16 Abril 2009

o adjetivo esdrúxulo em "u"

Vinha eu pelo Anhangabaú, logo cedo, quando vi um menino sendo assaltado durante um longo percurso. Logo, pânico. Eu vi, muita gente viu. O lugar é conhecido por ser um caminho perigoso, mas a luz do dia, a caminho do trabalho, quem espera uma coisa dessas?

Liguei pra polícia e deu ocupado. Pensei "Ê, Brasil!!!". Numa escala um pouco menor, culpei o governo atual de São Paulo, por ter deixado o projeto de revitalização do Centro de lado. A segurança caiu, os investimentos cairam. O que a Marta começou não foi apenas interrompido, foi corrompido.

A visão foi terrível de se acompanhar, por que poderia ter sido eu, que da mesma forma, não saberia o que fazer. Fora a tristeza por me sentir imóvel, incapaz de fazer algo, a raiva, aquele pensamento de pena de morte (que eu condeno e desprezo veemente), enfim. Não gosto, Brasil, não gosto mesmo.

Depois telefonei de novo pra polícia e a atendente me perguntou por que eu não telefonei antes e fez uma outra série de perguntas imbecis, do tipo: "se você está andando, como sabe que o moço estava sendo assaltado mesmo?". Ou seja: ela queria que eu parasse e assistisse até o final o desenrolar do assalto para poder ligar para polícia. Além de ter sido grossa ao telefone, deixou claro que não ia resolver nada. Desencana.

Liguei pra minha mãe e falei pra ela registrar a ocorrência e reclamar do atendimento. Logo depois me ligaram pra pedir desculpas pelo mal (péssimo) atendimento ao telefone e tals. Mas não adianta, esse é um lance "good cop/bad cop" pelo telefone. O que vai adiantar é botar o bloco na rua. Só.

Enquanto isso a gente faz o que pode, né? Aproximo meu cantar vagabundo daqueles que velam pela alegria do mundo.

Pedro.
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