30 novembro 2009

29 novembro 2009

na estrada

Mais um ano que eu presto vestibular pro Rio, na Federal Fluminense pra Produção Cultural que é o que eu mais quero.

Todo mundo sabe o quão enfadonha é a vida de um vestibulando. E no final, quando parece se movimentar um pouquinho mais, é leso engano, fica mais apreensiva, solitária e neurótica.

Ao invés de prestar vestibular para milhares de faculdades como eu fiz ano passado (e ter sido aprovado em todos e não ter escolhido nenhum no fim das contas - bye bye PUC e Mack), esse ano resolvi não me maltratar com aquelas intermináveis horas em sala de aula, aquela pasmaceira, ansiedade, aquela agonia que cada prova tem.

Escolhi a UFF e foquei nisso. Já pensando na possibilidade de dar errado pensei em depois escolher uma facul em Sampa mesmo. Tipo FMU ou Anhembi, ou até mesmo Mack no meio do ano.

Esse ano foi diferente. Não tirei o ano pra estudar, foi um ano de trampo e de festa - o que para mim não gera nenhum desconforto dizer, pelo contrário, ter me dado tempo só fez minhas certezas se reforçarem.

Prestei pra UFF (escrevo do ônibus de viagem que me levou até Taubaté pra fazer a prova) e fui melhor que o ano passado. Bom sinal?

Então entre bons e maus momentos da mini viagens, saíram coisas engraçadas, depois passo e conto por aqui.

Pedro.
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24 novembro 2009

domingo no parque #40

Parece que foi ontem, mas já são 101 edições de Gambi. Das quais eu participei de muitas. Na verdade, fiz uma média e devo ter faltado em 38 edições. Mas o que importa são as 72 presentes.

Essa não foi diferente. Depois de perder a centésima edição, ainda é possível subir no palquinho (mesmo com a pista vazia - descobri que o palquinho é um estado de espírito) e receber uma canção exclusivamente do dj-entidade e do seu fiel escudeiro.

Ainda consigo conhecer mais gente e ver como a produção é talentosa. O show particular de break do Vagner, por exemplo, não é algo que se esqueça tão cedo.

O set do "dj convidado" Chico Ribas pra hora do Foda-se, inventou um novo sentido para a palavra bagaceiro.

Foi uma boa noite. Acabei partindo com o próprio Chico às 04 da manhã (apesar de estar divertido). Ele me deixou em casa por que o sono falava muito mais alto.

Foi esse o domingo. Melhor que o anterior, certamente.
Essência de volta, quem curte?

Pedro.
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23 novembro 2009

22 novembro 2009

João resolveu não brigar

Atibaia, madrugada de sexta pra sábado.

00:02am - toca o celular.
Eu não atendo

00:03am - toca o celular.
Eu atendo.

Do outro lado:

M#
- Oi, tudo bem? Não diz nada! Não to ouvindo putz putz. Jura que você não foi?

P#
- Eu quero te matar. E quero me matar por ter te ouvido. Eu tô aqui, sozinho, largado e bêbado, "all by myself", quando podia estar me divertindo.

M#
- Sozinho você não está mais.

-------------------------------- 01:56am

P#
- É esse o tipo de atenção que você tava falando?

M#
- É. Vai dispensar? Diz que não gostou vai... Só pra gente continuar masoquista e do contra.

P#
- Bem... Não é que eu não gostei. É que eu não preciso, sabe?

M#
- Boa! Eu gosto quando você se supera.

(risos dos dois lados do telefone)

-------------------------------- 02:24am

M#
- Você não vai mudar esse cd? Essa mulher vai ficar rouca. Aliás, seria um favor se ela ficasse muda.

P#
- Are you trippin'?

M#
- Mas é o mesmo disco desde aquela hora.

P#
- Você está prestando atenção no que eu digo ou na música?

M#
- Na verdade estou tentando ignorar os dois.

P#
- Ok, um a zero.

-------------------------------- 03:19am

M#
- E se eu te disser que estou chegando perto de onde você está?

P#
- E se eu te disser que eu tenho uma arma?

M#
- Venceu.

-------------------------------- 03:46am

M#
- Pra quem não precisa desse tipo de atenção, até que você está a bastante tempo no telefone.

P#
- Pra quem está tentando ignorar o que eu digo, até que você está dialogando bem comigo.

M#
- Empate?

P#
- Por enquanto.

-------------------------------- 04:09am

P#
- Se eu estivesse sentindo cócegas eu estaria rindo. Essa técnica não tá funcionando...

M#
- Nunca falhou.

P#
- Pra tudo tem sua primeira vez.

M#
- Mas fazer cócegas por telefone é minha especialidade.

P#
- Eu joguei no Google e você quis dizer "era".

M#
- Ponto, mas tudo bem. Essa agilidade é só por que não foi na festinha hoje. E se não foi, sinal que quem ganhou fui eu.

P#
- Depois dessa eu vou até dormir, sabe?

-------------------------------- 04:34am

P#
- Gotta go. Mas foi bom saber como seria.

M#
- Pode ser melhor.

P#
- Quando os ponteiros se acertarem pode ser.

(...)

Pedro.
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21 novembro 2009

domingo no parque #39

Domingo no parque #39
para ler ouvindo: Sudenly Monday

É igual e no entanto nunca se repete.
Antes de mais nada - 100ª Gambi foi comemorada na The Week e eu não fui. Coisas da vida. Estou ao vivo aqui num lugar distante enquanto aquilo tudo de novo se repete, sempre diferente.

Pra começar, é sempre tranquilo pensar que eu vou ficar bem distante da Gambi, mas sempre tropeço na ansiedade e na vontade MONSTRA de estar junto dos meus. Dessa vez foi a mesma coisa, só que hoje eu não pude ir mesmo pois a distância é a maior. Daí que faço mil promessas de nunca mais abandonar minha festa. But this time is 4 real.


This is 4 real, 4 real, 4 real...
Oprah Winfrey whole segment - 4 real
20/20 Barbara Walters - 4 real
Marcia Goldsmitch - 4 real.


Então, mais uma vez eu sobro acordado pensando pela centésima vez no casal Gruli de regata e Anna de vestido, nos BFF's, nos viciados, nos gambioníricos, na produção toda em festa, nas 4:30 que o Ti vem pra pista, nas performances, na energia, nos aniversariantes, no Foda-se. Tudo que me faz perder a vontade de estar em qualquer lugar do mundo pra estar ali.

Afinal, por que não ter ido?
Seria absurdo dizer vontade própria, mas a verdade é que foi uma escolha conjunta acompanhada da conversa teatral-amorosa-profissional de alguns dias atrás.
Um teste, um desafio, uma aposta?
Nada disso, só uma conversa mesmo. "De soberano para soberano.

Estar com a Gigi na nossa festa agora faria sentido, qualquer coisa menor que isso, não faz. Ouvir pela 3ª vez seguida E=MC² - cantando "Cruise Control" não tem graça. Só é um sinal que eu esqueci meu Memoirs em casa (Hanz, this one's for you dahlin', love ya).

Foi ruim ter escolhido perder uma edição mega especial? Sim.
Mas levando em consideração que todas são especiais pra mim, dá uma certa felicidade saber que ainda vai estar lá! Tira o tom de "estou perdendo" e tira a aparência de que aqui está chato.
Na verdade aqui está bem legal. Aqui mesmo, nas bandas de cá, eu posso desejar uma ótima festa aos que estão lá - without regrets.

Pedro.
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20 novembro 2009

pras bandas de lá

para ler ouvindo: Pras bandas de lá

vou pra Atibaia.
tô levando nada além de um violão, cifras e a roupa que eu estou.
a cabeça cheia de idéias eu tô deixando.

o nosso encontro de quarta feira tá comigo, toda aquela conversa também.
você pediu como ela pediria:

Me diz onde é esse universo paralelo - o qual pertencemos - que eu te sequestro e começamos o mundo de lá.


um dia te mostro.

Pedro.
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19 novembro 2009

não olhe pra trás

fui pra festa do passado recente.
naquele mesmo lugar onde tudo começou. aonde eu conheço tudo e vivi tantos carnavais e tantos domingos.

ali mesmo eu te encontrei, afinal, um insight me dizia que era na cabine da pista 2 que você estaria, enquanto o Trovão bebia no bar. retrato do passado que se preze tem todos os tons e cada coisa em seu lugar.

dito e feito. não faltou nada. canções, abraços, champagne, whisky, energético, o perfume, "Miami, bitch" e até o ciúme.

no entanto, certas coisas que não existem mais no futuro, nem uma boa memória pode reconstruir. ainda bem.

dessa maneira cheguei em casa são e salvo.

Pedro.
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18 novembro 2009

a reminder of your history

Vinte anos é um grande tempo.
Modela qualquer imagem.
Se uma figura vai murchando,
outra, sorrindo, se propõe.

Esses estranhos assentados,
meus parentes? Não acredito.
São visitas se divertindo
numa sala que se abre pouco.



- Retrato de Família
Carlos Drummond de Andrade

Pedro.
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17 novembro 2009

domingo no parque #38

Não sei se foi o sono, o peso das 99 edições de Gambi, a ausência de gente que faz a diferença no domingo, a trilha sonora... O que quer que tenha sido acabou com meu domingo. Não consegui curtir muito. Fui salvo pelo Ró e pelo Fê no começo da festa. Depois curti uma pista 2 vazia com Taiguara e Fábio Ock, a pista 1 com Cidy, Lari e Luiz.

No fim das contas fui embora 04:30 da manhã com o Chico sem muita história pra contar.

Como não queria ir pra casa muito cedo fiquei no Estadão até ser hora de ir embora.

Um domingo com outros parques.

Pedro.
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16 novembro 2009

13 novembro 2009

something's missing

para ler ouvindo: No one there

Aqui, discretamente na casa, digo a vocês que hoje nós fomos ao teatro. Mas tão diferente do que foi antes. Fomos outros.

As pessoas são outras, os verbos, a nossa atenção.

Parece todo mundo tão secreto consigo, como quem se guarda da exposição pra uma antiga intimidade.

A peça chama-se "O livro dos monstros guardados" e é bonita, apesar poder se encurtar para o texto que tem.
Mas o título é digno de música.



Pedro.
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12 novembro 2009

pajarillo libre

para ler ouvindo: O seu amor

Aqui em casa ou por lá na segunda casa, os dias tem sido de agito de manhã e de sono forte de noite. A ponto de pedir pra ir pra cama. Quem diria.

Hoje eu acordei cedo querendo fazer algo. Pesquisa aqui, pesquisa ali... Fui dar continuidade ao cinema que vinha assistindo desde segunda. Escolhi uma sala do Marabá para assistir "Fame" com o Taiguara. Passamos a tarde inteira discutindo Gambi, planos futuros, problemas, soluções e algumas acusações injustas.

Falando em Taiguara, desde o dia que ele veio almoçar aqui em casa e nós conversamos sobre o que está acontecendo na vida dele, comecei a perceber uma verdade nele que não tinha visto até então. Coisa que tentavam me explicar e eu não captava. Também não vou conseguir destrinchar aqui, nem vem ao caso.

Voltando... Fomos na lavenderia e de lá pro Soroko tomar sorvete de rosas. Um barato. Nossa sessão de Fame começava às 20h, foi o tempo de pegar a pipoca grande e sem manteiga, a coca cola de 1 litro pra cada um e ainda comentar o público da sala pequena.

O filme é bacana, mostra o "efeito Beyonce" no cinema misturado com "High School Musical" e muito da Fever, a balada de sexta do Caravaggio. O romance é dispensável e raso, mas como tem sido todos os romances da estação (com exceção dos complexos)? Nada mais normal do que retratar a realidade na telona.

Tem sido legal ter a companhia dele ainda mais nessa época de nada pra fazer com véspera de tudo: fim de ano, vestibular, natal, compras, escolhas. Dar uma pausa e decidir um cinema de segunda feira é o que eu sempre quis.



Pedro.
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11 novembro 2009

represente presentemente muito pra mim

para ler ouvindo: Cinema novo

Depois de um domingo sem parque, resolvi aproveitar a segunda feira fazendo algo produtivo e aproveitando o contrafluxo. Por sorte, nessa segunda feira aconteceu a 10ª edição do Projeta Brasil do Cinemark, onde os filmes nacionais lançados durante o ano são exibidos por 2 reais em todos os cinemas da rede Cinemark.

Desde 2004 eu me ligava nesse projeto e sempre escolhia um filme pra ver. Mas em 2006, quando eu já estudava a noite, minha amiga Yasmin deu a idéia de fazermos uma maratona de filmes. E desde então eu passei a fazer uma programação com os filmes que eu quero assistir.

As escolhas são simples: o cinema tem que ser próximo ou perto de um metrô e tem que ter os filmes que eu quero assistir em horários variados.
Nesse caso, a escolha mais esperta foi fazer a maratona no Tatuapé, pois na saída do metrô há um shopping em cada extremidade. De um lado o Bourbon Tatuapé e de outro o Metrô Tatuapé. Os dois com Cinemark e com uma grade de horários diferentes que fez com que ficasse mais flexível os horários.

Os filmes que eu escolhi foram: Romance, Se eu fosse você 2, A mulher invisível, Verônica e Jean Charles.

Fiquei feliz com a escolha, mais feliz com o andamento do cinema nacional. Por que produzir é importante, mas a qualidade é fundamental. Hoje corre-se pouco o risco de pegar um filme nacional "daqueles". Sabe? Filme sem pé nem cabeça, sem eira nem beira, sem sentido e com personagens tentando se passar por gente comum mas que a gente sabe que não são. O último que saiu assim (que eu tenha assistido), foi "Avassaladoras". Mas mesmo ele tem sua graça.


"Romance" é ótimo, leve. Tem falas poéticas à la Thaiane Caroline. Gostei de ver gente de teatro na tela, do humor do Vladimir e da reviravolta com o personagem do Wagner Moura.


"Se eu fosse você dois" é televisivo, global à beça, clean, previsível, instantâneo... E engraçado.


"A mulher invisível" é Clube da Luta+Mulheres perfeitas. Mas também não escapa de ser engraçado. Especialmente pelo feiche da Piovani, o papel perfeito pra ela.


"Verônica" entramos na sessão de filmes sérios. Esse encontro de Central do Brasil+Código para o inferno (aquele com o Bruce Willis protegendo o menino autista) é ótimo. Depois de assitir mandei sms pro Tyrone carioca pra dizer da palpitação que senti ao assistir a história da professora que protege um menino jurado de morte por narcotraficantes do Rio de Janeiro.
Filme pra atriz (uma das minhas favoritas), Andréa Beltrão não deixa faltar nada ao personagem.


De todos esses "Jean Charles" foi o que mais pesou. O filme se passa todo como se passa uma vida comum. Acertos ali, erros aqui, andanças, união, vida fora de casa e de repente... Acabou. Poderia ser qualquer outro protagonista, mas foi ele. Sem querer.
Muito forte, bem prodizido e com Selton Mello implacável.

Queria ainda ter assistido "À deriva" e "Simonal - Ninguém sabe o duro que dei", mas não estavam sendo exibidos em cinemas próximos. Na verdade estavam em apenas uma ou duas salas.

Ficou faltando, mas o que teve foi muito bom. Despertou aquele desejo antigo de mais cinema, mais cultura, mais passeios diversos. Essa semana promete ser um veneno antimonotonia.

Pedro.
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10 novembro 2009

domingo no parque #37

Outra Gambi que eu não poderei documentar aqui. Foi um domingo de sono profundo e falta de vontade de ir. Respeitei a vontade e dormi profundamente até o dia seguinte. Recuperei um bom sono e devo dizer que driblei bem a rotina de não existir segunda feira...
Logo menos conto mais.

Pedro.
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09 novembro 2009

me vejo no que vejo #14








pro Pedro e pro Victor Lei.

Pedro.
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08 novembro 2009

estou aqui de passagem

para ler ouvindo: Duas casas

Desde que a 2ª casa inaugurou a poeira não baixa e o sol também não para de nascer de dentro da casa. O Marlon viajou e a casa ficou faltando um pedaço, como se ele fosse voltar a qualquer momento. Acabei dormindo na cama insuportavelmente dura dele por uma tarde, daí acordei e passei a madrugada inteira acordado até a Gigi me ligar e a madrugada virar manhã e nós desligarmos o telefone.

Levei meu violão, algumas calças, meias e cuecas só pra trocar com o que já estava lá. O violão foi pra fazer parceria com o Taiguara que levou o acordeom. Casa 2 é o nome do nosso conjunto.

Fomos almoçar em casa esses dias e descobri a paixão em comum por Tom Zé, depois vi os videos vanguarda no You tube. Trabalhado na abstração, como se eu não soubesse a empolgação de comprar uma web cam no dia.

Assisti 2 nascer do sol, um mais perfeito que o outro. O céu da 9 de julho visto de cima e mais de perto é muito bonito. Joguei videogame e toquei violão como não fazia a muito tempo, me deixou feliz por que é exatamente a idéia que eu tinha de sossego quando imaginava. Poder escolher canções e cantar alto a qualquer hora da manhã.

Trabalhei umas notas e uns versos e lancei no pc acelerado do Tiago. Levei cartas antigas e deixei na mão da Thay. Esperei que nem criança que acorda mais cedo que os pais as pessoas acordarem, mas eles dormem demais e eu não sei esperar.
Quem chegou na porta foi minha irmã pra me levar embora pra uma festa e depois pro cinema e depois foi ficando tudo embaçado e sonolento. Fui fazer as contas e fazia sentido - dormi das 15h às 24h do dia anterior, então eu estava a 21h acordado. Super normal não conseguir ficar de olhos abertos ou conseguir esboçar algum/qualquer tipo de simpatia.

Fui dormir na 1ª casa sabendo que a rotina dos dias se seguiria como a mais normal possível.
Manhã seria manhã e noite seria noite.

Pedro.
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07 novembro 2009

noite à beira mar

para ler ouvindo: Noturno Copacabana

Quando Tiago me chamou pra ver Cai de camarote na faixa eu quase não acreditei. "Zii e zie" é o primeiro show dele que eu vejo desde Noites do Norte (perdi "A foreign sound" e "Cê" sempre por motivos bestas, tais como: ir e voltar, distância das casas e companhia).

Mas dessa vez o acaso me fez ir com a companhia mais inesperada, numa sexta feira vazia. Taiguara, Thay, Tiago e eu fomos rindo o caminho inteiro. E eu incrédulo de toda situação. Chegamos no camarote de frente para o palco, atrás de nós o pessoal do Faith no more e outros artistas. Mais tarde descobrimos que o Gael Garcia Bernal estava por lá também.

Tyrone do Rio previa um show quente devido às recentes declarações de Caetano (editadas e mal interpretadas) a uma entrevista pro Estadão, a vitória do Grammy Latino e a morte de Claude Levi-Strauss. Mas nada disso gerou nenhum tipo de comentário mais prolongado por parte dele. Foi um show-base. Por isso mesmo foi excelente. Deu pra focar na música, nas projeções, na maneira que o cenário se movimenta com música e video. Foi melhor pra platéia assistir ao show sem polêmica, apenas o bom da banda Cê e da voz doce de Caetano.

Não esperava surpresas, pois já tinha o roteiro todo na cabeça. Mas a luz me surpreendeu. A força da banda também. Ao vivo a bateria se sobressai e o violão de Caetano não soa tão apagado quanto no disco.

O set list foi esse (com alguns comentários):

a voz do morto/psirico
- um mash up do pagode baiano que Caetano exaltou no blog "Obra em progresso" com o samba de protesto feito pra Aracy de Almeida.

sem cais
- a mais bonita do Zii e zie.

trem das cores
perdeu
- a melhor projeção se passa aqui. O cenário parece começar a se mexer.

por quem
- a mudança de ambiente causada pela luz em todos os momentos fica mais clara aqui. O rosa que cobre o palco cabe perfeitamente na música.

lobão tem razão
maria bethania
- momento mais emocionante do show, o arranjo da banda ficou excelente, mas as cordas usadas no arranjo original do disco de 71 ficam ecoando.

irene
volver
aquele frevo axé
tarado
- a bateria no final de "Tarado" é toda Los Hermanos.

menina da ria
não identificado
- curioso Caetano e Bethânia incluirem essa canção em seus shows no mesmo momento. Mais legal ainda é a versão e o motivo de cada um.

odeio
- assim como na Sticky & sweet tour Madonna só colocou uma música de sua turnê anterior, Caetano também só colocou "Odeio" do disco Cê.

falso leblon
lapa
água
a base de guantánamo
a cor amarela
- esperava que ao vivo Caetano resgatasse um pouco do que fez nos shows do Obra em progresso, mas não rolou. A melhor versão continua sendo aquela.

eu sou neguinha
- um aviso pra Vanessa da Mata. Uma lição sobre terceiro sexo, terceiro mundo e terceiro milênio.

Bis
força estranha
nossa gente
- homenagem a Neguinho do Samba colocada no lugar da homenagem a Claude Levi-Strauss. Achei ótimo enquanto todos esperavam a inclusão de "Estrangeiro" (música que faz citação ao antropólogo) ele colocar "Nossa gente" e ressaltar a importância de Neguinho do Samba na cultura moderna brasileira.

Fim.

Enfim, "Zii e Zie", o disco, sofreu muitas críticas. Soa como um disco de cronista, de um blogueiro. Parece um segundo álbum de banda-indie que deu certo no primeiro.

Show do ano? Capaz. Falta ver o que a irmã anda aprontando. Dizem que "Amor, festa e devoção" de Bethânia está impossível. E em Dezembro eu estarei lá.

Pedro.
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06 novembro 2009

bem leve

para ler ouvindo: O que você quer saber de verdade






Eu vago.
Entre as cortinas e a imensidão de branco que é o teu quarto cá azul, acolá vermelho.

Eu vago.
Dançando entre um piano e a fumaça invisível do teu fogão de cozinha.

Eu vago.
Entre um colchonete e a tua cama - santuário - jamais dormida, jamais adormecida por nós.

Eu vago...





... e tenho que ter algo para dizer.

Texto: Igilolá Ayedun

Pedro.
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04 novembro 2009

domingo no parque #36

para ler ouvindo: Together

Fazia um tempo que eu queria estar com a Gigs. Só estar junto, conversar, rir, beber sentado. Foi nessa Gambi na Sarajevo que aconteceu. Nossos destinos parecidos que fizeram acontecer.

Depois da ressaca monstra que me fez dormir o dia inteiro, me arrumei, encontrei o Taiguara na Augusta e fomos pra Sarajevo.
Tinha fila pois os lugares lá são poucos, apenas 700. Mas não acho que ninguém tenha ficado de fora. Nem lotou.
O Dj entrou e foi pra cabine, eu fiquei a deriva, sozinho. Encontrei outra pessoa que nem eu e ficamos juntos a noite toda. Gigs.

Depois chegaram os outros, mas a noite foi minha e dela. Rolou show do Misericórdia Bernadete (e eles estão cada vez melhores! Uma das melhores bandas dos últimos tempos, um teatro real e mágico de verdade, transviado e debochado), o Fome passou pra bater cabelo-lençol na pista alguns lanc. Até ensaio fotográfico rolou. Tudo muito bacana, mas sempre voltava eu e ela. Sem dispersão, sem muita fanfarra, sem tristeza.

"Éramos nos 1+1"

Fomos nós até a inversão das pistas, até sair no meio-fim da festa, fomos nós na Augusta, no café da manhã e na volta pra casa. Acredito que continuaremos nós por um bom tempo.



Pedro.
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03 novembro 2009

domingo no parque #35




para ler ouvindo: I gotta feeling

Desde que descobrimos sobre essa segunda edição da Gambi na Pachá, todos nós começamos a criar uma série de expectativas sobre ela. Nós e os outros também. Seja com danças novas, seja com os dj's convidados, seja com as pessoas que estariam lá. Isso gerou um peso extra pra algo que já é uma edição especial, fazendo com que se tornasse uma extra-especial.

Duas semanas antes o Miro deu a idéia de fazermos um Flash Mob de "I gotta feeling" igual ao da Oprah. Por sorte o Marlon já sabia fazer e os gambiônicos aprenderam rapidinho, ensaiamos no Gambi Office. Isso deu uma dimensão toda oficial ao Flash Mob, especialmente quando o nosso ensaio foi enviado pro mailing da Gambiarra para 12 mil pessoas ensaiarem junto.

Fora essa dança havia outras também sendo ensaiadas de surpresa com o aval do nosso dj de casa, o Taiguara.

No dia da Pachá eu já não trabalhava mais no Boteco Bohemia, fui de casa direto pra 2ª casa, encontrei o pessoal na rua (onde uma versão mal educada da Thaiane passou sem dizer "oi") e fomos todos juntos.

Como chegamos cedo não havia tanta fila, foi só entrar mais uma vez. Ajustar as coisas mais técnicas: chapelaria, cartões, pulseiras, "ois" e "quem veio/quem não veio" e o inevitável "quem não devia vir e veio". Esse último pode arruinar noites, expectativas e qualquer resto de alegria. Felizmente desse mal eu não sofro.

O set do Miro estava afiado pacas e ninguém queria sair da pista. Passou um tempo e deu a hora do primeiro flash mob (aconteceu durante 3 vezes até de manhã). Foi ruim, foi bagunçado, coreografia esquecida gente desorganizada querendo ficar na frente. E ter tocado "Vamo pulá" antes não ajudou muito (thank you dj xodó, rs).

Isso é em grande parte culpa do lugar e especialmente do público.
(Havia um parágrafo sobre o público da Pachá aqui, mas nem isso eles merecem)
Pra resumir: nada mais Z do que um público (que se acha) classe A, já dizia Caetano.

Do primeiro Flash Mob ao segundo a pista estava dispersa, rolou uma overdose de boy band divertida e uma overdose de coreografias no palquinho. Rumo ao segundo Flash mob, mais organizado. Fiz de cima do palco com um cara que não tinha a menor noção do que estava se passando (típico representante do público da Pachá). Cheguei a comentar no meio da noite que se isso fosse realizado no Hotel Cambridge haveria mais aceitação do pessoal. Se não houvesse era contar até dois pra todo mundo estar na dança. Mas não é saudosismo, é uma questão de saber do seu público, de conhecer as pessoas. Enfim, a segunda também não rolou direito.

Da segunda pra terceira a Pachá foi esvaziando e o dia foi amanhecendo. Já estava tudo ficando zuzu bem e a pista esvaziando. Quando o dia amanheceu, a Talita foi tocar "I gotta feelin'" lá fora pra gente a céu aberto com o dia nascendo. Dessa vez foi legal, foi perfeito e teve direito a discurso da OPRAH no final (a oficial, não a usurpadora). Teve hino e teve "Celebration". Daí formou-se a roda e tals, todo mundo fazia uma dança, blablabla... Eu inaugurei a ssessão piruetas com uma cambalhota que fez todas as bebidas diferentes se encontrarem no meu estômago, mas fiquei bem. Só observando as outras piruetas.

Fim de festa anunciado, fomos pra Bella Paulista comer. Os meus 3 pratos de café da manhã já entregavam a fome de ressaca. Fui fazer o quarto prato e dei de cara com uma panela cheia de bacon em tiras, super crocante. Fiz um prato só disso. Desci a rua Augusta rindo sozinho e com bacon até a alma.
Passei em frente a Sarajevo e pensei: até daqui a pouco.



Pedro.
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02 novembro 2009