30 janeiro 2009

fica me pedindo pra voltar

"se quiser que eu volte, voltarei"

E voltamos.
Com os dois pés atrás e mais preparados, nós voltamos pro Guarujá. Dessa vez, pra ver Daniela Mercury (que não vinha há muito tempo em São Paulo, tipo uns 10 anos). Então, sedentos da "levada brasileira".

Vejam só, sou fã de Daniela desde que ela começou a carreira por culpa e inspiração da minha irmã. Ouço o "Música de rua" como um saudosista.

Outro dia eu li a Camille Paglia, isso mesmo, a feminista maluca, falando sobre Daniela, pensei: "vai meter o pau". Que nada! Sobrou pros americanos. Fiquei surpreso. Depois eu soube que ela gostou tanto que fez um estudo sobre Daniela em um de seus livros. Mas é do comentário inicial que eu gostei mais. Especialmente desse trecho:

"Ao ver Daniela Mercury em ação, eu me dei conta de como eu fiquei entediada e desiludida com o entretenimento popular americano nos últimos 15 anos, quando Madonna se mercantilizou e perdeu sua pegada no 'zeitgeist'. Toda essa vitalidade apaixonada, improvisacional, ao ar livre vinha acontecendo no Brasil enquanto os fãs da música americana ficavam presos como novilhos dopados no curral comercial de shows de estádio, caríssimos e superlotados, nos quais os artistas exibem letras enlatadas entre efeitos especiais computadorizados de luz. Músicos “alternativos” de baixo orçamento são igualmente programáticos, com suas banalidades políticas ou suas afetações datadas de ironia urbana."

Não é doida uma mulher que diz isso?
Mas não é a mais lúcida de todas?
Eu certamente troco todo o aparato tecnológico que ela cita por um caminhão correndo ruas entre milhares de pessoas em Salvador. Sem hesitar.

Por incrível que pareça, sobrou pra Maria Bethânia descer a lenha em Daniela. Achei engraçado na hora e sem graça depois.
Segundo ela, Daniela "É uma moça bonitinha, gostosinha, bem-feitinha, faz essa linha pernoca-de-fora, tem talento, tem voz, sabe cantar, sabe dançar, sabe fazer tudo. Mas tem uma musiquinha que não é nada." Um comentário ignorante e despeitado numa entrevista não muito produtiva pra Playboy. Mas como o mundo dá voltas, ela se desculpou e desdisse isso tudo.

Voltando ao nosso show...
Tínhamos uma convidada muito especial, a Montserrat, amiga do Paraguai que minha irmã conheceu em Londres (é a glo-ba-li-za-ção) e ela é tããão legal que entrou na nossa... trip.

Paradas pra comer, pra fazer xixi, pra tomar café e pra fazer o esquenta.
Pula.

Chegando ao local do show, tudo diferente. Dessa vez, estávamos mais relaxados, sem saber que seria um show de gala no hotel do Silvio Santos.
Mas isso só nos divertia mais ainda. Ver todo mundo empetecado em show de axé, seja no Credicard Hall ou no Sofitel Jequitimar, me faz pensar que eu estou indo assistir Bethânia ou Ana Carolina. Pode-se mudar o local do show, mas não a natureza dele.

Mesmo assim, parecia melhor. O lugar era lindo. Tinha gente de todas as idades, era um com ingressos bem baratos, não estava chovendo, e pelo que informaram o show começaria pontualmente às 8 da noite.
Nem isso fez o show lotar, pelo contrário, parecia feito pras 300/400 pessoas que foram e não fizeram questão de se agrupar, se espalharam pelo lugar, fazendo o show mais calmo de todos os shows de axé da história (vi alguns carrinhos de bebê).

E foi perfeito. Pra lavar a alma.
Pena que terminou cedo também. Foram duas horas de show e pareceram vinte minutos. Mas tocou "Maimbê", "Preta", "O canto da cidade", tocou "Feijão de corda" que é ótima, até "A minha alma" tocou, mesmo não tendo nada a ver com o show.
Ela nos olhou umas duas vezes que eu vi, enquanto surtávamos na grade. Depois fomos pra onde tinha espaço pra dançar, que era, afinal, o motivo de tudo.

Camille Paglia está (em partes) muito certa no seu comentário.
Ninguém nos vence em vibração.



Pedro.
x

25 janeiro 2009

yo no soy mariñero, soy capitán

don't
Icon
me

let

I
con
myself

Pedro.
x

if you want to reach the top

I

n 1 eu: a individualidade da pessoa. 2 número latino = 1. • pron eu.



if you do you'll never stop.

Con

n contra: 1 objeção. 2 pessoa contrária. • adv contra. pro and con pró e contra. the pros and cons os prós e os contras.

con
vt Naut dirigir, pilotar, guiar.

con
n Amer sl abbr confidence (confidência).

con
n abbr convict (sentenciado, prisioneiro).

con
vt abusar da boa-fé, trapacear, iludir.


Pedro.
x

23 janeiro 2009

ninguém nos vence em vibração

Verão, praia, Guarujá, axé music, trânsito e chuva.
Pacote de paulistano nessa época não muda. Do contrário não honra a raça.

Tem que ter aquela trip pra depois colocar fotos no orkut; finalmente poder falar a palavra "trip" no blog sem ter que parecer como as pessoas que falam "trip"; atualizar todo conteúdo virtual com fotos sob o sol, ou com aquela paisagem praiera chuvosa.
Fotos de sunga e biquini, de dia, de tarde, de noite ou de madrugada, não importa - a latinha está na mão.

Parece que a felicidade finalmente vai atacar pela televisão. Se olhar de longe, em Julho ou Setembro nem parece que falamos do mesmo ano desse que falo agora.
E eu passo a compreender vivendo as letras do MGMT.

Parêntesis.
(Engraçado como eu demorei pra sacar essa idéia. Como é difícil passar o ano inteiro se remoendo por várias coisas. Assim como eu. O quanto disso foi desespero e o quanto foi necessidade eu não sei. Sei que foi e que não deveria ter sido; e quando eu ouço a essas canções eu penso que poderia ser diferente não só pra mim, mas pra todos - estou ligado num futuro blue e falando não só de vestibular)

Ano passado eu fui à praia, esse ano eu estou indo "a trabalho".
Motivo: esses shows que acontecem no litoral.

O primeiro foi de Ivete Sangalo e Timbalada, dia 4 de Janeiro.
Voltamos de Atibaia e fomos - eu, minha irmã e Márcia, descer a serra na chuva.

Vou cortar a parte em que nos perdemos e minha irmã ficou de mal humor vou pra parte em que chegamos no estacionamento e havia um pôr-do-sol inesperado pra se curtir e um esquenta (esse, previsível) pra fazer antes do show. E eu colocaria fotos aqui, se o sistema operacional do meu computador fosse de gente. Mas não.

Enfim... estava tudo mais ou menos, ou bem demais, o show estava vazio. O "estádio" (era uma várzea, pra ser mais exato) certamente tinha menos gente do que o esperado. Estava marcado pra começar às 9 horas, já era 11 da noite e nada. Não sei por que fazem isso. Ivete não é Madonna. E mesmo se fosse, não tem motivos pra fazer isso.
Bem feito pra ela e pra nós que ficamos lá plantados, pois começou a chover tudo o que devia. E chovia... chovia... Até que os ventos começaram a derrubar o que tinha ao redor - camarotes, plataformas, estrutura.
O campo virou pântano. Mangue.

Não quero ser mal humorado, não. Mas acho que é assim... É muito amadorismo pra quem se diz a estrela maior da música brasileira. Pra quem tem um dos contratos mais caros atualmente. E pra cobrar 100 pila num abadá, ter duas horas de atraso, ter que ver camarote desabar, o mínimo que Ivete deveria ter feito seria dar um "oi", alguma satisfação pra quem estava lá pra vê-la.

Se é pra ser Madonna, que seja. Mas Mad-d-d-d-d-onna fez o show dela debaixo de chuva mesmo. Atrasou, caiu no palco, fez carão pro Rio, mas subiu lá e fez valer a pena.

Falta produção, sobra 3º mundo. E o show foi cancelado.
Nem Dalila ouvimos no caminho de volta.
Aliás, mandei um foda-se enorme, escrito na janela do carro. Pra Dalila e pra todo o pessoal que tinha armado aquilo. Um lixo e uma esculhambação.

Mas, como tudo é possível, ainda restavam muitas riadas pra gente até a noite acabar oficialmente. Então aproveitamos e rimos.
Por que nessas hora;... Só rindo mesmo.
É Brasil, né?

Logo menos conto mais dessas peripécias por aí.



Pedro.
x

22 janeiro 2009

eu queria ser cássia eller



ou Glauber Rocha.
Definitivamente.



Pedro.
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21 janeiro 2009

o meu medo é uma coisa assim

por que
ser

e ainda assim
sendo

se
for
eu

por que
tão

?

Pedro.
x

20 janeiro 2009

já passaram dias inteiros

ou Drop down diary #8

Radiohead é a prova viva que Milton Nascimento ainda vai nos ensinar muita coisa. O Clube da Esquina está vivo em muitas harmonias em uma das melhores bandas do mundo.
Num outro dia, num meio dia, eu estava ouvindo meu Last Fm e escrevendo algo pro blog, um dos últimos posts, quando começa "You and whose army" e eu paralisei por uns instantes.
Tentei continuar a escrever e ignorar.
Não deu.

A idéia era outra e o tempo aqui de casa e o meu eram outros. Aquela canção foi me dando um desespero, uma agonia.
E as lágrimas, a crônica daqueles minutos, a grandiosidade da descoberta e o caos do momento em que eu já não entendia mais nada. Tudo.

Caetano concorda comigo. Inclusive, tinha feito essa relação Oxford-Três Pontas quase no mesmo tempo dele. Uma grande banda que nos mostra que não sabemos o quanto de Minas existe no mundo.
Nem ouço toda hora, evito. Muito impactante. Derruba.

Frase de transição...
A espuma da trash é muito nociva à saude!
Aquela maldição grudou no meu corpo e eu ainda encontro dificuldades em tirar isso. Resseca. Arranca a vitalidade, a energia. Não tomem banho de espuma em baladas, pois roubam sua energia e dão aos robôs. À matrix, sei lá.
Eu sei que é que nem aquela gosma do Homem Aranha 3, terrível.
Saí dessa vida.
.
.
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Ok, mentira, sexta feira eu vou de novo por que vai rolar a imperdível Noite da Parafina na Trash 80's. Uau!

A vida até parece uma festa.
Mas, de novo, é hora de saber escolher.
Saí do luto da Universidade Federal Fluminense que eu não entrei esse ano e vou começar Relações Internacionais na FMU.
Passei na PUC mas é complicado fazer PUC. Compromisso enorme, grana... Não há cabeça. Eu não tenho cabeça pra ficar correndo atrás do mundo-PUC. Não me preparei pra isso.
Detalhe: é tudo novo. Vou por que vou, mas não sei o que é. Espero ter sorte, como todo vestibulando. Mas pretendo me esforçar. Quero ter uma estabilidade bacana pra poder fazer as coisas que eu quero. Tentar Produção Cultural, tentar o Rio, não deixar as coisas em aberto desse jeito.

O Cris sempre diz (eu acho que é um trecho de música, mas eu não conheço): os velhos sonhos continuam no mesmo lugar.
E eu os quero lá.
Sempre.



Pedro.
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18 janeiro 2009

numa banheira de espuma

Faz um tempo já que minha irmã encontrou uma balada que gostou, que é a Trash 80's. E é tão raro ela gostar de uma boate, que quando gosta e fica feliz no lugar a gente tem que aproveitar e fazer a festa com ela, por que sempre vale a pena.

Depois de um mês frequentando o lugar, vimos na agenda da casa que a festa do dia 16 de Janeiro seria:
1 - Open Bar;
2- com banho de espuma.

Wow!
E parece que a boate também gostou da minha irmã. Juntamos a trupe (Amanda, tia Lu e eu) e fomos ao que o destino espumante e embriagado nos reservava.

Antes de seguir, gostaria de colocar um parêntesis aqui mesmo.
(Eu era, dos três, o que estava mais tranquilo).

Chegando lá, aquela coisa de começo de festa, rodinhas (rodinha na pista é tããããão last season), fila pra bebida, pouca dança e muita promessa. Eu devia ter percebido que era "minha noite" quando tocou Barry Manillow, mas ultimamente ando atento apenas pra outros toques, anúncios e sinais - favoráveis e mais decisivos do que Manillow. Mas não, ignorei, curti "Copacabana" enquanto tocou e fui ver qual era.
No fim, era que a diversão aumentou. Alguns escolhidos na pista sentiram, se deixaram levar, alguns não. Eu só de olho. Quando começa a cair espuma do teto e eu fui atrás dela, pensando agora, deve ter sido um segundo sinal ignorado.

Começou a espuma, vamos pra baixo dela. Vamos arder os olhos e esquecer o frio. Vamos dançar Rita Lee. Vamos antecipar os carnavais, derrubar os óculos, bater os joelhos, lavar a alma e beijar na boca. Isso é a parte que me cabe lembrar com dignidade e clareza e detalhes.

Daí pra frente é ladeira abaixo, posso afirmar pra vocês.

Me lembro de coisas vagas como ver a saída e entrar num táxi, ir pro Inferno, encontrar semi-conhecidos, sair do Inferno, outro táxi, rir muito, apartamento desconhecido, apagar.

Acordar, ligar pra casa, encarar o desespero das pessoas em casa. Praxe. Sinceramente não gosto de fazer isso. Mas não sou eu. É meu eu-lírico bonvivant.

Sabe... As vezes eu penso nos verões, nas perdições, nos amores. Eu preciso disso pra contar pros meus netos (ou não, ok).
Senão não vale a pena.
Mesmo sendo demais "os perigos dessa vida", a vida ainda é essa aqui, se encontra, se perde, se desencontra, se vive. Tem que existir todas as passagens. As entradas, saídas e bandeiras de todas as estruturas, todos os labirintos, mesmo na espuma.

Pedro.
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17 janeiro 2009

todas elas juntas num só ser

Continuando aquele tema que já falei, o rádio, eu fiz um last fm ano passado, mas não usei. Aqueles cadastros que fazemos por fazer.
Esse eu deveria ter seguido, pelo menos tentado ir adiante, pois faria a diferença. Last fm é uma proposta ótima que estimula descobertas misturando a idéia de orkut e rádio pessoal, com indicações de novas músicas de acordo com o seu gosto musical.

Depois do cadastro, escolha alguns artistas e voilà! O last fm existe. E é só colocar sua biblioteca pra tocar.

Talvez não aconteça com todo mundo, mas comigo aconteceu... A minha rádio é surpreendentemente boa. Toca coisas que eu gosto e coisas que eu não conheço e gostaria de conhecer. Claro que eu fiz uma seleção de artistas bem expansiva (1.043 músicos) pra poder funcionar como se fosse uma rádio eclética e bem minha mesmo. Então além de complexa, a playlist é exótica. Pode-se ouvir em sequência: Erasmo Carlos, Prince, Amália Rodrigues, Destiny's Child, Ramiro Mussotto, Nina Simone e Ismael Silva. Isso nos dias normais, onde os nomes ainda são ao menos familiares.

Nos outros dias, quando eu quero uma seleção (seja de coisas que eu já conheço ou do que eu quero conhecer, ou os dois!), vou no meu outro perfil, escolho os artistas e ouço a minha outra biblioteca, um outro perfil. Lá é repertório seleto pra determinados momentos.

Recomendo mesmo.
Vai lá. Cadastra, simata de ouvir.

E me add, lógico.
www.lastfm.com/user/com_pedro


Pedro.
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15 janeiro 2009

canto do bola nieve

Meu último vício, como eu já disse, é One Tree Hill. Então, como bom desempregado, eu me dou ao luxo de passar algumas noites da semana não tendo que pensar na minha vida, e sim, fazendo pequenas maratonas da série.
Pois bem. Estava eu na terceira temporada, no episódio 15, quando aparece um aviso pedindo cautela pelas imagens fortes. Um jeito sério e sombrio de dizer "tirem as crianças da sala".
O episódio era uma espécie de referência ao massacre de Columbine, mesma história, muito aterrorizador com um aluno-maníaco-depressivo na escola.
Não sei se foi o aviso de "cuidado" ou o episódio em si, mas algo me deixou inseguro.

Pronto. Eu estava oficialmente com medo.

Foi estranho. É meio estranho ter medo.
Eu só pensava numa vez que choveu muito em casa, e pela única vez eu reclamei o fato de ser criança, por que quando eu crescesse não ia ter medo de nada.

Mas depois daquele episódio de One tree hill, os medos foram se apresentando em fileira, desde os mais comuns, que todo mundo tem, até os sonhos mais sombrios que só eu tive. Nada como rever um velho aperto no coração que independe de idade, de força, de grana. Se você está vivo, tem medo. O que muda é a certeza que não é toda hora que se pode acordar pai, mãe, irmã, pra fazer passar.

Certo. Depois de aproveitar um pouco a extinta sensação, olhei pro meu terço e deixei passar. Por que por outro lado, quem não vive é que realmente tem medo. E como nove de cada dez estrelas de cinema me fazem chorar, eu estou vivo.

Mas por garantia... Eu fui ver se o Elvis e o Dalgo estavam bem e trouxe eles pra dentro. Com vasilha de água e tudo.

Por que os malditos vilões da infância são sempre os piores!?



Dorme com um medo desses.
Ohhh, nãããão!!!!!!!!!!

(Super) Pedro.
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14 janeiro 2009

o canto do pregoneiro

A família da minha mãe vem de uma tradição muito rica de ouvir rádio, de saber canções da memória e que ninguém mais ouve hoje em dia (serestas, boleros, serenatas) . E eu sempre tive uma inveja disso, desse conhecimento. Não só por ser algo grandioso mas também por ser vasto, derivado.

Minha mãe me conta e pede pra eu imaginar um mundo totalmente diferente do meu, aquele que eu só posso imaginar por saber ser possível. Um lugar no interior da Paraíba, com a menor quantidade de recursos possíveis, e a única fonte de notícia, de entretenimento, de contato com o mundo era o rádio. Mas um rádio muito agradável ao ouvidos de todos.

Me lembro de, bem mais novo, ter ouvido meus tios mais velhos (todos já morando no interior de São Paulo), fazendo os recitais no fim das festas. Aquilo é lembrança - os tons, os sons, as harmonias - de canções que não são ouvidas há décadas.

Assim como meu avô tem mania de rádio até hoje. E me fala de Jack Johnson como quem fala de Miles Davis ou de Martinho da Vila. Saber ouvir, saber distinguir também foi ensinado. Antes mesmo da Mtv ou do jabá.

Hoje a rádio acabou.
Não consigo ouvir rádio. Nem a "moderna e brasileira" Nova Brasil FM, nem a rádio "cool" Eldorado, nem as teens Mix, Jovem Pan, Transamérica, Metropolitana, nem as roqueiras 89, Kiss... E, óbvio, as populares como a Band, Tupi, Pagode FM, Forró Sacana FM, não consigo.

Com a falência da rádio USP e da Cultura, não restou ninguém que faça um repertório com o mínimo de ousadia ou novidade.
Todas tocam a mesma música da Vanessa da Mata com o Ben Harper. A diferença é que uma toca remixada, outra toca um Radio Edit, outra toca de madrugada, outra a tarde. Mas esquecem é que além dessa canção, há outras 12 faixas no disco dela que são tão boas quanto e podem ser tocadas também.
Mas não, não pode. Tem que ser a música da novela. E tem que tocar até enjoar, senão não vende.

No meu primeiro trabalho, nossa sala tinha um rádio que ficava tocando uma dessas FMs de pop/rock, e o Green Day estava tocando muito nas rádios com uma música chamada "When september ends", que tinha/tem alguns versos bonitos e uma melodia bacana. E no entanto eu só percebi que gostava da canção quase um ano depois, por que enquanto quase repetidamente na rádio eu achava aquilo o horrível e repetitivo. Uma tentativa de lavagem cerebral que comigo nunca funcionou (ao menos não no tempo que as gravadoras querem).

Fico triste com essa alienação, fico mesmo. Cada vez mais pessoas dizem gostar de música sem conhecer, sem procurar saber seus gostos. Sem conhecer, sem procurar, ainda deixando a grande gravadora te dizer o que ouvir. Sem se diversificar.

Isso não é gosto musical, é perda de tempo.

Pedro.
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12 janeiro 2009

só faltava respirar

eu não sei dizer
como funciona
mas existe

entre
estar por cima d'água
ou debaixo dela

uma passagem

Pedro.
x

11 janeiro 2009

quicker than a ray of light he's flying

a tarde de ontem
foi sonho
foi clara
e cheia de raios
solares

a tarde de hoje
foi outra
e bem
mas bem
bem
mais
quente

Pedro.
x

09 janeiro 2009

todo meu ouro

Não fiz um balanço fiel de vícios e virtudes "seriais" do ano que passou, em que revivi The OC como se fosse uma série inédita, viciei em outras que não acompanhei - Heroes, Kyle XY, Monk, Family Guy, Dexter, House, Psych, My name is Earl, OZ e The L Word, The Tudors, The Closer, Roma - eu tenho muito tempo.

A cultura de séries é muito rica nos Estados Unidos e aqui também, nossa Grande Família, Cidade dos Homens, as boas épocas de Os Normais e de Sai de Baixo, tiveram seus auges.

Lá isso é mais constante. Mas o número de bons roteiristas também é maior. E o número de pessoas que estão a procura de bons roteiristas também é maior. O mesmo vale para as outras partes de uma produção como é a das séries.

Eu não sei o que a rede do bispo produz, passo o controle remoto e vejo coisas idiotas e toscas (no pior sentido) como aqueles mutantes mal feitos.
Mas eu sei que a Maysa está na Globo, surpreendendo na audiência, superando expectativas e agradando a todos os gostos. Era de se prever e já estava demorando pra começarmos a mexer com nossos próprios pequenos mitos, nossos artistas conturbados, nossos políticos, nossos excêntricos, esquizofrênicos, nossos ícones!

Não digo isso pra soar nacionalista at all. Eu uso como exemplo nosso amigos ianques que fazem isso com maestria.

Já que estamos no vício, vamos falar sobre prórpio.




É um barato.
Achei que fosse um bom substituto pra The OC, mas não é.
Acontece que The OC não era só um seriado, era parte de uma cultura. Tinha tudo - referências, tribos, falas, Califórnia, quadrinhos, festas, os bagles do Sandy, as nerdices do Seth, o silêncio do Ryan, a vodca da Marissa, o "ew" da Summer e a segurança da Kirsten.
Mas isso não segurou o fim da série.

Acontece que One tree hill segura bem na história e menos no pop. Virou novela e deu certo. Ótimos desfechos. Dá pra ficar sem ar em cada season finale, pra ter raiva, pra chorar (é muito "chorável" essa série!), mas pra rir são poucas as chances. E como ainda estou na terceira temporada, tenho muito que conhecer dos personagens.

Ficamos assim:
personagens, popismo, figurino, trilha sonora = OC.
falas, trama, enredo, desfechos, roteiro = 1TH

Mas é meu vício agora e eu não o troco por nada.

Olha... Eu gosto muito de falar sobre seriados, acho que vai virar um tema recorrente.

Deixa eu voltar pro meu autismo.

Pedro.
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08 janeiro 2009

venha conhecer a vida

Vocês já deram as boas vindas ao ano que chegou?
Muita gente, assim como eu, percebeu que o Natal não foi o que costumava ser e nem o ano novo. Foi assim - passou, acabou e apagou.
Qual é?
O que aconteceu com o sentimento de que tudo vai mudar e que vai ser pra melhor? Que é hora de recomeçar o que erramos e tocar pra frente o que é certo. E é essa hora.

Parece medo de se deixar levar pela maré da confiança, da esperança. E eu não digo isso com sonoridade auto-ajuda, digo por que vi pessoas literalmente apagadas à meia-noite, quando tudo (e todos) devem se a(s)cender.
Se não for medo de confiar, é falta de auto-estima e se não for, é sobriedade, é exagero na seriedade... Não é a linguagem apropriada.

Olhem pra mim: observei alguns gols nos 45 minutos do segundo tempo feitos por mim, por passar na PUC, pelo Tom Zé e seu estudo da bossa, por meu ventilador ter voltado a funcionar, por meu computador ter chegado. E poderia ter escolhido ficar triste por não ter entrado na Uff, por Tom Zé ter publicamente não ter aceitado o elogio de Caetano ao seu "Estudando a bossa" , pelo ventilador que faz um barulho terrível sempre que ligo ou por não ter Windows no PC (agora eu tenho Ubuntu como sistema - e seja o que Deus quiser).Além dos meus planos de última hora no ano novo não terem rolado, nenhum.

Optei por ficar feliz no dia 31 e não deixar de saber que existem coisas que vão me acompanhar em 2009 e que eu ainda vou ter que consertar, comentar e aguentar.
O que importa é que naquela hora, naquela fração de momento quando o relógio apontou pra zero hora e zero minutos de um ano novo, eu me senti capaz de fazê-lo. Isso num grau (não alcoólico) tão alto a ponto de nada mais importar.

Todo mundo tem suas resoluções, todo mundo faz pedidos. Pulando sete ondas ou Ivete Sangalo. Os velhos sonhos continuam no mesmo lugar. Fiquemos felizes por eles, por cada dia em que eles se mostram mais próximos.

Ok, está piegas.
Mas é tudo por que... As coisas estão aí, a vida tá aí.
Eu nunca quero ter que dizer "eu bem que te avisei!" pra ninguém.

Pedro.
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06 janeiro 2009

e no meio de tanta gente

Eu estava na beirada da piscina, estava meio vazia. Ele tinha acabado de mergulhar e parou de frente pra mim, ficou olhando pro meu pescoço fixamente.
Chegou mais perto e continuou encarando. Eu na minha. Depois ele saiu da piscina e ficou ali do meu lado, tomando coragem pra dizer uma coisa que eu estava curiosíssimo pra saber mas não ia perguntar pra não precipitar a conversa.
Até que tomou coragem e perguntou em tom quase de afirmação sobre o Zord que eu carregava.
Na hora eu fiquei perdido e sem resposta numa hora em que não se pode ficar sem resposta. Me fiz de desentendido. Mas ele prosseguiu:
- Seu Zord, o Mamute!?

Primeiro fiquei surpreso por ele, com aquela idade, falar com tanta naturalidade sobre Mamute (e identificar um de longe - no meu pescoço), aí caiu minha ficha - era isso - eu tinha um Zord Ranger.
Não confirmei a história, só falei que era de estimação e pronto. Ele entendeu como quis. E o que ele quis foi lembrar que se realmente fosse meu Zord eu não poderia falar sobre ele, afinal, é segredo Ranger. E foi feliz da vida de volta pra piscina.

Que coisa boa começar o ano assim. Eu pensei que afinal, alguém tinha que entendido mais sobre meu Elefante, além de mim. Ele começou a citar sagas Rangers (que eu não assisto há tempos), e sobre inimigos que eu (eventualmente) teria que enfrentar. Fui aos poucos me encaixando naquelas situações - tudo na conta do Mamute.

Interrompemos a conversa assim, pela algazarra do dia de sol, do empurra-empurra na piscina, da festa.

Mas quando foi mais tarde, na verdade de noite, a festa ainda acesa, o som na tampa, e eu sentei pra calcular em que copo estava, quando ele vem, arrastando uma cadeira pra minha frente, no melhor estilo interrogatório. Mas era apenas uma conversa, pra colocar o papo em dia: quadrinhos, desenhos, artigos do mesmo assunto. Ambos viciados nos Padrinhos mágicos, no primeiro filme do Pokemon, na turma da Mônica e em parques de diversões. E... Nós dois fazemos teatro!
E essa conversa nunca poderia se limitar a isso. Junto de um intermediário de idades (meu primo de 11 anos), começamos a aprofundar os assuntos: meio-ambiente, criação do mundo, H2O (afinal, isso se bebe ou se respira?), água, fogo, terra e ar - nada passou. Mas nem só de coisas boas foi essa conversa. A escola entrou mostrando a vergonha que é pra qualquer um de 05, 12 ou 19 anos ser estudante brasileiro. Também a poluição, o desmatamento, os sem-floresta, a violência - concordávamos todos que isso tinha que acabar e fizemos um trato de fazer nossa parte. Pequena parte, mas nossa.

Sabe gente, a conversa ia até de madrugada se deixassem, mas de tanta festa de dia, a cuca cansou a noite e pediu paz. Fomos dormir ainda debatendo assuntos pelas escadas.

Que coisa... Um mundo de pequenas coisas em comum, num mundo onde a maioria das pessoas que conhecemos se interessa mais nas diferenças e dispensa o conhecer.

Mas o que importa?
Eu to feliz, pô...
Mal começou o ano e eu já fiz um amigo!

Pedro.
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