois de outra noite
do outro dia
esse dia vem
comum a todos
e mais alguns
entre dias

Pedro.
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16 novembro 2010

Domingo no parque #70

"Eu achei que sentir era só deixar o barco correr"
Nesse domingo, o parque teve tudo o que precisava: um grande esquenta, uma grande turma, um grande evento, uma grande dança, um grande encontro, um grande drama e uma grande fuga.

Um por vez.

O esquenta pós show da Norah Jones foi feito com doses e mais doses de Bacardi e aproximação com novos elementos da comunidade que eu quero conhecer.

A grande turma se reuniu nesse esquenta para começar o grande evento que é a Gambi de aniversário de Renan e Lari.

A grande dança começou com pista cheia na The Week mais bem decorada de todas. A luz e a decoração foram as mais bonitas de todas as vezes. Foi nessa pista que se deu o grande encontro com Maria Eleonora. Voltando de Buenos Aires, foi ela que mudou o curso de todo um relacionamento ano passado da maneira mais inesperada e desde então descobri que ela é minha vizinha e uma grande amiga.

Uma grande amiga pede uma grande tequiila e uma aniversariante pede mais uma. Enquanto o grau etílico se prepara para uma grande rivalidade que pede um grande drama. No estilo provocação, não sei o que me deu por que não faço isso, mas me deu e eu fiz. Nem vem ao caso dizer mas depois disso ficou meio pesado pra mim por que não gosto de destratar as pessoas.

Nesse meio tempo "Precious ilusions" começou a tocar na minha cabeça e eu percebo que a música foi feita pra mim e eu me lembro que foi nessa época que vovó começou a ficar mais tempo internada no ano passado. Tudo vindo em horário inapropriado, mas veio. Uma grande vulnerabilidade chegou e eu fugi pra ficar só, chorar só e me concentrar um pouco.

Depois dormi e acho que isso também foi parte da grande fuga para poder chegar ao tradicional café da manhã e fazer minha bulimia de buffet.

Pra resumir: mais uma grande noite.

Pedro.
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15 novembro 2010

14 novembro 2010

in my solitude

Um domingo em dois parques.
Primeiro veio o anúncio do show de Norah Jones de graça no Parque da Independência, depois a idéia de um segundo Pic Bitch por lá (o primeiro foi ano passado no Ibirapuera).

Normalmente acabo perguntando "quem deu essa idéia" quando tenho que acordar cedo no domingo pra esperar o pessoal atrasado - e hoje não foi diferente. Mas ok, deixando o mal humor de lado com um pastel de feira, foi bom. Chegamos cedo, encontramos um lugar nas colinas e nossas brincadeiras viraram atração principal, enquanto Norah Jones foi a música de fundo e combinou com o ambiente todo.

A música de Norah Jones é meio termo e não há problema nenhum dela ser assim. Não dança mas não senta. É música pra parques, para momentos pequenos, sublimes, íntimos. Ela mesma sendo uma menina muito simples, singela, passa isso com a maior facilidade pela imagem e pelo tom de voz, sempre doce. Porém é interessante perceber que ela fugiu do esquema "tema de filme romântico" e se aventurou pelo blues e pelo folk. Uma agradável surpresa os timbres que passaram por 1h20 de show.

Como todo evento gratuito havia muitas falhas (não poder entrar com guarda chuva, oi?), mas nada que comprometesse nossa alegria ao brincar de papel na testa e dividir novidades.

No meio disso tudo, tinha eu sozinho. Com meus amigos, mas sem quem eu queria ali. Dessa vez usando experiência de causa, resolvi entender. Segurei as pontas e foi melhor assim. Fiquei de bem comigo, respirando com menos uma possibilidade de problema. E assim como as nuvens saíram do parque no meio do show, também saíram de mim.


E o sol chegou.
E a tristeza acabou.

Pedro.
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