- edição especial -
Conforme anunciado, lá foi a Gambiarra pra The Week mostrar o que é e como se faz festa e como se aproveitar um bom espaço. Tenho duas partes nessa história. A primeira é minha epopéia para chegar ao destino e a segunda parte (muito mais bonita), a festa e as certezas finais.
São dois textos.
Pra chegar às 11, eu teria que sair do meu trabalho às 9. Já disse que meu trampo é em Interlagos? Taí o Maps que não me deixa mentir.
Viciado que sou, estava me preparando há um mês pra esse dia. Pensava na festa e em todos e só ficava mais ansioso. Organizei tudo direitinho pra tudo ser como eu queria. Quase um debutante.
Conforme o dia aconteceu, minhas expectativas se confirmaram. De manhã saí com um amigo novo, o Hanzinzo e fomos fazer compras na Galeria Ouro Fino, Livraria Cultura e depois almoçar, no melhor estilo **Beverly Hills**. Foi ótimo, até por que fazia muito tempo que eu não via o sol e não acordava cedo.
Depois eu fui pro trabalho lotado de sacolas e roupas, o novo do Cai, o dvd da Betha, Drexler, John Mayer, 3 camisetas muito bonitas, mil coisas, muita informação. Mas o que me tomava de alegria mesmo era saber que ainda tinha a minha noite me esperando. E que eu ia sair mais cedo pra que tudo fosse como tinha que ser.
Não foi.
(Parte técnica ou texto 1)
O que aconteceu de verdade foi isso: eu pedi com uma semana de antecedência a mudança de horário pra sair mais cedo. Estaria tudo bem se não pudessem me ceder.
Me disseram que só haveria troca de horário se outra pessoa fosse no meu lugar. Pois bem. Chegou sexta feira e eu fui ver minha escala e para minha surpresa, no sábado eu sairia uma hora mais tarde. PRA QUE?
Conforme o tempo foi passando eu percebi que ninguém tinha movido ou iria mover uma palha para me deixar ir embora mais cedo no meu dia e eu ainda teria que sair uma hora mais tarde no dia seguinte (gra-tu-i-ta-men-te).
Fui ficando ansioso, fui emburrando, fui começando a andar mais pesado, fui começando a bater o pé, fui começando a fazer birra.
Sei que deu meu horário e eu parecia um vulcão, muito bem vestido diga-se de passagem, mas um vulcão-tornado-orixá atravessando pessoas e lugares, indo pra onde eu já deveria estar desde o começo.
Intelagos é um inferno. A zona sul, a vida fora do centro começa a se tornar infernal. Nada funciona. Não tem nada e é feio.
Daí que cheguei e ninguém quis cooperar com a minha ida. E eu só pensava na minha irmã, na tia Lu e em todos os meus amigos lá e eu naquela merda de lugar. Cheguei no Centro a uma da manhã, quase desistindo. Liguei pra minha irmã chorandinho já, cheguei em casa em pedaços. Não ia mais. Até parece.
Saí decidido a recuperar o tempo perdido.
Cheguei na festa de táxi, palpitante, ansioso. Cada rosto que eu reconhecia era um alívio e uma festa pessoal. Assim o fim do dia encontrou o início.
(Random moments ou Texto 2)
A celebração do sucesso da Gambi e o meu recente (?) envolvimento com o pessoal de lá (produção e público) acabou fazendo com que o evento não seja uma "balada" normal. É a prova que eu consigo ser profeta fora da minha terra. Ainda consigo fazer amigos.
Desde o São Luis isso não acontecia com essa intensidade. Passei 2008 cercado dos bons e antigos amigos de vida e de colégio (e foi ótimo), imaginando que precisaria entrar numa faculdade pra me sentir interessante de novo, pra me sentir parte de algo.
Esse é o complicado, são essas pessoas da Gambi que agora acompanham meu dia a dia. Pode ser uma fase, pode ser pra sempre. Não sei prever. Agora são eles e é tão bom.
A Thay está ali, lógico, mas eu descobri que ela e eu temos um lance muito forte. Como eu já disse, não sei prever o futuro, mas desde que nos conhecemos isso tem sido assim (e já foram bons 5 anos - parecendo 5 dias).
Tudo isso se passava naquela festa que eu fui por acaso num domingo de setembro do ano passado. E eu estava lá.
Dei o nome de "Random moments" pro texto pois a intenção era falar de momentos aleatórios e divertidos. Pensei nisso pois eu me senti em um season finale de uma daquelas séries que sempre acabam bem e em festa.
Mas na intenção de encurtar o texto, vou dizer o random thought mais forte que me ocorreu no final junto da produção toda no palco, o sol entrando na pista vazia e "Dancing Queen" do Abba tocando pra quem sabe bem o que é uma bagaceira. Me lembrei de Bethânia dizendo numa entrevista que quando se tem seus 20 anos, não se importa muito com cautelas que na maioria das vezes se mostra inútil no fim. A gente vai! Vai com muita energia, com muita alegria.
Aquele momento foi além.
E o Rio de Janeiro? E essas cautelas inúteis? E eu no meio daquilo com uma intuição dizendo que aquilo é o certo pra mim e que o norte do futuro que eu tenho na minha cabeça é o que vai me fazer feliz e o único que haverá uma entrega verdadeira? E gostar dessas pessoas assim tão instintivamente?
Pensei no por que dessa vontade, dessa energia que Bethânia disse da juventude. Só existe uma conclusão: é por que no fim das contas, a gente sabe que vai dar certo.
Pedro.
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06 Junho 2009
domingo no parque #7
Postado por
PedroPeter
às
5:00 AM




