30 abril 2008

nós, por exemplo 1ª parte





Eu adorei a proposta, agitei Rudy que acabou topando, falou que estava pro que vier. Thay, Fê e eu já nascemos agitados e topando todas, foi uma questão de encontro apenas. O que teve de novo foi o Lú, que eu encontrei no primeiro show da noite (o nosso primeiro), que foi da Mariana Aydar no palco das Meninas.

Cheguei um pouco tarde, ouvi 3 músicas e o bis, que Rudy e Lu pediam, gritavam, imploravam que não acontecesse. Mas aconteceu e pra surpresa geral, eles gostaram. Foi uma versão remixada de “Zé do caroço”, numa levada funk carioca, bem pancadão cult mesmo.




Um passo a frente e estávamos no Canja Rock Clube, por acaso, querendo um fervo. O LU foi embora nessa hora, o que foi péssimo, mas bom pra ele que caiu de para-quedas na Faria Lima onde estava rolando a Banda Glória. Até o Zé Serra foi pra lá prestigiar. Mas estava tudo bem, eu ansioso pra ver a Gal, ansioso pra fazer xixi...

Alguém sabe o sacrifício que é mijar no Shopping Light?
O primeiro banheiro do shopping fica no segundo andar, demora 3 minutos pra chegar de escada rolante (não tem elevador), custa 50 centavos e é sujo! Eu disse pro moço: se eu tiver que procurar 50 centavos na mala, é melhor nem procurar, vou mijar aqui mesmo. Aí ele me deixou passar. Por que viu que eu não tinha condição alguma de procurar os malditos 50 centavos e ia mijar na porta.
Como é bom ter classe.

De volta ao Municipal pra assistir Zé Rodrix, não rolou devido ao áudio muito baixo das caixas de som da rua, som baixo. Fomos embora pro Zé Ramalho (“AVOHAI!”).

Já estava perdido a essa hora... O que fazer, aonde ir, qual o nome dessas ruas? Dá-lhe mapinha na mão e um show na rua. Um improvisode samba na porta do Teatro Municipal, com banda, Irene, risada, fogareiro, num dos momentos mais Brasil de todos. Do telão eu assistia O som nosso de cada dia, e da rua eu participava do som nosso de cada dia. Até acabar a farra.

Passamos por alguns momentos ravísticos da noite, pelas baladas puts puts do centro histórico, mas só de passagem mesmo. O caminho agora é o palco independente no Páteo do colégio, aonde começamos a fazer um bate cabeça a comando do sr. Fê Lembo. Morri de rir... Montinho no
Rudy! E aí o sono veio...


oO Cenas que gostaríamos de rever em algum momento Oo

The dreamers: Thay apóia em Rudy, Pedro apóia em Thay, Fê apóia em Thay também. O céu tinha tanta estrela e as cores do Páteo eram as mais diversas possíveis. A banda que está tocando é instrumental = Sono coletivo. Fê morre de frio, Rudy cede o agasalho e ele nem percebe de tanto sono. Alegria de estar ali com eles. Silêncio... Uma porrada de estrelas no céu.

Corta!


Outra banda começou e acordou todo mundo, Unidade Imaginária, do Rio de Janeiro. Foram bons, esses, pra acordar. A band leader é gata, mas daquelas gatas mesmo. Pique Pitty, mas um pouco menos rancorosa que a Pitty. Mais divertida, mais dance e com letras tão profundas quanto.


Impossível não comparar. Os caras tem um feeling muito bom de palco e um som naturalmente comercial, mas pop e criativo (o grande trunfo da Pitty). Mas som de banda é sempre mais heterogêneo, portanto, fica a promessa de ouvirmos falar da nossa Unidade Imaginária que aqui eu falo com entusiasmo.



Depois disso andamos ao léu, comemos yakissoba, Thay dormiu no meu colo, Fê dormiu no outro. Rudy deu risada. Acordaram e fomos todos pra casa.


Amanhecer em Sampa, o centro fervendo, fomos recarregar energias, tomamos café e cochilamos. Rudy foi pra voltar e Fê comia dormindo. Todo mundo ria.

Fim da 1ª parte.

29 abril 2008

nós, por exemplo 2ª parte



8:45, amanheça brilhando mais forte, vamos ao Teatro Mágico, de novo quem manda é Thay. Mas ela manda muito bem. Eu passo a gostar do show pela alegria dela, e até deixo escapar alguns versos que decorei de algumas vezes que ouvi TM. Dessa vez tia Lú entrou no esquema.


9 horas, depois do café, maisfermentados e água, o sol mata a gente. Subo no cangote do Fê e vejo a multidão, o povo indo a loucura, o Teatro mandando muito bem, o som na tampa como tem que ser. Camarada d'água é o nome da música que eu gosto. A única. Pra poder continuar ranzinza.


Na saída do show, participações especiais de um pessoal do Sanfra que andava meio sumido, tudo gente fina. Fui pra casa, e no caminho, ouvi um trecho de The Jordans e pronto. Morri.

Parei em casa por um tempo e logo corri pra Paulista acompanhar a gafieira a céu aberto.
O clube do balanço foi a única esolha do Rudy Ritter, então achei de direito.
Na Paulista o clima era bem diferente do Centro. Sombra, cerveja barata, banheiros químicos novos, limpos e desocupados, espaço pra dança, pra sentar, pro que quiser. Tarde linda
.

O Clube do Balanço é uma grande banda, e como são divertidos. Minha mãe apareceu, dançou, nos acabamos todos. Bendito engov, tia Lu tava a toda essa ano, Rudy veio de lanterna verde, eu quase me escondi de vergonha. Culpa do jogo do Palmeiras.


Depois do show do Clube, eu sabia que não teria mais pique pra nada, afinal, eu tinha oficialmente feito a Virada, como estandarte do evento, cresci gradualmente como ele. Gastei gradualmente também, meu bolso tá doendo até agora, a grana foi o corte. Vaquina pro ano que vem sem pestanejar.

Valeu tudo.
Segunda e Terça no trabalho e eu ainda lembro de um monte de coisas e dou risada...

Luis olha sério, soube que não rolou nada e pergunta:
-Não vai dar nada?




(pausa)








- Nem o cu!?

Pedro.

x


in bed

And then I came
And then you come
telling all I want to hear
Even if we'll leave behind
the day before tomorrow

And then you may
you may get pretty close
of what i'm bout to think
what I'm thinking of

In bed
(P.A)

Rasscunho pra acabar.
Será que acabo?

Pedro.
x

28 abril 2008

massa real

Antes de postar as imagens e o texto sobre a Varrida Cultural, aqui vai o que eu consegui assistir com meus comparsas mais que perfeitos pra noite, para aquela noite.

O que eu assisti ao fim da Virada-Varrida Cultural foi:

Palco das Meninas
18h - Mariana Aydar

Canja-Rock Blues
19h30 às 20h
Rian Batista
Maurício Madder
Júnior Boca
João Cristal

Palco Independente
20h30 - Vanguart (MT)

Palco São João
21h - Gal Costa

Maratona de Rua: Circo, Teatro e Intervenções

Piano na Praça
0h - Zé Celso Martinez Corrêa

Palco São João
0h - Zé Ramalho

Eletrônicos (Silent disco, pistas)

Teatro Municipal
3h - O Som Nosso de Cada Dia - Snegs (1973)
+ samba improvisado na porta do teatro

Palco Independente
4h - Fóssil (CE)
4h45 - Unidad Imaginária (RJ)

(Pausa - Café da Manhã - Pequeno cochilo coletivo em casa)

Piano na Praça
8h - Eva Gomide

Palco São João
9h - O Teatro Mágico

Baile do Arouche
11h - The Jordans

Itaú Cultural
13:00 Instalação H2 0lhos

Sesc Paulista
14:30 Clube do Balanço

Foi "só" por esse ano.
Conto mais logo menos.

Pedro.
x

26 abril 2008

contra os pedaços do meu coração

Hoje é dia de Virada super Cult. E eu, estandarte do festival, estarei presente, como estive nos últimos 2 ou 3 anos, nem lembro mais.
Sei que espero o ano intero por isso. Por risos, por muita gente, por adorar a noite, por gostar de quando tudo rola na paz, pelo pessoal B no centro, pelos uptown boys and girls vindo downtown.
É muita coisa que a Virada traz.

Quando o Arnaldo Antunes disse "A gente quer inteiro e não pela metade", era a isso que ele estava se referindo, desejos, necessidades, vontades. A gente não quer só comida, a gente quer bebida, diversão, ballet. A gente quer a vida como a vida quer.

Como muita gente tem reclamado de eu trabalhar agora em um órgão público (a qual se referem como "Pedro fazendo a função social"), eu digo que a função social também está aonde eu trabalho, como está na Virada Cultural. É o inteiro sendo oferecido. Fiquemos felizes por isso!

Que a Virada, a Parada, a Peruada, a feijoada, a buchada...
Que todas tenham muitos carnavais pela frente.

Super esquema da minha programação (com opcionais inclusos):

Virada Cultural 2008

Palco São João
Local: Av. São João com Rua Aurora
21h00 - Gal Costa
(27/04) 15h00 - Orquestra Imperial

Palco das Meninas
Local: Av. Ipiranga, esquina com Rua Araújo
18h - Mariana Aydar
22h - Marina De La Riva
(27/04) 17h - Fernanda Takai: disco em homenagem a Nara Leão

Festivais independentes
Local: Pateo do Colégio
01h30 - Vanguart (MT)

Rock Republica
Local: Pça. Da República
18:00 Ultraje a rigor

Peruada Noturna
Os alunos do Lgo. São Francisco, após uma série de encontros literários em diversos cafés do centro, se reúnem para a versão noturna de sua tradicional passeata político-etílico-carnavalesca.

Espaço dos Satyros
Local: Praça Roosevelt
19:00 Bate Papo - Peça teatral (do Tuna, meu diretor).

Baile Chique
Local: Parque D. Pedro
17:00 Africa Bambaataa

Pista São Francisco
Progressive Psy

Pista XV de Novembro
14:00 Dj Patife

Casa das Rosas
Local: Av Paulista
23: Tom Zé

Sesc Avenida Paulista
14:30 Clube do Balanço

Ficou bom ou não?

Pelo menos vai compensar o fato de que eu tive que trabalhar,
e por isso não pude ver Veveta no Estância.
Bjusmincontrem.
=)

Pedro.
x

25 abril 2008

Peter's emancipation

Não tem outras palavras, nem outro sentido. Não estou me sentindo o máximo.
Mas não há outra expressão melhor pra colocar como estão me tratando. Estou me sentindo super-sexualizado pelas pessoas. Nunca me senti assim, em outras palavras (encontrei-as) meio objeto sexual, meio símbolo. Tudo empurrado, tudo o que eu não quero. E eu realmente não quero isso.

Vivi a vida inteira um tanto invisível pros demais, e agora querem me empurrar o que eu sou, o que acham que eu sou, que vêem em mim uma ambiguidade, que eu gosto de meninos e meninas, de homens e mulheres, que eu sou isso e aquilo, lá e cá, que deve ter muita gente afim de mim. E que tudo isso é bom pra mim. Mas não é isso que eu quero, não acho bom pra mim, não gosto de meninos e nem quero ser símbolo, nem ambíguo, nem nada disso. Eu sou o mesmo invisível, nada imagem, todo ícone e não símbolo, que namorava uma control freak mais velha que eu. Além de estar em todas as estruturas.

Hoje isso não é mais possível, pra ser um e todos, tem que se estar disposto a ficar dentro de todas as estruturas.
Eu sou íconoclástico e não simbólico, sirvo apenas à minha estrutura, ao meu ideal pessoal, gosto apenas do que me convém (por mais que insistam em dizer o que me convém) e por mais que seja inseguro.

Não tenho duas vidas. Não sou persona pública, mesmo sendo um provocador, não finjo intimidade com ninguém, por isso eu sei o quanto eles também se irritam.
Perguntei ao Dré, - modelo do grupo - como ele se sentia em relação a isso e ele fez praticamente um discurso-manifesto-anti-sexualização. Eu achei muito engraçado quando ele disse que insistem no fato dele ter que ser tudo para todos, uma espécie de promiscuidade bonita, permitida, primitiva e completamente fora dos controles de liberdade do próximo. Como se fosse decretada a liberdade sexual e todos tivessem que segui-la. Concordei em tudo com ele, aplaudi a janela do MSN. Nem digo que seja uma reação gls apenas. É algo de homem pra mulher, de mulher pra homem, de lésbica pra mulher, de gay pra homem, de lésbica pra gay, de homem pra lésbica... É geral.

E 99% das pessoas que ler vai me achar atrasado, ignorante, bloqueado, sexofóbico, o que for. Sei que não é.
Procuro levar numa boa isso tudo, mas as pessoas começam a fazer amizade por segundas intenções, começam a querer saber da vida pessoal, começam a inventar intimidade onde não existe e não existe nada mais destrutivo quando uma pessoa idealiza algo que na verdade não é, ou me idealiza como algo que não sou.
E quando ela quer que seja, e que eu seja, piorou.

Existe uma fila de garotos e garotas-reis-rainhas-da-rua-augusta esperando para serem os sexualizados do momento e queridos do público EM GERAL, talvez eu devesse considerar o fato de eu ser um escolhido como um elogio. Mas não vejo nada disso. O que eu vejo são tiazonas e tiozões querendo cada vez mais instituir o poder do sexo livre, hedonista e descompromissado pro resto de suas vidas, e passando uma imagem péssima pra muitos.

Eu não sou o rei do sexo, me considerem um bloqueado sexual se quiserem por não gostar do que impõem.O que importa pra mim é passar conselhos pra uma amiga que estava com problemas (garotas, garotas!) e me sentir bem com isso. Essa outra ainda tem muito que aprender, uma "perdida" no mundo e no Augusta way of life. Sem estima suficiente pra se impor social e sexualmente.

Não sou de todo mundo, não faço a mínima questão de que todo mundo seja meu também.
Quero só o que é meu
(feliz de mim que tenho - até por demais - amor),
que afinal, na hora H, é o que importa,
todo o resto, é gossip. And I'm soooooooooo over that.

Não sei “what it feels like for a girl in this world”.
Não deixarei um estranho me passar uma doença social por isso.

Pedro.
x

Ps: Sexo é bom!

when you were young

Aqui, pra ninguém mais, estou ouvindo "When you were young" e estou tão triste. Como isso acontece?
Como disse o Pessoa; não sei se a vida é pouca ou demais pra mim. Mas definitivamente não deveria acabar pra pessoas como ele ou como eu. Sinto por muita coisa, por ter quase 20 anos e sentir tanta grandeza em ser, mas ao mesmo tempo saber que o tempo é tão complexo, mas tão complexo que eu jamis irei entender como funciona. Se ele desvaloriza realmente o espaço dessa grandeza.

O fato não é apenas morrer, o fato é envelhecer, sabe...
O fato...
Ser apenas uma banda de roquenrou, rollin' por aí, respeitado pelo passado formidável, lembrando as maluquices da juventude. Odeio essa palavra, juventude, odeio mocidade também.
Arre, odeio sentir e partir com tudo isso por resolver.
Mil vezes odeio.

Pessoa, eu também verifico que eu não tenho par nisso tudo nesse mundo.
Mas foi por um tempo tão curto e um sentir tão espontâneo, que a canção acabou e o texto acaba também. Passou por enquanto.

Só pra finalizar: alegrias e tristezas durante o dia, cada vez mais oscilantes.

Pedro.
x

22 abril 2008

paint the silence

O quarto era cheio de cores, branco, amarelo, azul claro, verde, uma verdadeira mistura, porém perfeitamente combinada. Porta-retratos continham imagens de um garoto sorrindo, e a luz do sol que invadia o ambiente todas as manhãs conferia ao ar um tom de frescor. As janelas abertas permitiam que o vento tirasse as cortinas para dançar, enquanto bonecos e brinquedos de olhos brilhantes as observavam.

Um poster com um personagem clássico de Walt Disney situava-se nas costas da porta e tinha o maior sorriso de todos. Mas ao invés de competir, apenas adicionava um grande sentimento de felicidade ao lugar.

Pensei que eu fosse chorar no exato momento em que tropecei num trenzinho esquecido no chão, que começou a andar e dizer assim – tic-tac tic-tac. O volume permanecia o mesmo, mas para mim era como se crescesse insuportável, alto demais. Li um cartão de aniversário que dizia: feliz aniversário, meu anjo. E então, descobri que seu nome era Pedro, Pedrinho. Veio-me este pensamento de que eu não seria mais capaz de investigar o caso. Pedro, Pedro, saber o nome dele, dar nome as coisas, era demais, era como um martelo acertando a minha cabeça a cada dois segundos.
Pedro, Pedro, ele tinha a idade do meu filho.

Folheei seu pequeno diário, e a letra era tão nítida, tão organizada, que me soou como um convite. Aquilo que eu lia, eu traduzia assim: feliz. O vento estava certo em dançar com as cortinas. Os brinquedos sorridentes não tinham recebido a noticia. Era eu quem estava lá denunciando o crime, o estranho investigador.

A garganta foi me apertando, o coração batendo como uma borboleta preta exausta, os olhos lacrimejando. Não consegui ficar mais um momento, corri para o banheiro e desandei a chorar.



[fim].

Escrito por Breno Pessoa, no blog Dedos Nervosos.
Alguém que não me conhece.

Pedro.
x

reverberações, 2

Eu tenho muitas canções por fazer, tenho outras a fazer ainda. Estou contente que o fluxo do cancioneiro desse ano veio, o passo inicial foi dado. Gosto muito de compor, gosto daquele fim de caderno cheio de esboços e da proteção extrema para que ninguém leia. Aqueles versos são meus, aqueles versão são eu. Gostando ou não deles, são eu na forma menos sintetizada possível.
Tenho feito letras pouco musicais, me preocupa. Gosto de melodias, não pedi nenhuma, não tenho nenhum conceito de que tipo de letras e de músicas eu quero pra esse tempo.
Sei que elas não estão muito melodiosas. É o caso da música ter de se encaixar à letra e não o contrário e nem o balanço dos dois que eu gosto tanto (minha forma preferida de música, quando nada fica de fora).
Isso se justifica pela falta de violão. E como é bom poder tocar um instrumento... A melodia pode estar toda na cabeça, se não tem como reproduzir aquilo na hora, fica a letra mas depois pra cantar, pra encontrar a linha melódica é tão difícil Sorte tem
Bob Dylan essas horas.

Mas fazendo algumas considerações sobre as canções de agora, sinto que são mais do momento-sentimento de hoje do que aquelas mais atemporais. Não sou eu quem controla o que se escreve, mas se fosse, não escreveria essas coisas falando apenas dos dias e dos sentimentos de hoje, daqueles que são “one night stands”. Até porque não gosto da letra no dia seguinte, ou na semana depois de tê-la escrito. Bom mesmo é compor algo como “Boy Interrupted”, um hit meu e do Vasco. Um bubble gum com uma letra toda mutante e deprimida.
A letra descompacta todo o sentimento de uma época, mas é algo que constantemente se repete, e por isso sempre me dá vontade de cantar. Sempre a mesma identificação, o mesmo personagem indo pelo mesmo trilho over and over again.

“Maybe it was just the begining of the century
When I'm self centered at my will
But nothing here feels really up to me
Feels like I don't belong

Maybe I haven't been part of this legend
to feel so safe in here, anyway
Somethings cannot be forgotten
Where I'm not allowed
Or Where I'm not so strong”


Existe uma grande diferença em cantar, gostar de cantar e se identificar na canção.
“Boy Interrupted” é um desses casos de me ver naquilo que escrevi, coisa que adoro quando acontecem.

Da safra nova, eu fiz uma (ainda sem nome), que eu gosto muito, mas não tem musicalidade à vista nela. É toda amor, é toda prosa, nada harmonia.

“Existe muito mais
do que nossa intimidade pode supor
mais do que do que pode a dor
o que eu sei de você de cor
do que você pode ter
de informação
em mim”

As duas são do mesmo núcleo, aquele da identidade.
Um atemporal, outro, coisa do momento.

Estrutura é o que não falta, mas como eu já disse, é a diferença entre todos aqueles tipos de gostar. Me identifico com a letra, mas preciso sempre da melodia pra poder gostar de cantar. Adoro arranjo vocal. Mesmo sendo um tempo tão pouco melodioso (por falta do violão e da experimentação e da companhia dos meus amigos, meus músicos que são essenciais à minha música). Mas em breve (muito em breve, por sinal) isso tudo volta.

- É de manhã, eu estou com muita vontade de escrever e estou entregando canções que nem terminei de compor -

Aqui é pra ler o Reverberações 1, no Segredo antigo (no UOL).
Outro dia a gente continua.

Pedro.
x

21 abril 2008

à língua de Luís de Camões

Mais do sempre mesmo questionário Proust.

22.Qual é sua palavra favorita?
Curiosamente, eu gosto da palavra “palavra”. Não poderia escolher uma específica.
Em inglês é mais fácil, gosto de “party”, de “stand”, “letter”, mas em português, a língua mãe, tudo fica mais difícil. “Visceral” é uma palavra que eu adoro.
Mas pra escolher uma só, eu escolho “palavra" e em segundo lugar "cidade".

23.O que você mais detesta?
Caos pessoal.

24.Quais são os Personagens históricos que você mais despreza?
Tenho um pouco de raiva da igreja (como instituição), mas não saberia dizer de cabeça um papa que eu odeie profundamente. Tenho raiva de todos os ditadores.
Mas o presidente brasileiro Costa e Silva me irrita mais do que a grande maioria, ele se supera muito. Pra ele, não basta ser ditador, tem que ser ignorante também.
É o cúmulo do subdesenvolvimento.

Pedro.
x

13 abril 2008

do you think I'm satisfied?

Já disse que eu sou o inferno? Pois é, eu sou o inferno e todas as subdivisões desse inferno, todos os seus cantos.
Sou o próprio dono também, the one-who-must-not-be-named. Pensando por essa forma tudo na vida se explicaria, tudo mesmo. Mas aí vem a informação de que eu sou também o céu, todos os seus cantos, divisões e subdivisões.
Sou o próprio dono também desse céu, aquele que a gente diz o nome facilmente em qualquer situação, e eu acredito mesmo que o nome nunca é em vão: Deus.

Eu já fui muito ruim, propositalmente. De uma forma muito contraditória eu gosto e ao mesmo tempo não gosto das pessoas que eu conheço desconhecerem esses fatos, o quanto eu fui ruim para outras pessoas ou como eu fiz mal pra mim mesmo, como fui autodestrutivo. E os fatos estão num extremo tão radical que essas pessoas que me conhecem talvez nem conseguissem me identificar, ou conviver comigo.

Penso no oposto, quantas vezes fui a salvação pra mim e pra tantos. Gosto de pensar nessa palavra: salvação.
Ser a salvação indiretamente, por que é muito mais fácil (e obvio) pensar em ser a degradação das pessoas de forma indireta, a salvação sempre passa batido. E eu posso estar superestimando a mim mesmo e às pessoas em geral, mas não arriscaria em questionar os acasos.

Fiquei pensando nessa idéia de céu e inferno agora mesmo enquanto escrevia o texto, e cheguei a uma conclusão curiosa: pode existir uma qualidade em cada um que extrapole o limite do vício e da virtude, algo que leve à criação do que há de melhor em todo mundo, e que leve ao pior, algo muito além dos extremos. Algo que una o inferno e o céu, a dor e a delícia de cada um em uma só característica. Cada pessoa tem algo assim dentro de si, alguns opostos, outros praticamente iguais, mas bem na raiz disso, existiria algo que diferenciasse essa qualidade das pessoas, como um código genético, como o DNA.
E essa diferença poderia fazer a seleção natural acontecer espontaneamente, levaria alguns aos limites da fama ou da lama.

Seria essa qualidade aquilo que chamamos de dom?

Se fosse (e pode ser), a minha seria (é) a competição.
Ninguém imagina o Pedro, tímido, esquivo, calmo, quieto, quase morto, quase um fantasma, quase um suspiro...
Quem ousaria dizer que eu sou competitivo?
Eu sou o pior tipo de pessoa no quesito competição.
Não me importo muito com a vitória pelo prêmio, não me importo com a festa dos campeões, eu nem gosto dos campeões.
Eu gosto de competir comigo, é algo interno às vezes as pessoas não sabem que é uma competição, mas pra mim está implícito.
Quando eu vou pra academia eu preciso ter mais resistência, eu não posso parar senão eu perco. É uma competição, comigo, com as pessoas ao lado, eu posso forçar um pouco mais e ser melhor do que todos eles. Eu preciso.
Precisome superar e ganhar de todos os outros que estão contra mim (mesmo quando não sabem). As competições que realmente existem eu não gosto de participar, por puro medo por antecipação de perder. Também não acredito em derrotas.
Eu deixo as pessoas nadarem na minha frente até chegarem ao meio da piscina pra começar a nadar e alcançá-las.
Não existe não alcançar, ficar pra trás.

Essa semana eu quis não competir, nem comigo, nem com ninguém, meu aproveitamento caiu, meu ritmo baixou.
Só melhorei correndo. Pensei em várias coisas, desde Isabella, até o que eu teria que lidar no meu novo emprego (sim, ele existe), e sem perceber eu não estava correndo, estava fugindo e deixando tudo pra trás. Não estava competindo contra a competição, estava correndo.

Meu corpo ficou tão quente que o ginásio ficou aquecido e vermelho de manhã, numa manhã sem sol. A instrutora ficou perplexa, os outros seguiram aumentando o ritmo, saía sangue do meu nariz, mas correr era o que havia.

Era o que o céu e o inferno me davam para o momento.
Correr era a minha vida.
Meu dom.

Pedro.
x

10 abril 2008

I’m sleeping to reality

O mundo dos sonhos e o mundo da realidade estão se cruzando com uma freqüência muito grande. Guerra dos mundos.
Nada mais poético pra um começo de texto do que dizer que o “daydream” está se tornando constante.
Poesia, sonho realidade, o que eu tenho a ver com esses caras?
O que eu ainda espero de tudo isso, o que vai acontecer se nada acontecer?

Será que essa minha estúpida retórica terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?

Ouvi dizer que se chama mescalina, é uma fala do Matrix.
Em qualquer lugar que se possa ir, sempre surge uma informação por cima e o primordial vira secundário instantaneamente, aí sim, o dia pode virar noite. Por que existe o sono mas pouca vontade de dormir e obviamente fica a cargo das pessoas definirem quem é sonho e quem é realidade, o sono ou a (falta de) vontade de dormir. É com vocês. O que eu escolher pode ser sempre mais um absurdo da minha cabeça, entre tantos absurdos formados.

Posso contar?
Posso mesmo?

É muita coisa mas vamos começar pelo fim que os meios não são relevantes: descobri que eu gosto de aniversários.
Sempre pensei que não gostasse, mas eu gosto, gostei do meu nesse último ano. Na verdade o que eu pensei que fosse culpa do evento, nada tinha com o evento, o problema é a fobia de envelhecer, ou a famosa gerontofobia (ou geracofobia, de acordo com um dicionário). Isso não é legal, não está sendo. Crise de pensamento, crise de escrita, atraso de vida. Arriscando tudo pra perder isso mas eu penso muito, eu sempre remoí demais meus pensamentos antes de largá-los. E esse é um que eu não preciso, mas ele existe. Nunca precisei, aliás, preciso que vá embora urgentemente, before I lose it.
And I’m really about to lose it.

Quando eu era menor, nunca consegui pensar em mim como alguém da minha idade. Me entristecia por que pensava que fosse “quebrar”, por que pensava em mim como um robô, meio amputado. E não tinha capacidade de pensar em mais nada e só por isso ficava bem triste. Coisa de criança mesmo.
Mas o pior é que não, era eu manipulando meu pensamento desde então. Por que devido à minha alta imaginação eu poderia muito bem pensar em mim como um adulto, mas é claro que eu mesmo não queria, não topava, não combinava comigo.
Daí vinham outros dias e outras noites, às vezes tão sobrepostos como esses de agora e eu esquecia, aquilo passava.

Dormir para a realidade por puro deboche sempre foi meu aceno a mim mesmo em qualquer idade. É minha ironia pro mundo e minha anti-fuga, até por que preciso que aquilo seja visto pra que se torne engraçado, pra mim e comigo apenas.
Ninguém mais sabe fazer. Mas aí vai passando o tempo novamente e o medo disso não acontecer mais e de tudo tomar uma proporção muito séria chega, e eu fico com medo disso, não é justo comigo.
A bossa, a fossa, a nossa grande dor. E depois?
Dinheiro gasto com qualquer coisa e doses cavalares de álcool destilado com um refrigerante de quinta, numa
terça-quinta-sexta-feira?

Estamos os dois com 19 e 29 anos. Sim, isso me assusta.
Estamos os dois com o peso do amor ao redor.
Sim, isso me assusta.
Estou com o mundo ao redor, todo feito em par, cada susto corresponde a alguém, mas alguém tão especial que só poderia fazer parte do meu sonho-realidade se realmente me desse algo pra ter de memória.

E eu estou dormindo para a realidade.

Pedro.
x

07 abril 2008

eu achei que sentir era só deixar o barco correr

Corilhanacaína

Éramos, ou ainda somos, todos nós unidos em um mesmo amor. Como se cada essência se fundisse, e assim formaria, um perfume intenso, excêntrico e avassalador.

Perfume, com aqueles aromas que viciam e que mesmo que o tempo passe, a roupa ainda continua exalando odores. Perfume, com aqueles aromas que viciam e que mesmo que a briza passe, você ainda sente todas elas te comendo por dentro.

Cocaína! O meu encanto por você é cocaína, daquelas que eu uso todos os dias, e antes de durmir me faz falta.

Cocaína! O meu encanto por você é cocaína, daquelas boas que eu não quero largar e me faz acreditar que isso completa o meu coração.

Cocaína! O meu encanto por você é cocaína, daquelas que acendem o meu corpo e me faz procurar por você até nos mapas que você jamais estaria.

Cocaína! O meu encanto por você é cocaína, daquelas que me fazem ouvir uma música sem parar e me faz querer sempre dançar. Nos faz, querer sempre dançar... Contigo.

Cocaína! Daquela, que sem ela, causa... Abstinência.

Sem ela...


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Trocando a droga por pessoas em cada situação, trocando a droga por uma fase da vida em que eu estou, trocando a droga pela passagem da vida, TODA minha vida e meus pensamentos atuais estão no poema que a Igi escreveu.
Integralmente.
E por que não dizer (sem medo), em forma de crise também.



Corilhanacaína de Igilolá Ayedun, fotos de Thaiane Caroline

Pedro.
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